Final discussion and conclussions
5.4 Further work
As redes empresarias do setor petróleo que hoje existentes no Brasil tiveram sua origem no convênio entre a Petrobras e o Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), celebrado em 2004, com o objetivo de apoiar as empresas de pequeno porte desse setor para elevar o volume de negócios das MPEs e as grandes empresas do setor, com ênfase na Petrobras. Além das ações de capacitação e qualificação de empresas, foram implantados projetos em 12 estados para promover a integração dos diversos atores da cadeia produtiva em Arranjos Produtivos Locais (APL) de petróleo e gás. Em 2008 o convênio foi renovado sendo introduzidos dois novos objetivos: 1) a implementação de um programa de apoio ao desenvolvimento tecnológico e fomento à inovação nas MPEs da cadeia produtiva do petróleo, gás e energia; b) o fortalecimento da governança local das Redes Petro e dos APLs (SEBRAE, 2013). Atualmente são 17 Redes Petro em 14 estados atendendo as demandas das grandes empresas do setor.
A Redepetro RN surgiu nesse contexto, sendo formalizada como associação em agosto de 2008 com sede na cidade de Mossoró – RN. Conta com a participação de operadoras, fornecedores, instituições de governo, instituições acadêmicas e outras entidades com interesses no setor petróleo e gás no Estado. Atualmente é constituída de 119 empresas e 12 instituições fornecedoras de bens e serviços para a cadeia produtiva de petróleo e gás no Rio
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Grande do Norte que prestam serviços ou fabricam bens atendendo aos segmentos de exploração, produção, refino, transporte e distribuição de óleo e gás (REDEPETRO, 2013).
O principal foco da Redepetro RN é a geração de negócios para seus associados pela articulação qualificada entre a demanda e a oferta das empresas localizadas na região produtora do Estado. A Rede também busca fortalecer a competitividade dos seus associados executando ações para ampliar a visibilidade das empresas locais, facilitar a comunicação e inter-relacionamento, fomentar a capacitação, certificação e inovação tecnológica (REDEPETRO, 2013).
O apoio da Petrobras às Redes Petro responde à estratégia de valorizar o desenvolvimento de arranjos interorganizacionais com fornecedores como forma de diminuir a dependência de recursos para operacionalizar suas atividades. Segundo Rezende (2012) essa relação explica a influencia forte da Petrobras no desenvolvimento das práticas de sustentabilidade e de segurança das empresas da Redepetro RN, em contraste com a baixa influencia das instituições de ensino e pesquisa. Os fatores que explicaram essa baixa influência seriam: 1) poucos projetos de pesquisa operacionalizados pelas instituições de ensino; 2) pesquisas desenvolvidas nas instituições de ensino e pesquisa não respondem ao interesse das empresas; 3) ações inadequadas de comunicação das instituições de ensino e pesquisa sobre seu modo de atuação e projetos; 4) cursos de capacitação oferecidos pelas instituições de ensino e pesquisa não são de interesse das empresas da Redepetro RN; 5) falta de conhecimento sobre os mecanismos de interação entre instituições de ensino e pesquisa e as empresas.
Também foi identificado que as organizações governamentais não são proativas em estabelecer formas de relacionamento com as empresas da Redepetro RN. Assim, Rezende (2012) conclui que a dinâmica da interação da Redepetro RN com instituições de pesquisa e organizações governamentais é insuficiente para qualifica-la como uma Hélice Tríplice. Isso não invalida a importância da Rede para o fortalecimento da competitividade das empresas e para a capacidade da Petrobras articular a cadeia de fornecedores em função das suas necessidades.
4.2 A Petrobras no RN
Desde a sua criação a Petrobras percorreu um longo caminho em busca da autossuficiência nacional na produção de petróleo até chegar a posição que ocupa atualmente entre as principais companhias de petróleo no mundo. O Quadro 4.1 apresenta uma série de marcos históricos da atuação da Petrobras a nível nacional e no Rio Grande do Norte.
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Quadro 4.1 – Marcos da história do setor de petróleo no Brasil e no RN
Ano Atividades
1954 Início da atuação exclusiva da Petrobrás na exploração de petróleo. 1954 - 1968 Atuação da Petrobras prioritariamente nas bacias terrestres.
1969 - 1974 Atuação cada vez mais intensa na plataforma continental, inicialmente em lâminas d’água consideradas rasas.
1973 Início da exploração do petróleo no Rio Grande do Norte, após o primeiro choque do petróleo.
1973 Descoberta do campo marítimo de Ubarana, localizado próximo da cidade de Guamaré. 1975 - 1984 Atuação da Petrobras na plataforma rasa da Bacia de Campos.
1976 Início da Produção do campo de Ubarana.
1979 Primeira descoberta terrestre – campo de Mossoró.
1985 - Descoberta do maior campo de petróleo em terra do Brasil – Campo de Canto do Amaro; - - Entrada em Operação da Primeira Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré. 1985 - 1997 PETROBRAS passou a explorar o petróleo em lâminas d’água cada vez mais profundas,
principalmente na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro.
1997 Quebra do monopólio estatal e a promulgação em 06 de agosto de 1997 da nova Lei do Setor Petróleo criando a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Lançamento da Lei do Petróleo (Lei 9478/97).
1998 - Rodada Zero de licitação blocos de exploração da ANP;
- Início da operação dos projetos de pesquisa na área de petróleo e gás natural na UFRN; - Criação do Centro de Tecnologia do Gás Natural – CTGas.
1998 – 2006 Diversificação do número de empresas prestadoras de serviço a Petrobras. 1999 1ª rodada de licitações de blocos de exploração da ANP.
2002 Inauguração da Segunda Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré; 2005 - Inauguração da Terceira Unidade de Processamento de Gás Natural de Guamaré;
- Início de atuação de grupos concessionários ativos com Contrato de Concessão vigente no RN;
- Lançamento do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás (Prominp);
- Publicação do Edital e do Contrato de Concessão de exploração de áreas marginais. 2006 - Atuação de novas empresas de exploração de petróleo no mercado do Rio Grande do
Norte.
- Realização de pesquisa sobre qualificação na indústria de petróleo (Prefeitura de Mossoró); - Lançamento da Escola de Petróleo de Mossoró pela Prefeitura Municipal de Mossoró. 2007 - Assinatura dos Contratos de Concessão de áreas da 8ª Rodada da ANP;
- Lançamento do Programa de Fomento à Indústria de Petróleo do RN (Propetro). 2008 Criação da Redepetro RN.
2009 Implantação da Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC). 2012 Redepetro RN atinge 120 associados.
Fonte: Adaptado de Rezende (2012)
A Petrobras atua no RN desde 1951, porém o primeiro campo descoberto (Ubarana, na costa de Guamaré) somente entrou em operação em 1976. No Ceará, a Petrobras opera desde 1967 e o primeiro campo descoberto foi Xareú, em 1977. Atualmente a Bacia Potiguar está entre as maiores produtoras de petróleo onshore (em terra) do Brasil e os principais ativos que a Petrobras possui nela são:
- 36 plataformas de produção instaladas;
- 1 vaporduto – Projeto de Injeção Continua de Vapor com uma extensão aproximada de 30 km na região do Vale do Açu;
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- 1 refinaria – Potiguar Clara Camarão, localizada no Polo Industrial de Guamaré, tem capacidade de refino de 35 milhões de barris por dia, produz: GLP, diesel, QAV, gasolina e nafta petroquímica;
- 1 termelétrica – Jesus Soares Pereira, localizada em Alto do Rodrigues, tem capacidade instalada de 323 Megawatts;
- 2 terminais aquaviários de Guamaré e Natal, operados pelas subsidiárias Transpetro e Petrobras Distribuidora.
Quadro 4.2 – Gasodutos no Rio Grande do Norte
Nome Trajeto Extensão (Km) Início de operação
Gasfor (RN-CE) Guamaré – Aracati – Pecém 384 1999
Nordestão (RN-PB-PE) Guamaré – Cabo 424 1986
Termoaçu (RN) Serra do Mel – Açu 33 2008
Açu-Serra do Mel (RN) Gasfor – UTE Jesus Soares Pereira 32 2008 Fonte: Petrobras (2012)
O relacionamento da Petrobras com a UFRN está inserido no contexto da estratégia que começou a ser traçada em 1991, quando se desenvolveu a ideia de formação de Centros e Redes de Excelência, objetivando cobrir amplo leque de atividades da empresa. Essa proposta foi inserida no planejamento estratégico da Petrobras de 1992 a 2000 como um de seus 12 projetos estruturantes. Um Centro ou Rede de Excelência foi definido como um conjunto de recursos reunidos para a solução de problemas complexos e geração de produtos, processos ou serviços novos, com alta qualidade, para uso próprio das instituições envolvidas e/ou para a comercialização no mercado (ECENTEX, 2012).
A metodologia para a implantação dos Centros e Redes de Excelência foi desenvolvida em parceria com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Centro de Excelência em Geoquímica da Petrobras (CEGEQ), constituído em 1996 (Pires et al., 2012). O segundo Centro de Excelência nacional criado integralmente com a essa metodologia foi o Centro de Tecnologia do Gás – CTGas, uma parceria da Petrobras e o Serviço de Aprendizagem Industrial (SENAI) (ECENTEX, 2012).
Seguindo essa estratégia de trabalho em rede com as universidades a Petrobras construiu um relacionamento frutífero com a UFRN. A parceria se iniciou em 1999 captando recursos do primeiro edital do Fundo Setorial de Petróleo e Gás Natural (CT-Petro) para 10 projetos que atendiam a temas previamente elencados pela Petrobras, a qual também forneceu uma contrapartida de 30% do valor total (POLETTO, 2011). O processo de articulação com a
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realização de reuniões preparatórias e de aproximação foi apontado como principal motivo para o êxito obtido nesse primeiro edital. A Figura 4.1 apresenta o fluxo de recursos e objetivos da Petrobras e UFRN no primeiro edital CT-Petro.
Figura 4.1 – Fluxo de recursos e objetivos da Petrobras e UFRN no primeiro edital CT-Petro
A parceria cresceu e evoluiu tanto na quantidade de recursos captados e projetos executados. Como resultado desta parceria, até 2009 foram contabilizados 73 projetos de P&D (19 na área de geologia e geofísica, 25 em engenharia química e química, 27 nas engenharias, 1 na física, 1 em biomédicas) e 29 projetos de infraestrutura, desenvolvidos na UFRN de interesse da Petrobras (POLETTO, 2011).
A raiz das necessidades de cada projeto foi construída ou melhorada a infraestrutura para pesquisa abrangendo 39 laboratórios ligados aos núcleos de pesquisa NUPPRAR e Núcleo de Estudos em Petróleo e Energias Renováveis (NUP-ER), conforme o Quadro 4.3.
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Quadro 4.3 – Infraestrutura resultante da parceria em P&D da Petrobras com a UFRN
LABORATÓRIOS ASSOCIADOS AO