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6. Presentasjon av funn

6.4. Funn fra intervju med utdanningsinstitusjon

O programa que sucedeu às janelas regionais emitidas pela RTP não se pode dizer que se tenha traduzido numa grande novidade. De facto, o “Regiões”, embora com outros nomes como “País, País”, ou “Teleregiões”, já era emitido há muitos anos pela Televisão Pública. Mesmo com o lançamento das emissões regionais, cerca de 30 minutos antes de cada um dos “Regiões” locais, continuou a entrar diariamente na casa dos portugueses. Na altura, muitos questionaram qual o sentido de um programa desta natureza, pois grande parte dos seus conteúdos não eram mais do que a selecção das

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Mais informações em http://www.petitiononline.com/regioes/petition.html.

notícias mais importantes de cada uma das regiões, sendo muitas vezes repetidas logo a seguir nas janelas regionais. Mas havia uma boa justificação para tal: segundo o coordenador do “Regiões” nacional, Hélder Antunes (entrevista: 18/01/2006), se a ideia era fazer serviço público e dar a cada um dos portugueses as notícias da sua terra, essa meta não seria atingida se não se pensasse nos cidadãos que migraram das suas localidades. Os responsáveis da RTP entendiam que um transmontano que vivesse no Algarve gostaria de ficar a par do que se passava no seu local de berço. O mesmo argumento valia para o facto de serem transmitidas notícias das ilhas: Madeira e Açores. Este sentimento saudosista explica-se pelas diferenças profundas que existem nas regiões portuguesas, apesar da importância da identidade nacional no seu todo. As especificidades que acabam por dar rosto a cada região reflectem-se inevitavelmente nas tradições culturais que, apesar da uniformização urbana, não encontram grandes pontos comuns entre elas. Para melhor traduzir esta ideia, basta atentarmos na distância que separa o traje do folclore minhoto do transmontano, ou do alentejano (Mattoso, 1998: 82).

O historiador José Mattoso (Ibidem) diz que, apesar da influência dos poderes instituídos na formação de uma identidade comum, com expressão em qualquer ponto do espaço nacional, o processo de formação das identidades regionais terá sido diferente. A sua gestação é mais espontânea, sendo quase sempre uma resposta às condições dos locais onde surgiram. Não é isso, no entanto, que lhes retira o valor. Muito pelo contrário. A sua importância é tal que não é difícil encontrar na capital pessoas vindas de vários pontos do país e que continuam a exibir com orgulho algumas tradições dos seus locais de origem. A própria pronuncia que muitos fazem questão de manter, às vezes até inconscientemente, prova a existência desse vínculo permanente à sua Terra Natal, aos seus valores, costumes e tradições. Benedict Anderson (1997: 23) sintetiza de uma forma muito interessante esta ideia no conceito de “Comunidades Imaginadas”. Apesar de se referir à nação e não propriamente à região, ele diz que ela “é imaginada porque, mesmo nas mais pequenas, os seus membros jamais irão conhecer todos os seus compatriotas. Ainda assim, nas suas mentes persiste uma imagem de comunhão e de partilha”.

A RTP, através dos seus programas regionais, tem tido um papel preponderante nessa matéria, particularmente através de programas como o “Regiões” Nacional, que procuravam não só reforçar valores dentro de cada comunidade regional, mas também junto de outros grupos que, por diversas razões, se encontravam afastados das suas

raízes, mas que continuavam sentimentalmente ligadas a elas e por elas manifestavam grande interessa. Daí que desse sempre dar uma dimensão nacional às regiões, uma projecção que, apesar da sua importância a nível local, as janelas regionais nunca conseguiriam. As emissões regionais tinham efectivamente um grande impacto ao nível dos poderes locais e ajudavam a resolver muitos problemas às populações, mas quando se tratavam de questões que requeriam a atenção da administração central, seriam mais facilmente resolvidas se fossem emitidas a nível nacional, dada a sua visibilidade.

4.4.1. A Evolução na Continuidade

Apesar da importância que o “Regiões” local acabou por adquirir e de muitos terem defendido o fim do formato nacional, por não fazer muito sentido repetirem-se conteúdos quase à mesma hora, o que aconteceu foi que a crise em que a RTP mergulhou determinou o fim das janelas regionais. Especulou-se sobre as razões que terão levado a terminar com uma emissão que dava finalmente voz às pessoas. Avançaram-se argumentos políticos, alegando-se acertos de contas entre PSD e PS, já que se tratava de um projecto surgido durante a governação socialista de António Guterres.

