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Segundo Godoy (2001) a técnica do brainstorming é uma das melhores técnicas para explorar o potencial criativo dos indivíduos sendo que ultimamente as melhores soluções corporativas têm sido geradas através deste dispositivo. Assim além de buscar percepções dos atores envolvidos na Certificação, esta pesquisa teve a preocupação de tentar explorar o maior número de sugestões de cada participante para traduzi-las em uma proposta de contribuição ao processo.

O tratamento, por exemplo, das questões estruturais das organizações são as que mais possibilitam viabilidade. A carência de recursos humanos da Organização de Certificação Aeronáutica pode ser minimizada com a ampliação do programa de representantes credenciados. O Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica 183 estabelece os requisitos para delegar autoridade a pessoas físicas a fim de que as mesmas atuem como Representantes Credenciados de Órgão Homologador. Esta atribuição permite que sejam executadas certas atividades técnicas em nome da Organização de Certificação Aeronáutica, tanto nas questões de validação do projeto de aeronaves quanto validar sua fabricação.

No entanto, é percebido que esta possibilidade é ainda muito restrita, sendo que a grande maioria são funcionários da empresa Embraer e são contados nos dedos os Representantes Credenciados dedicados a aeronaves experimentais e leves. A autoridade norte-americana, por exemplo, tem milhares de representantes credenciados no mundo todo, além disso, promove um programa de incentivo e capacitação para o credenciamento. Assim uma primeira oportunidade de melhoria para a Organização de Certificação Aeronáutica é a ampliar os programas de credenciamento de representantes, além de proporcionar maior autonomia a seus participantes, a exemplo do realizado pela autoridade dos Estados Unidos.

Como já exposto, a questão da Certificação Aeronáutica advém do acumulo de conhecimentos e experiências adquiridas durante anos, e mesmo que possam ter desenvolvimentos técnicos específicos e separados, em determinado momento se integrarão de forma multidisciplinar. Nesta síntese é possível deduzir então, que principal ativo da Certificação Aeronáutica é o conhecimento, que merece um tratamento dedicado.

Recentemente, foi iniciado um programa de gestão do conhecimento dentro da Superintendência de Aeronavegabilidade da ANAC, cujos primeiros frutos demonstraram-se bastante positivos. O caso “Gestão do Conhecimento para a Melhoria de Processos de Negócio” desenvolvido pela ANAC em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) se tornou um importante exemplo de reconhecimento internacional sendo escolhido como finalista do “Knowledge Management and Intellectual Excellence Awards 2016” na cidade de Belfast, Irlanda do Norte.

Assim uma grande oportunidade observada, é o desenvolvimento de um sistema de gestão deste conhecimento especifico, não somente pela Organização de Certificação Aeronáutica, ou pela indústria de grande porte, mas sim sistema global que consiga permear pelas organizações de forma a integrar e facilitar a atividade.

A questão do acompanhamento da evolução tecnológica é um ponto que pode ser bastante melhorado. Dentre as funções da ANAC, compreendendo sua Organização de Certificação Aeronáutica, está estabelecida a missão de fazer regulação e controle da atividade aérea no país. Não é entendido que a questão do desenvolvimento técnico de requisitos dos requisitos para a Certificação Aeronáutica seja um “core business” desta organização, pois depende de um corpo de engenharia dedicado e infraestrutura. No entanto, ultimamente tem-se consolidado várias instituições de pesquisa e ensino voltadas ao segmento aeronáutico que possuem um notável potencial para contribuição. Além do CTA, que é um antigo colaborador, existem Universidades e Institutos Federais e Estaduais que desenvolvem tecnologia de ponta nas mais variadas especialidades da aeronáutica. Esta competência precisa ser aproveitada de forma expressiva pelo sistema através de convênios para desenvolvimento tecnológico e científico, não só para auxiliar nas questões técnicas, mas também para capacitar os sujeitos envolvidos no processo.

As instituições de pesquisa mencionadas acima e a indústria nacional precisam ser cada vez mais aproximadas. De acordo a política minimalista de desenvolvimento científico e tecnológico no país, o cenário observado é de que o financiamento para os desenvolvimentos científicos futuros irão depender em muito de parcerias com o setor privado para financiamento. Esta aproximação seria uma grande oportunidade, por exemplo, para alavancar a questão da escassez de laboratórios especializados para

ensaios aeronáuticos. Hoje além dos laboratórios do CTA, o site institucional da ANAC indica que são reconhecidos apenas 6 (seis) laboratórios especializados para determinado ensaio e todos eles situados dentro de empresas que limitam sua utilização, ao passo que a viabilização do reconhecimento dos laboratórios das instituições de ensino e pesquisa proporcionariam uma abrangência maior de participantes, e o que é mais importante, fomentaria o desenvolvimento científico e tecnológico do segmento.

O diagnóstico exposto pela Organização de Certificação Aeronáutica referente aos “expertises” específicos que são desenvolvidos pela indústria de pequeno porte, permite a vislumbrar uma oportunidade. Se existe a escassez de recursos financeiros e subsídios governamentais, mas havendo capacidades complementares, uma possível alternativa para a questão da Certificação nas pequenas indústrias poderia ser possibilidade de criar um modelo de colaboração autônoma organizada entre estas pequenas empresas, onde seriam aproveitados os seus melhores conhecimentos para compartilhamento e desenvolvimento de seus produtos em particular, sendo um modelo distinto de cooperativa ou redes de colaboração.

Ainda existe a possibilidade que trataria o problema de forma holística. A sociedade precisa se organizar para fazer valer os conteúdos daEstratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que em relação ao setor aeronáutico, objetiva promover sua capacidade para utilizar os recursos e técnicas aeroespaciais na solução de problemas nacionais e em benefício da sociedade brasileira, bem como fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e sistemas militares e civis que compatibilizem as prioridades científico-tecnológicas (BRASIL, 2016). Neste ponto faz-se a necessidade de organizar o segmento aeronáutico para demonstrar sua relevância socioeconômica e pressionar as instituições governamentais a desenvolver políticas públicas de auxílio ao setor.