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CHAPTER III – THE LEGAL FRAMEWORK FOR OCEAN ALKALINIZATION

4. London Dumping Regime

4.4 Further Developments

Só fazer o Para Casa é muito pouco, não adianta só o Para Casa , tem que estudar um pouco todo dia, além do Para Casa precisa estudar. No universo desta pesquisa, escola e família comungam da crença de que é preciso incentivar e propor estudos e atividades complementares, com o intuito de maximizar as aprendizagens escolares, formando nas crianças o hábito do estudo diário e evitando que as matérias se acumulem ao longo do semestre. Tal preocupação e os investimentos dela decorrentes revelam, de forma notória, que as famílias convertem seus lares em extensão da escola, assumindo um trabalho pedagógico contínuo (ESTABLET, 1987). Os pais investigados são orientados pela própria escola a ampliar a ação pedagógica da instituição de ensino

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não só através do monitoramento dos deveres de casa, mas também da implementação de estudos complementares aos deveres. Do lado da escola, constatamos o seguinte discurso:

Seria interessante sistematizar, em casa, o estudo da língua portuguesa. O acompanhamento/estudo para além do dever poderá ser feito pela própria família (professora de língua portuguesa do 5º ano).

Orientei os pais para a necessidade de iniciar o estudo diário para além do Para Casa. Devem iniciar com duas ou três vezes por semana e gradativamente aumentar o número de dias e o tempo, até virar um hábito e ser incorporado à rotina. Os pais estão cientes da necessidade de acompanharem e investirem na formação do hábito de estudo (professora de língua portuguesa do 5º ano).

Do lado das famílias coletamos as seguintes declarações:

A gente tem um caderno de estudo, independente da escola. Nesse caderno eu faço as atividades das disciplinas e ela faz para estudar. Então, por exemplo, se é po tugu s, eu falo assi : Leia u liv i ho tal e opie u pa g afo ue ais gostou. Você mudaria o fi al? Se vo fosse uda , o o vo uda ia? . E a gente tem um caderninho que eu vou passando os exercícios extras e ela vai estudando. O ano passado eu até pedi à professora, ela me indicou um livro extra, que nem todo dia também dá para fazer, nem sempre faz, e ela me passou um tanto de exercícios, que eu tirei xerox da própria professora, e ia fazendo com ela, para além do dever. Exercícios da própria indicação da professora (Alessandra, odontóloga, mãe de Luciana).

Minha mãe compra uns livros que é para eu estudar, que vem matéria, já vem Pa a Casa , eti ado do liv o. Aí, eu estudo ais u pou o. E faço p ovas de outros anos também. Na quarta série eu já fiz uma prova da quinta, por exemplo (Augusto, 11 anos, filho de Denise, dona de casa).

De modo geral, os estudos complementares aos deveres de casa constituem prática regular no ambiente doméstico dessas famílias, sendo, ao meu ver, uma das expressões concretas do fenômeno de sofisti aç o da apa idade est at gi a das famílias das classes médias, abordado no capítulo anterior. Fortemente armadas e severamente comprometidas com um destino promissor para a prole, essas famílias vivem, cotidianamente, um processo crescente de planificação e racionalização que se reflete em procedimentos concretos adotados por elas e que se desdobram em diferentes aspectos.

Um primeiro aspecto consiste no fato de que as mães, com o intuito de organizar e planejar o estudo complementar diário, organizam um quadro de horários – at es o u a pla ilha - que determina o tempo e o conteúdo que deverá ser contemplado no estudo diário, em cada dia da semana.

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A gente faz uma planilha mais ou menos assim, está vendo? Aqui é o horário dela na escola, então nós já colocamos que ela deve fazer jazz e viola.. Aí, tem um intervalo de descanso, então, por exemplo, na segunda-feira a gente já vai começar a estudar literatura. [...] Além do Para Casa. Aqui ela vai estudar o que ela quiser, a gente deixa isso também. Aqui inglês... A gente está muito voltada para português e matemática, a princípio. Aqui coloco ela para ler mais e tudo. [...]Ela faz terapia, e tem o inglês. A gente vai especificando o conteúdo que vai ser estudado a cada dia, vai especificando os conteúdos. Deixa um pouco aberto assim, de acordo com a necessidade também das provas que vai ter, do que vai ter. Mais ou menos assim. Isso aqui além do dever (Alessandra, odontóloga, mãe de Luciana).

