4.1.1 Constituição
O estatuto da SMAA de 1916 afirma que a sociedade era formada por uma banda de música e pelo número de sócios contribuintes que a diretoria julgasse necessário. A banda contava com aproximadamente 30 músicos no período estudado. A diretoria possuía a seguinte formação: um presidente, um vice- presidente, um primeiro secretário, um segundo secretário, um primeiro tesoureiro, um segundo tesoureiro, um orador, um bibliotecário e dois procuradores.7
Segundo o estatuto, as principais funções da diretoria eram promover o desenvolvimento da SMAA, resolver sobre propostas de admissão de sócios, recorrer aos meios legais para resolver questões relativas à sociedade quando
7 Embora o estatuto de 1916 mencione somente dois procuradores, há referência a um terceiro no
preciso e cumprir aquilo determinado pelo estatuto. Cada membro da diretoria possuía outras funções inerentes a seus cargos, porém estas não serão aqui aprofundadas.
Os sócios, por sua vez, eram divididos em cinco classes: fundadores, de estante, contribuintes, beneméritos e honorários. Fundadores eram aqueles que concorreram para a fundação da SMAA. Sócios de estante eram os músicos que faziam parte da banda. Os contribuintes eram aqueles que foram admitidos após a instalação da sociedade. Beneméritos e honorários eram “as pessoas que, pelos serviços prestados a Sociedade, tenham feito jus a esta distinção, ou aqueles que fizeram doação a Sociedade da quantia de 500#000 mil réis, pelo menos” (SMAA.Est., 1916).
Como o próprio estatuto indica, o número de sócios contribuintes ficava a cargo da diretoria, não havendo um número limite. Estes sócios deveriam contribuir mensalmente para a SMAA com uma quantia de mil réis (1#000). De acordo com as listas de sócios, no ano de 1924 os contribuintes beiravam os 200 e em 1925 se aproximaram dos 300. A lista de 1924 ainda aponta dois sócios beneméritos e nenhum honorário. Creio que a lista de 1924 possa estar incompleta, uma vez que indica apenas seis sócios de estante, e sabe-se através das listas de presença que no ano em questão esses eram quase 30.
Segundo o estatuto de 1916, as propostas para novos sócios deveriam ser assinadas pelo proponente, (creio que todos os sócios poderiam propor, uma vez que nada é explicitado sobre o assunto) e enviadas à diretoria. O método para aceitação do sócio, após sua proposição, foi descrito por Téo (2007):
Sempre que apresentados novos candidatos para integrar a Amor à Arte, eram distribuídos aos membros da diretoria dois cubos de madeira – um escuro e outro claro. Passava-se um saco e cada um, segurando os dois cubos, colocava a mão no saco e largava, sem que ninguém pudesse ver, um dos dois cubos. Abandonavam o cubo claro aqueles que absolutamente nada tinham contra o candidato. Os cubos negros indicavam algum antecedente desqualificador (bebida, dívidas, etc.) conhecido pelo membro que o depositou no saco. A presença de um só cubo escuro impedia a entrada do candidato. O veto não era discutido ou justificado pelo(s) depositante(s), o que deveria abrir margem para implicações pessoais e criações fantasiosas acerca dos antecedentes – por vezes – inexistentes – do candidato. Dados obtidos em entrevista com Nélio Schmidt, concedida no dia 4/8/2004, nas dependências da Sociedade Amor à Arte. (TÉO, 2007, p. 262)
Observa-se na figura 3 os cubos mencionados pelo autor, que ainda hoje se encontram presentes na sede da banda.
Figura 3 – Cubos utilizados no processo de seleção de novos sócios. Fonte: Foto do autor.
