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-­  Further  Information  on  Methodology

PART  II   –  Overcoming  Stigmas:  The  Ecological  Transition  of  India’s

Appendix  3   -­  Further  Information  on  Methodology

Na parte final desse diagnóstico, foi realizada uma estimativa da quantidade de resíduos gerados e custos por par, bem como elencadas as principais dificuldades e sugestões encaminhadas pelas indústrias pesquisadas.

4.2.8.1 Quantidades geradas e valores envolvidos

Conforme apresentado anteriormente (Tabela 12), as principais formas de armazenamento dos resíduos são tambores de 200L e 100L e caçambas abertas, que, juntos, correspondem a mais de 85% das indústrias pesquisadas.

O preço final pago pelo fabricante é diferente e depende da forma de armazenamento, pois as indústrias que armazenam e transportam em caçambas pagam um valor fixo por tonelada para a disposição final, atualmente R$ 150,00 por tonelada para associados do Sindifranca e R$ 250,00 para não associados, e mais o valor do transporte cobrado por caçamba. Já para quem armazena e destina em tambores, já estão inclusos no preço final cobrado o valor do aterro e o do transporte. Vale ressaltar que os valores praticados em Franca são menores que os de Jhau e Birigui, que também dispõem em aterros, e os valores vigentes são de R$ 582,00 no polo de Birigui, que destina os resíduos em aterros de Tupã/Quatá e Catanduva, e R$ 370,00 no polo de Jhau, que destina para um aterro em Piratininga.

Para calcular o preço médio pago por caçamba ou tambor, foi realizada uma filtragem na base de dados das empresas pesquisadas para selecionar as que possuem forma única de armazenagem, quer seja em caçamba,quer seja ou tambores de 100L ou 200L. Apuraram-se a quantidade de indústria por tipo de armazenagem, o total utilizado por mês e os valores mensais pagos, chegando-se a um preço médio de R$79,20 por caçamba e R$ 14,60 por tambor de 200L, bem como de R$ 10,55 por tambor de 100L, conforme demonstrado na Tabela 20.

Tabela 20 – Preço médio por caçamba ou tambor.

Armazenagem Qtd Indústrias Qtd utilizada/Mês Pr Médio obtido

Caçamba Aberta 48 242 79,20

Tambor 100L 25 978 10,55

Tambor 200L 58 1967 14,60

Utilizando-se o mesmo raciocínio, realizou-se um filtro por empresa transportadora, obtendo-se o preço médio praticado por cada uma. A Tabela 21 apresenta os preços médios praticados pelas quatro maiores empresas do ramo.

Tabela 21 – Preço médio por empresa.

Tambor 200L Tambor 100L Caçamba Aberta Transportadora Fab Qtd Pr Méd Fab Qtd Pr Méd Fab Qtd Pr Méd

Emp 1 28 820 14,85 9 131 13,37 11 41 80,98

Emp 2 21 974 11,98 6 379 9,69 1 2 85,00

Emp 3 14 101 78,10

Emp 4 5 89 19,06 1 100 8,00 3 24 82,90

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Como será apresentado na sequência, uma das principais dificuldades e sugestões apontam para uma maior transparência sobre os preços praticados e nos pesos das caçambas, principalmente dos tambores, haja vista que são cobrados por unidade, e não por peso.

Isso posto, analisando-se de forma mais qualitativa as indústrias e as transportadoras, adotou-se um peso médio para caçambas e tambores, chegando-se a um valor de 750 kg para as caçambas, 35 kg para tambores de 200 L e 20 kg para tambores de 100 L. Dessa forma, pode- se obter um custo médio estimado por kg de resíduo, chegando-se a um custo médio por kg de R$ 0,2556 para indústria que transporta em caçambas, R$ 0,4171 por kg para a que transporta em tambores de 200 L e R$ 0,5275 para as de 100 L, conforme demonstrado na Tabela 22. Tabela 22 – Custo médio por kg de resíduo.

Armazenagem Preço Médio (R$) Peso (kg) Custo (kg)

Tambor 100L 10,55 20 R$ 0,5275

Tambor 200L 14,60 35 R$ 0,4171

Caçamba Aberta 79,20 750 R$ 0,2556

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Mas, desses valores, quanto o fabricante está pagando de transporte e quanto para a destinação no aterro?

Como o preço cobrado para dipor no aterro, quer seja da fábrica associada, quer seja da transportadora, é de R$ 150,00 a tonelada ou R$ 0,15 o quilo, constata-se que as indústrias que armazenam em tambores pagam mais pelo transporte do que pela disposição dos resíduos, conforme demonstrado na Tabela 23.

Tabela 23 – Custo médio por kg – transporte e disposição.

Armazenagem Custo por kg (R$) Disposição Transporte

Caçamba Aberta 0,2556 0,15 0,1056

Tambor 100L 0,5275 0,15 0,3775

Tambor 200L 0,4171 0,15 0,2671

Esses valores relacionados ao transporte bem como à forma de armazenamento nas fábricas precisam ser revistos, haja vista que, na cidade de Igrejinha-RS, em que todas as indústrias armazenam em sacos e pagam por kilo, o valor pago pelo transporte da fábrica até a Central de Resíduos é de R$ 55,00 a tonelada, ou seja, R$ 0,055 por kg. Além disso, no estado do Rio Grande do Sul, os resíduos de couro não podem ser reclassificados como não perigosos, sendo transportados em veículos adequados.

Ao obter um custo estimado por kg, foi possível também calcular um custo estimado por pares de sapatos, bem como a quantidade de resíduos gerados por par, pois as indústrias informaram sua produção mensal, bem como a quantidade de caçambas e/ou tambores utilizados por mês.

Foi realizada, então, uma filtragem na base de dados para selecionar somente as indústrias fabricantes de calçados e que fazem o descarte de uma única forma, quer seja em caçamba ou tambores. O resultado retornou 24 indústrias que descartam em tambores de 100L, 50 indústrias que descartam em tambores de 200L, e 30 em caçambas abertas. Na sequência, foram quantificados os tambores e caçambas utilizados para estimar a quantidade de resíduos gerados. O próximo passo foi apurar a produção mensal das indústrias selecionadas e dividir pela quantidade de resíduos gerados, obtendo-se uma quantidade média em quilos ou gramas gerada por par. E, finalmente, como já se havia estimado o custo por kg, obteve-se o custo estimado por par de sapatos.

Com relação à quantidade de resíduos gerados por par, pode-se observar que os valores para indústrias que armazenam em tambores estão bem próximos: 130,20 g para as indústrias que armazenam em tambores de 100L, e 134,80 g apurados nas indústrias que armazenam em tambores de 200L. Nas empresas que armazenam em caçamba, foi apurada a quantidade de 196,80 gr, sendo que a média ficou em 168,50 g por par produzido. Os cálculos efetuados estão demonstrados na Tabela 24.

Tabela 24 – Cálculo da quantidade de resíduo gerado e custo por par de sapatos.

Armazenagem Qtd Ind.

Qtd utiliz.

Peso

(kg) Res. Gerado Pares Prod. Méd (par/kg)

Custo (kg) Custo (Par) Tambor 100L 24 852 20 17.040 130.920 0,1302 0,5275 0,0687 Tambor 200L 50 1638 35 57.330 425.400 0,1348 0,4171 0,0562 Caçamba Aberta 30 180 750 135.000 686.000 0,1968 0,2556 0,0503 Total 104 -- -- 209.370 1.242.320 0,1685 -- -- Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Embora a média de resíduo gerado por par esteja próxima, pode-se observar que a quantidade de resíduo gerado é maior quando se tem mais espaço para armazenar. Essa

diferença chega a mais de 60 gramas por par quando é comparada com armazenamento entre tambores e caçambas (Tabela 25).

Tabela 25 – Variação da quantidade gerada por tipo de armazenagem.

Armazenagem Média (par/g) Variação (em g)

Tambor 100L 130,20 66,60

Tambor 200L 134,80 62,00

Caçamba Aberta 196,80 --

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Esse aumento na quantidade conforme a maneira de armazenamento pode sugerir que quanto mais espaço se tem para armazenar, maior o volume de resíduos gerado, bem como a não separação correta dos resíduos acaba aumentando o volume de resíduos enviados ao aterro, de forma desnecessária ou incorreta, haja vista que houve depoimentos de indústrias que acabam enviando resíduos de escritório e cozinha para aterro por falta de coleta municipal.

O custo por par produzido estimado para as indústrias que utilizam tambores de 100L foi de R$ 0,0687; para as que armazenam em tambores de 200L, foi de R$ 0,0562; e para as que utilizam caçambas, R$ 0,0503. A Tabela 26 apresenta uma síntese dos valores obtidos.

