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Framstilling av vekter

7. Vekter

7.3. Framstilling av vekter

etc (Moskito, 2005: em anexo).

O samba-rock traz uma história que ainda não foi contada: a história dos dançarinos anônimos da cidade de São Paulo, que criaram uma nova dança ignorada pelos meios de comunicação (jornais, rádio, tevê e revistas) por quase quatro décadas.

Para compreender a dança como um relato de hibridações, será preciso considerar que as informações do ambiente se transformam em corpo e que esse corpo também atua no ambiente. Uma via de mão dupla. Ao se trabalhar com processos de transformação das informações pelo corpo e pelo ambiente, sempre simultaneamente e em mão dupla, é possível dar à dança de salão um modo de explicação que não separa o conceito de natureza do conceito de cultura. Torna-se possível apresentá-los formando uma parceria co– dependente. Esse é o princípio que norteia a presente dissertação.

O organismo e o ambiente não são realmente determinados de maneira separada. O ambiente não é uma estrutura imposta do exterior aos seres vivos, mas, de fato, uma criação co-evolutiva35

com eles. O ambiente não é um processo autônomo, mas uma reflexão da biologia das espécies. Assim como não há organismo sem ambiente, dificilmente há ambiente sem nenhum organismo. O ponto chave é que os seres vivos e seus ambientes se situam em relação, uns com os outros, através de suas especificações mútuas ou de uma relação de co-determinação. As regularidades ambientais são resultado de uma história conjunta, de uma harmonia que nasce desta história co-evolutiva. Assim o organismo é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da evolução (Greiner, 2005: 44).

2.4 Aula de Samba-Rock

35 Coevolução é um conceito que vem da Biologia. Segundo Dawkins (2000), a coevolução é um termo

normalmente usado para indicar uma evolução mútua em diferentes espécies. Um exemplo está entre as flores e os insetos que dentro do processo de polinização coevoluem. Ou também: a corrida de alta velocidade de um predador coevolui com acorrida de alta velocidade de sua presa.

O Samba-rock é a dança de salão da cidade de São Paulo, assim como o tango é a de Buenos Aires, e a gafieira é a do Rio de Janeiro. Estas danças surgiram junto com sua cidade e formam uma rede de relações em que a história das danças se intercombinam com a história da cidade. São danças que, em seu início, se aprendiam pela informalidade. A aprendizagem de seus passos via professor aconteceu depois de seu estabelecimento como dança de salão.

Foi na cidade de São Paulo que o samba-rock surgiu, teve, e ainda tem, um jeito de ser aprendido adequado perfeitamente à expressão “é passado de pai para filho”. É um aprender que se relaciona com o cotidiano, com o viver, com um modo de se situar culturalmente no seu entorno. Antes era exclusivamente aprendido de maneira informal, no quintal, na sala da casa, nas festas familiares e, também, nos bailes. Aprendia-se com a tia, com a mãe, com o pai, com o vizinho, enfim, não havia professores de samba-rock, tampouco escolas.

(...) Como eu já disse, nos anos 70 o samba-rock era muito mais restrito. A partir do final dos anos 90, mais ou menos, até os dias atuais, o samba-rock foi divulgado para um outro tipo de público. (...) hoje as pessoas de faculdade, os intelectuais, o ‘cara que tem grana’, o empresário, enfim, todo mundo está dançando samba- rock. Todo mundo indo para as escolas de dança para aprender a dançar. Há cinco anos, não se via uma escola com propaganda do tipo: aulas de samba-rock. Atualmente, todas a escolas de dança têm aulas de samba-rock. Desenvolveram-se professores para essa dança (Hits, 2005: em anexo).

A década de 90 foi marcada pela proliferação de escolas de danças de salão, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entre as danças tradicionalmente ensinadas nestas escolas o samba-rock não era incluído. Nelas aprendia-se bolero, samba de gafieirra, tango e salsa. Hoje, há inúmeras escolas de dança de salão, em São Paulo, que incluíram o samba-rock em sua

oferta de aulas. Ele entrou, de forma mais intensa, para o mercado de escolas de dança, bem recentemente, no ano 2000. Mas, já em1995, havia pessoas como o professor Moskito, que iniciavam suas carreiras como professores de samba-rock.

Minha carreira como professor começou por acaso, em 1995. Nessa época, o samba-rock não era tão dançado como hoje. Dançava-se bastante o pagode. Eu comecei a aprender o pagode com um amigo que não era professor, mas estava iniciando este trabalho a convite de outros amigos, pois se tratava de um exímio dançarino de pagode. No meio dessa aula tinha um intervalo, e eu sempre dançava sem compromisso um pouco de samba-rock com as meninas. Isso começou a virar um hábito no intervalo,e foi minha primeira experiência como professor. Depois de algum tempo acabei formando uma turma de samba rock e passei a dar aulas. O primeiro lugar onde dei aulas foi numa choperia, em Osasco.

No primeiro dia de aula, havia por volta de cinqüenta pessoas. Foi um sucesso. Depois deste lugar, passei a dar aulas numa academia de ginástica. Foi nessa época que desisti do emprego de ajudante de caminhoneiro e passei a me dedicar ao ensino do samba-rock (Moskito, 2005: em anexo).

As aulas de samba-rock ministradas pelo professor Moskito são sistematizadas e obedecem a um método de ensino próprio. Segundo ele, seu método modifica um pouco o jeito do homem dançar. Isto acontece no início da aprendizagem, com o objetivo de fazer o aprendiz entender melhor as combinações dos passos. Moskito diz que se trata de uma maneira eficiente de se aprender a dançar e, assim, propõe que o o homem marque sincronizadamente os quatro passos laterais juntamente com a mulher. No samba-rock tradicional estes passos são realizados repetidamente somente pelas mulheres.

A base de passos para se dançar o samba-rock obedece ao tempo quaternário da música. Essa base de passos é feita pela mulher, que se desloca lateralmente, abrindo e unindo as pernas em quatro tempos. O homem não marca esta base da mesma maneira que a mulher. Ele acompanha a mulher, geralmente mais lentamente, sem

se deslocar lateralmente.Os braços do casal estão sempre sincronizados, mas as pernas não.

O samba-rock ensinado atualmente não obedece rigorosamente a essa maneira de dançar. Por questões didáticas, eu introduzi nas aulas o que eu chamo de base. Nela, ambos fa zem o deslocamento lateral em quatro tempos. No final, fica quase a mesma coisa, mas para iniciantes é preciso aprender essa base (Moskito, 2005: em anexo)

A atual procura do samba-rock por pessoas que querem aprender a dançar a dois abre mais uma oportunidade para mantê-lo no universo da cultura, deixando-o mais ascessível ao público. Conhecer o samba-rock é uma forma de conhecer São Paulo por um outro viés. É uma história que fala do não-conhecido, do não-oficial e que, justamente por isso, representa um traço cultural da cultura paulistana.

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