Existe a possibilidade de o entrevistado ter se equivocado, no entanto, ao afirmar que este método era utilizado para o ingresso de músicos na banda. Segundo o estatuto de 1916, existiam duas maneiras para que um músico entrasse no conjunto. Na primeira, poderia entrar como aprendiz, fazendo as aulas que eram oferecidas pela SMAA e coordenadas pelo mestre da banda, tornando-se parte dela após adquirir certa desenvoltura. Na segunda, quando vindo de outras corporações e já capacitado, deveria ser aprovado pela banda em escrutínio secreto que seria comunicado à diretoria após sua realização. Em meio aos documentos encontrados na SMAA, existem dois comunicados do mestre da banda à diretoria sobre o ingresso de novos sócios de estante. Em um deles, o mestre afirma que um membro foi aceito por unanimidade de votos, enquanto no outro, afirma que certo membro foi aceito por 20 dentre os 24 músicos presentes (Apêndice 2). Isto nos leva a crer que a banda possuía certa autonomia na escolha de seus músicos e que as regras para aceitação de novos membros na banda eram diferentes daquelas utilizadas para a entrada de novos sócios na SMAA. Também existe a possibilidade de que o processo descrito pelo atual presidente da SMAA tenha sido utilizado posteriormente ao período aqui estudado.
Os membros da banda, como destaca Téo (2007), eram inicialmente membros de famílias tradicionais da cidade e já possuíam considerável conhecimento musical. Com o passar dos anos, a banda foi sofrendo uma “popularização”, na qual indivíduos de camadas menos favorecidas passaram a integrá-la.
Embora não tenha encontrado nenhuma informação sobre o porquê dessa mudança, levanto algumas hipóteses sobre as razões pelas quais ela possa ter ocorrido. O fato de o projeto inicial de uma orquestra não ter se consolidado pode ter feito com que alguns de seus membros, advindos da elite, tenham perdido o interesse na SMAA. Destaca-se também o fato de que muitos dos indivíduos da elite local estavam ligados a cargos administrativos na cidade e no estado, sendo, por vezes, enviados a trabalho para outras cidades, impossibilitando-os de continuar na banda, como foi possível observar nas inúmeras cartas, solicitando licença ou afastamento, encontradas no acervo.
As aulas de música realizadas dentro da SMAA e abertas à população, por sua vez, tornaram possíveis que membros das classes mais pobres da cidade pudessem eventualmente se tornar músicos da banda. Com o passar do tempo, estes foram tomando o lugar dos membros das famílias tradicionais, que podem ter saído pelas razões previamente citadas.
4.1.2 Sede
A atual sede da SMAA (figura 4), localizada na Rua Tiradentes 181, no centro da cidade, foi adquirida em 1911 pelo valor de 3:000$000 (três contos de réis) como uma casa térrea. Essa passou por uma reforma no Governo de Adolfo Konder (1926-1930), ganhando um andar extra. Embora não se saiba exatamente a duração da reforma, a estréia do novo salão para ensaios foi realizada no dia 13 de dezembro de 1929, conforme consta no livro de presença daquele ano.
Além de sua utilização como local para ensaios, a sede foi utilizada para reuniões da diretoria e também cedida ocasionalmente para festas e reuniões de outras instituições. Cito como exemplo o comunicado enviado pela diretoria do Club
Recreativo 15 de Novembro (Anexo 1), em que convida a diretoria da SMAA a
participar do baile de comemoração do primeiro aniversário do clube que ocorreria nos próprios salões da SMAA.
Ressalto que não foi encontrada nenhuma informação sobre a localização da sede da SMAA antes de 1911 ou se havia de fato uma sede.
Figura 4 – Sede da SMAA. Fonte: Foto do autor.
4.1.3 Ensaios
Não foi possível encontrar registros dos ensaios da banda anteriores ao ano de 1915. Porém, no Livro de Atas de 1908-1909, foi encontrada a ata de uma sessão em que o mestre da banda solicitou que os ensaios de segunda-feira fossem cancelados, pela ausência de muitos músicos. O 1º secretário sugeriu que estes ensaios fossem utilizados para os músicos que estavam com dificuldades, e que se mantivessem os outros dois ensaios como ensaios gerais, opinião aprovada por unanimidade de votos entre diretoria e banda. Isto nos leva a crer que, neste período, a banda tinha como costume ensaiar três vezes por semana, com a utilização do primeiro ensaio da semana para os músicos que estivessem com alguma dificuldade.
