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Os diferentes autores apontam como consequências para o desenvolvimento do

burnout duas principais dimensões, nomeadamente a nível pessoal e a nível organizacional.

Na primeira identificam consequências do foro físico, psicológico e relacional. Enquanto, a nível organizacional, salientam consequências que variam desde a baixa produtividade ao

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abandono profissional. A síndrome de Burnout provoca uma diminuição da produtividade, desempenho no trabalho, absentismo e problemas relacionais, entre outros.

A síndrome é, muitas vezes, acompanhada de sentimentos penosos. Primeiro, há uma “perda de vitalidade” e “sensação de desalento”. Depois pode aparecer a “indiferença”, o “tédio”, o “cinismo”, a “desorientação” e a “desconcentração”. Instala-se, também a “impaciência” e “incapacidade” para realizar tarefas, bem como a “irritabilidade” como consequência. Contudo, há pessoas que têm sentimentos de “omnipotência”, com uma consequente “deficiência da personalidade”. Outras demonstram sinais através de “perturbações” ou “doenças físicas”, “tensão” ou “sentimento de vazio interior”. Há, assim, vários sintomas que podem aparecer, físicos, emocionais ou mentais (Delbrouck, 2006, p.44).

Relativamente aos sintomas físicos, destacam-se como principais os seguintes: fadiga, alterações no sono, como insónia, alterações no apetite, dores de costas, falta de energia, hipertensão, perturbações digestivas, úlceras, enxaquecas, náuseas, desequilíbrios hormonais, contracções musculares (Delbrouck, 2006; Schaufeli, 1990 cit. por Cardoso, 1999). Neste sentido, para além dos sintomas de natureza física, existem também problemas de natureza comportamental e emocional. Tal como refere Schaufeli (1990, cit. por Cardoso, 1999) o burnout pode ter consequências de ordem física e psicológica, como, por exemplo, o consumo exagerado de tabaco, álcool e psicofármacos.

Outros possíveis sinais psicológicos são a “irritabilidade, cinismo, negação dos insucessos, esquecimento de si, perda do sentido de humor, indiferença, desinteresse, despersonalização, insegurança, indecisão, insatisfação, diminuição da auto-estima, ansiedade flutuante, sentimento de impotência, sentimento de culpa, distracção, perda de memória, confusão, atitude negativa, distorção de valores, etc.” (cit. por Delbrouck, 2006, p. 44).

O burnout tem impacto nos indivíduos, devido à diminuição da qualidade de vida e capacidade para serem produtivos e nas organizações, devido à repercussão na qualidade e quantidade de trabalho produzido (Maslach e Leiter, 1997).

Os profissionais que sentem maior dificuldade para lidar com os problemas laborais acabam por investir o mínimo possível, realizando apenas o que é essencial, afastando-se de forma física ou psicológica do trabalho, o que leva a um absentismo mais frequente. Nestes casos há uma redução da produtividade, o que gera problemas na qualidade do trabalho. Geralmente, os altos níveis de burnout fazem com que os profissionais anseiem pelo fim do dia de trabalho, pensem com mais frequência nas férias, recorram a baixas e atestados médicos, como forma de aliviar o stress e a tensão que vivem no trabalho (Wisnewski & Gargiulo, 1997, cit. por Rocha, 2005).

Porém, nas situações mais extremas, os indivíduos podem deixar o seu trabalho como consequência da síndrome de Burnout, deixando de exercer a profissão, por não se sentirem capazes para o fazer (Maslach & Leiter, 1997; Simón, 1998 & Matos, 1999).

Segundo Malasch e Leiter (1999) as consequências manifestam-se a três níveis: nível individual, organizacional e social. Segundo a autora, ao nível individual, uma das

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consequências é o desgaste emocional excessivo, a fadiga e o afastamento psicológico com o consequente desinteresse e falta de satisfação pelo exercício da profissão. Ao nível organizacional, a consequência mais comum é o absentismo, a frequente mudança de serviço ou de turno, traduzido em elevados custos para a organização pelo aumento de horas extraordinárias e pelos períodos de trabalho improdutivo originado pelas sucessivas fases de integração no serviço. A nível social caracteriza-se por escasso relacionamento social, familiar e recreativo.

Na perspectiva de Bertomeu (2000 cit. por Rocha, 2005), as consequências estão implícitas em dois grupos: consequências para a organização e consequências para o profissional. As últimas estão associadas mais intensamente com os sentimentos de esgotamento emocional que conduzem a problemas de saúde (problemas psicossomáticos) dos profissionais e à deterioração dos relacionamentos interpessoais extra-laborais, devido a atitudes e condutas de carácter negativo e a um aumento dos conflitos.

Relativamente às consequências para a organização, o mesmo autor considera que estão associadas em maior medida à baixa realização pessoal no trabalho e à despersonalização, sub-dividida em: baixa satisfação laboral, que afecta a quantidade e qualidade do trabalho realizado pelos profissionais; abandono da organização: custos económicos, perda de eficácia e eficiência; diminuição da produtividade que provoca graves consequências negativas para a organização; absentismo laboral, com diminuição do tempo de exposição ao mesmo, através de atrasos frequentes, doença, assistência a várias acções de formação contínua e o absentismo laboral; deterioração da qualidade do serviço, que se caracteriza pela diminuição da satisfação e motivação profissional associada ao rendimento dos profissionais no trabalho, em especial no que se refere à qualidade.

O incremento da frustração pode conduzir ao desenvolvimento de atitudes pouco positivas (desumanas, rotineiras, negligenciadas, etc.) e de desinteresse; baixa implicação e compromisso laboral associado ao burnout diminui a satisfação e a identificação do profissional com o trabalho que desenvolve na organização, provocando a diminuição da sua implicação com o trabalho, através de conflitos interpessoais com os supervisores, colegas e clientes; e acidentes de trabalho.

Simón (1998) e Matos (1999) defendem também que a alteração da saúde física e psicológica do indivíduo condiciona a uma diminuição do rendimento e funcionamento da instituição, devido a uma diminuição da atenção atribuída aos clientes, a uma desumanização e deterioração na qualidade dos serviços prestados e a um aumento dos custos económicos e humanos. O burnout tem um papel determinante na insatisfação profissional, no absentismo, na rotação do posto de trabalho e em geral na eficácia da instituição.

O nível actual de conhecimento acerca das possíveis consequências do burnout indica que estas merecem uma importância focalizada pela sua frequência, seriedade potencial e domínios afectados e, muitas vezes, pela irreversibilidade das suas consequências (Heus & Diekstra, 1999 cit. por Rocha, 2005).

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Costa (2005), num estudo sobre os factores explicativos do stress, verificou que os indivíduos manifestam níveis de stress mais elevados no que concerne às condições gerais de trabalho.

O Burnout surge, assim, no seio da exposição a factores percepcionados como

stressantes e constitui-se como um fenómeno com consequências graves para o indivíduo e

para a organização. Seria importante que houvesse medidas de prevenção, de organização física, social e administrativas. Por exemplo, a nível da redução de horários, limitar o turno de trabalho a carga horária de 8 horas, a nível da gratificação do trabalhador, etc.