Chapter 2: Systematic Review
5. Funding
A Escola de Música da UFMG possui dois departamentos: o de ―Instrumentos e Canto‖ e o de ―Teoria Geral da Música‖. Antes da Flexibilização Curricular, o
primeiro era responsável pela oferta de disciplinas ligadas à performance enquanto o segundo cuidava daquelas de cunho teórico. Após a reformulação curricular, as
disciplinas deixaram de ―pertencer‖ aos departamentos, sendo de responsabilidade da
Escola de Música como um todo44. A partir da criação das novas habilitações, em Música Popular e Musicoterapia, o Departamento de Instrumentos e Canto foi ampliado, e então passou a ser dividido em áreas:
1) Área de Performance Instrumental
2) Área de Música Popular
3) Área de Musicoterapia
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Todas as disciplinas ofertadas pela Escola de Música possuem o código de matrícula MUS, o que significa que elas não estão associadas administrativamente a nenhum departamento.
46 Já o Departamento de Teoria Geral da Música é dividido em cinco áreas: 1) Composição
2) Educação Musical
3) Musicologia
4) Regência
5) Núcleo Comum
No projeto de criação da habilitação em Música Popular, não estava claro em qual departamento estariam alocados os novos professores contratados, uma vez que eles deveriam ter habilidades teóricas e práticas, o que não se encaixava na constituição departamental de então (EMUFMG, 2008, p. 32). Esses professores foram alocados no departamento de Instrumentos e Canto, na nova Área de Música Popular. Embora estejam em um departamento voltado para a prática instrumental, esses professores também são responsáveis por diversas disciplinas teóricas. Segundo as informações do site da Escola de Música (EMUFMG, 2013), as principais disciplinas da Área de Música Popular são:
Fundamentos de Harmonia Improvisação
Arranjo
Prática de Conjunto de Música Popular Grandes Grupos Instrumentais (Big Band) Harmonia na Música Popular45
História da Música Popular
A informação do site da Escola de Música tem algumas inconsistências. Em primeiro lugar, não está citada a disciplina Performance em Instrumento ou Canto, que é fundamental no curso de Música Popular, a qual exige do professor contratado para essa área que ele seja um especialista no instrumento que lecionará nessa disciplina.
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Essa é uma disciplina optativa que não tem sido ofertada desde que o professor que a lecionava se desligou do curso da EMUFMG.
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Fundamentos de Harmonia, conforme eu abordarei com mais detalhes posteriormente nesse capítulo, é obrigatória à quase todos os alunos da Escola de Música. Atualmente, apenas um professor da área de Música Popular oferta essa disciplina, em uma única turma. A cada semestre essa disciplina é ofertada em mais de quatro turmas diferentes, e os professores responsáveis por ela costumam ser do Departamento de Teoria Geral da Música.
Por último, nem todas essas disciplinas são ofertadas por professores alocados à Área de Música Popular. No semestre em que eu observei a disciplina Big Band, ela foi ofertada por dois professores, um da Área de Música Popular e outro da Área de Performance Instrumental (esse último é, inclusive, responsável pela disciplina há vários anos, mas sua principal função na Escola está relacionada ao ensino de trompa). O professor de História da Música Popular (outro que se dedica a essa disciplina há um considerável período de tempo) também é da Área de Performance Instrumental, ele é professor de Oboé.
Ainda, há outras disciplinas e professores que trabalham no campo da Música Popular, mas que não estão no quadro informado pelo site da Escola de Música como pertencentes a essa Área. Por exemplo, há dois professores de percussão na Área de Performance Instrumental. Um deles poderia ser considerado da Área de Música Popular. Ele leciona a disciplina Performance em Instrumento ou Canto para alunos percussionistas do curso de Música Popular. Ele também leciona a disciplina Rítmica, que é componente obrigatório do mesmo curso. No período em que eu realizei as observações ele ofertou a disciplina Prática em Conjunto de Música Popular, que também está relacionada à área. Outro caso a ser citado é do professor de Trombone, também da Área de Performance Instrumental, que leciona a disciplina Práticas Interpretativas do Choro e coordena o Coral de Trombones no qual há a forte presença de repertório popular. Constata-se que embora oficialmente existam quatro professores da Área de Música Popular, outros professores também contribuem com o desenvolvimento do curso homônimo e do estudo desse repertório.
Dos quatro professores efetivos que compõe a Área de Música Popular atualmente, cada um é especialista em um instrumento específico. Um é professor de guitarra e violão. Os outros três são professores de flauta, piano e saxofone, respectivamente. Os professores de piano e saxofone cursaram a graduação e pós- graduação fora do Brasil, em cursos de performance de jazz. Já os outros dois realizaram seus estudos acadêmicos no Brasil, em cursos nos quais a performance não
48 estava voltada para a música popular46. Nesse sentido, a formação como instrumentistas populares desses músicos é fundamentalmente profissional. Na verdade, sobre esse ponto, todos os quatro professores são músicos que participam ativamente do cenário musical da música instrumental. São compositores, têm trabalhos gravados, e se apresentam frequentemente nos eventos desse tipo de repertório, tanto em Belo Horizonte quanto em outras cidades (até de outros países). Eles têm em comum o fato de no seu trabalho artístico, a improvisação desempenhar um papel de suma importância.
Essa formação acadêmica e profissional justifica a responsabilidade desses professores pelo ensino de improvisação, tanto da disciplina homônima, quanto do assunto, que pode ser ensinado em outras, como na disciplina de Performance em Instrumento ou Canto, por exemplo. Uma vez que os professores trabalham substancialmente com improvisação em suas carreiras artísticas, é natural que eles preparem seus alunos de instrumento para que eles desenvolvam essa habilidade.
De fato, os professores da área de Música Popular foram os mais presentes no trabalho de campo dessa investigação. É importante frisar que o professor de flauta estava afastado da EMUFMG na época em que eu realizei as observações das disciplinas, por isso ele não foi incluído nesse processo. Sobre os outros três47, foram observadas aulas que eles ministraram, e eles também foram entrevistados.