3. METODE
5.2 Funn knyttet til matematikklærerens fagkunnskap
Um novo contexto e configuração territorial se iniciam. Endividados junto às casas- aviadoras, a maioria dos patrões vender seus seringais, levando a uma maior acumulação da propriedade da terra por parte de alguns patrões capitalizados. Somado a isso, as redes de financiamento comercial entre as casas-aviadoras e patrões são reformuladas quando acontece o corte das comunicações fluviais e com esta o declínio do fluxo regular de bens industriais e escoamento da produção gomífera. Com a drástica redução na migração de nordestinos, os povos indígenas são incorporados mais intensamente no sistema do seringal, demarcando o fim do período das correrias. E, nesse novo contexto, os seringais tiveram que diversificar suas atividades produtivas. Os patrões passaram a permitir a diversificação das atividades produtivas com usos agrários e extrativistas dos seringueiros na floresta e capoeiras, passando a estabelecer uma produção agrícola, com a permissão da abertura e trato dos roçados.
Com isso, há maior autonomia dos seringueiros com relação às mercadorias oferecidas no regime do barracão, mudando o sistema monopolizador da comercialização de produtos entre o barracão e os seringueiros. Transformando-se no fim do monopólio dos patrões nas relações comerciais nos seringais. Assim, desperta um mercado de produtos agrícolas e a atividade seringueira passa a ser secundária. Nesse contexto surge o que futuramente se tornará o município de Mâncio Lima, localizado na margem direita do rio Môa, na época denominada Colocação Japiim, importante centro agricultor da região de Cruzeiro do Sul (Castello Branco, 1930).
Com a redução das mercadorias do barracão, as famílias seringueiras e a mão-de- obra indígena representavam baixos custos nos trabalhos na floresta, e assim os povos indígenas tornam-se uma mão-de-obra importante no modo de produção territorial do seringal. Em especial os povos Kaxinaua, Poyanawa, Arara Shanendawa e Jaminawa, falantes de línguas do tronco Pano, sobreviventes das correrias ou já cativos nos seringais, por terem uma capacidade maior de usufruir os sistemas agroflorestais e ecológicos amazônicos, além da tarefa de cortar a seringa, passam a trabalhar no:
(...) transporte de borracha e mercadorias nas costas, varejar balsas de borracha até as cidades, abrir e zelar estradas de seringa, campos e pastagens, construir ubás (canoas para carga), edificar casas e currais, levantar cercas, extrair madeiras-de-lei, fazer farinhadas, movimentar os engenhos de cana-de-açúcar para o fabrico de mel, rapadura e gramixó (açúcar mascavo), colocar roçados, caçar e pescar para o abastecimento do barracão do patrão. A inserção das populações indígenas nos seringais administrados por patrões seringalistas regionais se estende até meados da década de 70 e é categorizada pelos seus membros como o tempo do
cativeiro. Os integrantes dessas populações passaram a ser indistintamente
denominados de caboclos e a sofrer forte discriminação no interior dos seringais. Assim como os seringueiros cariús se viram atrelados aos barracões dos patrões, sendo obrigados a pagar renda pela utilização das estradas de seringa e roubados nos preços da borracha e das demais mercadorias. Eram proibidos de praticar festas e rituais de suas tradições culturais, assim como de atualizar importantes aspectos de suas formas próprias de organização social e política (Aquino & Iglesias, 1994).
A presença da Igreja católica na região ocorre desde o final do século XIX, com as expedições chamadas de desobrigas, realizadas por padres franceses e alemães vinculados à Ordem do Espírito Santo. Mas foi só em 1915 que essa congregação edificou a Paróquia de Cruzeiro do Sul, confiada pela Prefeitura Apostólica de Tefé. Posteriormente o Papa Pio XI, por meio da Bula Mundus Regendi, autoriza a fundação da Prelazia do Alto Juruá12, em 1931, sob a administração da Congregação do Espírito Santo. Padre Tastevin foi um dos exímios produtores de registros escritos sobre esse período. Atuou no Juruá com a missão de “promover espiritual, moral e socialmente todo o povo da circunscrição eclesiástica”13.
