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Kapittel 2 Teori

2.2 Franchise

De acordo com Minayo (2002, p. 21-22), a metodologia é “um caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade”. Nesse sentido, refleti sobre a natureza do meu objeto de pesquisa e sobre qual seria o melhor caminho a ser trilhado na pesquisa, cujo objetivo geral foi analisar a relação de crianças do último ano da EI com a aprendizagem da escrita, considerando os móbeis e os sentidos que configuram essa relação. Pensei nas crianças como sujeitos da pesquisa, na realidade em que estavam inseridas e percebi que a pesquisa numa abordagem qualitativa foi a que me forneceu melhores subsídios para o percurso seguido no processo de busca para atingir o objetivo geral almejado.

De acordo com Minayo (2002, p. 21-22),

a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

A autora acrescenta ainda que “a abordagem qualitativa se aprofunda no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas” (MINAYO, 2002, p. 22). Em razão disso, refleti que a presente investigação se inseriu no contexto dessas ações e relações humanas citadas pela

autora, já que o objeto que foi pesquisado se encontrava em um meio escolar, permeado por ricas interações e conflitos.

Acrescentei, nessa direção, as ideias de Bogdan e Biklen (1994, p. 16), que fortaleceram minhas escolhas, já que, para esses autores,

as experiências educacionais de pessoas de todas as idades (bem como todo o tipo de materiais que contribuam para aumentar o nosso conhecimento relativo a essas experiências), tanto em contexto escolar como exteriores à escola, podem constituir objecto de estudo. A investigação qualitativa em educação assume muitas formas e é conduzida em múltiplos contextos.

Ainda segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 47-50), a investigação qualitativa apresenta cinco características específicas:

1- Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural, constituindo o investigador o instrumento principal […];

2- Investigação qualitativa é descritiva. Os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números […];

3- Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que simplesmente pelos resultados ou produtos […];

4- Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. Não recolhem dados ou provas com o objetivo de confirmar ou infirmar hipóteses construídas previamente […];

5- O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. Os investigadores que fazem uso desse tipo de abordagem estão interessados no modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas […].

Penso que os objetivos traçados para a presente pesquisa, bem como seu objeto de estudo e seus sujeitos, foram bem apropriados a esse modelo de investigação, visto que pretendi seguir fielmente esse conjunto de características mencionadas por Bogdan e Biklen (1994).

Ainda sobre a pesquisa qualitativa, esses autores afirmam que, no campo da educação,

a investigação qualitativa é frequentemente designada por naturalista, porque o investigador frequenta os locais em que naturalmente se verificam os fenômenos nos quais está interessado, incidindo os dados recolhidos nos comportamentos naturais das pessoas: conversar, visitar, observar, comer, etc. […]. A expressão etnográfica é igualmente aplicada a este tipo de abordagem. Enquanto que alguns autores a utilizam num sentido formal, para se referirem a uma categoria particular de investigação qualitativa, aquela a que a maioria dos antropólogos se dedica e que tem como objectivo a descrição da cultura, ela também é utilizada de forma mais genérica - algumas vezes como sinónimo - da investigação qualitativa tal como a estamos a descrever (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 17).

Dessa forma, então, considerando que este estudo se deu no contexto educacional, vi que a pesquisa qualitativa de cunho etnográfico me possibilitou, como pesquisadora, ferramentas para analisar melhor, em situações concretas, a escuta das crianças. Dessa escuta, atenta e respeitosa, busquei compreender as formas de elas se relacionarem com o processo de apropriação do saber escrever, de construírem sentidos para o que vivenciam e de se perceberem na sua relação com o saber escrever no espaço escolar.

Em outros termos, é no universo dos significados que as crianças constroem, nesse espaço de interações e conflitos, que busquei a compreensão para os sentidos que elas atribuem à aprendizagem da escrita. Procurei, assim, a contribuição da Etnografia para enriquecer meu olhar no campo da pesquisa, pois, também acreditei ser necessário enriquecer com traços etnográficos a pesquisa qualitativa que pretendi realizar. Nesse sentido, os traços etnográficos da pesquisa estiveram localizados na imersão que fiz no mundo das relações que as crianças participantes desse estudo mostraram estabelecer com a escrita, juntamente com seus pares e que, por serem construídos histórica e culturalmente, não poderiam ser analisadas por métodos de investigações matemáticos.

Acrescento ainda que o respectivo tipo de pesquisa também tornou viável a mim, como pesquisadora aprendiz, constituir-me, enquanto tal, na relação com o saber pesquisar, com os sujeitos e com o objeto de estudo. Isso se justifica pelo fato de que, segundo Charlot (2000), o sujeito é um ser singular, que age no e com o mundo e que se constitui na relação do eu consigo e com o outro no contexto social. Isso me fez refletir sobre o pensamento de Dieb (2007, p. 73), em sua tese, quando diz que

levar em consideração todas essas características da pesquisa qualitativa [o fez] convicto de que ao pesquisador, ou ao aprendiz dessa atividade, cabe reconhecer os efeitos que sua prática produz em relação às realidades humanas e sociais, e que é, realmente necessário pensar em relação com o saber.

Nessa perspectiva, ao desenvolver essa pesquisa, meus passos de aprendiz de pesquisadora seguiram na direção da reflexão de Dieb (2007) sobre o que é ser um sujeito- pesquisador, bem como as reflexões de Freitas (2002, p. 29), para quem o pesquisador

não é um ser humano genérico, mas um ser social, [que] faz parte da investigação e leva para ela tudo aquilo que o constituiu como um ser concreto em diálogo com o mundo em que vive. Suas análises interpretativas são feitas a partir do lugar sócio- histórico no qual se situa e dependem de relações intersubjetivas que estabelece com os [outros] sujeitos. É nesse sentido que se pode dizer que o pesquisador é um dos principais instrumentos da pesquisa, porque se insere nela e a análise que faz depende de sua situação pessoal-social.

Pretendi ainda, nessa direção, para enriquecer meu olhar no campo de investigação, reportar-me às ideias de Charlot (2000) acerca do fato de que os sujeitos se constituem na relação com o saber, por se encontrarem inseridos em um contexto rico de relações socioculturais e históricas. Essas reflexões também me levaram, portanto, à escolha de alguns recursos da etnografia para subsidiar o percurso dessa pesquisa.

Assim sendo, com a pesquisa qualitativa alinhada aos traços etnográficos, acreditei na possibilidade de, no contato com as crianças e com outros sujeitos pertencentes ao contexto escolar, poder aprender, principalmente com elas, as crianças, sobre sua relação com o saber escrever. Ao mesmo tempo, desejei aprofundar meu olhar investigativo e perceber-me aprendendo mais ainda sobre como fazer pesquisa no campo da Educação. Com essa intenção é que, a seguir, apresentarei, primeiramente, a forma criteriosa de escolha do local e dos sujeitos dessa pesquisa para, mais adiante, descrever o perfil de cada uma das crianças de forma mais detalhada.