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Se adotarmos um modelo cultural durkheimiano olharemos para a função34 dos media essencialmente pela sua capacidade de integração normativa ou, pelo contrário, pelas formas com que os media podem colocar em risco essa mesma integração, constituindo um fator, dentro da própria sociedade, de anomia, individuação e de quebra das tradições, entendidas como fontes de integração social. Utilizando as ferramentas analíticas do estudo de Durkheim sobre as formas elementares da vida religiosa (2002), podemos ainda considerar que as unidades básicas de análise, no que concerne o estudo dos media, englobarão não só o símbolo partilhado mas igualmente o rito impregnado de significado como o ritual de troca de mensagens de telemóvel ou formas rituais mediadas numa sociedade multimediática. As mensagens no telemóvel e na internet eram e são, desde a sua popularização, um espaço onde as crianças podem brincar com a linguagem textual, incorporando anglicismos e inovações ortográficas, à margem dos formalismos da língua portuguesa, o que poderá ser entendido como uma afronta a códigos culturais estabelecidos, e mais um elemento de segmentação entre os universos infantis e adultos. Mas, para os mais novos, os usos personalizados, distintivos e originais da linguagem no telemóvel ou via internet podem constituir uma forma de partilha entre os pares, um meio de separar o “nós” dos outros, reforçando a coesão de um grupo que partilha os mesmos símbolos e a mesma cultura e domesticação da comunicação móvel. Podemos assinalar a importância da dimensão simbólica da troca de mensagens, de toques, logótipos, imbuídos numa carga emotiva, e que detêm um significado partilhado (Taylor e Harper, 2001). Forma um sistema ritual de trocas recíprocas que significa o comprometimento numa rede de relações. Nesta abordagem não há não uma diferenciação fundamental entre
34 Passe, embora, as críticas feitas aos argumentos funcionalistas no seio das ciências sociais. A este
respeito ver, por exemplo, Giddens (1984). Para uma discussão do funcionalismo e do modelo durkheimiano, aplicável ao estudo das formas simbólicas e dos media, ver, por exemplo, Alexander (1986). Apesar de reconhecer problemas no funcionalismo, Alexander (1990) defende que a utilidade das abordagens funcionalistas está na habilidade em interligar os aspetos culturais com a ação social concreta. Consideramos, nesta linha, que o modelo durkheimiano é profícuo nos estudos dos media e conflui com os resultados dos estudos efetuados sobre a apropriação do telemóvel.
o calão infantil e juvenil e a transmissão de mensagens via eletrónica, assim como não há uma diferenciação fundamental entre comunicação mediada e não mediada.
De facto, poderíamos ver aqui Durkheim a reclamar a universalidade das formas elementares da vida social, as sociedades totémicas transfiguradas na era do digital. Podemos, obviamente, colocar em causa a força ou a intensidade das formas de coesão social baseadas na comunicação mediada, mas o modelo durkheimiano assume que a organização social, seja ela online ou offline, é criadora de símbolos. O que os indivíduos procuram é, antes de mais, um conjunto de significados que possam ser partilhados com outros para formar laços sociais. Tal como na utilização das redes sociais online, podemos falar de Durkheim quanto à utilização do telemóvel como forma de regulação social e emocional de uma rede de relações e de "comunhão fática", em que o valor social das mensagens está na forma ritualista de manter os vínculos sociais entre os emissores e os recetores. Num sentido convergente, Ling e Yttri (2002) afirmam que para além do conteúdo das mensagens há um meta-conteúdo: como o recetor está no pensamento do emissor as mensagens servem para o desenvolvimento de uma história e uma narrativa comuns. As mensagens de texto podem ganhar significados afetivos especiais. São associadas a quem as enviou e a um determinado momento, representam uma ligação a quem se gosta, e fazem parte de um património de memórias, que é tanto uma memória interna como externa, presente e pronta a ser relida no histórico do telemóvel.
