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Function Mapping

4.2 Need-Function-Form Mapping

4.2.2 Function Mapping

Extrapolando os objetivos desta pesquisa para materializar possibilidades futuras de investigações decorrentes do conceito ora elaborado, afirmamos que a compreensão de Arquitetura da Informação Pervasiva aqui proposta sinaliza a necessidade de um delineamento metodológico que dê subsídios a investigação científica em Arquitetura da Informação Pervasiva e que também norteie os arquitetos da informação na práxis de projetar, acompanhar e avaliar a Arquitetura da Informação Pervasiva em uma ecologia informacional complexa.

Os termos método, metodologia e procedimentos são alvo de debate ao longo da história da ciência e por vezes, são tratados de forma polissêmica. Para executarmos um delineamento metodológico para a Arquitetura da Informação Pervasiva em decorrência do conceito construído nesta pesquisa é necessário explicitar, de forma dialógica, como enxergamos e aplicamos os vocábulos metodologia, método e procedimentos.

Demo (1985) defende a metodologia como uma preocupação instrumental sobre as formas de fazer ciência. Para esse autor a metodologia trata da racionalização dos procedimentos, das ferramentas, dos caminhos para se tratar de forma teórica e/ou prática a realidade. Apoiados em Demo (1985) argumentarmos que a metodologia proposta para a Arquitetura da Informação Pervasiva é um ensaio que arrazoa sobre procedimentos, ferramentas e caminhos para tratar as ecologias informacionais complexas de forma teórica, por meio da investigação científica, e/ou de forma prática, por meio de projetos de Arquitetura da Informação Pervasiva.

Em sentido etimológico, Baquero (2009) assevera que metodologia significa o estudo dos caminhos e dos meios para se utilizar um aparato teórico. Citando Gomes (1988), o referido autor expressa que a metodologia

é o estudo analítico e crítico dos métodos de investigação e de prova ou ainda o processo de descrição, análise e avaliação crítica dos métodos de investigação. A contribuição de Baquero (2009) e Gomes (1988) coaduna com o ensaio metodológico ora proposto pois, ele se estrutura como um estudo analítico e crítico de diversos métodos de investigação incorporados conforme pode ser visto na Figura 15.

Dispomos ainda da compreensão de Martins e Theóphilo (2009) sobre metodologia. Os autores afirmam que a acepção mais aceita para o termo metodologia a compreende como o estudo dos métodos, assim teria como objetivo o aperfeiçoamento dos procedimentos e critérios utilizados na pesquisa. Já o método, que deriva do termo grego méthodos, seria o caminho em si, seria o percurso para se chegar a determinado fim ou objetivo. O que trazemos aqui através da Figura 15 é um ensaio, uma reflexão, um estudo preliminar sobre como aperfeiçoar os critérios e métodos para construção de ecologias informacionais complexas via Arquitetura da Informação Pervasiva, ou ainda para a produção de conhecimentos científicos arquiteturais sobre estas ecologias.

O que expomos até aqui nos fornece lastro para apresentar um ensaio metodológico, de natureza iterativa, composto de etapas retroalimentáveis, conforme apresentado na Figura 15.

Figura 15 - Ensaio metodológico para Arquitetura da Informação Pervasiva

Fonte: Elaborado pelo autor

A Figura 15 é uma representação visual de um processo iterativo composto por seis etapas que objetivam, na presente conjuntura, nortear a pesquisa científica e a práxis em Arquitetura da Informação Pervasiva. Embora sob a forma de ensaio, trata-se de uma metodologia se vista como “[...] um conjunto de procedimentos metódicos de uma ou mais ciências acoplada a análise filosófica de tais procedimentos [...]” (ABBAGNANO, 2007, p. 650). Ver esse ensaio metodológico como um conjunto de procedimentos técnicos de averiguação ou verificação à disposição de determinada disciplina ou grupo de disciplinas viabiliza a prática de projetos, acompanhamento e avaliação de ecologias informacionais complexas, em termos arquiteturais. De forma complementar, vê-lo como análise crítica das técnicas de investigação empregadas nos contextos científicos viabiliza a pesquisa em Arquitetura da Informação Pervasiva.

Salientamos ainda que esse ensaio metodológico pode ser enquadrado no método quadripolar de Bruyne, Herman e Schoutheete

(1991) que utilizamos nesta pesquisa ao estruturar os polos epistemológico, teórico, técnico e morfológico. Doravante discutiremos cada etapa do ensaio metodológico a partir de elementos teóricos, conceituais, procedimentais e as enquadram no método quadripolar.

Quando elaboramos na subseção 7.1 um conceito para a Arquitetura da Informação Pervasiva, explicitamos que as ecologias informacionais complexas são os objetos/fenômenos tratáveis por esta abordagem da AI. Considerando ainda o tratamento teórico que demos às ecologias informacionais complexas neste texto, sugerimos que o ponto de partida para investigação científica ou projeto de Arquitetura da Informação Pervasiva seja a adoção da fenomenologia como referencial epistemológico e como possibilidade de produção discursiva sobre as ecologias informacionais complexas. Partindo-se da ecologia informacional complexa enquanto realidade que exige uma reflexão arquitetural, a fenomenologia seria um mecanismo epistêmico capaz de equilibrar complexidade e simplicidade afim de se chegar ao que é essencial e indispensável na ecologia informacional complexa.

Assim, o que denominamos de fenomenologia do contexto diz respeito à busca pelos elementos essenciais do contexto ou dos contextos da realidade ecológica complexa. A nosso ver, a investigação científica e o projeto de uma ecologia informacional complexa deve ser norteado por uma exaustiva busca das condições indispensáveis a existência e ao funcionamento holístico da ecologia. Sendo necessário chegar às categorias que, se ausentes, tornam a ecologia instável.

Figura 16 - Fenomenologia do contexto

Fonte: Elaborado pelo autor

A fenomenologia do contexto, apresentada na Figura 16, deve ser realizada sobre o contexto ecológico complexo através dos procedimentos de redução fenomenológica e eidética até obter o eidos, ou elementos essenciais da ecologia.

Do ponto de vista procedimental esta etapa pode ser executa em três passos conforme apresentado no Quadro 11.

Quadro 11 - Etapa 01 ou Fenomenologia do Contexto

Passo Descrição

Coleta de dados e informações sobre a ecologia informacional complexa

O pesquisador e/ou arquiteto da informação pode recorrer a relatórios técnicos e científicos que tratem da ecologia como um todo e também das partes da ecologia (espaços, ambientes, tecnologias, artefatos tecnológicos, necessidades e comportamentos dos sujeitos). Execução de Briefing. Aplicação de questionários. Realização de entrevistas semiestruturadas com amostra de sujeitos da ecologia. Execução de Brainstorms. Coleta em fontes de dados abertos. Entre outros.

Tratamento dos dados e informações

A coleta dos dados e informações relacionadas à ecologia poderá gerar um grande de volume de dados/informações. Assim, o pesquisador e/ou arquiteto da informação poderá realizar um procedimento de crítica dos dados, no sentido de selecionar no banco de dados/informações, os

elementos de natureza conceitual, descritiva e relacional, para serem usados na etapa subsequente.

Redução fenomenológica e eidética

Nesse passo, o pesquisador e/ou arquiteto da informação poderá aplicar os princípios fenomenológicos de redução para atingir o eidos da ecologia informacional. Do ponto de vista procedimental é necessário abandonar juízos apriorísticos sobre a ecologia para percorrer os dados/informações e selecionar aquilo que for essencial e indispensável como: conceitos, características e possíveis relações entre as partes da ecologia. Esses elementos conceituais podem ser colocados em separado para serem categorizados na segunda etapa.

Fonte: Elaborado pelo autor

A fenomenologia do contexto pode ser enquadrada,

simultaneamente, em dois polos do método quadripolar. O polo epistemológico é adequado à esta etapa pois a fenomenologia possibilita a produção de elementos discursivos para a compreensão da ecologia, gerando possiblidades investigativas e de projeto em termos de Arquitetura da Informação Pervasiva. Mas também pode ser enquadrada no polo técnico pois as reduções fenomenológica e eidética são aparatos procedimentais que possibilitam o encontro das categorias ecológicas essenciais.

O segundo momento do processo iterativo diz respeito ao mapeamento de espaços, ambientes, aparatos tecnológicos e sujeitos. Após a fenomenologia do contexto aparecerão os elementos constituintes da ecologia informacional, compreendidos como essenciais ao funcionamento e à manutenção da ecologia.

Fonte: Elaborado pelo autor

A primeira etapa gera um rol de categorias desmontadas e desconexas, que devem ser mapeadas, listadas e organizadas. Tal categorização permite que o pesquisador e/ou arquiteto da informação tenha ciência de quantos e quais são os espaços informacionais, os ambientes informacionais, as tecnologias, os artefatos tecnológicos componentes da ecologia, o perfil dos sujeitos e também os comportamentos dos sujeitos que são úteis para gerar soluções de computação ubíqua na ecologia. Esta etapa deve produzir entregáveis, como exemplo podemos citar as listas e mapas de categorias.

A segunda etapa também pode ser enquadrada em dois polos do método quadripolar, a saber: polo teórico e polo técnico. Como a categorização exige aparatos teóricos capazes de organizar adequadamente as categorias, a etapa pode ser vinculada ao polo teórico. De forma complementar, a categorização deverá ser apresentada por meio de técnicas capazes de organizar e representar as categorias, vinculando a etapa ao polo técnico.

A terceira etapa do ensaio metodológico proposto nesta pesquisa constrói os relacionamentos complexos entre partes da ecologia e ainda sugere possiblidades de conexão com outras ecologias. Se a etapa anterior

gerou a categorização e os esclarecimentos sobre os espaços, os ambientes, as tecnologias e artefatos tecnológicos, sobre os sujeitos e seus comportamentos, é a terceira etapa que tratará de estabelecer as relações entre os achados, conforme apresentamos na Figura 18.

Figura 18 - Etapa de Relacionamentos Complexos

Fonte: Elaborado pelo autor

Após o mapeamento citado na segunda etapa do ensaio metodológico é necessário considerar a complexidade de Morin (1998) e a multirreferencialidade de Ardoino (1998) para tratar as relações entre os espaços informacionais, os ambientes informacionais, as tecnologias e os artefatos tecnológicos componentes da ecologia, o papel dos sujeitos e seus comportamentos na ecologia e ainda a relação da ecologia com outras ecologias. Nesse ponto começa a se materializar a epistemologia sistêmica na pesquisa ou projeto da ecologia informacional complexa, pois as partes da ecologia começam a tomar forma e sugerir a composição de um todo articulado por suas partes. Podem ser utilizados nesta etapa softwares para mapas conceituais, mapas mentais, construção de blueprints, entre outras possibilidades, para materializar os resultados desta etapa.

Executadas as etapas anteriores, teremos condições de, na quarta etapa, fazer o delineamento da ecologia, permitindo que ela seja

visualizada em todas as suas dimensões. Teremos ainda condições representá-la usando conceitos, visualidades, mapas conceituais ou outros recursos que mostrem ao pesquisador e/ou arquiteto da informação a amplitude e as exigências do projeto. Nesse ponto será possível visualizar a camada informacional responsável por conectar as partes da ecologia, gerando um todo complexo e dinâmico, conforme apresentamos na Figura 19. Reforçamos que a complexidade que fazemos referência aqui é aquela teorizada por Morin (1998).

Figura 19 - Delineamento da Ecologia Informacional Complexa

Fonte: Elaborado pelo autor

Nesta etapa se materializa o sistemismo ecológico que nos instigou a pensar o wireframe como um possível entregável para esta etapa, porém os software disponíveis no mercado para a construção de wireframes trabalham em duas dimensões que são, a nosso ver, insuficientes para representar a ecologia informacional complexa em nível de relatório de pesquisa científica ou de projeto prático. Entendemos que o wireframe gerado nesta etapa deve ser tridimensional para possibilitar a visualização e a navegação no wireframe enquanto representação da ecologia. Esta etapa pode ser classificada no polo morfológico do método quadripolar.

A quinta etapa diz respeito a adoção de Padrões que possibilitem o

funcionamento da ecologia. Considerando a complexidade e

funcionamento holístico da ecologia, os espaços informacionais, os ambientes, as tecnologias e os artefatos tecnológicos da ecologia devem ser pensados em termos de padrões que efetivem os fluxos informacionais e de sujeitos na ecologia.

Figura 20 - Padronização

Fonte: elaborado pelo autor

Como sinalizamos na Figura 20, devem ser considerados os padrões de metadados, padrões de interoperabilidade, padrões semânticos e de web semântica e padrões de acessibilidade de modo que possibilite a encontrabilidade da informação na ecologia. Esta etapa pode ser classificada no polo técnico do método quadripolar.

A sexta etapa apresentada no ensaio metodológico, nem sempre encerra o processo pois a metodologia é iterativa e permite o retorno a quaisquer das etapas anteriores, conforme sinalizado, na Figura 15, através das linhas pontilhadas pretas e vermelhas.

Figura 21 - Etapas de Implementação e Avaliação

Fonte: Elaborado pelo autor

Executados os passos anteriores, a etapa de implementação será responsável pela consolidação do funcionamento ecológico. Sugerimos ainda que a investigação científica ou o projeto da ecologia seja avaliado conforme Figura 21, o pesquisador e/ou arquiteto da informação deve inferir a necessidade de finalizar sua atividade ou iniciar uma nova iteração, ou quantas forem necessárias, para refinar o processo e possibilitar o funcionamento pervasivo da ecologia informacional. Podem ser utilizados testes de software, teses de usabilidade, testes de acessibilidade, avaliação da recuperação da informação, avaliação da conexão entre partes heterogêneas da ecologia, entre outros. Esta etapa pode ser classificada no polo técnico do método quadripolar. Por fim, destacamos a Ciência da Informação como campo capaz de nortear o processo iterativo aqui delineado sob a forma de ensaio metodológico.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS: