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Como em qualquer sociedade islamizada, na Guiné-Bissau nas etnias islâmicas a religião funciona como o centro da vida familiar e social.

A aprendizagem daqueles que um dia virão a ser marabouts começa logo na infância, nas escolas religiosas aprendem o Corão e com os avós a prática do diagnóstico e cura.

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Esta questão já tinha sido referida por outro curandeiro.

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Qualquer um da mesma geração do djambacó falecido pode vir a ser chamado, no entanto também há a possibilidade da alma do defunto reincarnar noutra geração. Geração: os filhos da irmã é que são da sua geração e não os próprios filhos (Sobre esta questão ver Somersan, 1984).

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Esta aprendizagem também pode ser feita com um mestre conceituado e só após uma longa aprendizagem é que o novo curandeiro pode dar início à sua prática.

Tanto durante o processo de aprendizagem como durante os anos de prática, as viagens são uma constante, apesar dos custos financeiros que tal implica, mas a procura e recollha de determinadas plantas, a aprendizagem com marabouts famosos a tal exige. Mais tarde a procura de mercados mais populosos para os seus serviços e com maiores recursos financeiros, leva a que muitos viajam até à Europa e se possível até aos Estados Unidos da América.

Tal como descrito por Gemmeke (2008) em relação aos marabouts no Senegal e em toda a zona do oeste africano, também na Guiné-Bissau os marabouts, com uma forma muito própria de trajar (Anexo 1), aqui denominados de mouros são conhecidos pelas suas qualidades de adivinhos e desempenham um papel multifacetado, reunindo em si o filósofo, o conselheiro familiar, o curandeiro e a autoridade religiosa conseguindo encontrar explicações para as diversas situações pelas quais são procurados, desde as familiares até às políticas.

Ao marabout/mouro está também associada a função da produção de misturas a partir de plantas e raízes. Estas misturas são enroladas em versículos do Corão e protegidas por um pequeno invólucro de pele de cabra, que deverá andar sempre junto ao corpo (na cintura ou ao pescoço) como forma de proteção contra todo o tipo de mal. Este assunto tem sido descrito por vários investigadores em diversos trabalhos 286 (entre outros Brenner, 2001, 2000, 1984; Doutté, 1984; Fahd, 1966; Hamès, 1993; Mommersteeg, 1996).

Estes homens e mulheres são respeitados e receados pois crê-se que tenham poder para fazer mal por “encomenda”. No entanto aqueles com quem falámos referiram não aceitar tais práticas pois tudo o que se faz retorna ao próprio ou à sua família e “tudo o que é nomeado, existe”, por isso é importante ter cuidado com as palavras.

Em relação ao preço cobrado, nenhum dos marabouts contactados tinha um preço fixo para os diversos tratamento, no entanto estes podem ir dos 1.000 CFA287 até alguns milhares, consoante a gravidade, o tipo, a duração do tratamento e por último a negociação que é sempre possível fazer.

Todas as despesas extra são pagas à parte, ou seja as mézinhas, os animais necessários sacrificar e tudo o mais que seja exigido durante o processo de tratamento.

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Também a cultura e processos curativos entre os grupos islâmicos não diferem muito dos praticados nos países circundantes, tendo sido estudados e descritos por diversos autores (Zempleni, 1985, 1982, 1974; Winkelman, 1990; Winkelman & Peek, 2004; de Jong, 1987).

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O diagnóstico pode ser feito recorrendo a diferentes técnicas, alguns curandeiros usam a colocação de cascas na parte interna e exterior do joelho, enquanto que outros preferem a auscultação do pulso, mas todos concordam que há doenças que devem ser enviadas para o hospital, tais como feridas para coser, hérnias e situações que exijam intervenção cirúrgica.

Também é usual após a obtenção dos resultados serem efetuadas ofertas, tanto em bens como em dinheiro.288

Contrariamente ao que acontece no Senegal, (Gemmeke, 2008) aqui os marabouts não fazem qualquer tipo de publicidade, sendo conhecidos pelos resultados que obtêm com os seus clientes.

Tal como acontece com os djambakós, entre os marabouts existe uma distinção entre os que se especializaram em determinadas doenças e os que tratam fraturas e endireitam ossos (Anexo 1).

Foi-nos dito que a família deve ser uma forma de apoio para quem está doente e que aconselham as mulheres que sofrem de tristeza a serem enviadas para casa da mãe ou de alguma irmã durante o tempo do tratamento.

Para a tristeza é prescrita, tal como nos foi indicado anteriormente, chá de raíz de Djutu289, 3 x dia, durante 7 dias.

A explicação para a utilização do Djutu é que quando se sofre de tristeza o sangue está parado dentro do organismo e esta planta vai provocar a sua movimentação.

A folha do limoeiro é indicada para colocar na água do banho (Anexo 1), também 3 x dia e para dormir a raiz de Sunhi290, que deve ser dissolvida (2 colheres) em litro e meio de água, deixar repousar cerca de 5 horas.

Já para Boca Jao, do Níger a tristeza trata-se com Andjai291, que depois de moída deve ser usada tanto para lavar a cara como para fazer chá. Também se pode usar a Bodadi, que se moí e mistura no café devendo de se ter o cuidado de ferver bem. As mulheres devem tomar 4 x dia, enquanto que os homens 3 x dia e tanto uns como os outros tomar durante 4 dias.

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Foi-nos confidenciado por diversas vezes que recebem dinheiro de clientes na Europa, particularmente em Portugal e em França.

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Securidaca longipedunculata, nome latino.

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Planta já anteriormente referida.

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