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Fremgangsmåte

3   Metode

3.2   Fremgangsmåte

Relativamente ao estudo dos resultados dos testes de desempenho ao longo dos dias, no período da tarde, face ao descrito no gráfico 13, observa-se que o grupo da componente P parece evidenciar uma tendência crescente no desempenho cognitivo nos 3 primeiros dias (segunda, terça e quarta-feira) mas que se inverte em virtude dos resultados obtidos pelos sujeitos à quinta-feira (MP-SR= 58,6 e MP-NSR = 90,3). Relativamente ao grupo da componente TP,

este revela ligeiras variações no desempenho dos sujeitos ao longo dos dias, que atingem um valor máximo na quinta-feira (MTP-SR= 75,7 e MTP-NSR = 58,8).

0 20 40 60 80 100 120 140 P TP P TP P TP P TP P TP

Segunda Terça Quarta Quinta Sexta

Sco

re

Dia da Semana

SR (M) NSR (M)

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Gráfico 13 – Distribuição dos resultados médios do parâmetro Score ao longo dos dias da semana no período da tarde.

Será importante enfatizar que o grupo da componente P revela um desempenho cognitivo superior ao do grupo da componente TP, apesar de estar exposto a um nível sonoro mais elevado todos os dias da semana. Os resultados de desempenho do grupo da componente TP, evidenciados ao longo dos dias da semana e expressos na tabela 11, traduzem, de alguma forma, a tendência para desempenhos inferiores aos do grupo da componente P, já anteriormente verificada. Tal poderá estar relacionado com as características individuais dos sujeitos, uma vez que o desempenho cognitivo dos indivíduos do grupo da componente P já é maior do que o desempenho cognitivos dos sujeitos da componente TP antes da exposição ao ruído ocupacional nas salas de aula. Assim como poderão estar relacionados com o carácter expositivo que as aulas das disciplinas da componente TP comportam e com o facto dos sujeitos desta poderem, nesta altura do ano lectivo, estar sob pressão para o cumprimento dos programas curriculares e para a preparação dos alunos para exames nacionais. Esta hipótese já havia sido levantada na discussão dos resultados nas semanas e poderá, de algum modo, justificar o desempenho destes sujeitos ao longo dos dias.

Quando analisamos os resultados do desempenho cognitivo nos dias em função da sensibilidade ao ruído, pode-se constatar que o grupo dos sujeitos NSR revela, geralmente, um desempenho superior comparativamente ao grupo dos SR, à excepção do grupo da componente P-SR. Observa-se que nos primeiros dias da semana (segunda, terça e quarta-feira) os indivíduos NSR manifestam um ligeiro decréscimo no seu desempenho, enquanto que o grupo de sujeitos SR declara uma tendência contrária. Constata-se, então, que os sujeitos NSR revelam um melhor desempenho do que os SR ao longo dos dias, no período da tarde. Destaca-se, assim, a quinta-

0 20 40 60 80 100 120 P TP P TP P TP P TP P TP

Segunda Terça Quarta Quinta Sexta

Sco

re

Dia da Semana

SR (T) NSR (T)

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feira como o dia em que os NSR apresentam desempenhos inferiores (MP-NSR=90,3 e MTP-NSR=58,8)

e a segunda-feira para o grupo dos SR (MP-SR=61,7 e MTP-NSR=65,0. Poder-se-á assim mencionar que

talvez o ruído interfira no desempenho cognitivo dos sujeitos ao longo dos dias da semana. Também os resultados de uma investigação experimental realizada com um grupo de estudantes que efectuava 4 tarefas cognitivas sob o efeito do ruído do tráfego, registado entre os 55 dB(A) e os 75 dB(A), revelaram que a sensibilidade subjectiva ao ruído foi o principal factor responsável pelas diferenças significativas no desempenho cognitivo dos sujeitos numa tarefa que envolvia a MCP e a aritmética mental (Belojevic et al, 1992).

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Conclusão e Desenvolvimentos Futuros

Neste capítulo final da dissertação expressa-se, em forma de conclusão, algumas considerações que parecem merecer destaque pela pertinência que revelam, quando se pretende averiguar os efeitos do ruído sobre o desempenho cognitivo dos docentes, decorrentes da exposição ao ruído ocupacional nas salas de aula. Além disso, ao contrapor-se as limitações e potencialidades que surgiram no decurso deste estudo, procura-se também evidenciar a necessidade de se observar alguns dos cuidados a ter neste tipo de investigação e demonstrar que é urgente pensar e legislar sobre os efeitos do ruído em profissionais, cujo nível de pressão sonora a que estão expostos não é suficientemente elevado para causar perdas auditivas mas que poderá estar na origem de efeitos extra-auditivos, afectando, dessa forma, a saúde do indivíduo e comprometendo o seu desempenho.