Para atingir essa meta (Art. 1o do seu estatuto) edificou vários colégios e seminários (situados em Porto Walter e Cruzeiro do Sul), oferecendo curso superior em Filosofia e
12 Transformou-se em Diocese de Cruzeiro do Sul em 1987, com a presença de padres autóctones.
13 Essa tradição e corporação religiosa não apoiaram ou incentivaram o acirramento dos conflitos entre seringueiros camponeses e patrões pela posse da terra, como ocorreu na região do Vale do Acre, com a presença de tradições católicas com outra orientação ideológica enquanto práticas políticas, tendo as Comissões Pastorais da Terra, que representavam uma via católica para a revolução das relações sociais na terra. Segundo depoimento de Francisco Lima, ex-padre formado pela Congregação do Espírito Santo, a Igreja católica sempre atuou na região apoiando a ideologia dos patrões, na perspectiva de que a revolução ocorria no plano espiritual e não terrestre. Na região, uma característica cultural importante de mobilização das comunidades rurais são os festejos dos novenários, sendo o de Cruzeiro do Sul o mais importante na região.
Teologia. Dessa forma, a congregação passou a trabalhar na formação dos jovens junto aos seminários e internatos construídos na região.
A produção gomífera ganha novo impulso a partir de 1940, em decorrência da Segunda Guerra Mundial, com o fechamento, pelos alemães e alinhados, da produção da borracha vinda do sudeste asiático. Os EUA e aliados passaram a importar a borracha Amazônica, e o alto Juruá transforma-se na região com maior produtividade do látex da seringueira (Almeida, 1990 e 2004; Pantoja, 2004). Essa matéria-prima foi vital para a indústria pneumática e de peças dos veículos militares dos aliados.
Neste contexto foi criado, pelo Governo Federal, o Banco de Crédito da Amazônia, também conhecido como Banco da Borracha, com o objetivo de garantir o financiamento das empresas seringueiras e monopolização da produção da borracha. Os recursos de capital advinham de vultosos recursos do governo dos Estados Unidos, respaldados pelo Acordo de Washington. Com isso, renasce uma nova onda migratória, de nordestinos, para a região. Desta vez apoiada não mais pelas casas-aviadoras, mas por um órgão governamental, o Serviço Especial de Trabalhadores da Amazônia (Semta), que passou a recrutar nordestinos para serem incorporados como mão-de-obra nos seringais.
Nesse tempo, os seringueiros ficaram conhecidos no bordão nacionalista como
soldados da borracha (Gonçalves, 1991: 29-30)14. Ainda segundo Terri V. Aquino & Marcelo P. Iglesias:
(...) o Governo [brasileiro] passou a intervir diretamente no mercado nacional da borracha, comprando a produção lograda no país, fixando os preços de sua comercialização, regulando as quotas de importação da produção vinda do exterior e canalizando capital subsidiado para que os patrões financiassem as safras extrativas de seus seringais. (Op. Cit., 1994)
Com o fim dos conflitos bélicos, os países europeus passam a contar novamente com a borracha cultivada na Ásia. E a produção brasileira só permanece no mercado mundial em decorrência de alguns acordos firmados pelo governo brasileiro e norte- americano (nos marcos jurídicos do Acordo de Washington), que permitiam a venda do produto pelo dobro do preço internacional, o que dura até junho de 1947.
14 Segundo Sutton: “(...) em 1942, mais trabalhadores do Nordeste eram recrutados para produção de borracha. Eram conhecidos como ‘soldados da borracha’, financiados por novos créditos governamentais, com o objetivo de atender a demanda norte-americana criada pela guerra de pneus para os veículos militares” (Sutton, 1994: 78).