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O perfil VII localiza-se numa trincheira ao longo da EN258, ao Km 103,7, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N38º7’58.9’’ W6º58’54.1’’.

Inicia-se nos níveis de topo da Formação Colorada, constituídos por quartzitos que contactam por falha com os sedimentos da Formação Xistos com Nódulos. A Fm. Xistos com Nódulos, por sua vez, é constituída por xistos e níveis de liditos dispersos, com nódulos siliciosos. A topo desta unidade encontram-se os sedimentos da Formação Xistos Raiados (Devónico Inferior), constituídos por xistos e siltitos cinzento escuros laminados (fig. 4.37).

143 Figura 4.37. Coluna estratigráfica do Perfil VII (Barrancos), com localização das amostras estudadas. Assinalam-se a vermelho as amostras produtivas para palinologia. Os dados de micro e macrofósseis indicados baseiam-se nos trabalhos de Pereira (1997b) e Pereira et al. (1999). (ver Anexo 2, estampa de afloramento 14, foto 1)

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Este perfil apresenta diversos acidentes tectónicos sendo que, ao nível da Fm. Xistos Raiados chegam a ocorrer repetições de cerca de 1-1,5 m de sedimentos da Fm. Xistos com Nódulos, enquadrados por acidentes tectónicos. Segundo Piçarra (2000), este local é um dos mais interessantes do ponto de vista geológico, observando-se clastos de liditos com graptólitos datados do Llandovery e do Wenlock, incluídos nos níveis sedimentares datados do Devónico Inferior. Os clastos teriam sido originados por escorregametos gravitacionais de blocos de rocha, contemporâneos da sedimentação (Piçarra, 2000).

Neste perfil foram identificados graptólitos que indicam o Wenlock e a parte alta do Telychiano, assim como, a Biozona Cyrtograptus lundgreni? do Homeriano. Já na Formação Xistos Raiados foram recolhidas amostras para estudos palinológicos que forneceram esporos do Devónico Inferior (T. Cunha, 1994; dados não publicados), assim como, a Biozona de esporos Verrucosisporites polygonalis – Dictyotriletes emsiensis, do Pragiano (Pereira, 1997b; Pereira et al., 1999).

No total, para este estudo, foram recolhidas 35 amostras para estudos palinológicos (amostras 465 a 499), tendo sido todas elas processadas. Realizou-se a oxidação de todas as amostras, sendo que 10 delas apresentaram resultados positivos. A associação de palinomorfos recuperados é moderadamente diversificada e, encontra-se moderadamente preservada, tendo sido registados dois tempos médios de oxidação: cerca de 35 minutos para as amostras da Fm. Xistos com Nódulos e, cerca de 60 minutos para as amostras da Fm. Xistos Raiados (tab. 4.9).

As associações de acritarcas e prasinófitas recuperadas incluem os seguintes espécimenes:

Baltisphaeridium spp., Cymatiosphaera spp., Dictyotidium sp. 3, Dictyotidium spp., Estiastra

sp., Gorgonisphaeridium cumulatum, Gorgonisphaeridium spp., Leiosphaeridia sp. 2,

Leiosphaeridia sp. 3, Leiosphaeridia sp. 4, Lophosphaeridium sp. 2 e Multiplicisphaeridium ramusculosum. As associações de esporos trilete identificadas incluem: Ambitisporites avitus

Morphon, A. capitaneus, A. eslae, Ambitisporites spp., Amicosporites splendidus,

Aneurospora richardsonii, Aneurospora spp., Apiculiretusispora spp., Archaeozonotrietes chulus Morphon, Brochotriletes foveolatus, Chelinospora sanpetrensis, Chelinospora spp., Concentricosisporites cf. agradabilis, Concentricosisporites sagittarius, Dibolisporites spp., Emphanisporites multicostatus, E. protophanus, Emphanisporites spp., Retusotriletes abundo, R. cf. R. bipellis, R. maculatus, R. triangulatus, R. warringtonii, Scylaspora spp. e Verrucosisporites polygonalis.

145 Tabela. 4.9. Distribuição estratigráfica dos palinomorfos recuperados nas amostras produtivas do Perfil VII (Barrancos). Cronostratigrafia: 1- Limite Pridoli/Devónico Inferior (Lochkoviano); 2- Pragiano. Biozonas de esporos baseadas nos esquemas de Richardson et al. (2001) para o Pridoli/Devónico Inferior, e Streel et al. (1987), para o Pragiano. 482 ●● ● ● ● ● ● ● ●● 499 ● ●● ● ● 498 ●● ● ● ●● ● 497 ● ● ●● ●● ●● ●● ● ● ●● ●● 496 ● ●● 495 ● ● ● ● ● ● ● ●● ●● 494 ●● ● ● ●● ● 493 ●● ●● ● ● ● ● ● 492 ●● ● 488 ●● ●● ● ● ● ● ● ● ●● ●●● ●● ●● ●●● ●● ●● Chelinospora sanpetrensis Emphanisporites multicostatus Dibolisporites spp. Scylaspora spp.

