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6  Konklusjoner

6.2  Funn

O conceito de paisagem e as ciências que se dedicam ao estudo da paisagem, atualmente, assumem diversas posições filosóficas e diferentes interpretações científicas. De acordo com o que foi abordado anteriormente, a paisagem vem passando por mudanças conceituais no decorrer do tempo e, junto a isso vem trazendo modificações em toda sua estrutura. Dessa forma, o trabalho se basea na visão geográfica da paisagem, enfatizando a análise do todo, em uma dimensão basicamente espacial.

Diante dessas modificações conceituais, a paisagem costeira é considerada um sub-tópico da paisagem que vem recebendo diferentes definições. A paisagem costeira abrange toda área de zona costeira, que segundo Vasconcelos (2005, p. 15) é:

Lugar de encontro de três sistemas ambientais diferentes, hidrosfera, litosfera e atmosfera. Essa confluência intersistêmica gera um ambiente de dinâmica complexa, sem domínio preponderante entre as fases terrestres, aquática ou aérea.

Essa área como se pode observar possui uma dinâmica muito complexa, onde cada ambiente tem suas características e ações próprias. Até o fim do século XIX, a zona costeira era praticamente pouco habitada, somente no início do século XX, que a mesma se tornou um lugar de preferência do homem para fixar sua residência. Atualmente, a maioria da população mundial vive no litoral. A zona costeira é lugar de forte pressão demográfica, econômica e fornecedora de recursos naturais para a população (VASCONCELOS, 2005).

Diante disso, Vasconcelos (2005, p. 16) afirma que:

A população litorânea disputa um mesmo espaço geográfico para as mais diversas atividades e finalidades, entre elas, a habitação, a indústria, o comércio, o transporte, a agricultura, a pesca, a aqüicultura, o lazer e o turismo. Torna-se natural que, em um espaço restrito pelo adensamento populacional, grupos distintos disputem uma mesma área para atividades diferentes, muitas vezes conflitantes e até mesmo antagônicas. A ocupação desse espaço concorrido está entre as principais causas de riscos ambientais na zona costeira.

Diante do exposto, fica evidente que a zona costeira começa assumir novas funções, acarretando em algumas consequências. A consequência principal e a

mais visível é a mudança da paisagem costeira. Podemos afirmar que são dois os elementos que mais modificam a paisagem costeira, que são: a ação antrópica (sociedade) e a ação natural.

A ação antrópica engloba inúmeros fatores, tais como: as atividades econômicas (principalmente, o setor de serviços – turismo); o poder público e o privado; e, a poluição. Já a ação natural envolve: o processo erosivo, o assoreamento, mudanças globais (elevação do nível do mar e as manifestações climáticas). Todos os elementos contribuem para as transformações na paisagem costeira.

Uma dessas comprovações de modificações da paisagem costeira é a ocupação humana de forma desordenada nas áreas litorâneas, pois acabam por provocar o desequilíbrio dinâmico dos ambientes e como consequências os impactos sucessivamente negativos ao ambientes costeiro. Segundo Vasconcelos (2005) é na área costeira que se percebe e se faz sentir os impactos antrópicos e naturais, pois a complexidade da dinâmica ambiental, interligada aos diversos interesses sociais que pleiteiam a área. Essa tem sido motivo de preocupação mundial, sendo demonstrada por cientistas e estudiosos, governantes e lideranças e até mesmo por moradores. Segundo Coriolano (2007, p. 21) afirma que o resultado da dominação humana é desastroso, ele a instrumentalizou e a massacrou coloca-a como algo a seu serviço e sempre disponível para seu interesse, independente dos seus limites, de suas fragilidades e de suas leis naturais.

As atividades econômicas que mais afetam a paisagem costeira são aquelas relacionadas ao setor de serviços, principalmente o turismo. A atividade turística utiliza a paisagem como forma de atrair os investimentos e os lucros para uma determinada área. Isso se percebe claramente no bairro de Ponta Negra, onde essa atividade começou a se desenvolver e a atrair os investimentos e empreendimentos em busca de lucro, tendo como modelo o turismo de sol/mar.

A paisagem costeira do bairro começa a passar por uma nova configuração na paisagem em virtude dessa nova atividade, e também não se devem deixar de lado os incentivos do poder público e privado na área, pois os mesmos contribuíram de forma eficaz para o desenvolvimento desse novo ramo econômico, como também, para o crescimento populacional e no (re) ordenamento territorial da área. Tudo isso contribuiu para as mudanças na paisagem costeira do bairro. De acordo com Coriolano (2007, p. 24):

O turismo estimula a competição de lugares, com variados projetos de (re) ordenamento [...] faixas litorâneas transformadas em pedaços do espetáculo ou de atrativos turísticos, lugares que se transformam em vitrines espaciais junto ao mar. [...] o turismo produz configurações territoriais contraditórias, pela luta de interesses conflitantes e sem diálogo ou negociação entre as partes: o Estado, as empresas e os residentes.

Diante do exposto podemos dizer que o turismo para se reproduzir segue a lógica do capital consiste em colocar as grandes extensões da natureza a disposição de alguns turistas, apresentando-se como atrativos naturais e culturais, transformados em negócios, expropriando da terra aquele grupo da população que subsistia de atividades não-capitalistas.

Com isso, o estudo dos fatores naturais aparece como uma ferramenta importante para o entendimento das modificações impostas ao meio ambiente. As ações naturais podem acontecer de maneira rápida ou lenta, isso vai depender de um conjunto de fatores que estejam relacionados às ações das sociedades. O conjunto destes fatores é responsável pela alteração (construtiva ou destrutiva) de uma área. Por exemplo, as mudanças climáticas que estão ocorrendo em virtude de vários processos, como poluição atmosférica, acaba por ocasionar uma possível elevação ou diminuição do nível do mar e isso provocam uma série de danos ao ambiente, principalmente, o costeiro e influenciando de maneira negativa nessa paisagem.

5.2 A TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM COSTEIRA DE PONTA NEGRA E