• No results found

6. VURDERING AV SAMSVAR ELLER BRUKSEGNETHET

6.1. Samtrafikkomponenter

6.2.2. Framgangsmåter for samsvarsvurdering (moduler)

Cumpre inicialmente destacar que esta pesquisa de campo não é representativa do ponto de vista da totalidade do país ou da região, pois trata-se apenas de um estudo de caso específico, que objetivou verificar empiricamente a aplicabilidade dos indicadores de déficit habitacional e inadequação de domicílios em uma situação real.

Ao utilizar a hierarquização dos componentes na aplicação da metodologia, percebeu-se que devido à sobreposição de necessidades habitacionais em um mesmo domicílio, algumas informações importantes foram negligenciadas, como por exemplo, um dos domicílios analisados ser considerado déficit por ter coabitação familiar. Caso seja solucionada sua necessidade habitacional com a produção de uma nova unidade, o grupo familiar que ficará na atual moradia ainda terá carência no abastecimento de água, esgotamento sanitário, ausência de banheiro e inadequação fundiária. Logo, o atendimento à necessidade habitacional dessa família não será completo, visto que será solucionada a situação de déficit, mas serão mantidas diversas outras situações de inadequação.

Ao analisar os aspectos quantitativos e qualitativos durante as vistorias, verificou-se que os aspectos ligados à infraestrutura urbana como rede de abastecimento de água e esgoto apresentam um percentual pequeno de carências. Apenas a inadequação fundiária foi detectada em todas as moradias vistoriadas, visto que o bairro estudado detém tal condição. Pode-se constatar que a infraestrutura urbana do assentamento é satisfatória, considerando que mais de 90% dos imóveis vistoriados possuem serviços de água e esgoto, uma exceção no Brasil e principalmente no Nordeste, que apresenta baixos índices de esgotamento sanitário.

109 Referente à quantidade de cômodos, os dados levantados demonstram que algumas moradias apresentam carências básicas, como a disponibilidade mínima de espaços para a realização de atividades essenciais da habitação, entre elas, repousar e fazer a higiene pessoal. Segundo a NBR 15575-1 (ABNT, 2013a), para uma funcionalidade adequada da moradia, recomenda-se dimensões compatíveis com as necessidades humanas, considerando o mobiliário e as circulações mínimos, incluindo as seguintes atividades essenciais: dormir, estar, cozinhar, alimentar, fazer higiene pessoal, lavar e secar roupas, estudar e ler.

As carências observadas acerca da iluminação e ventilação dos imóveis não atendem satisfatoriamente a renovação higiênica do ar e iluminação mínima, comprometendo assim a qualidade ambiental interna da edificação. Segundo a NBR 15575-4 (ABNT, 2013b), para o município de Caruaru, a abertura para ventilação deve ser igual ou maior a 8% da área do piso, requisito pouco utilizado nas moradias autoconstruídas de baixa renda.

Com relação à estrutura do imóvel e da cobertura, no levantamento foi identificado que as moradias eram predominantemente boas e estáveis, entretanto com base nas vistorias in loco infere-se que diversos domicílios apresentaram problemas projetuais e construtivos. É importante ressaltar que essa pergunta era um critério de exclusão do processo seletivo das famílias, por entender que estruturas com risco ou precárias necessitam de reconstrução e não de reforma. Por essa razão, é importante averiguar se não houve uma tendência dos vistoriadores em assinalar os itens que não excluíam os interessados à obtenção do subsídio.

A quantidade de casas com laje sem cobertura ou impermeabilização sugere que muitas famílias não se preocupam com a umidade – talvez, por conta do baixo índice pluviométrico anual da cidade que é de 551 milímetros (mm) (ZANONI et al., 2018). Existe uma predominância de paredes internas rebocadas ao invés das paredes externas, o que sugere que as famílias se preocupam mais com o conforto visual e tátil no interior da edificação do que com as condições de exposição das fachadas às águas de chuva.

A predominância do piso cimentado, que é barato e de fácil execução, pode ser explicada como uma solução para amenizar problemas de poeira e sujeira, funcionando como uma etapa intermediária para posterior execução do piso cerâmico. A ausência do revestimento nos banheiros acarreta uma alta taxa de mofo e fungos. Foi detectado problemas de umidade ascendente e de infiltração (ZANONI, 2015), principalmente nos quartos, salas e banheiros. Este fato pode corroborar a presença de doenças respiratórias. O mofo é um problema grave

110 porque sua taxa de crescimento tem sido associada a várias doenças, em especial às respiratórias como bronquite, pneumonia, entre outras (PATINO; SIEGEL, 2018).

Com relação ao funcionamento das instalações hidrossanitárias, apesar de ter um resultado satisfatório na análise quantitativa, quando analisado sob o viés qualitativo, constata-se que a presença de determinado equipamento (por exemplo, o vaso sanitário) não caracteriza o seu bom funcionamento. Esse fato também ocorreu na análise das instalações elétricas e cobertura, pois as moradias possuíam luminárias, tomadas e telhado, mas que não funcionavam adequadamente.

A análise do viés quantitativo não conseguiu caracterizar completamente o fenômeno. Foi necessário compará-lo aos aspectos qualitativos para melhor interpretação dos dados. Tratou- se de uma análise limitada das carências habitacionais, visto que o estudo de caso contemplou apenas a situação de um bairro específico, revelando, todavia, uma multiplicidade de deficiências muito comuns nos domicílios brasileiros, ocasionadas principalmente pelo baixo poder aquisitivo das famílias e pela falta de acompanhamento de profissionais especializados para construção e reforma das moradias.

As precariedades habitacionais observadas são de difícil mensuração por meio de questões objetivas e quantitativas. As moradias autoconstruídas predominantemente apresentam etapas construtivas não concluídas, onde as famílias autoconstroem o mínimo para morarem e, com o passar do tempo e aumento dos recursos financeiros, vão melhorando suas moradias.

Entende-se, após análise e discussão dos dados coletados, que é necessário o aperfeiçoamento dos indicadores sobre inadequação domiciliar, pois muitas vezes as informações quantitativas não conseguem revelar a real situação de uma moradia. Entretanto, é preciso entender que análises qualitativas podem ser bastante subjetivas, pois acabam refletindo a percepção dos vistoriadores que nem sempre é imparcial. Deve-se buscar um equilíbrio entre as informações quantitativas e qualitativas, de forma a detectar as reais carências habitacionais. Os resultados obtidos reafirmam as fragilidades na obtenção, formulação e implementação dos indicadores habitacionais.

111