4. D ISKUSJON : F ORHOLD MELLOM ELEKTRONISK INFORMASJONSFORMIDLING OG
4.2. Funksjonelle postale oppgaver og relevante utviklinger i markeder
A Teoria Histórico-Cultural é resultado da incessante tentativa de Vygotsky e seus colaboradores darem uma explicação da origem do desenvolvimento dos processos mentais. Para isto, Vygotsky comparou a psicologia de animais e de seres humanos; a psicologia do homem ‘primitivo’ e do homem ocidental; a psicologia de criança e adultos; a psicologia de sujeitos patológicos e saudáveis fundamentando seus estudos e análises em alguns escritos de Darwin, Engels, Vladimir Vagner, Koffka, Thurnwald, Lévy-Bruhl, entre outros. (VEER & VALSINER 2009). Em vários aspectos, Vygotsky aceitou e discordou das diversas abordagens teórico-metodológicas desses estudiosos. Todavia em todas elas ele encontrou a mediação social como pressuposto fundamental para o desenvolvimento mental do homem. Ao enfatizar isto, não temos a pretensão de narrar pormenorizadamente às pesquisas e análises desenvolvidas por estes estudiosos, até porque foge do escopo de nossa pesquisa de tese, mas apenas citar o fato de que numa análise
mais aprofundada sobre o assunto é importante que as abordagens sejam cautelosamente estudadas.
Vygotsky fundamenta um de seus pressupostos teórico-metodológico na ideia de que o funcionamento psicológico desenvolve-se através das relações sociais entre o indivíduo e o mundo exterior, - interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural. “Vygotsky afirma que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do indivíduo, nem são mero resultado das pressões do meio externo. Elas resultam da interação dialética do homem e seu meio sócio-cultural”. (REGO, 2011, p. 41). Nessa mesma direção, surge a ideia de que a relação homem/mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos. É a mediação presente em toda a atividade humana. (OLIVEIRA, 1993, p. 23). Segundo Beyer: “Para Vygotsky, somente uma explicação que se voltasse para os processos mediadores, via estruturas sócio-culturais e históricas, poderia abranger adequadamente a complexidade do desenvolvimento cognitivo e intelectual do ser humano”. (BEYER, 1996, p. 51-52). Em termos genéricos, a mediação tem origem e resulta da relação social do homem com o mundo.
Nessa perspectiva, a mediação é em si mesma processo. Isso significa dizer que ela não está entre dois termos que estabelecem relação, ela é a própria relação. Assim, a relação deixa de ser direta e passa a ser mediada. Para Vygotsky a mediação pode ser representada por instrumentos15 e signos16 desenvolvidos culturalmente, a exemplo da linguagem, do significado, sentido. Além disto, é preciso lembrar que os instrumentos não são apenas objetos, mas, têm a função de regular as ações sobre os objetos, configurando assim uma orientação externa.
O instrumento é provocador de mudanças externas, pois amplia a possibilidade de intervenção na natureza (na caça, por exemplo, o uso da flecha permite o alcance de um animal distante ou, para cortar uma árvore, a utilização de um objeto cortante é mais eficiente do que as mãos). Diferente de outras espécies animais, os homens não só produzem seus instrumentos para realização
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Instrumentos: objetos sociais e mediadores da relação entre o indivíduo e o mundo. (...) A função do instrumento é servir como condutor da influência humana sobre o objeto da atividade; ele é orientado externamente; deve necessariamente levar a mudanças nos objetos. Constitui um meio pelo qual a atividade humana externa é dirigida para o controle e domínio da natureza. Fonte: MEIER, Marcos; GARCIA, Sandra. Mediação da aprendizagem: contribuições de Feurstein e de Vygotsky. Curitiba: Edição do autor, 2007. Meier (2007, p. 61-62).
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Signo: qualquer objeto, forma ou fenômeno que remete para algo diferente de si mesmo e que é usado no lugar deste numa série de situações (...) na lingüística, a união do significante e significado, que se faz por uma relação de semelhanças, pela qual o sentido é evocado pela própria forma do signo. Fonte: HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro. Dicionário Houaiss de língua portuguesa. Rio de Janeiro: objetiva, 2001. 2569.
de tarefas específicas, como também são capazes de conservá- los para uso posterior, de preservar e transmitir sua função aos membros de seu grupo, de aperfeiçoar antigos instrumentos e criar novos. (REGO, 2011, p. 51).
