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4. RESULTS

4.4 Fusion of fluorescent protein with Tp24711 and Tpbd856-bd1852

Historicamente, a primeira definição de dislexia foi dada pelo neurologista americano, Dr. Samuel T. Orton, em 1925 (IANHEZ; NICO, 2002). Ele propôs o termo “dislexia específica” ou “distúrbio específico de leitura”, para referir-se a crianças com distúrbio na aprendizagem da leitura em conseqüência de envolvimento neurológico. Segundo ele, a dislexia não é uma doença, mas um distúrbio com uma série de características, que se tornam evidentes na época da alfabetização, embora alguns sintomas já estejam presentes em fases anteriores.

A dislexia é um quadro de difícil definição, uma vez que sua natureza muda com o tempo. A dislexia do desenvolvimento é vista por Frith (1985) como uma interrupção do desenvolvimento normal das habilidades de leitura e escrita. Esta alteração pode ser decorrente tanto da falta de aquisição das habilidades alfabéticas (o que ocasiona um padrão clássico (ou fonológico)), como das habilidades ortográficas (o que ocasiona um padrão disgráfico).

Para Lyon (1995), a dislexia é um distúrbio específico de linguagem, de origem constitucional, caracterizada por dificuldades na decodificação de palavras isoladas, causada por uma deficiência no processamento da informação fonológica. Inclui, além da dificuldade para aprender a ler, um notável problema para adquirir proficiência em escrita e ortografia.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV, 2002), a dislexia ou transtorno da leitura consiste em um rendimento da leitura substancialmente inferior ao esperado para a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade do indivíduo.

As crianças disléxicas podem apresentar capacidade motora adequada, inteligência entre média e acima da média, audição e visão adequadas e ajustamento emocional adequado. É interessante destacar também que tal transtorno deve ser diferenciado das variações normais na realização acadêmica e das dificuldades escolares devido à falta de oportunidade, ensino fraco ou fatores culturais. Ou seja, como enfatizam Jonson; Myklebust (1987), a definição de dislexia inclui duas pressuposições

fundamentais: integridade geral e uma deficiência de aprendizagem da leitura e/ ou escrita.

Tomando-se por base o modelo de leitura de dupla rota, podemos entender a dislexia como um fracasso na aquisição da linguagem escrita que afeta uma das rotas (ou ambas) de acesso à leitura, ocasionando subtipos diferentes de dislexia, a depender da rota afetada. Na dislexia fonológica (ou disfonética), a mais comum, há um dano na rota fonológica, o que causa transtorno na associação grafema-fonema, com dificuldade na leitura de palavras pouco familiares (BODER, 1973; TEMPLE; MARSHAL, 1983; SEYMOUR; MACGREGOR, 1984). Na dislexia visual (ou diseidética), há um dano na rota lexical, e o transtorno é no processamento visual das palavras (COLTHEART, 1982; SHALLICE; WARRINGTON, 1980). Na dislexia mista (BODER, 1973; ELLIS, 1995), os leitores apresentam alterações dos dois tipos (fonológica e visual).

Pesquisas recentes, como a desenvolvida por Gombert (2003), têm demonstrado que os diferentes tipos de dislexia (fonológica, visual ou mista) são conseqüência de uma única deficiência: a fonológica. O que determina o tipo de dislexia são fatores, como, a gravidade do déficit, a natureza do sistema ortográfico, as experiências de leitura e a eficiência da abordagem pedagógica.

Conceitos mais recentes de dislexia têm, inclusive, assumido esta visão, como o de Lyon; Shaywitz; Shaywitz, 2003:

Dislexia é uma dificuldade específica de aprendizagem de origem neurobiológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária. Conseqüências secundárias incluem problemas na compreensão da leitura e pouca experiência com textos, o que impede a ampliação do vocabulário e do seu conhecimento prévio.

A criança com dislexia, de uma maneira geral, apresenta problemas especificamente relacionados à linguagem escrita, mas alguns outros problemas de linguagem podem aparecer. De acordo com a ASHA (2004), a criança disléxica pode apresentar dificuldades em:

• expressar idéias coerentemente;

• expandir seu vocabulário (via oralidade ou leitura);

• entender questões e seguir instruções que são ouvidas ou lidas;

• lembrar de seqüências numéricas (por exemplo, telefones e endereços);

• entender e reter detalhes de uma estória;

• aprender rimas e seguir músicas;

• distinguir direita de esquerda e letras de números;

• aprender o alfabeto;

• identificar os sons que correspondem às letras;

• memorizar convenções de tempo;

• dizer as horas.

Ainda de acordo com ASHA (2004), a criança disléxica :

• quando escreve, mistura a ordem das letras nas palavras e a ordem dos números que fazem parte de um cálculo matemático;

• apresenta leitura lenta e compreensão reduzida do material lido;

• tem dificuldade com os sons das palavras e, conseqüentemente, com a soletração;

apresenta desatenção e distração, desorganização e incoordenação motora.

Já segundo Ianhez; Nico (2002), estas crianças apresentam:

• desempenho inconstante;

• demora na aquisição da escrita;

• lentidão nas tarefas de leitura e escrita, mas não nas orais;

• dificuldades para organização seqüencial (por exemplo: letras do alfabeto, meses, etc.);

• dificuldade em nomeação.

Os indivíduos com dislexia, como podemos perceber, embora tenham seus déficits primários na habilidade de leitura (em decodificação, especificamente), também apresentam outros déficits em outras tarefas, principalmente as relacionadas ao processamento fonológico. Blomert; Mitterer; Paffen (2004) destacam que os indivíduos com dislexia apresentam dificuldades em tarefas que envolvem repetição de palavras e não-palavras, retenção de material verbal na memória de trabalho, nomeação rápida, nomeação de objetos e dificuldades em tarefas metalingüísticas que envolvem a manipulação de fonemas. Ou seja, para estes autores, o problema central da dislexia é melhor descrito como um déficit fonológico, oriundo de alterações no processamento fonológico em tempo real.

Finalmente, é importante diferenciar os distúrbios de aprendizagem dos distúrbios específicos de leitura (ou dislexia). O distúrbio de aprendizagem é uma expressão genérica que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e no uso da audição, da fala, da leitura, da escrita, do raciocínio ou das habilidades matemáticas (CAPELLINI, 2001).

Já a dislexia (distúrbio específico de leitura), de acordo Capellini; Ciasca (1999), é uma expressão que se refere à defasagem entre o desempenho esperado de uma criança nas habilidades de leitura e escrita a partir de seu nível intelectual e o desempenho efetivamente observado. O processo de desenvolvimento e aprendizagem aparece comprometido somente em fase escolar. Já no distúrbio de aprendizagem, o processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança está comprometido desde os primeiros anos de vida. O QUADRO 2 apresenta as principais manifestações lingüístico-cognitivas da dislexia (distúrbio específico de leitura) e do distúrbio de aprendizagem.

A partir das informações obtidas pela análise do quadro apresentado, percebemos que as crianças disléxicas apresentam alterações mais diretamente relacionadas ao processamento da linguagem escrita, enquanto que, nos distúrbios de aprendizagem, as dificuldades se estendem também ao processamento da linguagem oral (nas habilidades de expressão e recepção), atenção e percepção, além de habilidades matemáticas.

Quadro 2 – Manifestações lingüístico-cognitivas.

Após definirmos, caracterizarmos e levantarmos os fatores etiológicos relacionados à dislexia, passamos, a seguir, a abordar o tema prosódia, buscando uma relação deste campo de pesquisa com os estudos sobre crianças disléxicas.

CAPÍTULO 2

PROSÓDIA