Embora não se tenha encontrado informações sobre essa distinção entre os ensaios nos livros de presença, destaca-se que estes registraram tanto ensaios
quanto apresentações, desde 1915 até 1930. De acordo com o estatuto da SMAA de 1916, os ensaios da banda deveriam ocorrer três vezes por semana, nas segundas, quartas e sextas entre sete e nove horas no inverno e entre oito e 10 horas no verão. Foi possível observar nos livros de presença, no entanto, que a banda mantinha uma média de aproximadamente 10 ensaios mensais, raramente ultrapassando os 12 ensaios (três semanais) e em pouquíssimas situações realizando menos do que oito (dois ensaios semanais).
Pôde-se constatar que o número de ensaios era reduzido caso houvesse um grande número de apresentações numa mesma semana. Cito como exemplo os meses entre fevereiro e outubro de 1916, em que a banda ficou encarregada de tocar no teatro conforme registrado: “No dia 30 [de janeiro de 1916] a banda foi contractada pelo Sr. Julio para tocar no theatro as terça, quintas, sabbados e talvez domingos das 7 ou 6 horas da tarde (conforme a estação) até a entrada do espectaculo pela quantia de 20#000 cada tocata” (SMAA.RegFeq2., 1916).
Foi possível também observar que tanto ensaios quanto tocatas foram cancelados por motivos de doença. Em novembro de 1918, a influenza espanhola fez com que todas as tocatas fossem canceladas e os ensaios ficassem reduzidos a apenas quatro. Em janeiro de 1927, o mestre da banda adoeceu e foi operado, fazendo com que todos os ensaios e eventos daquele mês não ocorressem.
4.1.4 Apresentações
As bandas, no final do século XIX e início do século XX, realizavam as mais variadas apresentações, estando presentes nos mais diversos eventos sociais. Como resume Dutra (1992), quando fala das bandas de maneira geral:
A banda participa dos momentos mais significativos das comunidades, ou seja, nas retretas ou tocatas, campanhas políticas, saudações de personagens ilustres, festas cívicas, procissões e festa do padroeiro, bailes, circo, desfilando nas ruas ou sobre um tablado ou em um coreto na praça. (DUTRA, 1992, p. 35)
Através dos livros de presença, dos artigos em jornais e dos comunicados enviados e recebidos por outras instituições, foi possível verificar a presença da banda da SMAA em inúmeras ocasiões, tanto no âmbito sacro, quanto no profano.
No âmbito sacro, notou-se a presença da banda tanto em eventos litúrgicos quanto em eventos paralitúrgicos, como procissões e romarias. A banda, a convite das irmandades da capital, tomou parte nas mais diversas procissões. Dentre elas podem-se mencionar a procissão de Corpus Christi e do enterro, ressurreição e coroação, organizadas pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora das Dores, e as procissões do Senhor Jesus dos Passos, de Nossa Senhora do Parto e de Nossa Senhora da Conceição, realizadas pelas irmandades com os respectivos nomes. Ainda se encontraram registros da procissão de São Sebastião, na qual várias irmandades tomaram parte, além de procissões realizadas no Estreito, dentre outras, sobre as quais não houve maiores especificações. Destaca- se ainda que neste tipo de evento, a banda da SMAA tocava em conjunto com outras bandas. Conforme O Estado de 20 de janeiro de 1923, na procissão de São Sebastião ocorrida no dia anterior à publicação do jornal “as bandas musicaes do 14 Batalhão, Força Publica e Amor a Arte tocaram durante o trajecto” (O ESTADO, 20/01/1923). As bandas, pelo que informa o jornal, se revezavam na execução de marchas religiosas.
Das romarias, em número menor do que as procissões, em que a SMAA tomava parte entre três e seis vezes por ano, foram encontrados apenas dois registros. Um deles de maio de 1916, de uma romaria ao túmulo do Marechal Guilherme e outro em novembro de 1922, em que haveria uma romaria ao cemitério na qual a banda acompanharia a Irmandade do Rosário, porém tal evento não chegou a acontecer por falta de um padre, conforme escrito no livro de presença.
