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Fuktig luft og fordampning

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5.1 Fuktig luft og fordampning

O que aqui chamamos de perspectiva teorético-quantitativa, é chamada por Haesbaert (2014) de perspectiva neopositivista. Essa linha, que buscava promover a geografia como ciência usando a quantificação, foi dominante no pensamento norte-americano da disciplina a partir da década de 1950 e influenciou bastante a área no Brasil. Como características gerais, este autor aponta a importância da classificação de áreas, superando o paradigma da Geografia clássica de apenas diferenciar áreas. Eram buscadas, essencialmente, as características que pudessem dar unidade às regiões, com interesse de, para elas, elaborar amplas tipologias (buscavam-se similaridades entre diversos objetos).

Neste contexto, a região foi um conceito privilegiado nesta corrente, tendo obtido expressivas contribuições de Brian Berry (1968). Ele retoma, inicialmente, os procedimentos padrão de regionalização até então existentes (vindos das correntes clássicas em Geografia, especialmente a francesa), baseados na perspectiva da classificação: o primeiro seria a busca pela homogeneidade; o segundo, a busca pela regionalização e pela ideia de nodalidade das

regiões; a terceira atenderia a perspectiva da região criada a partir da orientação para as políticas, para os programas de atuação (de empresas, do Estado). Berry propõe um entendimento da região a partir dos dois últimos paradigmas, o que daria origem a uma teoria de campos (field theory). A região seria abstraída, assim, de um sistema espacial composto por lugares, por atributos destes lugares e pelas interações entre eles (p. 419). A delimitação da UHJLmRHVXD³FULDomR´RFRUUHULDPHQWmRDSDUWLUGHGRLVSURFHGLPHQWRVEiVLFRs: a criação de uma matriz de estrutura dos atributos dos lugares e uma matriz de interação (matriz de comportamento). Desta forma, regiões com similaridade na primeira matriz apontam para regiões uniformes, ao passo que as similaridades na segunda matriz dão origem às regiões funcionais.

O modelo proposto por Berry foi largamente utilizado nos processos de planejamento regional que viveram seu auge em meados do século passado. Avança, em relação as correntes clássicas no que tange à ideia da região natural, dada especialmente pela homogeneidade, algo que rejeita, buscando maior base empírica para sua delimitação. Por outro lado, o modelo é excessivamente funcional e mesmo rígido; a perspectiva de uma função já GDGDDVHU³GHVFREHUWD´SHORVSURFHGLPHQWRVPDtemáticos torna possível mesmo a crítica de que a visão naturalista da Geografia clássica permanece. Há um claro avanço em termos metodológicos, e mesmo na utilização prática das conclusões, mas as regiões permanecem sob uma visão pouco flexível. Obviamente, à época, não havia ainda a visão humanista e os estudos sobre espaço e identidades ainda não se encontravam no nível de desenvolvimento posteriormente obtido.

Uma visão complementar a esta de Berry é proposta por Grigg (1974). Esta busca definir a região a partir de um resgate das contribuições anteriores, partindo da crítica a ideia da Terra como um mosaico de regiões isoladas, algo comum nas perspectivas clássicas. Neste sentido, ele não chega a formular um conceito explícito sobre o que é a região, porém, por sua crítica, pode-se depreender a busca por um recorte mais dinâmico do que o até então procurado, além da refutação da tese clássica da totalidade do mundo construída a partir de mosaicos de diferenciação regional. Como forma de identificação e delimitação dos espaços regionais, Grigg, recorre à tendência geral da classificação regional, partindo da ideia de que as regiões são delimitadas a partir de suas similaridades.

Tal visão, ainda que complementar, acaba por corroborar a crítica acima feita aos trabalhos de Berry, além de relativizar ainda mais o interesse dessa corrente em repensar profundamente a perspectiva da região tida nas correntes clássicas em Geografia. Se ali ela fora definida como naturalmente dada por suas similaridades, o trabalho de Grigg caminha de forma

parecida e a análise funcional de Berry apenas refina metodologicamente o que antes era realizado pela observação e enumeração dos elementos da paisagem.

Na perspectiva proposta de região, surge o debate em torno de quais processos seriam responsáveis pela organização e estruturação de seus espaços. Berry aponta no sentido de que a relação dos processos que geram a totalidade ocorre a partir da aglutinação e da separação dos atributos e processos que ocorrem nos lugares. Desta forma, pode-se argumentar no sentido de que a estruturação e organização dos espaços regionais6 decorre de processos

espaciais/ dinâmicas que fazem parte de uma totalidade, que compõem por justaposição. Tal visão reforça uma perspectiva mecanicista em torno da forma como a região é constituída, na medida em que os processos que aí ocorrem são, na realidade, frações de uma totalidade maior. Tal perspectiva guarda forte relação com a teoria geral dos sistemas, muito cara a esta corrente. Por outro lado, a experiência mais recente tem demonstrado que os processos espaciais responsáveis pela produção dos espaços regionais não necessariamente correspondem a uma parte de um todo maior, sendo difícil precisá-los de forma tão rígida. Obviamente, à época, tal perspectiva era pouco considerada, a partir do modelo rígido proposto para a região.

Neste sentido, sobre as contribuições desta corrente de análise, é fundamental para a análise dos antigos planos de desenvolvimento e no seu desdobramento regional, até a década de 1970. A região é tida, diversas vezes, como um ente identificado e fechado, de características gerais pouco dada a variações internas. Como se verá a seguir, o planejamento regional brasileiro foi fortemente influenciado por tal perspectiva. Em termos dos avanços propostos, é necessário reconhecer o aspecto metodológico, que apresenta claro maior rigor. Por outro lado, esta corrente não dava conta de explicar certos fenômenos e negligenciava o papel da história e a das relações de poder na reprodução das crescentes desigualdades sociais e territoriais. A preocupação maior estava na busca de identificar os processos correntes e em criar modelos explicativos para a organização das regiões, não propriamente para a produção destes espaços. Estas preocupações serão vistas a frente, quando aprofundadas a partir de parte da linha marxista.

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partir dos trabalhos de Lefebvre. O uso de tal terminologia aqui é próprio do olhar do autor, não dos trabalhos analisados.

2.2 As perspectivas marxistas: da dominação e reprodução capitalista aos arranjos de