Na sala de aula, o ruído não é apenas um incómodo mas pode comprometer o processo de ensino-aprendizagem, influenciando professores e alunos. Sendo a sensibilidade individual ao ruído um factor subjectivo e, tendo em consideração que os indivíduos manifestam diferentes reacções e susceptibilidades, também os professores podem reagir de maneira diferente nas mesmas condições acústicas. Aliás, segundo Zimmer & Ellermeier (1999), a sensibilidade individual ao ruído é considerada um traço de personalidade que abrange uma ampla gama de sons. A natureza complexa e multidimensional da sensibilidade ao ruído, como um atributo da personalidade, cria dificuldades na sua medição, em termos inequívocos. O próprio conceito de ruído, o humor, a motivação e outras variáveis podem influenciar a sensibilidade individual ao ruído em algumas situações específicas (Levy-Leboyer et al., 1976, citados por Belojevic & Jakovljevic, 2001). Esta pode ser aferida através de questionários padronizados, em particular, pela Weinstein’s Noise Scale (WNS), Weinstein (1978), que revelou ser confiável na previsão das reacções individuais ao ruído através de colocação de questões simples sobre a sensibilidade ao ruído (Raw & Griffiths, 1988, citados por Belojevic & Jakovljevic, 2001).

A investigação desenvolvida neste trabalho visou indagar as prováveis consequências a nível do desempenho cognitivo dos docentes, decorrentes da exposição ao ruído ocupacional nas salas de aula. Assim, tendo em conta que a sensibilidade individual ao ruído é um aspecto subjectivo, inerente a cada indivíduo e determinante de variadas reacções para com este agente físico, era fundamental classificar os sujeitos da amostra em função deste critério, na medida em que diferentes sensibilidades potenciam diferentes reacções. A sensibilidade individual ao ruído

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foi determinada através da aplicação de um questionário elaborado com base na WNS. Conjuntamente, para determinar o desempenho cognitivo dos sujeitos, os mesmos realizaram um teste de desempenho cognitivo em suporte digital (Cognitive Labs, 2008).

A amostra esteve exposta a níveis médios sonoros que se situam, normalmente, abaixo dos Valores de Acção Inferiores (80 dB(A)) uma vez que o grupo da componente P esteve exposto a um nível médio sonoro de 75,7 dB(A) e o grupo da componente TP a valores de 62,2 dB(A), ao longo das 4 semanas de implementação do estudo. No entanto, os níveis máximos obtidos foram de 84,3 e de 73,0 dB(A), para os grupos da componente P e TP, respectivamente. Por consequência, os indivíduos de ambos os grupos P e TP, na generalidade, revelaram resultados de desempenho inferiores após a exposição ao ruído ocupacional na sala de aula. Sendo que, dentro do grupo P, os sujeitos classificados como NSR revelaram melhores resultados de desempenho do que os sujeitos SR. Destaca-se o caso particular dos SR do grupo da componente P que manifestaram uma melhoria no seu desempenho após a exposição ao ruído ocupacional. Em contrapartida, no grupo da componente TP, os melhores resultados foram alcançados pelos sujeitos SR, evidenciando, apesar disso, um decréscimo no seu desempenho após a exposição ao ruído ocupacional, que se traduz numa diminuição do tempo de reacção e nas habilidades de memória.

Conclui-se, portanto, que parece existir uma forte evidência da interferência do ruído no desempenho de tarefas de índole cognitivo, no entanto, os resultados não são consistentes em todas as variáveis analisadas.

Uma vez terminado o presente trabalho, destaca-se a pertinência da realização de novos estudos e a análise da componente psicossocial da influência do ruído nos professores, para que seja possível aprofundar a percepção os efeitos da exposição sonora no desempenho cognitivo dos sujeitos e distingui-los de outros possíveis efeitos associados a este factor físico. Esta intervenção será também importante para a constituição de um conjunto de conhecimentos relevantes para a prevenção dos possíveis efeitos psicológicos, em particular ao nível do desempenho cognitivo, que possam decorrer da exposição ao ruído ocupacional. A realização de novos estudos poderá ser um factor determinante para a consciencialização e implementação de novas práticas, relativamente a estes profissionais do ensino e, fundamentalmente, à reformulação da legislação em vigor, uma vez que a mesma não contempla outros riscos para a saúde dos trabalhadores, para além dos factores de risco ligados à função auditiva.

93 Sugere-se, ainda, que seria interessante replicar este estudo, considerando outro “desenho” do mesmo. A realização dos testes de desempenho cognitivo poderia estar sujeita à supervisão do investigador e para tal, os docentes realizariam os testes de desempenho cognitivo na escola, numa sala individual a designar, antes e depois das suas actividades lectivas. Esta situação permitiria, assim, controlar algumas variáveis, evitando a exposição dos sujeitos a outras fontes de ruído, que não fossem aquelas que se pretendia analisar, ou seja, o ruído ocupacional ou outras possíveis causas de perda de concentração e atenção durante a realização do teste. Propõe-se, também, que se possa proceder a um aumento do tamanho da amostra, uma vez que poderá reduzir a variabilidade de comportamentos e com isso poder reconhecer, com mais clareza, os resultados obtidos.

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