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Frankfurterskolen: en ideologikritisk tilnærming

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3.1 Plassering i det medievitenskapelige forskningsfeltet

3.1.2 Frankfurterskolen: en ideologikritisk tilnærming

António tem 59 anos de idade e é arrumador de carros na cidade de Leiria há cerca de 14 anos. É natural do Barreiro, onde ainda vive a sua família com quem não contacta há muitos anos. Não esquece as amizades que fez durante a sua juventude nem as suas raízes mas não mantém contacto com ninguém. Os seus pais já faleceram, o pai por problemas relacionados com álcool. Tem um filho, toxicodependente, que vive no Laranjeiro, com quem não mantém contacto regular. Não terminou a 4.ª classe por ter sido expulso da escola por ser considerado uma criança violenta. Fugiu de casa com 14 anos para rumar a Espanha com um amigo à procura de trabalho. Vários foram os trabalhos que teve durante a sua juventude e idade adulta, mas nunca nenhum foi certo, lhe trouxe estabilidade ou lhe suscitou vontade de ficar. Nunca teve um local que considerasse a sua casa. Considera-se um caracol, sempre “com a casa às costas”. Hoje, como sempre, trabalha para sobreviver, já que o RSI não é suficiente para colmatar todas as despesas mensais.

Nome Nacionalidade/

Naturalidade Idade Estado Civil

Escolaridade Ocupação Motivos Rutura

Adições

António

Portuguesa

(Barreiro)

59 anos Solteiro 4.º ano Arrumador

de carros Familiares Álcool Tabaco Haxixe (esporádico) Eliseu Portuguesa (Entroncamento)

39 anos Solteiro 5.º ano Pensionista

por invalidez Familiares

Tabaco Haxixe (esporádico) Fonseca Portuguesa (Leiria)

49 anos Solteiro 9.º ano Pensionista por invalidez Amorosas/ Familiares Não tem (ex-alcoólico) Maria Portuguesa (Algarve)

43 anos Solteira Não sabe ler nem escrever Trabalhadora do sexo Familiares Amorosas Violência Tabaco Antidepressivos

61 Não aspira por mais. Limita-se a viver o dia-a-dia e a ganhar para as despesas e para os vícios, sobrevivendo. Justifica a ausência de projetos com a idade e a falta de condições económicas.

ELISEU

Eliseu tem, 39 anos de idade, é ex sem-abrigo (no Entroncamento e em Leiria). Aos 4 anos foi colocado na Casa do Gaito de Paço de Sousa onde permaneceu até aos 14 anos. Por se sentir oprimido e sem liberdade, fugiu assim que perfez os 14 anos. Durante o tempo em que esteve na casa do gaiato a única visita constante era a da sua avó, não se recorda de a sua mãe o ter ido visitar.

Aos 14 anos foge para o Entroncamento à procura da liberdade e do carinho familiar que esperou durante 10 anos. Chegado à sua terra natal preferiu ficar em casa da sua avó. Estudou em Torres Novas e no Entroncamento onde não concluiu o 6.º ano. Foi, entretanto, objeto de uma intervenção cirúrgica dados os problemas de saúde que lhe haviam sido previamente diagnosticados. Durante sua longa recuperação a sua avó viria a falecer e ele estaria destinado à casa da sua mãe. Para morar com ela, sua mãe exigiu- lhe o pagamento de uma renda mensal que era uma boa parte da pensão de invalidez que Eliseu recebia (graças à avó que tratou da documentação). Revoltado com a situação e com a falta de carinho, decide sair de casa e, sem mais, ir viver para a rua.

Andou ‘um bocado perdido’. Para procurar uma nova vida decide vir para Leiria. Chegado a Leiria e sem casa vê-se de novo destinado a viver na rua até encontrar um quarto. Neste momento, já tem um quarto, vive com mais 3 colegas e encontra-se a realizar um curso de formação profissional de jardinagem e de equivalência ao 9.º ano. Pretende terminar o curso, conhecer uma rapariga, namorar, constituir família, ter uma casa e um filho. Os seus objetivos estão bem presentes na sua cabeça e trabalha diariamente para os alcançar procurando esquecer o passado.

FONSECA

Fonseca tem 49 anos e 22 patologias diagnosticadas e, entre elas, o VIH. Natural de Leiria estudou até à 4.ª classe. Começou a trabalhar para ajudar a família. Aos 16 rumou a Lisboa em busca de uma paixão que teria conhecido num Verão passado na Costa da Caparica: Joel, um médico que exercia funções na Clínica Z. Chegado a Lisboa, foi estudar para o colégio Y onde se apercebeu de que havia muita homossexualidade e poucos cuidados com a transmissão de vírus. Ele próprio não havia tido cuidado com tal

62 situação. Depois de ter trabalhado na indústria do mobiliário, Fonseca conseguiu uma vaga na Clínica Z, onde Joel trabalhava para exercer funções de manutenção. Trabalhou lá 18 anos. Um dia suspeitou de que podia ter contraído VIH e solicitou o teste. Tendo verificado o resultado positivo confrontou o companheiro (viviam juntos). A resposta não foi agradável e levou à rutura da relação. Após uns anos de boémia em Lisboa e trabalho em ‘biscates’, Fonseca retorna a Leiria, a casa da mãe. É ai que se encontra hoje. Vive da sua reforma por invalidez e do complemento por apoio a 3.ª pessoa. Pretende viver com a mãe até morrer e apenas coloca a hipótese de ter um companheiro caso ele tenha a mesma doença. O seu sonho é colocar de pé um projeto de uma máquina que filtra o sangue e evita a toma de tantos medicamentos antirretrovirais em funcionamento. Gostava de viver num mundo sem preconceito, onde não se sentisse discriminado.

MARIA

Maria tem 43 anos, vive em Leiria e é trabalhadora do sexo. Natural do Algarve cedo fugiu com o seu amor em virtude dos maus tratos que sofria em casa dos pais. Não lhe foi dada a possibilidade de aprender a ler nem a escrever pelo que ainda hoje, Maria apenas sabe assinar o seu nome. Viveu com o seu ex-companheiro, de quem teve um filho Miguel, na Guarda com os familiares deste onde viria a ser mais uma vez vítima de violência física e psicológica.

Segundo Maria, foi o ex-companheiro que a dotou à rua para que ela ganhasse para a casa. Foi trabalhadora do sexo em Lisboa, Coimbra, Espanha e Leiria, pelo que já anda

‘na vida’ há muito tempo. Durante um período de tempo, Maria prostituía-se numa

carrinha, adaptada e decorada para o efeito atendendo às condições de higiene.

Maria viria a engravidar do segundo filho, mas não do seu ex-companheiro e por isso cada vez mais rejeitada e objeto de violência da parte deste. Foi ‘obrigada’ pelo ex- companheiro a assinar a documentação para a adoção do 2.º filho e como não aguentou tanta violência, fugiu. O ex-companheiro foi preso e neste momento ainda se encontra no estabelecimento prisional. Maria vive sem condições, num quarto que arrendou onde tem restrições de visitas e de uso de eletricidade e atormentada por ter o seu filho numa casa do Gaito na Guarda e apenas o poder ir visitar de vez em quando. O seu maior sonho era poder viver com ele numa casa onde pudessem estar os dois, mas tem consciência de que nas suas condições é impossível que lhe deixem receber o filho.

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Q

UEM ERA

,

QUEM SOU

,

QUEM SEREI

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