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Kapitel 1.Indledning og problemstilling

1.6 Friluftsliv og havkajak

Categorizar é organizar entidades (objetos, ideias, ações, sentimentos, experiências etc.) por semelhança em classes específicas (FERRARI, 2011, p.31). Para exemplificar com o próprio resultado da pesquisa empreendida por nós, os respondentes pensaram “violência” através de ações violentas ou eventos ligados à temática (droga ou maltratada). Para Piedade (1983), pesquisadora da área de ciência da informação, esse processo mental cotidiano é realizado de forma automática a partir da classificação de coisas e ideias, a fim de compreender e conhecer. Para a Psicologia Cognitiva (EYSENCK;KEANE, 2007, p.287), conceitos e categorias são termos muito próximos e categorias “são classes de objetos incorporados nos conceitos como uma cola.” Reafirmando a posição acima Oliveira & Oliveira (1999), nos trabalhos do Núcleo de Estudos de Conceitos da USP, afirma que categorias devem ser tratadas como integrantes dos conceitos. Concluímos que categorização nessa perspectiva é um processo de classificação de objetos ou ações para formação de conceitos.

Segundo Lakoff (1987, p. 5). Uma quantidade significativa das nossas palavras e conceitos designam categorias. Percebemos que durante a nossa pesquisa, os respondentes ou utilizaram palavras específicas para categorizar violência (drogas e prostituição) ou características do conceito (espancar ou maltratar). Continuando o pesquisador, afirma que “categorização não é um processo que deve ser estudado superficialmente. Não há nada mais básico do que a categorização para o nosso pensamento, percepção, ação, e discurso.” Ao observarmos algo como objeto, experiência ou evento, por exemplo, uma briga, nós estamos categorizando (Violência). Dessa forma, ainda citando, Lakoff (1987, p.5) “a compreensão de como categorizamos é o ponto central para a compreensão de como nós pensamos, funcionamos

e, consequentemente, um ponto central para a compreensão o daquilo que nos faz humanos”. Para reafirmar o pensamento lakoffiano, Murphy (2002, apud, EYSENK; KEANE, 22007, p. 286):

Os conceitos são a cola mental que une nosso mundo mental (...) Quando entramos numa sala, experimentamos um novo restaurante, vamos até o supermercado para comprar mantimentos, consultamos um médico ou lemos uma história, precisamos nos basear em nossos conceitos do mundo para nos ajudarem a entender o que está acontecendo. Felizmente, até as coisas novas são em geral similares às coisas que já conhecemos, frequentemente exemplificando uma categoria com a qual já estamos familiarizados (...). Os conceitos são uma espécie de cola mental na medida em que eles ligam nossas experiências às nossas atuais interações com o mundo, e porque os próprios conceitos estão conectados com nossas estruturas mais amplas do conhecimento.

Para os pesquisadores Jacob e Shaw (1998, p. 155), “categorização é um processo cognitivo de dividir as experiências do mundo em grupos de entidades, ou categorias, para construir uma ordem física e social do mundo”. Markman (1989, p.20), conceitua categorização como “um mecanismo fundamental que simplifica a interação individual com o ambiente: não somente facilitando o armazenamento e a recuperação da informação, mas, também, reduzindo a demanda da memória humana”7. Numa visão mais atual e coerente com a abordagem desse

trabalho Pelosi e colaboradores8em estudo recente sobre “Violência”, mostra que a categorização

permite o agrupamento e/ou a segregacão de entidades sob a ótica de crencas, atitudes, valores, na conceptualizacao de fenômenos pertinentes a categoria estudada (PELOSI; FELTES; CAMERON, 2013, no prelo; GONDIM; PELOSI, 2012)

Enfim, para Gardner (1996, p. 373), “as categorias têm uma estrutura interna, centrada em protótipos ou estereótipos (visão pós-clássica), e outros exemplares são definidos como mais ou menos periféricos, dependendo do grau em que eles compartilham características cruciais com o protótipo central”.

7 Tradução livre

8 o tema é base do trabalho do grupo de pesquisa GELP/COLIN que participa de um Projeto Interdisciplinar sobre representações sociocognitivas na conceitualização de violência urbana no Brasil, com a Universidade Aberta de Milton Keynes, Inglaterra, no reino Unido e a Universidade de Caxias do Sul no Rio Grande do Sul, em resposta a uma chamada do governo da Comunidade Europeia intitulada: Global uncertainties: security for all in a changing world.