Uma questão central que se coloca à investigação sobre a utilização generalizada e frequente do telemóvel prende-se, como refere Dias (2008), com o conjunto de fatores que tornou essa tecnologia tão atrativa e que motiva a sua adoção e penetração tão rápida e profunda na vida quotidiana. Para Lorente (2002) as tecnologias móveis vieram ao encontro de duas grandes necessidades: por um lado, são uma ferramenta que contribui para a definição original da identidade pessoal e uma forma de afirmação perante os outros; por outro lado, constitui um poderoso dispositivo de comunicação com os amigos e proporciona às crianças a segurança ontológica e emotiva de estarem inseridos num grupo. O telemóvel constitui-se como um espaço privado que facilita a comunicação, possibilita a personalização do aparelho e promove ideias para a afirmação da identidade. Ling (2000a/b) refere ainda outras funções sociais como a emancipação em relação aos pais e o sentimento de segurança em caso de problemas e de emergência, sendo esta motivação mais apelativa para os pais do que para os adolescentes. Por sua vez, Hoflich e Rossler (2002) tipificam outros usos sociais como a conveniência na coordenação, a mobilidade, a diversão e o estatuto social transmitido pelo aparelho móvel.
As crianças, no âmbito das sociedades coetâneas, domesticam os telemóveis à sua maneira, instituindo modos de uso originais e distintivos. Uma das características mais específicas das domesticações infantis do telemóvel reporta-se ao uso das mensagens SMS em detrimento das chamadas. Entre as crianças inquiridas presencialmente e utilizadoras de telemóvel, 34,7% afirma que utiliza frequentemente o telemóvel para enviar ou receber mensagens e 42% afirma que o faz muito frequentemente. O seu uso é atrativo pelo seu baixo custo e por ser discreto. As mensagens são facilmente trocadas em qualquer situação sem que haja grandes perturbações do meio ambiente. Quanto a falar ao telemóvel, 37,4% diz que o faz frequentemente e apenas 14,7% o faz muito frequentemente. Entre as crianças inquiridas online, uma maioria significativa (65,8%) utiliza o telemóvel para fazer ou receber chamadas, mas a utilização mais comum é mandar mensagens, a julgar pela resposta de 88,8% dos inquiridos. Somente 37% dos internautas tem o telemóvel principalmente para receber chamadas. De facto, as mensagens de texto, ao contrário das chamadas de voz, são uma forma menos intrusiva de manter uma conetividade, em pano de fundo, com os outros. As crianças que enviam assiduamente mensagens escritas esperam geralmente que o seu círculo íntimo esteja disponível para a comunicação, salvo situações mais excecionais. As mensagens de texto são facilmente respondidas durante uma aula, nos transportes públicos ou noutros contextos onde a comunicação por voz poderá parecer inapropriada.
As mensagens criam assim um sentimento de acessibilidade face a um ambiente e espaço virtual partilhado. Não necessitam de uma abertura deliberada de um canal de comunicação, são antes baseadas na expectativa de que alguém está à escuta. Deste modo, quando não se recebe uma resposta imediata as crianças podem sentir que uma expectativa social foi violada, no sentido maussiano da troca, e não aceitarão facilmente uma desculpa ilegítima para a não resposta. Entram em jogo expetativas sociais e regras implícitas, como a obrigação tácita de reciprocidade, associadas à troca de mensagens. Quando há uma quebra desse princípio poderá haver a necessidade de justificação perante os pares ou os familiares. Quanto às justificações que as crianças adiantam para não atenderem ou não responderem a uma chamada, a mais referida (em 49,2% dos casos) é a de que não ouviram o telemóvel tocar. A seguir, temos 27,8% que utiliza como principal justificação o facto de a rede estar em baixo, 8,8% adianta como justificação não conseguir ouvir as mensagens e 6,6% que tem um problema com o equipamento telefónico. Só uma fração de 3,3% das crianças afirma não ter nenhuma, atendendo sempre o telemóvel.
