Conclusion and Future Work
6.2 Future Work
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AN EXO 1
Entrevista com o presidente da Federação Nacional dos J ornalistas, Celso Schröder, em entrevista concedida ao autor em 26 nov. 2013.
Qu al a o pin ião da Fe de ração N acio n al do s Jo rn alis tas ( FEN AJ) s o bre o Du plo Em pre go n o Jo rn alis m o ?
Re s po s ta: Há vários sentimentos. Um sentimento forte é que o duplo emprego acarreta uma precarização. Ele é fruto de uma necessidade de compensação salarial, de complementação de renda e uma extensão da jornada de trabalho. Então, ele tem um componente, inerente, negativo, que significa, quase sempre, uma exaustão, para além da jornada necessária. Esta é uma primeira constatação e obviamente isso não é sempre. Segundo, há um componente ético, que também não é sempre que ocorre, e que felizmente está se modificando. Que era uma relação muito perversa entre o trabalho na redação e um trabalho secundário, ou um trabalho primário, porque a renda maior às vezes era fora, em outro local, onde o trabalho se realizava. O trânsito, o tráfego de informação, acontecia. Houve um período, nos anos 1970 e 1980, que isso era muito comum e que, infelizmente, ainda existe, m as que está diminuindo aparentemente. Um terceiro aspecto é que o duplo emprego não precisa ser isto, ele pode ser, por exemplo, em alguns momentos, uma realização perfeitamente aceitável, como o caso do professor, ou trabalhar em outro setor, ou trabalhar em dois locais com jornadas compatíveis, embora a jornada de cinco horas do jornalista quase sempre fique vencida pelo duplo emprego. Há um aspecto preocupante, porque quase sempre é uma extensão de jornada, e portanto uma degradação do trabalho, tem os aspectos éticos que ressaltei e tem o terceiro elemento que é compreender o duplo emprego como um elemento complementar possível e, alguns momentos, enriquecedor, na medida em que se pode transitar experiências de um lado para outro.
Po r qu e o Có digo de Ética do s Jo rn alis tas Bras ile iro s ado ta u m a n o rm a pe rm is s iva ao Du plo Em pre go e n ão s e gu e a n o rm a de o n to ló gica de o u tro s país e s , qu e pro íbe o jo rn alis ta de po s s u ir u m a atividade s e cu n dária?
Re s po s ta 2 : Primeiro, porque que acho que é uma compreensão muito própria, de acolher a realidade brasileira. Proibir o duplo emprego seria jogar na ilegalidade ou na imoralidade 80% dos jornalistas brasileiros. Temos de compreender
que a forma como o trabalho se estabeleceu no país, que é muito perversa e degradante, ele nos obrigava a uma compreensão um pouco mais flexível. Segundo, é um olhar genuinamente brasileiro. Ao contrário de outros países, em que a assessoria de imprensa, por exem plo, não é considerada jornalismo e, portanto, para exercê-la é necessário que eu abdique da condição de jornalista para exercê-la, no Brasil, não. Nós, acertadamente, imprimimos uma marca jornalística na assessoria de imprensa, e portanto, aos fazermos isso, eticamente temos de aceitá-la. O grande problema era esse: o Duplo Emprego na assessoria de im prensa e na redação onde eu transito, onde eu trafico informação de uma para outra e, portanto, isso era inadmissível. Isto está vetado no Código de Ética dos J ornalistas Brasileiros. O tráfico está vetado, porque nós reconhecemos a possibilidade de exercer a assessoria de imprensa de uma maneira ética, jornalisticamente ética e, portanto, sem problemas. Agora, é possível eu, fisicam ente, ter duas jornadas? É muito difícil. Quando tenho duas jornadas eu estou ferindo um aspecto ético que é a extensão da jornada de trabalho. Ou seja, trabalhar além da minha jornada e ganhar a menos que a remuneração está vetado pelo Código de Ética, porque obviamente eu ocupo o lugar de alguém. Embora, eu concordo contigo, o Código de Ética tenha esta flexibilidade, é permissivo neste sentido, eu justifico a partir da compreensão da história. Eu reconheço que ele tem um elemento complicante, que é, aceitar, concretam ente, de alguma maneira anunciando um descumprimento ético, porque eu vou, de alguma maneira, estender a minha jornada de trabalho. Embora eu ache que é possível trabalhar em dois locais, eticamente. Este veto que na Europa e nos EUA está muito claro, porque lá o exercício da assessoria de imprensa está vetado, não é jornalístico, no Brasil isso está superado e acho que acertadam ente. Tenho visto, em nossas experiências internacionais, como isso está senso acolhido. Ou seja, como é interessante para eles perceber como nós trabalhamos com isso e como é que isso incidiu sobre a profissão no Brasil. Espanha e Inglaterra começam a discutir como é possível e como é necessário, inclusive. Seria relevante uma assessoria de imprensa permeada por olhar jornalístico? O Brasil tem mostrado que isso é possível e que qualificou, me parece, a assessoria de imprensa no país.
O baixo pis o s alarial e a jo rn ada de trabalh o de cin co h o ras , re du zida s e co m parada a de o u tras cate go rias , são o s fato re s qu e , n o e n te n de r da FEN AJ, in ce n tivam o Du plo Em pre go n o Jo rn alis m o bras ile iro ?