Destaca-se que oito registros da presença da banda em missas foram encontrados entre os anos de 1915 e 1930. As missas em que a banda participava eram geralmente realizadas em homenagem a membros da sociedade florianopolitana que haviam falecido, ou mesmo a ilustres brasileiros. Destacam-se, dentre as missas em que a banda da SMAA estava presente, a realizada no dia 28 de janeiro de 1919, em homenagem a Olavo Bilac um mês após sua morte e aquela realizada no dia 31 de outubro de 1924, em homenagem ao governador Hercílio Luz, dez dias após seu falecimento. Também foram observadas duas missas em homenagem a Aldo Luz,8 um ano e cinco anos após seu falecimento
8 Aldo Firmino da Luz (ou Aldo Luz I) foi filho de Hercílio Luz. Nascido em 1896, foi oficial de gabinete
da Secretaria do Interior e Justiça do Estado, no Governo de Felipe Schmidt. Dedicou-se ao esporte de regatas. O Clube de Regatas Florianópolis trocou seu nome para Clube de Regatas Aldo Luz em
respectivamente. Questiona-se, no entanto, se a igreja local estaria desobedecendo às ordens estabelecidas na reforma litúrgica da Igreja Católica, que, em meados do século XIX, proibiu a presença das bandas no interior dessas, como destaca Carvalho (1998).
Aponta-se ainda que a banda da SMAA, assim como outras bandas da capital, possuía o hábito de acompanhar o enterro de seus sócios e parentes próximos, assim como de figuras ilustres da cidade, como, por exemplo, o enterro de João Augusto Penedo (organizador da Banda de Música da Força Pública) em agosto de 1923 e de outros como os de Carl Hoepcke e do Governador Hercílio Luz. Fora do âmbito religioso, as apresentações eram as mais diversas. As retretas, realizadas em locais como o Jardim Oliveira Bello, a praça XV de novembro e o trapiche do Estreito, geralmente nos domingos, aconteciam normalmente uma vez por mês, eram gratuitas e bem aceitas pelo público. As demais apresentações, chamadas de tocatas, ocorriam nos mais diversos lugares. Encontraram-se registros de tocatas em bares, cafés, clubes, lojas maçônicas e em inúmeros bairros da cidade como Trindade, Saco dos Limões e Santo Antônio. A banda se fazia presente também em festas e quermesses, assim como em bailes, realizados pelos diversos clubes e associações da cidade, que ocorriam mensalmente, sendo intensificados durante o carnaval.
Pôde-se verificar também a contratação da banda para que tocasse no teatro, geralmente apresentando-se no início e nos intervalos das peças. Não foi encontrada nenhuma informação sobre a banda tocando durante a apresentação de peças teatrais. Os contratos eram feitos por vezes para eventos isolados e, por vezes, por períodos mais extensos. No ano de 1916, a banda foi contratada para apresentar-se três vezes por semana, entre os meses de fevereiro e outubro, segundo consta no mês de janeiro de 1916 do livro de presença do respectivo ano. Embora não se tenha encontrado nada sobre contratos para os anos de 1918 e 1919, observou-se nesses anos também um grande número de apresentações no teatro, muitas vezes ultrapassando 10 apresentações mensais. Encontraram-se também registros da banda da SMAA apresentando-se em circos que passavam pela cidade. Estes aparecem com grande freqüência nos livros de presença da sua homenagem, após seu falecimento prematuro no Rio de Janeiro em 1o de maio de 1918. Disponível em: <http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/Hercilio/953sc015.htm>. Acesso em 20 dez. 2010.
SMAA. Entre os anos de 1915 e 1930, registrou-se a presença de mais de dez passagens de circos pela cidade. Em alguns, a banda da SMAA tocou apenas poucas vezes, creio que por terem permanecido pouco tempo na cidade, ou, por possivelmente terem contratado outra banda. Em outros, a banda tocou por períodos mais longos, como no Circo Japonês, que contou com apresentações da banda do final do mês de novembro e durante todo o mês de dezembro de 1919 e, novamente, em março e abril de 1922.
Notou-se igualmente a presença da banda da SMAA em eventos esportivos. Há registros da participação da banda em eventos relacionados aos clubes náuticos da cidade, como o batismo de ioles, a distribuição de medalhas por conta das regatas e nas próprias regatas. Também foram encontrados registros da participação da banda em eventos relacionados a clubes de futebol. Acredito que se trate de jogos de fato, porém não foram encontradas maiores informações sobre tais apresentações.