Após os 16 anos de idade o uso do telemóvel é elevado. Uma outra tendência, é que entre os 16 e os 18 anos, os adolescentes usam mais frequentemente o telemóvel face aos pré-adolescentes. É essencialmente na fase da adolescência que as tecnologias móveis se poderão tornar mais ajustadas às necessidades sociais de projetar uma imagem e um estatuto social, de formar a identidade e de aprofundar a rede de relações íntimas. Os nossos dados corroboram parte da diferenciação na utilização dos telemóveis, entre crianças e adolescentes, feita por Mante-Meijer e Pires (2002: 55). Segundo estes autores, as crianças dos 7 aos 10 anos caracterizam-se por uma relação com o telemóvel geralmente pragmática, sendo este essencialmente utilizado como um brinquedo ou uma consola de jogos. É entre os pré-adolescentes dos 10 aos 12 anos que desperta o interesse pelos hobbies e pelos amigos e onde o uso das tecnologias móveis se torna mais orientada para esses interesses. O período de adolescência dos 13 aos 15 anos é caracterizado por um maior investimento na construção de uma identidade pessoal própria. Começam a surgir, segundo Mante-Meijer e Pires, atitudes diferenciadas e definidas em relação ao telemóvel. Para uns é uma ferramenta essencialmente prática, mas outros começam a aprofundar usos com fins afetivos. É neste período que se começa a valorizar mais as mensagens SMS e a investir na personalização dos telemóveis. No contexto português, os adolescentes dos 16 aos 18 anos desenvolvem a componente afetiva do telemóvel através do alargamento das redes de relações íntimas, da personalização do telemóvel e de outros usos distintivos e originais, como o envio de mensagens com uma linguagem personalizada. Os nossos dados, obtidos face-a-face e online, não corroboram, contudo, o indicador de Mante-Meijer e Pires de que entre os jovens dos 16 aos 18 anos as chamadas de voz ganham relevância em detrimento das mensagens SMS. Pelo contrário, é nessa faixa etária que, em Portugal, as mensagens SMS ganham um espaço ainda maior nas comunicações móveis em detrimento das chamadas de voz.
De um modo genérico, baseando-nos no Quadro 8-1, em baixo, podemos compreender como o telemóvel se imiscui no quotidiano das crianças portuguesas, para além do envio ou receção de mensagens ou de chamadas. Olhando para as práticas face ao telemóvel podemos organizá-las segundo os seus usos sociais. Inspirando-nos em Lull (1990), que tipificou os usos sociais da televisão, também aqui podemos distinguir usos relacionais, integrados em processos de interação, mediada ou não mediada, com os outros, e usos estruturais ou instrumentais, em que o telemóvel pode constituir uma forma reguladora dos tempos individuais e coletivos. Deste modo, o despertador do telemóvel, uma mensagem recebida de manhã de um/a amigo/a a desejar “bom dia” ou a chamada
telefónica de um ascendente no fim das aulas, são eventos que podem ser enquadrados nos usos estruturais, embora também possam incluir uma vertente relacional.