Por outro lado, os signos ao regular as ações sobre o psiquismo das pessoas, configuram uma orientação interna. Assevera Rego (2011):
Com o auxílio dos signos, o homem pode controlar voluntariamente sua atividade psicológica e ampliar sua capacidade de atenção, memória e acúmulo de informações, como por exemplo, pode se utilizar de um sorteio para tomar uma decisão, amarrar um barbante no dedo para não esquecer um encontro, anotar um comportamento na agenda, escrever um diário para não esquecer detalhes vividos, consultar um atlas para localizar um país etc. (REGO, 2011, p. 52).
Signos e instrumentos são ferramentas culturais que alteram fundamentalmente o funcionamento psíquico humano, desencadeando todo um conjunto de desenvolvimentos biológicos e psicológicos, tornando-se fundamentais para o aprimoramento das Funções Psicológicas Superiores – FPS, permitindo conceber a mediação como indispensável para efetivar atividades psicológicas voluntárias e/ou intencionais.
El concepto de << desarrolo de las funciones psíquicas superiores>> y el objeto de nuestro estúdio abarcan dos grupos de fenômenos que a primeira vista parecen completamente heterogêneos pero que de hecho son dos ramas fundamentales, dos cauces de desarrolo de las formas superiores de conducta que jamás se funden entre si aunque están indisolublemente unidas. Se trata, em primer lugar, de procesos de domínio de los médios externos del desarrolo cultural y del pensamiento: el lenguaje, la escritura, el cálculo, el dibujo; y, em segundo, de los procesos de desarollo de las funciones psíquicas superiores especiales, no limitadas ni determinadas com exactitud, que em la psicologia tradicional se denominan atención voluntaria, memória, lógica, formación de conceptos, etc. Tanto unos como otros,
tomados em conjunto, forman lo que calificamos
convencionalmente como procesos de desarrollo de las formas superiores de conducta del niño. (VIGOTSKI, 1983, p. 29).
As funções psicológicas superiores são a base para o desenvolvimento da personalidade do indivíduo. São vistas como relações externas entre indivíduos, as quais foram internalizadas para o âmbito intrapsicológico.
Para Vygotsky, a transformação do processo interpessoal para o intrapessoal, ocorre, gradualmente, sendo o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento. (BAQUERO, 1998). Esse processo não é mera cópia do externo para o interno, mas, é a transposição ativa, estimuladora de fatores externos em experiências individualmente significativas. Consiste ainda numa série de transformações: Primeiro, através de uma operação que inicialmente representa uma atividade externa, é reconstruída e começa a ocorrer internamente: É de particular importância para o desenvolvimento dos processos mentais superiores a transformação da atividade que utiliza signos, cuja história e características são ilustradas pelo desenvolvimento da inteligência prática, da atenção voluntária e da memória. Depois, pela transformação de um processo interpessoal num processo intrapessoal: Todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro, no nível social, e, depois, no nível individual; primeiro, entre pessoas (interpsicológica), e, depois, no interior da criança (intrapsicológica). Por fim, pelas múltiplas e diversificadas possibilidades disponíveis ao longo do desenvolvimento que contribui para a transformação do processo interpessoal num processo intrapessoal: O processo sendo transformado continua a existir e a mudar como uma forma externa de atividade por um longo período de tempo, antes de internalizar-se definitivamente. Para muitas funções, o estágio de signos externos dura para sempre, ou seja, é o estágio final do desenvolvimento. Outras funções vão além ao seu desenvolvimento, tornando-se gradualmente funções interiores. Entretanto, elas somente adquirem o caráter de processos internos, como resultado de um desenvolvimento prolongado. Sua transferência para dentro está ligada à mudança nas leis que governam sua atividade; elas são incorporadas em um novo sistema com suas próprias leis. (VYGOTSKY, 2007, p. 57- 58).
Vygotsky considera ainda a linguagem como sistema simbólico fundamental na mediação entre sujeito-objeto do conhecimento e entre sujeito-sujeito.
A relação do sujeito com o outro sujeito é mediada. Dois sujeitos só entram em relação por um terceiro elemento, que é o elemento semiótico: “Aqui o esquema não é: pessoa-coisa (Stern), nem pessoa-pessoa (Piaget). Mas: pessoa-coisa-pessoa”. (VYGOTSKY, 1996, p. 189).
O propósito de Vygotsky era estabelecer uma íntima vinculação entre linguagem e sociedade pois, para ele, o desenvolvimento da linguagem e de outras funções cognitivas está submetido ao desenvolvimento sócio-cultural.
Constituído pelo seu universo simbólico de signos, a linguagem é para Vygotsky um dos instrumentos de mediação simbólica, também conhecida como mediação semiótica. Concebida dialeticamente, potencializa o indivíduo para a aprendizagem. A tese da mediação simbólica da vida mental pressupõe uma indeterminação, não apenas para o sentido lingüístico, como também para os processos mentais, na medida em que estes também estão na dependência dos diversos processos em jogo na significação. É a linguagem que fornece os conceitos, as formas de organização do real, a mediação entre o sujeito e o objeto de conhecimento.
O surgimento da linguagem imprime três mudanças essenciais nos processos psíquicos do homem. A primeira se relaciona ao fato de que a linguagem permite lidar com os objetos do mundo exterior mesmo quando eles estão ausentes (...). A segunda se refere ao processo de abstração e generalização que a linguagem possibilita, isto é, através da linguagem é possível analisar abstrair e generalizar as características dos objetos, eventos, situações presentes na realidade. (...). A terceira está associada à função de comunicação entre os homens que garante como conseqüência, a conservação, transmissão e assimilação de informações e experiências acumuladas pela humanidade ao longo da história. (REGO, 2011, p. 53-54).
Nesse sentido, percebemos que o interesse de Vygotsky era estudar a linguagem como constituidora do sujeito com enfoque na relação pensamento e linguagem, chave para a compreensão da natureza da consciência humana.
O sujeito é constituído pelas significações culturais, porém a significação é a própria ação, ela não existe em si, mas a partir do momento em que os sujeitos entram e passam a significar, ou seja, só existe significação quando significa para o sujeito, e o sujeito penetra no mundo das significações quando é reconhecido pelo outro. (MOLON, 2011, p. 111).
Vygotsky afirma que, “ao transformar-se em linguagem, o pensamento reestrutura-se e modifica-se. O pensamento não se expressa, mas, se realiza na palavra”. (Vygotsky, 2001, p. 412). A palavra é, portanto, um meio de regular o
comportamento humano. A linguagem e o pensamento têm – na filogênese17 e ontogênese18 – raízes genéticas diferentes, mas se sintetizam dialeticamente no desenvolvimento. Na filogenia do pensamento e da linguagem existem diferenças nítidas e constantes entre elas e na ontogenia a relação pensamento e linguagem é muito mais complexa e obscura. Sobre esta relação, Martins (2005, p. 61) menciona:
Um tema central no pensamento de Vygotsky é a importância da linguagem como mediadora do pensamento (Vygotsky, 1987, 1991b). Para ele, a linguagem é básica para o desenvolvimento do pensamento, as palavras são os meios através dos quais os pensamentos são formados. Tendo em vista que as palavras são dinâmicas, as relações entre os pensamentos e palavras constantemente mudam, estabelecendo-se um processo contínuo que vai do pensamento para a palavra e da palavra é um processo vivo; o pensamento nasce da palavra. Uma palavra privada de pensamento é uma coisa morta, e um pensamento sem expressões através das palavras mantém-se nas trevas.
A linguagem é, portanto, para Vygotsky, a melhor forma de expressão de pensamento, sendo o mais importante esquema de mediação do comportamento humano.
É preciso considerar que quando Vygotsky relaciona pensamento e linguagem ele está se referindo ao pensamento verbal, não a um lócus onde a linguagem (e suas categorias lingüísticas) tem lugar, mas a uma forma de pensamento mediado e impregnado de linguagem, cuja unidade é o significado/sentido da palavra (word
meaning), que garante a relação entre linguagem e pensamento.
Isto implica que tal relação não é direta, unívoca e transparente. Antes, guarda as tensões, as negociações, as regulações dispostas na construção do sentido no decurso do desenvolvimento lingüístico-cognitivo. (MORATO, 2002, p. 50).
É no significado, portanto, que pensamento e linguagem se constituem. Através da comunicação e compreensão da realidade o homem é impulsionado a utilizar a linguagem para expressar e traduzir seus desejos, suas vontades, ideias e pensamentos que nem sempre ocorrem de forma precisa. Segundo Vygotsky, “a linguagem exerce um papel fundamental na comunicação entre os indivíduos e no estabelecimento de significados compartilhados que permitem apropriações dos
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Filogênese: se refere a história de determinada espécie, pautada nos aspectos biológicos e define limites e possibilidades do funcionamento psicológico.
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Ontogênese: considera que os membros da espécie humana passam por determinado percurso de desenvolvimento de sua vida, levando em conta sua história de vida.
objetos, eventos e situações do mundo real”. (VYGOTSKY, 2007 apud MEIER, 2007, p, 58). Vê-se, pois, um sujeito que, por meio da linguagem reage, faz escolhas, cria novas possibilidades de individualização na rede de relações sociais, construindo e reconstruindo, as enunciações e a linguagem em um processo dialético. Através da linguagem o indivíduo simplifica, classifica e generaliza a experiência.
[...] a linguagem é o meio através do qual se generaliza e se transmite o conhecimento, a experiência acumulada na e pela prática social e histórica da humanidade. [...] a apropriação dos conteúdos veiculados pela linguagem se dá no contexto social e historicamente determinado e, desse modo, sofre influência de todas as circunstancias materiais próprias ao estágio de desenvolvimento da vida dos indivíduos na sociedade. (PALANGANA, 2001, p. 104).
Compreendemos, então, que como ferramentas psicológicas não apenas a linguagem por si só possibilita o desenvolvimento das capacidades mentais superiores, mas, a utilização da linguagem de forma mediada, de modo, a facilitar a construção de novos conhecimentos, novas aprendizagens.
Assim, se por um lado, a mediação remete ao processo de representação mental, por outro lado, refere-se ao fato de que os sistemas simbólicos que se interpõem entre sujeito e objeto do conhecimento têm origem social, são essencialmente dialéticos e se apóiam numa perspectiva histórico-cultural onde o homem é efetivamente um sujeito ativo.
Para Vygotsky, o sujeito se constrói e carece de um tecido social para apropriar-se realmente da condição humana: de pensar, falar, sentir, refletir, abstrair, inventar, criar, projetar, operar, utilizando-se de símbolos e signos, enfim, ultrapassar os limites da natureza e constituir sua singularidade.
[...] Essa capacidade de lidar com representações que substituem o real é que possibilita que o ser humano faça relações mentais na ausência dos referentes concretos, imagine coisas jamais vivenciadas, faça planos para um tempo futuro, enfim, transcenda o espaço e o tempo presentes, libertando-se dos limites dados pelo mundo fisicamente perceptível e pelas ações motoras abertas. (TAILLE, 1992, p. 26-27).
Assim, as representações mentais da realidade exterior tornam-se os principais mediadores na relação do homem com o mundo. Estas representações são elaboradas coletivamente, através das relações entre os grupos culturais.
O processo de desenvolvimento do ser humano, marcado por sua inserção em determinado grupo cultural se dá “de fora para dentro. Isto é, primeiramente o indivíduo realiza ações externas, que serão interpretadas pelas pessoas ao seu redor, de acordo com os significados culturalmente estabelecidos. A partir dessa interpretação é que será possível para o indivíduo atribuir significados a suas próprias ações e desenvolver processos psicológicos internos que podem ser reinterpretados por ele próprio a partir dos mecanismos estabelecidos pelo grupo cultural e compreendidos por meio dos códigos compartilhados pelos membros desse grupo. (OLIVEIRA, 1993, p. 38-39).