Houve registros ainda da participação da banda em touradas no Estreito. Embora não se tenha encontrado maiores informações sobre tais touradas, acredita- se que sejam o que conhecemos atualmente como farra-do-boi. Conforme afirma Lacerda (1993), as lacunas na história da farra-do-boi em Santa Catarina são bastante grandes e são poucas as informações sobre estes eventos na época. Um fato curioso que destaco, no entanto, é que segundo o autor, a farra-do-boi nunca foi um espetáculo público, sendo feita geralmente na clandestinidade. Isso nos leva a questionar se este tipo de evento era mais popular no início do século XX, haja vista o registro da contratação de uma banda para participar em tais ocasiões.
A banda realizava também homenagens, tocando em eventos como aniversários, casamentos de seus sócios, assim como recepcionando membros da elite catarinense, e também batalhões do exército, que chegavam ou partiam da cidade. Cumprimentos a clubes e associações que faziam aniversário também eram feitos regularmente. Além destes, ainda foram encontrados registros da presença da banda em inaugurações de placas de ruas, cafés, estátuas e em eventos cívicos como a abertura do congresso e alvoradas realizadas em frente ao palácio na comemoração da Independência.
Destaca-se que os livros de presença registravam diferentemente os eventos em que a banda tocava gratuitamente e os que os músicos eram pagos para tocar (figura 5). A letra E, como se pode observar, indica aqueles que compareceram aos
ensaios. A letra C indica os que compareceram às apresentações remuneradas e a letra C cortada indica os presentes nas apresentações não remuneradas.
Figura 5 – Livro de presença – Outubro de 1916. Fonte: Foto do autor.
Segundo o Estatuto de 1916, “A banda só poderá ser cedida gratuitamente para a Procissão de Passos, kermesses em benefícios a estabelecimentos prós, ou a casos imprevistos tambem de caridade e festas de grande data a juizo da directoria” (SMAA.Est., 1916). Foi possível observar que a banda tocava de forma gratuita basicamente em quatro tipos de ocasiões: eventos religiosos, beneficentes e nas já mencionadas retretas e homenagens. Nas ocasiões religiosas em que a banda tocava sem que houvesse pagamento, as irmandades apelavam para os sentimentos religiosos dos diretores e sócios da SMAA, solicitando à diretoria a participação da banda com o objetivo de abrilhantar as procissões. Registrou-se, no entanto, alguns casos em que a SMAA recebeu para que a banda tocasse em tais eventos, como, por exemplo, a Procissão de Nossa Senhora do Parto em janeiro de 1916, na qual a sociedade ganhou a quantia de 40#000 pela participação da banda.
Os eventos beneficentes também ocorriam com freqüência. Esses poderiam ser em benefício de instituições ou de particulares. Nestas ocasiões a banda da SMAA participaria de um evento no qual dinheiro ou doações seriam arrecadados e repassados aos beneficiários, que poderiam ser clubes, sociedades, artistas, ou
pessoas em necessidade, como era o caso das apresentações feitas no Natal dos Pobres no Asilo de Mendicidade Irmão Joaquim, realizadas inúmeras vezes no período estudado. Do mesmo modo que nos eventos religiosos, a presença da banda era solicitada para trazer mais brilho aos eventos.
4.1.5 Fardamento
Como Binder aponta em sua dissertação (2006), a atuação e influência das bandas militares a partir da década de 1830 pareceu contribuir para a criação de hábitos característicos que podem ser encontrados nas bandas civis até hoje. A adoção de tais características foi chamada pelo autor de um éthos militar. Esse
éthos se refletia além de nos nomes dos conjuntos e no repertório, na aparência
destas bandas. Seus uniformes até hoje se inspiram nas fardas militares e são muitas vezes chamados de fardamento.
Segundo Pires (2008), as bandas militares foram predominantes em Desterro até a década de 1870, quando passaram a ser gradualmente substituídas pelas bandas civis. Além da inauguração do Teatro Santa Isabel no ano de 1875, que