Hélder Antunes (entrevista: 18/01/2006), na altura coordenador do “Regiões” nacional e do “Regiões Lisboa”, garante que não houve qualquer decisão política, que não houve vinganças políticas de laranjas contra rosas. Diz ele que “os políticos locais é que fizeram disso uma bandeira e as pessoas sentiram que lhes estavam a tirar um pedaço de carne e ficaram ofendidas. O que terá acontecido foi que a RTP na altura, pura e simplesmente por razões de optimização de meios e redução de custos optou por concentrar o “Regiões” todo num só programa”.

No fundo, não terá sido mais do que dar continuidade ao que já existia, “lavando-se a cara” ao programa, cujo tempo foi alargado, passando dos cerca de 30 minutos para 50 minutos, sendo a emissão repartida por Lisboa e pelo Porto. Ao mesmo tempo, ofereceu-se de novo aos telespectadores algo que muito tinha sido criticado ainda na Era do “Regiões” local: um novo horário. A aposta de novo nos finais da tarde, desta feita por volta das 18 horas, prometia devolver às emissões regionais a visibilidade perdida com o horário do início da tarde.

Em relação aos conteúdos as directivas não mudaram, o que era continuou a ser, por outras palavras, continuava-se a dar às pessoas notícias das suas terras, tendo por

base os centros que já existiam. Depois tentava-se, com dois pivots, um em Lisboa e outro no Porto, dar-lhe um figurino ao mesmo tempo nacional e regionalista: o que estava abaixo da linha do Mondego e ilhas era apresentado por Lisboa, o que estava acima da linha do Mondego era apresentado pelo Porto.

As razões dos custos e optimização dos meios vieram reforçar aquilo que sempre se fez: tentar dar uma dimensão nacional às regiões e às várias regiões dentro da RTP. A base de tudo isto continuou a ser a implantação da RTP no território português: continente e ilhas.

Na opinião de Hélder Antunes (entrevista: 18/01/2006), toda a revolução que nessa altura se operou na televisão pública só lhe fez bem e, olhando para trás sem saudosismos e sem paixões, vendo as coisas de forma fria, entende que tudo isto que se passou na história recente da RTP não é mais do que uma evolução feliz na história da própria empresa, com os resultados que se vêem hoje, em que a RTP deixou finalmente de dar prejuízo.

4.4.2. Bragança no “Regiões” Nacional

Uma vez que o “Regiões” ficou centralizado em Lisboa e no Porto, o Centro de Emissão Regional (CER) de Bragança, tal como os outros, perdeu a sua emissão, o que teve implicações ao nível de toda a sua estrutura. Sem um programa para pôr no ar diariamente, a carga de trabalho diminuiu significativamente em Bragança, daí não fazer sentido voltar a ter um quadro de pessoal semelhante ao que existia no tempo do “Regiões” local. Assim, de seis jornalistas e seis operadores de imagem, passou-se para metade dos recursos humanos. Porém, como nenhum dos contratos anteriores tinha sido renovado, foi preciso contratar alguns profissionais. A coordenação da equipa e dos serviços ficou delegada num dos novos jornalistas destacados para Bragança. A delegação de Vila Real manteve-se da mesma forma, com um jornalista e um operador de câmara a dar apoio a Bragança.

Quanto à selecção noticiosa, esta passou a ser feita de uma forma mais cuidadosa, tendo em conta que já não existia a pressão de preencher 20 minutos de programa. “A partir deste momento, aquilo que ia para o ar era bem mais próximo daquilo que os jornalistas entendem por notícia. Só os temas realmente importantes eram tratados pelos profissionais de Bragança” (Mateus, entrevista: 10/01/2006).

Não se pode dizer, contudo, que com o novo formato o trabalho se tenha tornado facilitado. Dadas as exigências dos centros de decisão, segundo Alves Mateus, jornalista/coordenador do agora Centro Regional Comum (CRC)31 de Bragança, os profissionais de Bragança não se podiam deixar ultrapassar por outros CRC´s. Com uma visibilidade a nível nacional, o CRC transmontano tinha de se esforçar mais e mais para emitir assuntos de interesse, que chamassem a atenção sobre a região (Ibidem). Pode-se dizer que o nível de exigência no que respeita aos critérios de selecção noticiosa se tornou bastante maior. Só assim se poderia justificar a substituição das janelas regionais por este modelo.

Todos os dias, pelo menos uma reportagem de Bragança teria de ir para o ar. A média, no entanto, cifrava-se em duas, três peças diárias. Quanto ao destaque, esse dependia da importância do assunto. “Se a coordenação do Porto e Lisboa entendesse que o CRC de Trás-os-Montes e Alto Douro tinha a notícia do dia, então seria esta que estaria à “cabeça” do programa, seria a notícia de abertura. Noutro dia podia ser Castelo Branco, Faro, Évora, Lisboa, Coimbra, Porto ou até mesmo de novo Bragança, se tal se justificasse” (Ibidem). A actualidade, um valor sempre predominante, é que determinaria o alinhamento dos assuntos.