Archaeozonotriletes chulus Morphon Ambitisporites avitus Morphon Amicosporites splendidus Retusotriletes abundo Aneurospora richardsonii Apiculiretusispora spp. Emphanisporites spp. Retusotriletes cf. R. bipellis Ambitisporites spp. Tetrahedraletes medinensis Quadrisporites variabilis

Gneudnaspora divellomedia var. minor Pseudodyadospora petasus Concentricosisporites saggitarius Ambitisporites capitaneus Ambitisporites eslae Cymatiosphaera spp. A lgas P ras in óf itas A cr ita rc a s C rip to sp or os E sp o ro s T ril e te Gorgonisphaeridium cumulatum Gneudnaspora chibrikovae Retusotriletes triangulatus Brochotriletes foveolatus Reusotriletes maculatus Retusotriletes warringtonii Dictyotidium sp. 3 Multiplicisphaeridium ramusculosum Amostras ref. Aneurospora spp. Verrucosisporites polygonalis Emphanisporites protophanus Chelinospora spp. Estiastra sp. Dictyotidium spp. Rugosphaera cerebra Concentricosisporites cf. agradabilis Leiosphaeridia sp. 2 Leiosphaeridia sp. 4 Leiosphaeridia sp. 3 Lophosphaeridium sp. 2 Gorgonisphaeridium spp. Baltisphaeridium spp. Imperfectotriletes varvdovae 1 2 Cronostratigrafia Biozonas de Esporos Subzona Aneurospora Zona PoW Subzona Po

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Foram, igualmente, identificados os seguintes criptosporos: Gneudnaspora chibrikovae, G.

divellomedia var. minor, Imperfectotriletes vavrdovae, Pseudodyadospora petasus, Quadrisporites variabilis, Rugosphaera cerebra e Tetrahedraletes medinensis. Completam a

associação, fragmentos de quitinozoários, graptólitos e escolecodontes.

As associações de palinomorfos identificadas nestas amostras permitiram precisar duas idades. A associação de esporos recolhidos das amostras de idade Silúrica permitiram restringir a associação ao limite Pridoli/Devónico Inferior (Lochkoviano). Por sua vez, nas amostras do Devónico foi recolhida uma associação de palinomorfos que corresponde à biozona de esporos Verrucosisporites polygonalis – Dibolisporites wetteldorfensis, subzona

Verrucosisporites polygonalis (Streel et al., 1987), dos níveis de base do Pragiano.

A associação de idade silúrica apresenta espécimenes que aparentam indicar a biozona

Scylaspora elegans - Iberoespora cantábrica (EC), subzona Aneurospora spp. (Richardson et al., 2001), no entanto, não foram identificadas nenhuma das espécies índex da biozona e, a

sub-zona Aneurospora spp. é atribuída aos níveis mais baixos do Lochkoviano (Richardson et

al., 2001). Mesmo assim, a associação de esporos apresenta semelhanças com a associação

descrita para a subzona, por Richardson et al. (2001): presença de abundantes exemplares de

Aneurospora spp. (não papilados); presença de diversas espécies do género Chelinospora. Por

sua vez, na associação deste estudo, também foram identificados espécimenes de

Ambitisporites eslae e Retusotriletes cf. R. bipellis, típicos do limite Pridoli/ Devónico

Inferior (Lochkoviano).

Estes resultados levam-nos a questionar se a subzona Aneurospora spp. poderá iniciar-se um pouco mais cedo (Pridoli) nesta região. Numa associação recuperada na Líbia, Rubinstein e Steemans (2008) fazem referência ao facto de que várias espécies de Aneurospora não papiladas, poderem ocorrer a partir do Pridoli, sendo este mais um fator que pode corroborar a idade de Pridoli, para a associação recuperada neste estudo. No entanto, a inexistência de espécies índex da biozona Scylaspora elegans - Iberoespora cantabrica, pode ser um fator negativo para a atribuição da subzona Aneurospora spp. à associação recuperada neste estudo.

A inexistência de espécies índex da biozona nesta associação de palinomorfos poderá estar relacionada com uma questão ambiental, ou mesmo, má preservação, visto terem sido observados alguns exemplares do género Scylaspora, embora nenhum fosse da espécie

Scylaspora elegans (os exemplares não possuiam as características três papilas na face

proximal). Assim, é mais correto indicar uma idade do limite Pridoli/ Devónico Inferior (Lochkoviano) para esta associação de palinomorfos, sendo atribuída a subzona Aneurospora

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spp. (Richardson et al., 2001), com a ressalva de se iniciar mais cedo nesta região, nos limites mais superiores do Pridoli.