Re s po s ta 3 : O baixo salário, sim, a jornada reduzida, não. A jornada não é reduzida. Esta jornada é com patível com outras profissões e ela é decorrente de uma compreensão do jornalismo nos anos 40, aonde tinha uma pressão enorme sobre o trabalho. Este trabalho, esta pressa, esta tensão entre trabalho e tempo, não só não diminuiu com as novas tecnologias, como ela se estendeu, ela piorou. Ou seja, a quantidade de trabalho na mesm a jornada aumentou e a transição do trabalho para o lazer, para realizar em casa, aumentou, também. Não podemos ter no horizonte a diminuição das cinco horas. É um elemento. A realidade das relações desproporcionais de poder entre o capital e o trabalho impôs, embora a CLT brasileira fosse uma CLT que protegesse o trabalho em certo mom ento, a partir dos anos 1980 isso foi desmantelado. A partir dos anos 1980, todas as ações que ocorreram no mundo do trabalho foram de desregulamentação na tentativa de imprimir uma nova organização do trabalho, a partir de uma lógica neoliberal de desonerar o capital. Nós mantivemos isso, de alguma maneira, da maneira formal. Informalmente, isso foi ludibriado pelo duplo emprego. O duplo emprego entrou. Está prevista a jornada de sete horas, a jornada prevê duas horas a m ais, o que é quase a jornada norm al do trabalhador. Mesmo esta jornada de sete horas é muito mal remunerada. Mesmo pessoas com jornadas de sete horas acabam tendo de buscar outras jornadas. Mesmo empresas que têm ilegalmente jornadas de dez, 11 horas, assim mesmo estes salários são insuficientes e, assim mesm o, as pessoas têm de trabalhar. É comum os jornalistas, e a gente nota isso nos indicativos de saúde, jornalistas em um nível de trabalho muito acima do perm itido e do fisicam ente suportável, com um índice crescente de doenças cardiovasculares, de doenças com um caráter de humor.
O fato de a as s e s s o ria de im pre n s a s e r u m a atividade , n o Bras il, e xe rcida po r jo rn alis tas po de s e r co n s ide rado co m o u m fato r para qu e o du plo vín cu lo s e ja vis to co m n atu ralidade ?
Re s po s ta 4 : Sim. O fato de, no país, termos incorporado a assessoria de imprensa de alguma maneira descriminalizou, ou moralizou, ou incorporou a possibilidade de trabalhar nas duas. O impedimento de trabalhar nas duas, no Brasil, passou a ser o tráfico de informação. Este é o problema. O fato de trabalhar nos dois não é um problema, porque a assessoria de imprensa passa a ser um elemento aceitável, do ponto de vista moral e do ponto de vista profissional no Brasil.
Qu al o im pacto do Du plo Em pre go s o bre a cre dibilidade d o ve ícu lo de co m u n icação qu e o au to riza?
Re s po s ta 5: As formalidades não são descartáveis, mas são irrelevantes, têm um grau de relevância na relação com o leitor, com a audiência. O que eu acho que é determinante não é nem a compreensão que o leitor tem desta relação. É, na verdade, o grau de tráfico, de influência que o duplo emprego tenha na produção da notícia. Isso sim, é grave, e isso o leitor não sabe. Ou seja, era comum, eu presenciei isso no Correio do Povo, ao pedirmos aumento ao empregador, que disse: “Nós não temos aumento, mas eu me proponho a ir na Assembleia Legislativa e arrumar empregos complementares para vocês”. Era completamente aceitável que o editor do jornal fosse assessor de imprensa de um partido político que naquele m omento estava no governo do Estado. Me parece que isso, sim, é uma distorção grave, que começa a ser superada, por um princípio, apenas. As condições concretas ainda são de manutenção do duplo emprego. Condições concretas, salariais, de sobrevivência, são tão ruins ou piores, do que há alguns anos atrás. Enfim, a oferta de emprego dim inuiu. As condições não são boas, ainda. Retifico, acho que não são tão piores, não estão boas ainda. A impressão que nós tínhamos e a pesquisa com jornalistas demostra, surpreendentem ente, que o Duplo Emprego tem uma presença menor do que imaginávamos. É menor, por várias razões. Primeiro porque eu acho, ao contrário do que acabei de afirmar, que melhoraram, nominalmente, os salários melhoraram. Acho que se conseguiu uma base um pouco melhor, de uma maneira geral. Vários fatores fizeram com que a massa salarial, nacional, aumentasse um pouco. O elemento chave da diminuição é ético, é profissional. A sensação de pertencimento a uma profissão, aonde – não que não haja, ainda – mas há um desconforto ao exercer isso. Esta criação deste desconforto e esta pressão corporativa, positiva, me parece ser um elemento. Não tenho dados para afirmar isso, mas como as condições concretas que levam ao duplo emprego, baixo salário e as condições de trabalho, não se moveram o suficiente para indicar que fossem diminuir o duplo emprego, a diminuição do duplo emprego me parece que tem um componente de opção pessoal, profissional.
AN EXO 2
Matérias selecionadas do J ornal do Comércio