Em sua época, Aristóteles Platão, com sua clássica abordagem dos atributos definitórios 9, já se preocupava com as práticas de nomear, definir e categorizar que, com o desenvolvimento das ciências cognitivas10, foram sofrendo várias modificações até chegar na teoria dos protótipos11. “A categorização passou de um processo cognitivo individual a um processo cultural e social de construção da realidade, que organiza conceitos, parcialmente baseados na psicologia do pensamento (OLIVEIRA LIMA, 2010, p.110)”. A percepção da informação é fundamental na definição das extensões de uma categoria, pois ela não está pré- estabelecida na mente de forma artificial, todavia se leva em consideração as informações do mundo em que vivemos e como respondemos a elas. Nessa fase, “o reconhecimento das similaridades e diferenças, através da emergência de inferências12, leva à criação de um conhecimento novo, pelo agrupamento de entidades, de acordo com as similaridades e diferenças observadas. (ibid, 2010, p.110)”

Pelo que foi relatado acima, observa-se que um aspecto central da cognição é a categorização: inferir que um evento particular é ou não um exemplo de uma categoria particular para conceitualização do mundo real a partir dos conhecimentos armazenados no nosso mundo mental. No entanto reside nisso um problema central que é a compreensão da escolha dos critérios usados para agrupar as entidades em uma mesma categoria, “sendo que nesse processo as entidades distintas são tratadas como equivalentes, faz a categorização ser considerada como um dos principais processos cognitivos”.(Ibid, 2010, passim).

Concordamos com Silva (2003, p.3) quando afirma que, se a linguagem categoriza o mundo, então o significado linguístico não pode ser dissociado do conhecimento do mundo e, por isso mesmo, não se pode postular a existência de um nível estrutural ou sistêmico de significação distinto do nível em que o conhecimento do mundo está associado às formas linguísticas.

9 Esta abordagem conhecida como clássica e apoiada no pensamento aristotélico postula que um conceito pode ser caracterizado por um conjunto de atributos definitórios, que são aquelas características semânticas necessárias e suficientes para algo ser uma instância do conceito. (EYSENCK; KEANE, 2007, p.288)

10 “Sabe-se que as Ciências Cognitivas têm como objeto de estudo os processos gerais que regem a percepção, a organização, o armazenamento, a recuperação e a utilização da informação, bem como as formas como se organiza a representação dessas atividades no tratamento da informação. A organização conceitual, que está diretamente relacionada à capacidade de aprender, supõe a assimilação de novas informações, sua estocagem e sua acomodação.” (OLIVEIRA LIMA, 2010, p.110)

11 As categorias possuem uma descrição central ou protótipo, que em certo sentido representa toda categoria. (Ex. homem - mamífero) (Ibid.,2007, p.290)

Como exemplo desse processo cognitivo, podemos citar o agrupamento de um conjunto de objetos semelhantes (mas não necessariamente idênticos) com o nome de móveis; o fato de que nomeamos um conjunto de atividades com características similares usando termos como divertir e trabalhar. A percepção é fundamental na definição das extensões de uma categoria, porque a categorização não é feita artificialmente, mas sim levando-se em conta as informações do mundo e nossa situação nele. No processo de categorização, a distinção de similaridades e de diferenças cria um conhecimento novo, pela ordenação de entidades, de acordo com as relações observadas em um determinado conceito. Percebemos que categorizar objetos ou coisas é inerente aos seres humanos e à linguagem, porque o cérebro dá forma às estruturas abstratas que emergem do ambiente externo em uma forma categorial. Observamos que essa organização cognitiva vem de nossa interação com nosso ambiente. Se não interagirmos com o ambiente, não teremos o que classificar ou ordenar; o ambiente influencia muito no modo como nós categorizamos a informação. De acordo com Lakoff (1987, p. 5), “não existe nada mais básico do que a categorização para o nosso pensamento, nossa percepção, ação e fala.”

A construção de categorias geralmente é elaborada como uma metodologia na qual conceitos formam novas categorias pelas características excitadas ou inibidas a eles próprios. Uma das principais funções da mente é interpretar o significado das informações engramadas nas redes neuronais adquiridas e transformá-las em conhecimento. Segundo Moreira (1993, p. 33):

a estruturação do conhecimento na mente humana tende a seguir uma estrutura hierárquica, a partir das ideias mais abrangentes. A categorização como processo cognitivo é uma alternativa de estruturar a informação, pois ela procura refletir a organização da estrutura informacional de uma pessoa sobre determinado assunto

Assim, podemos afirmar que as funções da categorização do ponto de vista cognitivo são: a) classificar - função que permite o contato da mente com o mundo; b) dar apoio a explanações e assegurar prognóstico em relação ao futuro, o qual pode ser utilizado para selecionar planos e ações; e c) dar sustentação à mente, pois não há necessidade de armazenar todos os fatos e suas possibilidades, se as inferências podem ser derivadas de informações já armazenadas (MEDIN; ROSS, 1996, p.125).