Com base na relação do homem com o mundo físico e social é que as interpretações (os significados) das palavras e das coisas vão se constituindo. É o grupo cultural que vai fornecer ao indivíduo as condições para elaborar os significados. Para Vygotsky, a cultura não é algo estático ao qual o individuo se submete, mas espaços em que se movimentam, criam, recriam, reinterpretam informações, conceitos e significados. “São os significados que vão propiciar a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real, constituindo-se no “filtro” através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele”. (OLIVEIRA, 1993, p. 48).
Para explicar o fato de que os elementos externos influenciam na dinâmica do desenvolvimento e da aprendizagem do indivíduo, Vygotsky enfatiza o aspecto cultural como base para emergência dos processos mentais individuais. “[...] a natureza do desenvolvimento, afirma ele, é cultural”. (PINO, 2005, p.87). Para ele, a capacidade intelectual do indivíduo assemelha-se e difere de acordo com as condições culturais que lhe são oferecidas; ou seja, o indivíduo pode encontrar diferenças e semelhanças nas relações que estabelece nos diversos grupos culturais. “Ele achava, como muitos de seus contemporâneos, que era possível comparar culturas de uma maneira global e ordená-las em uma espécie de escada evolutiva”. (VEER & VALSINER, 2009, p. 244).
Quanto a esta questão é necessário esclarecer que os psicólogos da época não ampliaram os estudos e as pesquisas sobre os efeitos da cultura no
desenvolvimento do pensamento, mas, também não negaram as possibilidades de investigar, compreender e afirmar essa perspectiva teórica abordada por Vygotsky.
Hoje, mais do que nunca, é fácil encontrarmos o conceito de cultura sendo problematizado por diferentes abordagens teóricas, por meio de diferentes métodos, nos estudos da antropologia, filosofia, sociologia, psicologia, crítica literária, estudos culturais, semiótica, multiculturalismo, dentre outros que se ocupam de suas análises e interpretações na perspectiva das práticas sociais, na dimensão de análise material e simbólica.
Para Vygotsky, o homem, enquanto sujeito do conhecimento, não tem acesso direto aos objetos, e sim um acesso mediado feito através de sistemas simbólicos de que dispõe, isto é, de objetos, pessoas, situações, eventos do mundo real presentes em seu universo psicológico. Isso não significa dizer que o sujeito é passivamente moldado pelo meio, ao contrário, é ativo, interativo. Constrói de modo único e criativo a sua compreensão individual na relação com o outro. O “outro” é o agente de produção de cultura. O modo de participação e funcionamento do outro é que irá definir a constituição do sujeito e é para o sujeito o significante da própria subjetividade. “A participação do outro acontece em um cenário de agitação, conflito, produção permanente, diferenças, semelhanças e tensões, ou seja, em um cenário constituinte e constituído de significações”. (MOLON, 2011, p. 60).
Neste sentido, há diversas leituras de Vygotsky, e diferentes sujeitos são identificados em Vygotsky, quais sejam, o interativo e o semiótico. O sujeito interativo que não é o sujeito passivo nem o sujeito ativo, mas construído na e pela interação com os outros e nas pautas da relação interpessoal. O sujeito semiótico, aquele constituído na e pela linguagem, sendo que apareceu como resultante da relação e como sujeito constituído na relação eu- outro, em uma relação dialética. A identificação desses diferentes sujeitos na obra de Vygotky está estritamente determinada pelo reconhecimento ou não do caráter dialético da teoria Vygotskyana e do modo como os autores lidam com os referentes das reflexões de Vygotsky. (MOLON, 2011, p. 69).
A perspectiva, segundo a qual o homem constitui-se através de suas interações sociais, como alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura - oferece elementos importantes para a educação escolar, especificamente para a compreensão de como se dá a integração entre o ensino e a aprendizagem. Ensinar e aprender são processos intimamente
relacionados ao desenvolvimento intelectual do individuo, envolvendo quem ensina, quem aprende e a relação entre as pessoas. Esses processos ampliam a função da educação e empregam a responsabilidade pela emancipação, humanização e desenvolvimento dos sujeitos. Essas contribuições teóricas de Vygotsky apontam direcionamentos que favorecem uma ação cultural crítica no espaço escolar e a compreensão do processo de desenvolvimento do sujeito aliado à aprendizagem.
2.4 A psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem de Vygotsky: