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Fra utopia til virkelighet? Mot en ny ortopraksis

3.2 PRAKSIS: Globalisert kapitalisme som utfordring til den ekumeniske verdenskirkens

3.2.3 Fra utopia til virkelighet? Mot en ny ortopraksis

Jamais esquecerei de uma noite, alguns anos atrás, quando Marion J. Douglas freqüentava um dos meus treinamentos. (Não usei o seu nome verdadeiro. Ele me pediu, por razões pessoais, que não revelasse a sua identidade.) Mas eis a sua história real, exatamente como ele a contou diante dos alunos de uma de nossas classes para adultos. Contou-nos a tragédia que se abateu sobre o seu lar não apenas uma vez, mas duas. Na primeira vez, perdeu a filhinha de cinco anos, que adorava. Ele e a esposa julgaram não poder suportar essa primeira perda; mas, como ele mesmo o disse, "dez meses depois, Deus nos deu uma outra filhinha — e ela morreu em cinco dias".

Foi-lhes quase impossível agüentar essa dupla perda. "Eu não me podia conformar", disse-nos esse pai. "Não conseguia dormir, nem comer, nem descansar, nem, ao menos, tranqüilizar- me. Estava com os nervos profundamente abalados e perdera

c o m p l e t a m e n t e a confiança em m i m m e s m o . " Afinal, procurou vários médicos. Um deles recomendou-lhe pílulas para dormir; outro, uma viagem. Experimentou ambas as coisas, mas nenhuma deu resultado. "Era como se o meu corpo estivesse preso numa cavilha, e a manivela cada vez o apertasse mais." A tensão do sofrimento... Quem já se viu alguma vez paralisado pela dor sabe bem o que isso quer dizer.

"Mas, graças a Deus, tínhamos ainda uma criança — um filho de quatro anos. Foi ele quem solucionou o meu problema. Uma tarde, em que me sentei a um canto, sentindo piedade de mim mesmo, ele me perguntou: "Papai, quer construir um bote para mim?" Eu não me achava em estado de espírito para construir um bote; para dizer a verdade, não estava em estado de espírito para fazer nada. Mas o meu filho é uma criaturinha persistente! Tive de ceder.

"Demorei cerca de três horas construindo o pequeno barco. Ao t e r m i n a r , verifiquei que as três h o r a s que passara trabalhando no barco tinham sido as primeiras horas de repouso mental e de paz que experimentara durante muitos meses!

"Essa descoberta me arrancou da apatia em que estava, fazendo-me pensar muito — o que não fazia há muitos meses. C o m p r e e n d i que é difícil se preocupar quando se está ocupado com alguma coisa que requer planejamento e raciocínio. No meu caso, a construção do pequeno bote expulsou-me do espírito todas as preocupações. De modo que resolvi continuar sempre ocupado.

"Na noite seguinte, percorri a casa toda, compilando uma lista de trabalhos que deviam ser feitos. Dezenas de coisas precisavam de conserto: estantes, pernas de cadeira, venezianas, cortinas, maçanetas, fechaduras, trincos. E m b o r a possa parecer surpreendente, ao cabo de duas semanas a minha lista continha 242 objetos que necessitavam de atenção.

"Durante os últimos dois anos, terminei a maior parte des- ses consertos. Além disso, enchi a minha vida de atividades estimulantes. Freqüentei, duas vezes por semana, cursos de educação para adultos, em Nova York. Entreguei-me a ativida- des cívicas na cidade em que vivo, e sou hoje presidente do conselho escolar local. Participo de dezenas de reuniões. Angariei donativos para a Cruz Vermelha e dediquei-me a outras atividades. Sou agora um homem tão ocupado, que não tenho mais tempo para preocupações."

N ã o tenho tempo para preocupações. Foi exatamente isso o que W i n s t o n C h u r c h i l l disse, ao afirmar que estava trabalhando dezoito horas por dia, na fase mais difícil da guerra. Quando lhe perguntavam se se sentia preocupado com as enormes responsabilidades que lhe pesavam sobre os ombros, costumava dizer: "Estou muito ocupado. Não tenho tempo para preocupações".

Charles Kettering achava-se em situação semelhante, quan- do se pôs a inventar a partida automática para automóveis. O Sr. Kettering era até recentemente, quando se aposentou, vice- presidente da General M o t o r s , onde trabalhava c o m o encarregado da General M o t o r s Research C o r p o r a t i o n , organização de fama mundial. Mas, na época a que nos referimos, era tão pobre que tinha de usar como laboratório a parte superior de um estábulo. Para comprar mantimentos, teve de gastar mil e q u i n h e n t o s dólares que a esposa economizara dando aulas de piano; depois, precisou pegar emprestados quinhentos dólares de seu seguro de vida. Perguntei à sua esposa se não se sentia preocupada naquela ocasião. " S e n t i a - m e " , r e s p o n d e u ela, "sentia-me t ã o preocupada, que não conseguia dormir; mas o Sr. Kettering estava perfeitamente calmo. Estava demasiado absorvido em seu trabalho para se preocupar."

Pasteur, o grande cientista, falou da "paz que se encontra nas bibliotecas e nos laboratórios". Por que se encontra paz nesses lugares? P o r q u e os h o m e n s que t r a b a l h a m em bibliotecas e laboratórios estão habitualmente demasiado absorvidos em seus afazeres para preocupar-se com eles mesmos. As pessoas que se dedicam a pesquisas raramente t ê m colapsos nervosos. N ã o dispõem de t e m p o para se entregar a tal luxo.

Mas por que razão algo tão simples, como estar empenhado numa ocupação ajuda a dissipar a ansiedade? Devido a uma lei — a uma das leis mais fundamentais jamais reveladas pela psicologia. E essa lei é: para qualquer cérebro humano, por mais brilhante que seja, é absolutamente impossível pensar em mais de uma coisa de cada vez. Você não acredita? Muito bem: vamos fazer, então, uma experiência.

Imaginemos que você se recoste em sua cadeira neste mo- mento, feche os olhos e procure no mesmo instante pensar na Estátua da Liberdade e no que você pretende fazer amanhã. (Vamos, experimente!)

Você viu que só pôde focalizar a atenção em uma coisa de cada vez, mas nunca em ambas simultaneamente, não é verda- de? Pois bem, acontece o mesmo no terreno das emoções. Não podemos nos sentir animados, entusiasmados por fazer alguma coisa interessante e, ao mesmo tempo, sermos arras- tados por preocupações. U m a espécie de emoção expulsa a outra. Foi essa descoberta que permitiu aos psiquiatras do exército realizar milagres tão surpreendentes durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando os soldados voltavam das batalhas tão abalados, que eram chamados "psiconeuróticos", os médicos militares prescreviam, como medicamento, o seguinte: "Devem ficar em constante atividade".

Durante todas as horas em que tais soldados permaneciam em estado de vigília, eram mantidos em atividade — em geral atividades ao ar livre, como pescaria, caçadas, jogos de bola, jardinagem e bailes. N ã o lhes davam t e m p o para que meditassem sobre as suas terríveis experiências.

"Terapia ocupacional" é o termo agora usado pelos psiquiatras, quando prescrevem o trabalho aos seus pacientes, como se fosse um remédio. O método não é novo. Os antigos médicos gregos, quinhentos anos antes de Cristo, já o recomendavam!

Os quakers empregavam-nos, na Filadélfia, no tempo de Benjamim Franklin. Um homem que visitou um sanatório quaker em 1774 ficou chocado ao ver os doentes mentais tra- balhando em fiação de Unho. Pensou que os pobres infelizes estavam sendo explorados — até que os quakers lhe explicaram que os pacientes melhoravam quando trabalhavam um pouco. O trabalho acalmava-lhes os nervos.

Qualquer psiquiatra lhe dirá que o trabalho — uma ativi- dade qualquer — constitui-se num dos melhores anestésicos que se conhecem para os doentes mentais. Henry W. Longfellow descobriu isso por si mesmo, ao perder a jovem esposa. A sua companheira estava, certo dia, derretendo lacre para selar uma carta, quando a chama lhe envolveu o vestido. Longfellow ouviu- lhe os gritos e procurou socorrê-la a tempo; mas ela morreu em conseqüência das queimaduras. D u r a n t e algum t e m p o , Longfellow sentiu-se tão torturado pela lembrança do terrível acontecimento, que quase enlouqueceu. Mas, por sorte, os seus três filhos pequenos, precisavam de sua atenção. Apesar de todo o seu sofrimento, Longfellow, além das obrigações de pai, procurou desempenhar, junto deles, o papel de mãe. Levava- os para passear, contava-lhes histórias, brincava com eles e imortalizou essa camaradagem com os filhos no poema "The Children's Hour". Além disso, traduziu Dante. Todas essas

obrigações reunidas o mantinham tão ocupado, que logo esqueceu completamente de si, readquirindo a paz de espírito. Quanto a Tennyson, declarou, ao perder o seu mais íntimo amigo, Arthur Hallam: "Preciso entregar-me totalmente a atividades; do contrário, mergulharei no desespero".

Na maioria, nós t o d o s temos poucas preocupações, "enquanto nos achamos em atividade", em nossos afazeres diários. Mas as horas que se seguem ao trabalho — eis as horas perigosas. Justamente quando estamos livres para desfrutar os momentos de lazer — justamente quando deveríamos ser mais felizes — é quando os demônios negros das preocupações nos assaltam. São as horas em que começamos a meditar se estamos conquistando alguma coisa na vida, se somos ou não uns pobres-diabos, se o chefe "quis dizer alguma coisa" quando fez aquela observação — ou se não estamos ficando calvos.

Quando não estamos ocupados, as nossas mentes tendem a se transformar quase num vácuo. Qualquer estudante de física sabe que a "natureza odeia o vácuo". A coisa que mais se aproxima do vácuo, entre o que você e eu provavelmente já vimos, é a parte interna incandescente de uma lâmpada elétrica. Quebra-se a lâmpada, e as forças da natureza nela penetram para preencher o espaço teoricamente vazio.

A natureza também se esforça por encher a mente vazia. Encher com o quê? Normalmente, com emoções. Por quê? Por- que as emoções de preocupação, medo, ódio, inveja são dotadas de vigor primitivo da energia dinâmica da selva. Estas emoções são tão violentas, que tendem a expulsar de nossa mente todas as emoções e pensamentos felizes e de tranqüilidade.

James L. Mursell, professor de educação de Teachers Col- lege, Universidade de Colúmbia, disse muito bem ao afirmar: "E mais provável que as preocupações nos atinjam depois de termos terminado o nosso trabalho cotidiano, do que enquanto

estivermos dedicando às nossas atividades. Nossa imaginação pode, no primeiro caso, entregar-se a toda espécie de devaneios e trazer à tona toda sorte de possibilidades ridículas, exagerando cada uma das tolices que cometemos. Nessas "ocasiões", prossegue ele, "a nossa mente se assemelha a um motor que funciona sem a sua carga. Um motor acelerado a toda velocidade, que ameaça destruir, com as suas explosões, as próprias peças, ou mesmo despedaçar-se. O remédio para as preocupações é dedicarmo-nos inteiramente a alguma atividade construtiva".

Não é necessário que você seja um professor universitário para perceber tal verdade e colocá-la em prática. Durante a Segunda G u e r r a Mundial, encontrei uma dona-de-casa, residente em Chicago, que me afirmou haver ela mesma descoberto que "o remédio para as preocupações consiste em estar inteiramente ocupado, realizando algo construtivo". Encontrei essa senhora e o marido, quando viajava de Nova York para a minha fazenda em Missuri.

Esse casal me disse que o filho havia-se alistado nas forças armadas no dia seguinte ao ataque a Pearl Harbor. A senhora me contou que quase arruinara a sua saúde de t a n t o se preocupar com o destino de seu único filho. Onde estava ele? Encontrava-se salvo? Seria ferido? Morto?

Quando lhe perguntei como é que conseguira superar as preocupações, respondeu-me: "Mantinha-me sempre ocupada com alguma coisa". Disse-me que, a princípio, despedira a empregada e procurava fazer sozinha todo o trabalho da casa, para distrair-se. Mas isso não a ajudou muito. "A questão era que eu p o d i a f a z e r t o d o o serviço d o m é s t i c o quase automaticamente, sem usar o cérebro. De maneira que continuava a preocupar-me. Enquanto fazia as camas e lavava os pratos, percebia que necessitava de outra espécie de trabalho, que me mantivesse ocupada, tanto mental como fisicamente.

durante todas as horas do dia. Assim é que me empreguei como vendedora de um grande magazine.

"Isso deu resultado. Vi-me imediatamente em meio a um redemoinho de atividades: enxames de fregueses por todos os lados, fazendo perguntas a respeito de preços, tamanhos, cores. N ã o dispunha de um segundo para pensar, a não ser em meus deveres imediatos; e, quando anoitecia, era-me impossível pensar em mais nada exceto libertar os meus pés, que doíam terrivelmente, dos sapatos. Logo que terminava o jantar, caía na cama e dormia instantaneamente. Não tinha tempo para pensar, nem energia para me preocupar."

Essa senhora descobriu por si mesma o que John Cowper Powys queria dizer quando, em seu livro The Art of Forgetting the Unplesant, afirmava: "Certa segurança conformadora, certa e profunda paz interior, uma espécie de feliz insensibilidade, acalmam os nervos do indivíduo humano, quando este se encontra absorvido na execução da tarefa que lhe compete". E isso é uma bênção dos céus! Osa Johnson, uma das mais famosas exploradoras do mundo, disse-me como foi que conse- guiu livrar-se das preocupações e dos sofrimentos. Talvez você já tenha lido a história da sua vida. Chama-se I Married Adventure. Se alguma mulher já se casou com a aventura, essa mulher foi ela. Martin Johnson casou-se com Osa, quando ela contava apenas dezesseis anos de idade, tirando-a de Chanute, Kansas, para lançá-la nos caminhos selvagens das florestas de Bornéu. Durante um quarto de século, esse casal de Kansas viajou pelo mundo inteiro, fazendo fitas cinematográficas da vida selvagem, que já se vai extinguindo da Ásia e da África. De volta aos Estados Unidos, anos mais tarde, fizeram ambos uma viagem pelo país, fazendo conferências e exibindo os seus famosos filmes. Certo dia, tomaram um avião em Denver, com destino à costa. O avião caiu sobre uma montanha. Martin

Johnson morreu instantaneamente. Os médicos afirmaram que Osa jamais se levantaria da cama. Mas eles não conheciam Osa Johnson. Três meses depois, ela estava numa cadeira de rodas, dando conferências diante de grande público. Realizou, com efeito, mais de cem palestras durante aquela estação do ano — tudo isso numa cadeira de rodas. Quando lhe perguntei por que motivo fizera isso, respondeu-me: "Fiz tudo para não ter tempo de ficar triste nem preocupada".

O s a J o h n s o n d e s c o b r i r a a v e r d a d e d e c a n t a d a p o r Tennyson um século atrás: "Preciso entregar-me inteiramente à atividade; do contrário, mergulharei no desespero".

O almirante Byrd descobriu também a mesma verdade, durante os cinco meses em que viveu só numa cabana literal- mente enterrada na espessa camada de gelo que cobre o Pólo Sul — uma camada que cobre um continente desconhecido, maior do que os Estados Unidos e a Europa reunidos. O almi- rante Byrd passou cinco meses sozinho nessa região. N ã o existia nenhuma outra criatura viva, de qualquer espécie, numa extensão de centenas de milhas. O frio era tão intenso, que ele podia ouvir a própria respiração congelar-se, cristalizar- se, quando o vento soprava perto dos seus ouvidos. Em seu

livro Alone, o almirante Byrd conta-nos tudo o que aconteceu durante os cinco meses que passou em meio de espantosa e aterradora escuridão. Os dias eram tão escuros como as noites. Para preservar a sanidade mental, 'tinha de manter-se em constante atividade.

"À noite", diz ele, "antes de apagar a lanterna, habituei-me a anotar num bloco de papel o trabalho que deveria realizar no dia seguinte. Devia designar a mim mesmo uma hora, digamos, de trabalho no Túnel de Saída, meia hora para remover a neve amontoada pelo vento, uma hora para endireitar as caixas de combustível, uma hora para escavar uma estante para livros

nas paredes do túnel onde guardava os alimentos, e duas horas para substituir a plataforma em que pisava, no meu trenó de tração humana...

"Era maravilhoso poder distribuir o tempo dessa maneira. Isso me deu extraordinária impressão de comando sobre mim mesmo..." E acrescenta: "Sem tal coisa ou um equivalente, os dias n ã o t e r i a m n e n h u m o b j e t i v o ; e , sem o b j e t i v o , t e r m i n a r i a m c o m o tais dias s e m p r e t e r m i n a m — em desintegração".

Observe, de novo, a parte final: "Sem objetivo, os dias terminariam como tais dias sempre terminam—em desintegração ®

Se você e eu estivermos preocupados, lembremo-nos de que podemos fazer uso, como remédio, dessa coisa boa e antiga que se chama trabalho. Tal afirmativa foi feita por uma autoridade, o falecido Dr. Richard C. Cabot, antigo professor de clínica em Harvard. No seu livro What Men Live By, o Dr. Cabot diz: "Como médico, tive a felicidade de ver o trabalho curar muitas pessoas que sofriam de paralisia e fraqueza da alma, em função do peso das dúvidas, hesitações, vacilação e medos... A coragem que o trabalho nos dá é como a confiança em nós mesmos, que Emerson tornou para sempre gloriosa". Se você e eu não nos mantivermos ocupados — se nos sentarmos num canto e ficarmos remoendo as nossas preocu- pações — poremos à solta uma manada inteira do que Darwin costumava chamar de wibber gibbers. E os wibber gibbers não são mais do que diabretes que procuram destruir-nos, aniqui- lando-nos a vontade e o poder de ação.

(1) Extraído de Alone, de Richard E. Byrd. Copyright 1938, por Richard E. Byrd. Cortesia de G. P. Putnam's Sons.

Conheci um homem de negócios em Nova York que com- batia os wibber gibbers entregando-se a tantas ocupações que não dispunha de tempo para aborrecimentos e preocupações. Chama-se Tremper Longman. Era estudante de um dos meus cursos de educação para adultos, e a sua palestra sobre como acabar com as p r e o c u p a ç õ e s f o i tão interessante, t ã o i m p r e s s i o n a n t e , que o c o n v i d e i p a r a cear em m i n h a companhia depois da aula. Ficamos juntos num restaurante, até bem depois da meia-noite, conversando sobre as suas experiências. Eis o que ele me contou: "Dezoito anos atrás, eu estava tão preocupado, que comecei a ter insônia. Sentia- me tenso, irritadiço, t o m a d o de p r o f u n d o nervosismo. Compreendia que caminhava para um colapso nervoso.

"Tinha motivo para estar preocupado. Era tesoureiro da Crown Fruit and Extract Company. Tínhamos meio milhão de dólares empregados em morangos em lata. Havia vinte anos, v í n h a m o s v e n d e n d o esses morangos enlatados a fabricantes de sorvete. Subitamente, as nossas vendas pararam, pois as grandes firmas produtoras de sorvete — como, por exemplo, a Borden e a National Dairy — estavam aumentando com grande rapidez a sua produção, e economizando tempo e dinheiro adquirindo os morangos em barris.

"Ficáramos não apenas com meio milhão de dólares empa- tados em morangos que não poderíarnos vender, mas também tínhamos um contrato que nos obrigava a adquirir mais um milhão de dólares de morangos nos doze meses subseqüentes! Já havíamos tomado emprestado, de vários bancos, um total de 350. 000 dólares. Não podíamos, de modo algum, pagar nem renovar esses empréstimos. Não era de admirar que eu estivesse preocupado!

Segui às pressas para Watsonville, Califórnia, ficava a nossa fábrica, e procurei persuadir o nosso presidente de que as

condições haviam mudado e que, agora, nos encontrávamos às portas da ruína. Ele não quis acreditar. Pôs a culpa de tudo o que estava acontecendo no nosso escritório de Nova York, que, na sua opinião, não sabia como dirigir as vendas.

"Após dias de insistência, consegui, finalmente, persuadi- lo a que parasse o enlatamento de mais morangos e vendesse os nossos suprimentos recentes ao mercado de frutas frescas de São Francisco. Tal medida quase resolveu os nossos p r o b l e m a s . Eu já deveria t e r c o n d i ç õ e s de deixar as preocupações de lado — mas não conseguia fazer isso. A preocupação é um hábito; e eu já o adquirira.

"Ao voltar para Nova York, comecei a preocupar-me com tudo: as cerejas que estávamos comprando na Itália, os abacaxis que estávamos comprando no Havaí e assim por diante. Senti- me tenso, agitado, e não podia dormir. Como já disse, caminhava para um colapso nervoso.

"Desesperado, adotei um meio de vida que me curou da insônia e me livrou das preocupações. Pus-me em grande atividade. Vi- me logo tão ocupado, com problemas que exigiam toda a minha capacidade de raciocínio, que não tinha mais tempo para preocupações. Trabalhava, antes, sete horas por dia. Agora, trabalhava quinze e dezesseis horas diárias, ia todas as manhãs para o escritório às oito horas, e ficava lá, todos os dias, até quase m e i a - n o i t e . A s s u m i n o v a s o b r i g a ç õ e s , n o v a s responsabilidades. Quando voltava para casa, à meia-noite, estava tão exausto, que, ao atirar-me sobre a cama, caía no sono em poucos segundos.

"Mantive esse programa durante três meses. Já tinha, então, me livrado do hábito da preocupação, de modo que voltei aos dias de trabalho normal, de sete ou oito horas. Isso aconteceu há dezoito anos. Desde essa época, não tive mais insô- nia nem preocupações."