Segundo Porter (1990), as interações entre as empresas (linkages) podem ocorrer verticalmente – como pedaços ou cadeias produtivas completas – baseadas na relação comprador/fornecedor, ou horizontalmente, entre concorrentes, clientes, tecnologias e canais de comercialização. O cluster, diferentemente de um agrupamento tradicional de indústrias ou setores aglomerados com intervenção e subsídio, busca produtividade e ligações cruzadas entre empresas, trazendo entidades governamentais, empresas, fornecedores e instituições locais para junto de uma agenda construtiva e factível.
Os fatores que viabilizam o crescimento dos clusters não são necessariamente os mesmos que garantem sua sustentabilidade. Após o esgotamento da força propulsora inicial, outras questões podem emergir, como redes de compradores e fornecedores e pressões competitivas locais, que forçam as empresas a inovar e melhorar constantemente.
Na prática, há grande dificuldade em caracterizar um cluster ou um arranjo produtivo local, já que sistemas produtivos nem sempre podem ser claramente separados nas categorias propostas pela literatura. Os limites entre as categorias nem sempre são nítidos e, em alguns casos, pode haver a conjugação de duas formas de organização. Mas essa dificuldade em nada altera o fato essencial de que a aglomeração traz ganhos em eficiência coletiva que raramente produtores separados conseguem atingir.
Na visão de Porter (1993) a ―Teoria dos Aglomerados‖: cadeias e agrupamentos ou clusters, tem uma abordagem direcionada para os aspectos de estratégia, produtividade e competitividade, em um enfoque empresarial e de natureza microeconômica.
Outra conceituação de clusters é realizada por Suzigan, et al. (2004), que definem os clusters como sistemas locais de produção que podem ter variadas caracterizações conforme sua história, evolução, organização institucional, contextos sociais e culturais. Suzigan, et al. (2004) relatam uma definição bastante difundida é a que foi adotada pela RedeSist 9 — Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e
Inovativos Locais — que propõe dois conceitos distintos:
Os clusters são aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais com foco em um conjunto específico de atividades econômicas, que apresentam vínculos entre si. Envolvem a participação e a interação de empresas, que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras e clientes, entre outros. Contam ainda com diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para formação e capacitação de recursos humanos, através de escolas técnicas e universidades, P&D, engenharia, política, promoção e financiamento, e
9 Uma rede de pesquisa interdisciplinar, formalizada desde 1997, sediada no Instituto de Economia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro e que conta com a participação de várias universidades e institutos de pesquisa no Brasil, além de manter parcerias com outras instituições da América Latina, Europa e Ásia.
Sistemas produtivos e inovativos locais consistem em organizações em que há interdependência, articulação e vínculos consistentes entre as organizações resultam em interação,cooperação e aprendizagem, com potencial de gerar o aumento da capacidade de inovação endógena, da competitividade e do desenvolvimento local.
Nesta perspectiva existe, portanto a dificuldade de caracterização efetiva de um Aglomerado de negócios como cluster efetivo. Esta caracterização é importante para a real configuração de aglomerados que funcionem e resultem em ganhos compartilhados para os atores que os compõem.
Na perspectiva de Suzigan et al. (2004), considera-se que as dimensões institucional e regional constituem elementos cruciais do processo de capacitação produtiva e de inovação, para a caracterização do cluster. Diversos contextos, sistemas cognitivos e regulatórios e formas de articulação e aprendizado interativo entre agentes são reconhecidos como fundamentais na geração e difusão de conhecimentos em um
cluster. As aglomerações de empresas e instituições têm como característica essencial
a capacidade de gerar economias externas, incidentais ou deliberadamente criadas, que contribuem para o incremento da competitividade das empresas e, em consequência, de todo o sistema local de produção.
Contribuindo com o conceito de geração de vantagens competitivas, como característica do âmbito dos clusters, Schmitz e Nadvi (1999) apontam que os agentes locais (empresas e instituições) podem reforçar sua capacidade competitiva por meio de ações conjuntas deliberadas, tais como: compra de matérias-primas, promoção de cursos de capacitação gerencial e formação profissional, criação de consórcios de exportação, contratação de serviços especializados, estabelecimento de centros tecnológicos de uso coletivo e cooperativas de crédito, entre outras.
Sobre a importância do nível de inter-relação entre as Instituições e empresas em um cluster, Porter (1993) instiga os gestores com uma indagação: ―Por que algumas Nações têm êxito e outras fracassam na competição internacional?‖ Em seguida o autor defende que, se o objetivo é mostrar as bases que sustentam a prosperidade econômica sejam de empresas.
Segundo Porter (1993) a explicação está no papel desempenhado pelo ambiente econômico, pelas instituições e pelas políticas nacionais, ou seja, são os atributos de uma nação que estimulam a vantagem competitiva em uma indústria. Para o autor, os aspectos relacionados às estruturas econômicas, valores, culturas, instituições e histórias nacionais, já se encontram incorporados à teoria econômica e aos modelos de crescimento e desenvolvimento regional.
Porter (1993) entende que são as empresas e não as nações que competem em mercados internacionais, sendo que a unidade de análise básica para se compreender a competição é a indústria. As empresas criam vantagem competitiva percebendo ou descobrindo maneiras novas e melhores de competir numa indústria, e sendo capazes de levá-las ao mercado. A esta capacidade Porter denomina ―inovação‖, definida como uma maneira nova de fazer as coisas que são comercializadas, pois, no seu modo de ver, o processo de inovação não pode ser separado do contexto estratégico e competitivo de uma empresa.
A Teoria de Clusters Porteriana10 defende que entre os determinantes da vantagem competitiva configuram um modelo que se tornou generalizadamente conhecido como o ―diamante competitivo‖. Duas variáveis são importantes para a determinação de vantagens competitivas:
1. O acaso, ou seja, acontecimentos fora do controle das empresas, ou seja, macro ambiental, tais como invenções puras, descobertas em tecnologias básicas, guerras, acontecimentos políticos externos, grandes mudanças na demanda do mercado externo; e
2. O Governo, que através de políticas diversas pode atuar para melhorar ou piorar a vantagem competitiva de um conglomerado.
O modelo do Diamante da Competitividade de Porter é apresentado a seguir, na Figura 10: