8. Vårres regionalt brukerstyrt senter
8.6 Frivillighet
Toda educação é eminentemente social, pois ela visa capacitar o indivíduo para viver em grupo e ser capaz de comunicar-se. Quando pensamos em educação, pensamos em cultura, em costumes, em artes, conhecimentos, pensamos naqueles que devem ser educados, no agente que educa e no tempo e espaço em que o processo educativo acontece. No entanto, é preciso fazermos algumas diferenciações dentre os campos de atuação vigentes na cultura no que se refere ao tema da educação. Sem dúvida, trata-se de um terreno no qual o primeiro desafio seria a sua própria definição. Não é objetivo deste trabalho apresentar detalhada discussão desse campo que apresenta inúmeras concepções e correntes de abordagem, entretanto, nos propomos lançar luz sobre algumas das questões atualmente em voga no campo da educação.
Os autores estudiosos do tema têm delimitado, basicamente, três campos em que a educação é vivenciada: trata-se da educação informal, formal e não formal. Em princípio, segundo Ghon (2010), a educação informal é aquela em que os indivíduos aprendem durante seu processo de socialização, gerada nas relações e relacionamentos dentro e fora da família, como os amigos, igreja, clubes, condomínios, etc. Ela incorpora valores e culturas próprias de pertencimento e sentimentos tão naturalizados que chegam a parecer herdados.
Por sua vez, a educação formal é aquela desenvolvida nas escolas, com conteúdos previamente demarcados, relativos ao ensino e à aprendizagem, visando à formação de indivíduos com habilidades e competências específicas. Pressupõe que seja realizada em ambientes escolares, regulamentados por leis. Geralmente, os agentes da educação são os professores, apesar de compreender que todos os envolvidos também fazem parte de um processo educativo.
A educação não formal é a modalidade à qual daremos foco por acreditarmos que
esse campo pode nos fornecer importantes contribuições para se pensar em “socioeducação”. A
educação não formal é construída por escolhas, há intencionalidades no seu desenvolvimento. O aprendizado não é espontâneo, ele é adquirido e pode ser desenvolvido. Nesse tipo de educação,
não há a figura como em princípio pensada para o “professor”, há sim a figura de um educador, “é o outro, aquele com quem interagimos ou nos integramos” (GOHN, 2010, p. 17).
Os espaços educativos desse tipo de educação localizam-se fora das escolas, em locais informais; geralmente, acompanham as trajetórias de vida dos grupos e indivíduos. Compartilha com a educação formal o caráter organizado e sistemático, porém, rompe com o
padrão “escola” e com o rigor legal e burocrático, o que permite uma flexibilidade maior de
adaptação aos novos contextos e aos indivíduos. Essa modalidade de educação visa capacitar o indivíduo para o mundo, formar cidadãos, abrir novas possibilidades de se relacionarem com o
meio em que vivem. “A transmissão de informação e formação política e sociocultural é uma meta
na educação não formal. Ela prepara formando e produzindo saberes nos cidadãos, educa o ser
humano para a civilidade em oposição à barbárie, ao egoísmo, ao individualismo” (GOHN, 2010, p.
19).
Parece-nos ser esse um dos caminhos para se pensar a temática da socioeducação. Libéria Neves (2008), apesar de não utilizar o termo socioeducação, aponta uma particularidade desse tipo de educação com a qual podemos fazer certa aproximação. Para ela, na atualidade, a educação não formal:
(…) localiza-se no seio dos projetos sociais geridos por ações governamentais, não
governamentais e pela parceria entre ambos. Suas ações são direcionadas a crianças, jovens e adultos em situação de exclusão social, e seus objetivos visam contribuir para a formação integral do indivíduo, objetivando promover o crescimento pessoal, a consciência da cidadania e, muitas vezes, a possibilidade de sua (re)inserção na sociedade. É nesse âmbito que ela se denomina educação social, calcada em ações que objetivam uma educação para a vida, e muitas vezes, ligada a programas de prevenção à criminalidade. (NEVES, 2008, p. 104)
A forma de pensar a educação não formal não se restringe a tomá-la como aquela contrária à escola formal, como se fossem antagônicas. Maria da Glória Gohn (2010), no livro intitulado Educação não formal e o Educador Social:atuação no desenvolvimento de projetos
sociais, destaca uma série de diferenciações no campo da educação não formal. Para ela, não se
sinônimo de “extra-escolar”, simplesmente pelo fato de ser realizada fora do ambiente da escola. A autora também não compartilha das ideias de que esse tipo de educação seria como um complemento, um espaço alternativo para os rebeldes e insubordinados da escola, uma espécie de
“educação alternativa”. Para Gohn (2010), trata-se de uma educação cidadã, uma educação que se
articula com a formal/escolar, e não está dividida por classe social, raça, etnias ou territórios. Trata- se de uma educação que objetiva a criticidade em relação ao mundo em que se vive. Ela acrescenta:
É um processo sociopolítico, cultural e pedagógico de formação para a cidadania, entendendo o político como a formação do indivíduo para interagir com o outro em sociedade. Ela designa um conjunto de práticas socioculturais de aprendizagem e produção de saberes, que envolve organizações/instituições, atividades, meios e formas variadas, assim como uma multiplicidade de programas e projetos sociais. (GOHN, 2010, p.33)
Há uma diversidade de posições no que se refere ao campo da educação não formal. Além da posição de Gohn (2010), já apresentada, há ainda aqueles, como Pérez (2003), que reconhecem e associam a educação não formal a uma educação social. Atualmente, as propostas de educação social têm sido objeto de estudo no âmbito da Pedagogia Social, à qual daremos especial atenção por entendermos que essa concepção pode nos auxiliar a esclarecer algumas questões desta
pesquisa, como, por exemplo, a diferenciação dos campos hoje nomeados de “socioeducativos”.