Tabela 26 – Síntese dos valores obtidos.

Armazenagem Qtde gerada (par/ g) Custo (Par)

Tambor 100L 130,20 R$ 0,0687

Tambor 200L 134,80 R$ 0,0562

Caçamba Aberta 196,80 R$ 0,0503

Média 168,50 --

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Pelos números apontados, observa-se que, embora o armazenamento em caçamba gere mais resíduo, ele possui um custo menor por par de calçado produzido. Tal constatação reforça ainda mais a teoria do desperdício, pois a indústria tem mais espaço para armazenar/gerar resíduos e menos custo para destiná-lo.

4.2.8.2 Dificuldades e sugestões sobre a coleta e destinação

No questionário, havia um espaço para a empresa se manifestar de forma espontânea sobre dificuldades e sugestões para a melhoria do gerenciamento dos resíduos.

O Quadro 40 contempla as principais dificuldades apontadas pelas empresas.

A dificuldade está em fazer a separação e ter um local apropriado para armazenamento. Conscientização dos funcionários no momento da separação das classes de lixo. Entendimento da forma de pagamento à empresa coletora dos resíduos.

Falta de mais empresas especializadas na coleta do lixo classe 1 (lixo contaminado com produtos químicos). Não encontra outra alternativa para descarte; gostaria de não destinar para aterros.

Resíduos de escritório e de cozinha acabam indo junto por falta de coleta municipal. Quadro 40 – Dificuldades apontadas.

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

Pode-se observar que as principais dificuldades apontadas vão desde o momento da geração até a separação dos resíduos nas fábricas, o que está diretamente ligado à capacitação dos funcionários. Perpassa pela falta de um local apropriado para o armazenamento temporário desses resíduos, reforçando o que foi coletado quantitivamente, pois apenas 18% das indústrias pesquisadas possuem um cômodo para o armazenamento desses, bem como pela falta de empresas especializadas na coleta, pela falta de opções de destinação (a não ser em aterros), e pela falta de transparência dos valores cobrados pelas empresas transportadoras dos resíduos, haja vista que os valores cobrados são por tambores ou caçambas e não por quilo.

O Quadro 41 contempla as principais sugestões apresentadas pelas indústrias.

Adotamos, desde junho de 2014, que os fornecedores nos orientariam sobre o destino de cada item de material fornecido. Esses itens que hoje são coletados voltam à origem e são reutilizados no reprocesso de fabricação. Deveriam, todos os envolvidos, ter melhores condições.

Dar treinamento para as fábricas fazerem o correto gerenciamento dos resíduos.

Empresa responsável pela coleta: enviar relatório da quantidade de lixo cobrado. Caçamba em péssimas condições, deixando resíduos espalhados pelo asfalto. Funcionários deveriam ser mais bem orientados quanto aos tipos de resíduos (classificação).

Empresa responsável pela coleta: Faltam informações sobre as empresas, como um medidor de confiabilidade. Colocar um medidor de sinal (verde e vermelho).

Empresa responsável pela coleta: fornecer equipamento apropriado para os funcionários que coletam o lixo. Empresa responsável pela coleta: fornecer informações mais detalhadas sobre os valores pagos.

Empresa responsável pela coleta: ter mais transparência nos valores pagos. Dar notas de 0 a 10 em relação à documentação. Obrigar as empresas a fazer o descarte no mesmo dia para evitar fraudes no valor do pagamento.

Empresa responsável pela coleta: transparência no armazenamento e descarte de resíduos.

Empresa responsável pela coleta: aumentar a quantidade de funcionários para aliviar o desgaste físico e até diminuir o tamanho dos tambores para ajudar.

Estudos sobre lixo reciclado. Fazer a recuperação dos resíduos.

Fazer uma separação melhor dos materiais. Incineração dos resíduos.

Melhorar o armazenamento e tratamento dos resíduos igual ao Rio Grande do Sul. Reaproveitamento dos resíduos.

Reciclagem do couro.

Reciclagem para aproveitar o resto do couro.

Reciclagem, desenvolver métodos de aproveitamento sem agressão ao meio ambiente. Trazer mais informações sobre os resíduos.

Quadro 41 – Sugestões apontadas.

Fonte: elaborado pelo autor por meio de dados coletados na pesquisa.

As sugestões também apontam para um processo de melhoria desde o momento da geração, separação, armazenagem até o transporte, principalmente buscando alternativas para a destinação dos resíduos.