A idade considerada para esta associação corrige a primeira idade apresentada no estudo preliminar, em Lopes et al. (2009). Nesse trabalho, a associação de palinomorfos recuperada foi interpretada como pertencendo ao Homeriano (Biozona cf. protophanus-verrucatus de Richardson e McGregor, 1986). No estudo preliminar não se considerou a existência de palinomorfos remobilizados, nomeadamente, a remobilização dos exemplares de

Emphanisporites protophanus. No entanto, alguns dos exemplares presentes nesta associação

são, agora, considerados como remobilizados, como é o caso dos exemplares de Retusotriletes

abundo, Imperfectotriletes vavrdovae, Quadrisporites variabilis e Tetrahedraletes medinensis.

A idade da primeira associação de palinomorfos aqui apresentada permite indicar que a Formação Xistos com Nódulos, nesta secção, poderá atingir o limite Pridoli/Devónico Inferior (Lochkoviano), o que não se encontra em conformidade com os dados de graptólitos recuperados para a região de Barrancos, que indicam que os sedimentos da Fm. Xistos com Nódulos apenas atingem o Ludlow (Piçarra, 2000). Infelizmente, neste perfil não foram identificadas biozonas de graptólitos nestes níveis mais superiores.

Tendo em conta que este perfil está muito tectonizado e apresenta repetições tectónicas ao nível dos sedimentos do Devónico, esta situação também se poderá observar na Fm. Xistos com Nódulos, podendo ser uma possibilidade, a ocorrência de repetições tectónicas das litologias de base da Fm. Xistos Raiados, constituídas por níveis de liditos e siltitos e, aos quais é atribuída uma idade de Pridoli (Piçarra, 2000). Assim, torna-se necessário a realização de estudos futuros para esclarecer esta situação.

A associação de palinomorfos do Devónico, Biozona Verrucosisporites polygonalis –

Dibolisporites wetteldorfensis, subzona Verrucosisporites polygonalis, da base do Pragiano,

complementa os dados apresentados por Pereira et al. (1999) nos níveis sedimentares da Formação Xistos Raiados. Neste estudo, a associação in situ identificada é menos diversa do que a encontrada por Pereira et al. (1999), apresentando exemplares de Ambitisporites

capitaneus, A. eslae, Amicosporites splendidus, Aneurospora spp., Archaeozonotriletes chulus, Brochotriletes foveolatus, Dibolisporites spp., Retusotriletes maculatus, R. triangulatus e Verrucosisporites polygonalis. Esta corresponde a uma associação com

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somente espécimenes característicos desta idade: Amicosporites splendidus, Aneurospora spp., Brochotriletes foveolatus, Dibolisporites spp. e Verrucosisporites polygonalis, o que poderá indicar que estes primeiros níveis correspondem à base desta subzona, ou seja, corresponderão aos primeiros níveis de base do Pragiano.

A baixa diversidade de esporos pode estar, em parte, relacionada com a má preservação dos exemplare,s verificada em todas as amostras desta idade, estudadas nesta secção. Esta secção da unidade é afetada por diversos acidentes tectónicos que podem explicar esta situação, o que também é confirmado pela necessidade de um tempo de oxidação mais longo, do que o observado para as amostras da Fm. Xistos com Nódulos, de idade mais antiga.

A associação do Devónico recuperada apresenta, igualmente, alguns exemplares que podem ser considerados remobilizados, visto a sua distribuição estratigráfica ser mais antiga (Silurico médio a superior): Ambitisporites capitaneus, Chelinospora sanpetrensis,

Empanhisporites protophanus, E. multicostatus, Retusotriletes abundo, R. warringtonii, Rugosphaera cerebra e Scylaspora spp.. A identificação destes exemplares pode ser

explicada pela presença de clastos do Silúrico na matriz dos sedimentos do Devónico Inferior. A associação de idade devónica é mais rica em acritarcas do que a associação do Silúrico. Embora muito mal preservados, principalmente os acritarcas com processos, as amostras são abundantes em acritarcas esféricos e ornamentados, tendo sido identificados exemplares dos

géneros: Baltisphaeridium, Cymatiosphaera Dictyotidium, Leiosphaeridia,

Gorgonisphaeridium e Multiplicisphaeridium. Devido ao mau estado de preservação, apenas

alguns géneros foram possíveis de identificar ao nível da espécie.

No caso da associação de acritarcas identificados na Fm. Xistos com Nódulos, predominam as prasinófitas e acritarcas esféricos (Cymatiosphaera, Dictyotidium,

Gorgonisphaeridium, Lophosphaeridium), embora numa quantidade bastante inferior à

percentagem de esporos presentes.

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 33-39)