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4 Resultater

4.4 Fremstilling av transkripsjonsresultatene

A formação do professor se realiza em duas situações: a inicial e a continuada; a primeira constitui uma exigência para se exercer a profissão, e a segunda depende, por um lado, da opção e disponibilidade de cada professor, e por outro, da oferta e custo dos cursos e palestras, portanto não é obrigatória. Segundo Azanha:

A atuação docente na sua efetiva complexidade só precariamente poderá ser balizada pelas eventuais teorias assimiladas. Nessas condições, o ensino seria

invariavelmente um malogro se não fosse a existência no âmbito da escola de um “saber” não codificado nem expresso numa linguagem teórica mas que no fundo constitui a base da atuação docente. Na verdade, a formação do professor e o seu próprio aperfeiçoamento completam-se com o êxito que ele tenha na assimilação desse saber difuso e historicamente sedimentado no ambiente escolar e que tem apenas tênues relações com teorias pedagógicas. (Azanha, 1995: 76)

Assim, a formação continuada do professor, embora não obrigatória para o exercício da sua profissão, é fundamental; a combinação de participação em cursos com as experiências proporcionadas pelo próprio exercício da sua profissão, junto aos outros professores da escola, pode suprir – mesmo que parcialmente – as deficiências dos cursos formadores de professores.

Tomando o cinema como um recurso, não se observa nos cursos de licenciatura uma orientação específica e generalizada para sua utilização, talvez devido à visão de que nem todas as disciplinas poderiam utilizá-lo ou pela simples opção pelos recursos tradicionais ou convencionais. O cinema como objeto não constitui uma disciplina nem tão pouco é incorporado a alguma, como a Literatura, por exemplo, é incorporada à disciplina Língua Portuguesa; assim, sua abordagem nos cursos de formação de professores não é sistemática, e a oferta de cursos e palestras para a formação continuada é restrita. No entanto, não é apenas sobre esse aspecto – o cinema – que a preparação do professor é deficitária, geralmente os professores são habilitados para exercer a profissão sem o embasamento teórico e prático suficiente em diversas áreas do conhecimento, e no exercício do magistério, a falta de tempo e de recursos materiais limitam sua formação continuada.

Ao falar em formação para trabalhar com cinema em sala de aula, não nos referimos, como já citamos anteriormente, a uma especialização em teoria, história e crítica do cinema, mas a alguns conhecimentos mínimos que permitam ao professor realizar a mediação necessária entre o filme e suas possíveis interpretações. Segundo Marília Franco (1992), “o professor há de ser um espectador especializado, não em cinema, mas em educação”, e daí surgirá sua autoridade para usar e interpretar as linguagens do cinema. Obviamente, a busca da especialização como educador implica conhecer os demais assuntos, técnicas e linguagens utilizadas em sala de aula; do mesmo modo, se o professor utiliza o cinema, precisa dominar alguns elementos dessa

linguagem, conhecer o texto e o contexto do filme utilizado, ter clareza de seus objetivos e delinear procedimentos pertinentes que otimizem os resultados.32

Como parte da pesquisa, duas perguntas eram feitas acerca da formação do professor: uma sobre a participação em cursos ou palestras sobre como utilizar cinema na escola, e outra sobre a importância de os cursos de formação inicial de professores incluírem no seu currículo uma disciplina que os prepare para esta utilização. Nos depoimentos, percebe-se uma distância entre propostas ou intenções e a prática efetiva, pois embora os vinte e cinco professores entrevistados usassem o cinema, apenas nove buscaram algum tipo de formação, em que pese vários tenham afirmado que essa formação seja necessária:

“Os cursos de formação de professores não capacitam para utilização de cinema e outras mídias, e esta capacitação é necessária” (depoimento 4).

“Só discuto o conteúdo do filme, acho importante a discussão sobre a linguagem do cinema, mas não me sinto preparado para isto, é algo que preciso e quero fazer: me

preparar para trabalhar as especificidades do cinema” (depoimento 5).

“Acho importante a escola usar o cinema, pois alguns alunos não vão ao cinema, mas os professores não estão capacitados para este trabalho, os cursos de formação de

professores deveriam suprir esta carência” (depoimento 10).

“Os cursos de formação de professores deveriam orientar melhor não só sobre a utilização do cinema, mas sobre vários outros aspectos” (depoimento 24).33

Há depoimentos contundentes sobre a dificuldade de formação por conta da ineficiência dos cursos e outras complicações do dia a dia do professor:

“Os cursos de formação de professores poderiam preparar os professores para utilizar o cinema e audiovisuais em sala de aula, a faculdade de educação prepara muito mal os professores. A rotina do professor é dificultosa: excesso de atividades, muitas aulas para ter um salário digno e pouco tempo para estudar, buscar materiais novos e pesquisar. Obviamente tem mecanismos: o Estado oferece cursos e palestras, mas não é suficiente. O que eu percebo é que tem boa vontade, mas falta tempo e condições. Às vezes o professor não usa um filme ou outro recurso por falta de tempo de pesquisar ou de se preparar” (depoimento 19).

32 Ora, o mesmo seria exigido de toda e qualquer técnica ou linguagem, ou, em suma, recurso utilizado pelo professor, mas há uma certa naturalização das demais estratégias de ensino.

“Na minha opinião, os professores são completamente despreparados para a utilizar o cinema de forma adequada, o máximo que conseguem fazer é verificar qual filme é legal e que tem relação com o conteúdo ensinado; o filme é usado só para ilustrar o conteúdo, não sabem como trabalhar a linguagem e a técnica do cinema. Os cursos deveriam ensinar o professor como utilizar o cinema, mostrar a sua relação com a educação e dar noções de teoria e história do cinema” (depoimento 23).

Com relação à rotina dificultosa citada pelo professor acima, sabemos que na realidade escolar, os professores vivenciam uma contradição entre o que a prática pedagógica exige que seja realizado e o que é possível realizar frente ao número de aulas que são obrigados a assumir, número de alunos por sala, falta de recursos materiais e de equipamentos.

Alguns professores fizeram cursos ou assistiram a palestras, mas mesmo esses não se sentem preparados para fazer a adequada mediação do filme, apenas seis professores demonstraram certa segurança para a utilização do cinema, por conta de autodidatismo e planejamento prévio, como podemos notar nos três depoimentos a seguir:

“Nunca participei de treinamento para trabalhar com cinema em sala de aula, mas tive contatos com gente que trabalha com cinema na sala de aula, caso da SEE-SP. O curso dado na Cinemateca, é medíocre, poderia eu mesmo dar cursos de leitura crítica da

imagem, auxiliando àqueles que querem utilizar, de modo adequado, o filme em sala de

aula, num sentido específico, inserido na disciplina do professor” (depoimento 12). “Eu me sinto preparada para utilizar o cinema, mesmo porque os filmes utilizados já são incluídos no planejamento, eu sei quando e para que vou passar cada filme, e mesmo quando assisto a um filme novo, e acho que dá para passar para os alunos, é feito um planejamento antes, mas nunca li nada sobre a utilização do filme em sala de aula” (depoimento 15).

“Sempre que vou utilizar qualquer recurso eu tenho o cuidado de me preparar previamente, inclusive para usar cinema” (depoimento 25).

É obvio que a preocupação em planejar, preparar as aulas com antecedência é fundamental para o sucesso de qualquer proposta pedagógica, mas embora possam proporcionar mais segurança ao professor, não garantem que a utilização do cinema explore todas as possibilidades desse objeto ou recurso, pois para isso é necessária uma formação inicial e investimento em educação continuada.

Nas falas dos professores, podemos perceber que a utilização ainda incipiente do cinema na escola é decorrente, em grande parte, da estrutura deficiente da sua formação. Sabemos que

vários são os aspectos referentes à má formação do professor, e esse é um problema que já se arrasta há algumas décadas e vem sendo discutido pela academia, em busca de soluções. Também sabemos que muitas são as dificuldades para formação continuada: qualidade e custo dos cursos oferecidos, disponibilidade e motivação dos professores.

Em contrapartida, existe uma farta bibliografia e cursos de qualidade sobre o cinema na escola; há também o respaldo do Centro de Referência em Educação Mário Covas, que como já citamos anteriormente, além de ter um acervo de mais de 700 fitas de filmes de longa metragem, disponibiliza material didático para apoio do professor. Com este trabalho, também esperamos contribuir para as reflexões dos professores que utilizam o cinema em suas aulas; no Anexo 6 sugerimos uma bibliografia comentada para o professor que queira complementar sua formação com leituras sobre o assunto.