3 DET LOVFESTEDE OG ULOVFESTEDE
3.4 Saklige grunner for forskjellsbehandling
3.4.2 Funksjonshemming
Em termos históricos, segundo Zajdsznajder (1993), a noção de modernidade pode ser introduzida a partir de determinadas caracterizações - o mito da tecnologia, o domínio da razão científica, a idéia de progresso, a exaltação da democracia - que a diferencia de períodos ou fases anteriores da humanidade, como o mundo primitivo, o mundo antigo e o mundo
medieval.
Para A. Touraine, pensador francês social-democrata, a noção de modernidade, por suas características centrais, resulta de duas grandes correntes de pensamento: de um lado, o racionalismo greco-romano, retomado pelos humanistas da Renascença; de outro, a concepção cristã de alma, secularizada através da noção de sujeito.
Para o autor, no entanto, durante muito tempo, a modernidade foi definida apenas pela eficácia da racionalidade instrumental, ignorando o sujeito humano como liberdade e como criação. Dessa redução, acrescenta Touraine (1994), decorrem os fundamentos de sua crise, cuja superação - e estabelecimento de uma nova modernidade - pressupõe o resgate de sua outra metade: o sujeito.
Sob essa perspectiva, para o autor, a modernidade pode, portanto, ser compreendida como o redirecionar o homem para o centro da sociedade, contemplando suas várias dimensões: tecnológica (combinando racionalização e subjetivação); social (na medida em que a subjetivação só é possível por meio do movimento social); política (visto que a democracia é
o regime que permite a expressão política do indivíduo); e cultural (uma vez que valores de liberdade e eficácia se encontram em sua origem) (TOURAINE, 1994).
Eboli (1996, p. 56), em uma tentativa de descrever as principais características da modernidade no âmbito da sociedade, baseada nas idéias de A. Touraine, mas agregando também idéias de pensadores nacionais, entre eles Buarque (1994), Zajdsznajder (1993), Motta (1992) e Faoro (1992), destaca como principais atributos de uma sociedade moderna, considerando suas dimensões cultural, política, social, administrativa, econômica e tecnológica:
DIMENSÃO CULTURAL:
• não se apóia na figura de Deus, é uma sociedade livre, mas inquieta; • há preocupação em separar o bem do mal;
• o princípio central é a liberdade;
• não elimina as crenças do passado; transforma o antigo em moderno sem destruí- lo;
• o espírito de liberdade e a busca da eficácia encontram-se na origem da modernidade;
• a sociedade moderna representa a passagem do sagrado ao profano, da religião à ciência;
• interação crescente entre sujeito e razão; • está voltada para o futuro;
• envolve a noção de ética e valorização do ser humano; • combina liberdade e responsabilidade.
DIMENSÃO POLÍTICA:
• é a afirmação da democracia, pois este é o regime que permite aos atores sociais formarem-se e agirem livremente;
• reconhece os direitos fundamentais do cidadão;
• há representatividade das classes dirigentes e da sua política;
• apresenta classes dirigentes que coordenam e organizam, mas que não dirigem,
conduzem ou promovem;
• engloba a noção de cidadania;
• possui sistema decisório democrático e eficiente; • favorece o alargamento do mundo da decisão; • pressupõe a expressão política do sujeito;
• coloca o sujeito, o inventor do movimento, do progresso e da liberdade, em primeiro plano;
• favorece a ação política, que é a expressão do desejo do sujeito de ser responsável por sua própria vida;
• compromete em seu processo, toda a sociedade.
DIMENSÃO SOCIAL:
• os homens são o fundamento dos valores da sociedade moderna; • toda a população deve participar de seu processo;
• o sujeito aparece não para fugir das exigências da técnica e da organização, mas para reivindicar seu direito de ser ator;
• o sujeito é o indivíduo transformado em ator, que se insere nas relações sociais, transformando-as;
• o sujeito só existe como movimento social, é ele quem transforma sua situação social;
• a alteridade5 é a base das relações sociais; • revitaliza e renova os papéis sociais;
• há estreita associação entre a construção do sujeito pessoal e o movimento social; • não existe movimento social sem apelo direto à liberdade e à responsabilidade do
sujeito;
• prega-se a diminuição das distâncias e barreiras sociais; • envolve a noção de justiça;
• não privilegia a técnica em detrimento dos objetivos sociais; • objetivos sociais devem ser subordinados a valores éticos.
DIMENSÃO ADMINISTRATIVA:
• é um princípio de justiça acompanhado de uma preocupação com a eficácia; • não é separável da esperança, portanto, definem-se objetivos, ainda que utópicos; • é a aproximação crescente do futuro desejado, necessitando para tanto da definição
de estratégias e metas de elaboração de projetos; • envolve planejamento.
DIMENSÃO ECONÔMICA:
• visa a prosperidade e o futuro;
• promove a distribuição de renda e redução da pobreza; • consumo deve ser acessível para a maioria da população;
• pressupõe diferenças de rendimentos, mas não desequilíbrios acentuados; • aspectos econômicos devem ser subordinados aos objetivos sociais.
DIMENSÃO TECNOLÓGICA:
• domínio da razão e da ciência;
5 Capacidade de aceitar os outros em suas singularidades, o que significa a não aceitação dos outros seres,
• pressupõe inovação constante;
• constitui o diálogo entre racionalização e a subjetivação;
• associa progresso e cultura, ou seja, universo técnico e cultural;
• os sucessos da ação técnica não devem fazer com que se esqueça a criatividade do ser humano;
• tecnologia deve ser um elemento intermediário na construção de utopias; • técnica deve ser subordinada à racionalidade econômica.
Partindo desse marco teórico-conceitual, fundamentado nas idéias de Touraine (1994), Buarque (1994), Faoro (1992), Zajdsznajder (1993) e Motta (1992), assim como da compreensão da organização moderna como aquela que “reproduz as características de uma sociedade moderna e, ao mesmo tempo, favorece o ingresso e o desenvolvimento de indivíduos igualmente modernos” (EBOLI, 1996, p. 54), a autora visando transpor as características da modernidade no âmbito da sociedade para o contexto organizacional, estabelece um elenco de indicadores para sua análise neste nível (QUADRO 3).
QUADRO 3
Indicadores de Modernidade Organizacional, segundo Eboli (1996)
DIMENSÕES MODERNIDADE ORGANIZACIONALINDICADORES DE
CULTURAL
• Permite ambigüidades e diversidade
• Permite e estimula a diversidade de práticas, comportamentos e atitudes • Valoriza a iniciativa, a responsabilidade e a liberdade
• Orientação para o futuro, embora não elimine o passado • Preocupa-se com princípios éticos
• Clima interno favorece mudanças, inovação e aprendizagem POLÍTICA
• Regime político democrático
• Processo decisório descentralizado e democrático • Existência de sistemas de representação
• Permite que os atores sociais se formem e ajam livremente • Compromete as pessoas com seus processos
• Estimula a ação política
• Favorece a consciência e o exercício da cidadania • Estimula a autonomia, a iniciativa de ação e decisão • Conflito é um sintoma saudável
SOCIAL
• Alteridade é a base das relações sociais • Horizontalização das relações sociais • Encorajamento à integração social
• Estimula a participação das pessoas nos processos organizacionais • Diminui as distâncias e barreiras sociais
• Objetivos sociais subordinam-se a valores éticos • Favorece que as pessoas se mantenham informadas
• Favorece que as pessoas atinjam seus objetivos, materiais ou psicológicos ADMINISTRATIVA
• Há definição clara da missão, objetivos, estratégias e metas • Elabora projetos
• Direção tem visão a longo prazo e preocupa-se com planejamento
• Políticas e práticas promovem a tomada de risco, a criatividade, a eficácia e o desempenho das pessoas
• Políticas e práticas estimulam o autodesenvolvimento
• Preocupa-se em avaliar resultados, em níveis organizacional e pessoal ECONÔMICA
• Objetivos econômicos subordinam-se a objetivos sociais e princípios éticos • Preocupação com eficácia e prosperidade traduz-se em participação no
mercado, produtividade, lucratividade, rentabilidade, retorno sobre investimentos e qualidade dos produtos ou serviços ofertados
TECNOLÓGICA
• Utilização de tecnologias que favoreçam e eficácia • Flexibilidade para a inovação
• Aspectos técnicos subordinam-se à racionalidade econômica • Harmonia entre tecnologia e utilização da criatividade humana • Tecnologia é meio e não fim
• Tecnologia favorece a interação social • Combina universo técnico e cultural
• Favorece o alto grau de informação das pessoas FONTE - EBOLI, 1996, p. 47.
Conforme salienta Eboli (1996), estabelecer os indicadores de modernidade organizacional constitui etapa fundamental para a realização de pesquisas nesta área, uma vez que somente a partir da identificação e seleção das principais variáveis pode-se avaliar de forma mais completa e abrangente a modernidade na gestão empresarial. Para fins deste trabalho, utilizou-se, para a avaliação do grau de modernidade organizacional, indicadores propostos por essa autora, conforme descritos no item 5.5.2.