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Fremmedgjøring

In document Hvem forsvarer naturen? (sider 31-34)

3 Teoretisk rammeverk og begreper

3.2 Fremmedgjøring

Ao iniciarmos os ensaios para cantar a Nona Sinfonia, nós nos juntamos ao Coral Adventista de Brasília (CAB) e os ensaios passaram a ocorrer na sala de ensaios daquela entidade. A Nona Sinfonia exige um número maior de cantores para se obter uma sonoridade adequada à orquestração da obra. Alguns integrantes do CAB já estavam participando do CAINF e agora mais alguns foram adicionados também ao grupo de WhatsApp do CAINF. Trocamos provisoriamente o nome do grupo para "Nona Sinfonia de Beethoven", pois era este o empreendimento em comum que todos passaram a ter.

Para uma maior integração entre os membros do CAINF e do CAB, foi organizada uma confraternização. Foi realizado um almoço na casa de uma das coralistas do CAINF. Longe de ser uma atividade sem vínculo com a aprendizagem, os momentos de confraternização são de extrema importância para a constituição de um ambiente propício à troca de experiências positivas que levam à aprendizagem.

Na construção de COP é necessário um engajamento no empreendimento comum. Os corais já estariam compartilhando artefatos – como o kit de ensaio e as partituras – o local de ensaio, os processos, o empreendimento em si, mas faltava ainda um vínculo mais forte, capaz de criar certa identidade entre os grupos e, para isso, buscando utilizar uma compreensão da reificação, nada mais significativo do que partilhar o pão como símbolo do partilhar a aprendizagem. Wenger (1998, p. 184-185) explica que:

Para apoiar a aprendizagem, o engajamento requer acesso autêntico aos aspectos participativos e reiterativos da prática em concerto. Em termos de participação, o engajamento requer acesso e interação com outros participantes no decorrer de seu próprio engajamento. O engajamento também requer a capacidade e a legitimidade de fazer contribuições para a busca de uma empresa, para a negociação de significado e para o desenvolvimento de uma prática compartilhada. Em termos de reificação, o engajamento requer acesso a toda a parafernália reificativa da prática no decorrer de seu uso: símbolos, ferramentas, linguagem, documentos e afins. É este duplo acesso à participação e à reificação que faz do engajamento um contexto especial para o aprendizado e a identidade. A falta de acesso à participação ou reificação resulta na incapacidade de aprender.

A confraternização foi mesmo muito proveitosa e agradável e atendeu ao seu propósito. Mais uma vez trago a voz de Gentil, para traduzir o que foi essa confraternização e o que ela alcançou:

18/03/2018 20:05 - Gentil: Quero deixar registrados meus sinceros agradecimentos a todos e cada um de vocês!!! Em especial quero agradecer à nossa anfitriã Circe, pela literalmente calorosa e carinhosa acolhida em sua bela Casa e pelo saboroso "baião de dois"!! Também em especial, à Emília e ao Tarcisio, pela organização e conduçao das dinamicas e jogos!! Destaco isso porque, a meu ver, o grupo mudou de patamar, começou a virar Grupo Coral (com G maiúsculo!) e todos estão de parabéns!!! Gratidão Emília, Tarcisio e quem mais esteve nos bastidores da preparacão / organização de nossa Confraternização. E, claro, não poderia deixar de destacar e agradecer ao nosso querido amigo e Maestro Eldom, pela sua capacidade de liderança e condução deste Grupo!! Parabéns Eldom! E gratidão, pela sua capacidade de reunir pessoas simples, (algumas até leigas como eu, em matéria de música) e, com muito esforço, paciência e dedicação, possibilitar-nos encantar, com o nosso canto, nossas também especiais audiências!!! Namastê! (WhatsApp Nona Sinfonia de Beethoven, 2018)

Trabalhado o ambiente propício à aprendizagem, negociada a constelação de COP Coral Ad Infinitum e Coral Adventista de Brasília, estávamos prontos para seguir no aprendizado musical, experimentando novas ações ou aprimorando ações anteriores com o uso das TIC no apoio à aprendizagem na prática coral.

Para a Nona Sinfonia de Beethoven já existiam diferentes tipos de kits de ensaio nos sites que relatamos anteriormente e que disponibilizam esse tipo de material. Escolhemos um kit de ensaio com orquestra e a voz de cada naipe em destaque sobre as demais, que podem ainda ser ouvidas em uma intensidade menor. Tínhamos em mente que esse tipo de gravação é o que melhor ajuda aos coralistas a se prepararem para obras como a Nona Sinfonia, especialmente as partes polifônicas, já que isso também facilita o entendimento das sucessivas entradas das vozes e a relação de uma voz com todas as demais.

No Questionário Final (Apêndice A), pudemos confirmar que esse tipo de kit também é o preferido pelos coralistas do CAINF, dos quais 77,5% responderam preferir este kit, que possui a voz de seu naipe em sobreposição às outras vozes, enquanto 12,9% preferem os kits que só contenham a própria voz, sem as outras vozes ao fundo. Chegamos a considerar a possibilidade de oferecer os dois tipos de kit: num primeiro momento só a voz do naipe sem as outras vozes e, num segundo momento, quando a pessoa já aprendeu a sua voz sozinha, a voz do seu naipe inserida no contexto das outras vozes em segundo plano. Entretanto, essa foi opção foi escolhida por apenas 3,2% dos questionados.

Conversamos com os coralistas e os alertamos para a grande diferença entre o primeiro desafio que vencemos e esse novo, que envolvia o estudo de uma obra que consideramos ser tecnicamente muito mais difícil do que a Sinfonia Indiana. Enfatizamos que todos precisariam ter o estudo individual dos kits em casa ou a nossa proposta de ensaio ficaria prejudicada. Mesmo com os kits de ensaio e o estudo individual em casa, para a Nona Sinfonia, em alguns ensaios coletivos, foi necessário repassar várias vezes, por naipes, certos trechos mais difíceis de cantar, para corrigir notas desafinadas, ritmos e pronúncias do texto em alemão que estavam incorretas. Mas pensamos que, sem os kits de ensaio, o aprendizado seria mais penoso e delongado.

Dividimos o estudo da sinfonia em partes e a cada semana íamos determinando a parte que mereceria o nosso preparo antecipado, mas sempre

pedindo que continuassem revendo as partes já estudadas para que não se perdessem. Assim o ensaio era sempre composto da preparação vocal e de uma parte nova, além das partes estudadas anteriormente.

A obra inteira dura pouco mais de uma hora e é dividida em quatro movimentos. O coral é inserido apenas no fim do quarto movimento e canta cerca de 16 minutos. O quarto movimento possui 940 compassos e a primeira participação do coral acontece no compasso 238. Para facilitar o estudo em casa com o kit de ensaio, nós marcamos a correspondência entre o número de compasso e a minutagem do áudio no kit de ensaio. Assim, marcava-se o trecho que deveria ser preparado em casa para o ensaio seguinte. Um dos trechos mais difíceis da nona sinfonia é a fuga que ocorre entre os compassos 655 e 729. São apenas 1 minuto e 30 segundos de música, mas que exigiram algumas horas de ensaio.

No estudo individual, alguns coralistas relataram que não estavam conseguindo estudar direito porque o trecho havia sido gravado num andamento muito rápido. A partir dessa informação orientamos quanto à utilização de algum dos aplicativos que alteram a velocidade do áudio (áudio speedchanger pro, audacity, musicspeedchanger etc.). Assim, cada um poderia controlar o andamento de acordo com seu entendimento e poderia, por exemplo, iniciar ouvindo o trecho num tempo mais lento e, nas repetições seguintes, ir acelerando até chegar no tempo correto da música.

Também ouvindo os participantes do CAINF, entendemos que seria necessário dar um foco maior na preparação vocal para a Nona Sinfonia de Beethoven. Começamos então a dedicar um tempo maior ao trabalho de técnica vocal, que passou a ser oferecido pelo professor de técnica vocal Rodrigo Soalheiros.

Esse padrão estabelecido na época acabou sendo incorporado ao nosso modelo de Ensaio Expandido do CAINF, pois gostaríamos de oferecer o máximo de oportunidades para que todos cantassem com qualidade sonora e sem comprometer fisicamente a sua voz.

Nesse trabalho, além da avaliação positiva que tivemos das próprias apresentações resultantes dos ensaios, constatamos o reconhecimento por parte de 71% dos coralistas do CAINF que, ao responderem ao Questionário Final da pesquisa (Apêndice A), disseram que aprenderam ou se desenvolveram na técnica vocal ao participar do CAINF.

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