Outra expressão da sofisticação das estratégias parentais encontra-se no fato de que essas mesmas famílias, como forma de viabilizar e intensificar a rentabilidade dos estudos, adquirem livros e materiais didáticos alternativos aos adotados pela escola que serão trabalhados e corrigidos no ambiente (pedagógico) do lar:

Eu compro. Então, me indicam livros bons... Descobri um livro bom que caiu matéria... o mesmo exercício caiu numa prova de matemática e de português, aí uma amiga descobre, me fala e eu vou lá e compro o livro. Livro de exercício igual ao que eles usam na sala de aula mesmo, aí ali eu vou pondo paralelo ao do Consagração, para fazer. É bem mais fácil. Aí eu ponho para fazer (Denise, dona de casa, mãe de Augusto).

Um terceiro aspecto, conforme atestam vários depoimentos, consiste em outra importante estratégia de maximização da aprendizagem escolar: o incentivo constante à leitura. As famílias entrevistadas, em larga escala, revelam que, no centro de suas preocupações e prioridades escolares, a formação do filho leitor é objetivo primordial. Os pais se reconhecem como bons leitores e acreditam na força do próprio exemplo, falando com orgulho das atitudes e dos comportamentos pessoais. Além do exemplo parental, as famílias, com a finalidade de assegurar o tão almejado gosto pela leitura, apostam e implementam, desde a tenra idade dos filhos, ações carregadas de intencionalidade, como passeios a bibliotecas e livrarias, compras regulares de livros, contações de histórias, revistas e livros estrategicamente espalhados pela casa, dentre outras estratégias postas em prática pelas famílias:

Eu e o meu marido lemos muito, o hábito de leitura aqui em casa é uma constante, então eu acho que o melhor exemplo que você dá para um filho não é falar, é ver o que você faz. Então, assim, desde pequena eu comprava livros para ela de acordo com a idade para estimular. Lia com ela, divertia, então o livro foi incutindo na vida dela como uma coisa fundamental para o dia a dia. Aí, sempre que a gente ia ao shopping ela falava que queria ir na Leiturinha, que é aquele

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espaço. Eu sempre ia, sempre ficava sentada lá com ela, ela sempre folheando alguns livros, sempre pedia algum, e eu repetia a mesma frase que eu digo até hoje: Nu a vou te ega de o p a u liv o [...] Então desde pequena eu fui colocando a leitura como uma coisa do dia a dia, então ela ler um livro é um prazer. [...] Então eu acredito, assim, eu acho que as pessoas já nascem com um potencial, mas eu desenvolvi muito esse potencial dela de leitura, com certeza (Sandra, médica, mãe de Jéssica).

Ela lê demais. Ela é uma criança que nas férias passadas ela leu vinte e nove livros. Era quase que um a cada dois dias, ela come os livros. Eu assino todas as revistinhas em quadrinhos da Turma da Mônica. Na hora que chega, vai chegando aos poucos, ela senta ali no sofá, ela lê. Está sempre lendo algum livro. Toda semana vai ali na Saraiva. Isso aí pode comprar, porque livro eu acho que é uma forma de... Isso ela faz muito, tanto é que ela escreve muito bem, e eu acho que em função disso, da leitura. [...] Ela gosta demais de ir ao shopping, de ir à Saraiva, senta lá, pega um livrinho, escolhe um livro, vem para cá, senta. A gente fez isso muito quando ela era mais nova, de deitar nós três na cama, televisão desligada, cada um lendo o seu livro. Eu lia o meu, o Ricardo lia o dele, ela lia o dela. Então, ela foi criando também esse hábito de ler. À noite muitas vezes é o que a gente faz. Ontem mesmo ficamos os três na cama até dormir, cada um lendo o seu livro. Então ela lê muito (Ada, médica, mãe de Beatriz).

Por fim, um último aspecto denotando o propósito de maximização da aprendizagem revela- se no fato de que, das 20 famílias entrevistadas, três estendem suas estratégias de reforço e maximização dos estudos até mesmo para o período das férias escolares:

Ela [a filha] vai refazer [nas férias] as questões que ela errou na prova, entendeu? Já passei para o caderno hoje. Eu copio no caderno de estudo dela as questões que ela errou, para ela fazer. Amanhã de manhã ela faz (Flora, fisioterapeuta, mãe de Laurentina).

Eis o relato de um aluno de 11 anos sobre sua programação de férias:

Aí eu brinco e estudo um pouco, leio livro. [...] Eu tenho que ler dois livros, mas eu já acabei um e agora estou lendo outro. Aí, agora eu estou estudando um pouco da tabuada. [...] Porque senão quando eu chegar lá, eu esqueço de tudo o que eu estudei ano passado, de ler...(Augusto, 11 anos, filho de Denise, dona de casa).

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