Quadro 8-1. Com que frequência costuma utilizar o telemóvel para:
Nunca (%) Pouco frequentemente (%) Frequentemente (%) Muito frequentemente (%) Ns/nr (%) Falar ao telefone 9,1 36,8 37,4 14,7 2 Enviar e receber SMS 5,9 17,4 34,7 42
Enviar e receber correio
eletrónico 81,1 7,6 4,7 4,4 2,2
Enviar e receber faxes 94,9 3,6 0,6 0,9
Enviar e receber MMS 81,3 11,9 3,3 2,6 0,9 Jogar 40,6 32,4 20,7 6,4 Navegar/consultar assuntos na internet 83,2 9,7 3,9 2,7 0,5 Utilizar a calculadora 49,7 25,7 16,5 7,5 0,5 Ouvir rádio 79,5 6,4 8,5 5 0,5 Ouvir música 81,7 4,1 7,5 6,1 0,5 Utilizar programas de mensagens instantâneas 85,2 4,5 3,5 4,8 2,1
Fazer donativos para
campanhas 93,9 2,3 2,6 1,2
Utilizar a agenda 57,4 20,3 12,1 9,2 1,1
Utilizar o despertador 48,1 19,5 13,2 18,1 1,1
Utilizar outras
aplicações informáticas 91,4 2,3 3,7 1,6 1
Fonte: CIES, Inquérito presencial, Sociedade em Rede, 2006
A comunicação através das mensagens de SMS é claramente o uso dominante, realizado, muito frequentemente, por 42% das crianças inquiridas. Somente 14,7% declara enviar ou receber chamadas muito frequentemente. A comunicação móvel poderá assumir usos estruturais e relacionais consoante o propósito da mensagem ou chamada, o que conflui com a distinção entre “micro-coordenação” e “híper-coordenação” operada por Ling e Yttri (2002). O papel de micro-coordenação da comunicação móvel reporta- se a usos estruturais como telefonar a alguém para fazer companhia, planear ou coordenar atividades ou encontros. O papel da híper-coordenação reporta-se aos usos relacionais e aos aspetos fáticos da comunicação. Ainda neste âmbito, o envio de mensagens multimédia MMS é bem menos comum e frequente, e apenas 12,8% releva que utiliza programas de mensagens instantâneas, nem que seja raramente. Contudo, com a evolução do mercado da comunicação móvel - os desenvolvimentos da banda larga na rede móvel,
a maior disseminação dos smartphones e a oferta de tarifários que permitem aceder à internet de forma mais económica – é expetável que o uso relacional e fático de programas de mensagens instantâneas, de programas de VoIP como o Skype, assim como o acesso a redes sociais online, tenha ganho outra expressão nos últimos anos.
Quanto aos usos estruturais ou instrumentais, uma utilização que pode englobar- se nas mais habituais é a função de despertador, utilizada frequentemente por 13,2% das crianças e muito frequentemente por 18,1%, que poderá servir como forma de marcar e regular o tempo. O uso estrutural em termos de entretenimento mais relevante é jogar, visto que 20,7% das crianças joga frequentemente ao telemóvel e 6,4% muito frequentemente. Os jogos no telemóvel, assim como outras formas de entretenimento, como ouvir música, podem igualmente assumir usos relacionais, quando partilhados com amigos, por exemplo. Outros usos estruturais relevantes são: a função de calculadora, utilizada frequentemente ou muito frequentemente por 24% das crianças; e a de agenda, usada frequentemente ou muito frequentemente por 21,3% dos inquiridos, que poderá servir como forma de regulação do tempo e do planeamento de atividades. Ouvir rádio ou música são usos que reúnem pouco mais de 13% de utilizadores frequentes ou muito frequentes. No entanto, com o desenvolvimento tecnológico dos telemóveis é provável que estas atividades tenham ganho uma maior expressão nos últimos tempos, assim como os usos estruturais de entretenimento, em geral.
São ainda de assinalar diferenças de género e entre escalões etários, socorrendo- nos aqui nos dados obtidos online. As raparigas são as maiores entusiastas das mensagens SMS, visto que 92% afirma que utiliza o telemóvel principalmente para mandar mensagens em comparação com 86% dos rapazes. Por seu turno, os rapazes são os que mais jogam no telemóvel visto que 31,9% confessa ser essa uma das suas principais utilizações em comparação com 21,3% das raparigas. Observa-se também que há uma maior fração de inquiridos mais novos (46,7%) que utiliza principalmente o telemóvel para receber chamadas, em comparação com 34,8% dos inquiridos dos 16 aos 18 anos. Principalmente entre os mais novos o telemóvel poderá ser um instrumento em favor do maior controlo dos pais. Ademais, as redes sociais dos mais novos são ainda limitadas. Têm também menor liberdade de movimentos e o uso de telemóvel poderá refletir essa condição. Os adolescentes, por seu turno, têm mais liberdade e autonomia e poderão usar o telemóvel de uma forma que reforce essa condição, seja para trocar mensagens com os seus pares, combinar encontros, alargar os contactos sociais, namorar, etc. Assim sendo, não é de estranhar que se verifique uma maior percentagem de crianças dos 16 aos 18
anos que manda mensagens (94%) e que faz e recebe chamadas (67,7%), em comparação com 63,3% e 56,7% de inquiridos dos 9 aos 12 anos, respetivamente. Inversamente, constata-se que há claramente uma maior percentagem de inquiridos mais novos (44,2%) que declara que jogar é uma das principais utilizações que fazem do telemóvel em comparação com apenas 20% dos respondentes dos 16 aos 18 anos.
