DIFERENÇAS BÁSICAS
A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE (1993) define um indicador como sendo um parâmetro, ou um valor derivado de um parâmetro, descrevendo um estado de fenômeno do meio ambiente ou de uma zona geográfica. Tem um significado que se estende além da informação diretamente emitida pelo valor do parâmetro.
Numa visão mais sucinta, Rufino (2002) expressa que o vocábulo “indicador” é proveniente do latim “indicare” no qual significa destacar, mostrar, anunciar e tornar público.
Quantificar os aspectos de vários campos da atividade humana é uma necessidade que acompanha a humanidade desde as épocas mais remotas, afinal indicar, mostrar e apontar, são parte de um processo natural que procura estabelecer relações causais entre fatos que possam guardar interdependência entre si.
A construção de sistemas de indicadores, segundo Will e Briggs (1995), é um meio eficaz de prover as políticas com informações capazes de demonstrar seu desempenho ao longo do tempo e de realizar previsões, podendo ser utilizados para a promoção de políticas específicas e monitoramento de variáveis espaciais e temporais das ações públicas.
Segundo Jannuzzi (2001), indicador social é "uma medida em geral quantitativa, dotada de significado social substantivo, usada para substituir, quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato, de interesse teórico ou pragmático". E completa que os indicadores sociais se prestam a subsidiar as atividades de planejamento público e formulação de políticas sociais, nas diferentes esferas de governo. No entanto, o autor alerta que um indicador bom apenas indica, mas não substitui o conceito que lhe originou.
Magalhães et al (2003) relatam que os indicadores são informações que retratam a partir da mensuração dos elementos pertinentes os fenômenos da realidade. Também é fundamental registrar que os indicadores não são informações explicativas ou descritivas, mas pontuais no tempo e no espaço, cuja integração e evolução permitem o acompanhamento dinâmico da realidade. Na forma de índice, o indicador pode reproduzir uma grande quantidade de dados de uma forma mais simples, retendo ou ressaltando o seu significado essencial.
Um indicador pode ser definido, como uma das maneiras de se medir uma progressão, uma mudança ou avanços, mensurando variações na medição de uma meta específica, enquanto os índices são medidas destas relações, normalmente expressadas por valores numéricos cujas bases são fornecidas pelos indicadores.
A United Nations Environment Programme – UNEP (2004) apresenta uma conceituação de indicadores que pode ser assim expressa (tradução do autor):
Os indicadores são um importante instrumento para a garantia da sustentabilidade e do gerenciamento dos recursos ambientais. Eles vão permitir a avaliação das informações correntes sobre o estado atual dos recursos naturais, suas medidas, grau de alteração e mudanças, estabelecimento de prioridades e direcionamento das formulações políticas. Os indicadores podem servir como importantes ferramentas na comunicação de informações técnico – científicas para diferentes grupos de usuários e assim transformar informações em ação.
Desta forma, eles desempenham um papel ativo no desenvolvimento de metodologias de controle ambiental. Contudo, iniciativas do uso de indicadores requerem um grau de "infraestrutura" se o objetivo é que eles possam conduzir a resultados e mudanças almejadas por usuários. O desenvolvimento de ferramentas "válidas" e a utilização das estruturas de indicadores facilitam a transformação de dados em informações relevantes e também a formulação de estratégias para políticas públicas de planejamento.
Assim sendo, um índice é função de um conjunto de indicadores com participação ponderada, gerando uma equação que expressa, uma vez calculada um valor que define uma determinada situação ou condição do que se quer medir. Com o desenvolvimento das atividades econômicas e industriais, a necessidade e o interesse pelos indicadores surgem como uma ferramenta para a melhoria contínua dos processos de gestão de uma grande gama de situações das atividades humanas. No entanto, é fundamental ressaltar que um indicador deve atender a alguns requisitos fundamentais, apresentando características que facilitem seu uso e eficácia na aferição e interpretação do sistema em que se pretende agir para transformar, apresentando as seguintes características:
- Sustentabilidade científica comprovada; - Correspondência com a realidade do local;
- Facilidade de acesso e manuseio pelo usuário final;
- Simplicidade e adequação ao mostrar a relação pretendida;
- Composição de matriz global do sistema de informações em todos os níveis. (REZENDE et al 2003)
O relatório final do Programa Cidades Saudáveis e Sustentáveis, sobre “Indicadores de Salubridade Ambiental Local /ISAL”, coordenado por Almeida e Abiko (2004), apresenta as características fundamentais dos indicadores:
Tabela 2.6 – Pré-requisitos dos indicadores de Salubridade Ambiental
Indicadores Obtenção e Exeqüibilidade dos Indicadores
Confiáveis Diferentes avaliadores têm de obter os mesmos resultados ao usá-los para avaliar um programa Válidos Devem permitir a medição do que se quer determinar
Específicos Estarem relacionados ao contexto e não a outras variáveis Seletivos Concentrados nos aspectos a serem monitorados
Simples Facilidade de compreensão, cálculo e de uso.
Cobertura Representativo da amplitude e diversidade de características do fenômeno monitorado Rastreabilidade e baseados em
informações existentes Existência das informações em unidades geradoras, acessibilidade. Estabilidade Estabilidade conceitual das variáveis componentes do indicador e dele próprio Facilidade de obtenção e custos
compatíveis Custos baixos para a geração, manutenção e disponibilização. Mensurabilidade Serem quantificáveis
Aceitação geral Devem ser entendidos e aceitos pelos principais usuários