1 Introduction
1.1 Framing the study
Em Santa Cruz foram analisados poços e afloramentos na Fazenda Santa Rita e na Fazenda Inharé.
8.3.2.1- FAZENDA SANTA RITA
Um conjunto de cinco poços foram estudados na Fazenda Santa Rita (Figura 8.12), dos quais dois estão em operação, dois foram desativados e um quinto poço é seco. A área está situada em um domínio litológico de ortognaisses, por vezes com bandas de anfibolito e intrusões de granitos e pegmatitos, na forma de diques e veios.
Figura 8.12 – Visão geral do local onde foram perfurados os poços na Fazenda Santa Rita, Santa
Cruz-RN.
A interpretação das fotografias aéreas levou a inferir um lineamento ENE associado à drenagem, onde foram perfurados os poços, também observados nas fotografias aéreas tratadas com filtros (Figuras 8.13a e 8.13b). Aqui também foi utilizado
o conceito de Riacho-Fenda, sendo o trecho retilíneo da drenagem associado a uma zona de fraturas (Figura 8.14a).
Em campo (Figura 8.14b), não foram identificadas, fraturas com direção ENE, que correspondessem à direção do riacho em cujas imediações foram perfurados os poços. As fraturas ocorrem em pequena quantidade nos afloramentos, e apresentam direções predominantemente NW, havendo algumas poucas fraturas NNE. O plano da foliação principal das rochas, no local, está orientado na direção ENE, apresentando mergulho em torno de 450 para Sul. Neste caso, a direção ENE do riacho está relacionada com a direção da foliação da rocha no local. Observa-se que o intemperismo atua “abrindo” os planos das foliações.
Dados geofísicos na região (Silva 2000) não comprovam a presença de fraturamento na mesma direção do riacho. Em conjunto com os dados de campo, é delineada uma estrutura tipo calha (Figura 8.15), com uma considerável quantidade de aluvião + regolito.
Neste caso, a irregularidade entre poços secos e desativados, e poços produtivos, pode estar relacionada com a quantidade de aluvião e rocha alterada, que servem como área de recarga. Assim, os poços produtivos estariam localizados em locais onde o intemperismo atua na foliação, abrindo essa estrutura, aumentando a porosidade e permeabilidade da rocha e, conseqüentemente, permitindo o acúmulo de água.
Uma visão aérea com mais detalhe dessa estrutura tipo calha é mostrada na Figura 8.16.
Santa Cruz Fazenda Santa Rita 50° 45° Riacho Poç o desativado Poç o produtivo Poç o seco Fratura Foliação Açude S.Cruz NATAL
RN
(a) (b)Figura 8.14 - (a) Mapa de fotolineamentos da região de Santa Cruz; (b) Desenho esquemático
dos afloramentos com indicação da foliação da rocha e direção do fraturamento e sua relação com a direção do riacho na área.
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Figura 8.15 - Desenho esquemático do modelo Calha Elúvio-Aluvionar. Modificado de Silva
(2000). Observa-se que a boa produtividade dos poços irá depender do intemperismo atuante nos planos de foliação, mais a quantidade de aluvião e do regolito.
Figura 8.16 – Fotografia aérea de pequeno formato (tirada a uma altura média de 300 m) da
Fazenda Santa Rita, Santa Cruz-RN, obtida em 1993 pelo Geólogo Elmo M. Figueiredo, responsável pelas locações dos poços. Pode-se observar a estrutura tipo calha, com direção ENE, local onde foram perfurados os poços.
solo Aluvião Poço Produtivo Poço Seco LEGENDA Regolito Substrato Cristalino + +
N
S
8.3.2.2- FAZENDA SANTA INHARÉ
Na Fazenda Inharé (Figura 8.17) foram estudados três poços, sendo dois produtivos e um seco. A área está situada num domínio litológico de ortognaisses, com intrusões de granito.
Figura 8.17 – Visão geral do local onde foram perfurados os poços. Observar um dos poços
produtivos da Fazenda Inharé em Santa Cruz-RN, localizado na interseção das drenagens com direções NE e NNW.
A interpretação das fotografias aéreas levou a inferir lineamentos com direções ENE, NE e N-S, nas proximidades dos poços perfurados, também observados nas fotografias aéreas tratadas com filtros (ver Figuras 8.13a e 8.13b). Aqui também foi utilizado o conceito de Riacho-Fenda, sendo o trecho retilíneo N-S da drenagem associado a uma zona de fraturas (Figura 8.18a).
Em campo (Figura 8.18b), observa-se que a drenagem possui direção próxima a N-S, mudando seu curso para ENE e novamente mudando para NNW.
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Figura 8.18 – (a) Mapa de fotolineamentos da região de Santa Cruz; (b) Desenho
esquemático dos afloramentos com indicação da foliação da rocha e direção do fraturamento, e sua relação com a direção do riacho na área.
Não foram identificadas fraturas com direção ENE, que correspondessem à direção do riacho onde foi perfurado o poço seco. As fraturas ocorrem com direções predominantemente N-S, NNW e NNE. O plano da foliação principal das rochas, no local, está orientado na direção ENE a NE, apresentando mergulho em torno de 450 para Sudeste. Neste caso, a direção ENE do riacho está relacionada com a direção da foliação da rocha no local. Neste caso, o intemperismo não está muito atuante “abrindo” os planos de foliações da rocha, conseqüentemente não estaria bem desenvolvida uma calha elúvio-aluvionar, já que a quantidade de aluvião mais o intemperismo atuante nos planos de foliações não seriam suficientes para o desenvolvimento desta estrutura. O poço seco foi perfurado explorando a possibilidade de interseção de fraturas N-S observadas em campo, com a direção da drenagem ENE. O resultado pode estar relacionado à tendência de fraturas N-S terem um comportamento de fraturas fechadas, conforme previsto a partir do campo de tensões atual, aliados a uma estrutura do tipo calha elúvio-aluvionar pouco desenvolvida na drenagem ENE, que se acreditava tratar de um riacho–fenda. Outra possibilidade é a de que as fraturas N-S observadas em superfície, não têm continuidade na vertical, em subsuperfície (Figura 8.19).
Figura 8.19 – Observar fraturas N-S em superfície, porém não possuem continuidade na
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Um dos poços produtivos foi locado próximo a uma zona de falha de direção NNW, onde se pode observar, em campo, o granito bastante cataclasado (Figura 8.20), com fraturas em todas as direções. O outro poço produtivo está locado numa região onde o gnaisse está bastante intemperizado, podendo se tratar de uma região com bolsões de intemperismo, onde a porosidade aumentaria à medida em que o intemperismo foi mais intenso. Em adição, este poço pode estar interceptando a falha em profundidade, já que a mesma mergulha para NE.
Figura 8.20 – Granito cataclasado, próximo ao poço produtivo na Fazenda Inharé, Santa Cruz-
RN. Observam-se fraturas em várias direções.