Uma funcionalidade que se tornou comum e popular nos dispositivos móveis é a incorporação de uma câmara fotográfica digital. Um pouco mais de metade das crianças inquiridas presencialmente tem câmara digital incorporada no telemóvel. É entre os adolescentes dos 16 aos 18 anos que se verifica claramente a maior percentagem de inquiridos que tem câmara digital incorporada (63%), em comparação com 40,5% dos inquiridos dos 8 aos 12 anos. O facto de haver uma maior fração de crianças mais velhas com câmara fotográfica no telemóvel pode explicar-se pelo facto de serem mais exigentes quanto às possibilidades tecnológicas dos seus dispositivos, mas também porque podem ver na câmara digital incorporada uma forma de explorar os usos relacionais e afetivos do dispositivo e de cultivar as suas relações sociais, que resultam numa memória externa fotográfica passível de ser partilhada. A principal razão, invocada por uma percentagem maioritária de crianças (61%), para utilizar a câmara digital do telemóvel é ficar com uma recordação do momento. Mais uma vez, podemos interpretar este dado à luz do modelo durkheimiano quanto às funções ritualizadas das formas simbólicas digitalizadas: uma criança poderá registar, em várias situações, imagens que têm como tema um dos seus pares ou um grupo de amigos, realçando e enaltecendo o momento da foto, como um jantar ou uma festa de anos. Tirar uma foto com o telemóvel torna-se assim uma forma de mostrar faticamente aos outros que se está a dar importância àquele momento, podendo depois ser partilhado nas redes. Esta função fática da câmara digital pode incluir não só o momento e as pessoas presentes, mas também aqueles, familiares ou amigos, que estão ausentes, e com quem se pode partilhar os momentos relevantes posteriormente. Ou seja, as imagens podem incluir situações ou objetos com algum significado para as pessoas ausentes. Neste âmbito, para 22,1% das crianças a utilização da câmara incorporada serviu para mostrar que estiveram presentes numa determinada situação e 12,8% usa a câmara para poder mostrar objetos a amigos, familiares ou conhecidos. As fotos têm um uso social relacional como forma de partilha de significados para além de serem utilizadas de modo mais pessoal e estrutural como álbum fotográfico portátil, que é uma memória externa que regista objetos como prendas, pessoas queridas ou locais visitados.
Do ponto de vista estrutural, a utilização da câmara poderá ainda servir tarefas pessoais como a própria experimentação da funcionalidade do telemóvel, ou para registar um acontecimento do quotidiano. Não são só os atos de mandar mensagens e de fazer chamadas que se tornaram imbuídos no dia-a-dia. Em média, as crianças inquiridas declaram tirar numa semana 5,88 fotografias. Podemos aqui ver uma tendência vouyerista no decorrer do dia-a-dia que coloca alguns riscos em termos de direito à imagem e à salvaguarda da vida privada pois as imagens fotografadas e filmadas podem ser enviadas para outras pessoas e partilhadas na internet. Não obstante, para além das tarefas pessoais que a câmara digital incorporada permite, podemos ainda distinguir as “tarefas partilhadas”, quando as imagens captadas têm como objetivo a concretização de uma tarefa comum e as “tarefas remotas”, quando as imagens captadas têm em vista relembrar uma pessoa ausente da execução de uma tarefa pendente. Desta forma, as próprias imagens podem ter como função a coordenação social e emotiva do quotidiano, constituindo uma possível forma de captar o pulso dos acontecimentos diários.