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Fra psykologi til sosialisme

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Conforme referimos anteriormente, o mundo bantu é vastíssimo, abrangendo uma grande quantidade de povos e línguas. Pese embora a diversidade das línguas bantu, é possível notar

nelas características semelhantes, que a seguir mencionamos, susceptíveis de reforçar a ideia de provirem da mesma língua-mãe, viabilizando a classificação:

1- O seu parentesco morfológico, sintáctico e lexical é imediato, remontando a 1862, por W. Bleek23 (Obenga, op. cit.), que a partir do termo bantu, com o significado de pessoas, indivíduos, povos, gente, demonstra que as línguas dessa família com o mesmo nome são semelhantes, salvo pequenas diferenças fonéticas aceitáveis numa língua natural viva. A expressão bantu é o plural do nominal “-ntu” (em luba, kicongo, zulu) ou “-thu” (em kimbundu), que na maior parte das línguas da família bantu remete para pessoa/indivíduo/povo.

2- Considera-se que todas as línguas bantu têm uma origem comum, o proto-bantu, como, aliás, atestam as suas características linguísticas essenciais que a seguir apresentamos24: i) os

nomes nas línguas bantu são caracterizados pelos prefixos que indicam os números singular e plural, ou seja, ao contrário da língua portuguesa que recorre ao morfema /s/ para indicar o plural, nas línguas bantu, a flexão faz-se com prefixos. Exemplos: mu-ntu (sing.): ser humano – ba-ntu: seres humanos; bu-atu (bwatu): canoa – mi-atu (myatu): canoas. Porém, certos nominais são uniformes e só se usam ou no singular, por exemplo, tuvi: excrementos (embora em alguns casos se tente forçar o plural matuvi: excrementos), ou no plural, por exemplo,

masika: período de tarde. O singular, que seria lisika ou disika, não ocorre. Há, por outro

lado, nominais que não apresentam a oposição de número, isto é, não são nem do singular nem do plural. Fazem parte deste grupo, sobretudo, os nominais que representam líquidos:

masuba: urina; mafuta: óleo; mazi: água25; ii) a maioria das línguas bantu é tonal. O tom é fonémico e apresenta uma função gramatical e semântica. Todavia, em algumas línguas (swahili, por exemplo), ocorre a quebra do tom, devido a empréstimos extensivos; iii) o sistema vocálico das línguas bantu, na maior parte delas, é simétrico, quer dizer, comporta uma vogal central e um número idêntico (2 ou 3) de vogais anteriores /i/, /e/, /ǫ/ e vogais posteriores /u/, /o/, /Ŧ/, como pode ilustrar o esquema que se segue:

Figura 4: Sistema vocálico da maioria das línguas bantu anteriores central posteriores i u

e o ǫ Ǥ

a

23 O seu estudo comparativo envolveu quatro línguas da África do Sul, a saber: zulu, shosa, suthu e

herero.

24 Inspiramo-nos nos Traits Généraux de Langues Bantu, de Théophile Obenga (1985). Les Bantu,

Langues, Peuples, Civilisations. Paris: Édition Presence Africaine, pp. 18-19. A tradução aqui apresentada é nossa.

iv) observa-se abundância de nasais em combinação com os bilabiais, palatais, fricativas, consoantes implosivas (mp, mb, mf, mv, mbv, nd, nt, ns, nz, ng, nk, nj, ndz, nl.) e “clicks”, no caso de algumas línguas bantu da África Austral; v) os verbos são derivacionais, quer dizer, podem dar origem a numerosos sememas por sufixação. Por exemplo, em kubaka: conseguir, apanhar, ter, ganhar; kubakana: estar e/ou ser apanhado (em fiote/ibinda). O conhecimento destas características gerais das línguas bantu é muito importante, do ponto de vista didáctico, principalmente para os docentes de língua portuguesa, em países onde estas línguas são faladas, assim como para os alunos que as têm como línguas maternas e que vão pela primeira vez aprender a língua portuguesa.

Relativamente à classificação, os bantuistas e, sobretudo, os “savants de l’International

African Institute de Londres ont beaucoup fait pour la classification des langues bantu” para

facilitar o estudo (Obenga, op. cit.). Desse esforço nasce o célebre The Classification of the

Bantu Languages, de Guthrie, em 1948, onde procura reconstruir um bantu comum (Sóstenes,

op. cit.). Para o efeito, agrupa as LB em 16 zonas diferentes identificadas por letras do alfabeto romano: A, B, C, D, E, F, G, H, J, K, L, M, N, P, R e S26, e apresentando a seguinte relação:

“zone A contains predominantly Cameroonian Bantu languages; [as línguas da zona C] are mainly spoken in Zaire; zone F covers a number of Bantu languages in Tanzania; zone H – languages are spoken in Angola, Zaire, Cabinda and Congo, and languages of zone S are spoken further south: in Mozambique, Zimbabwe, South Africa, Botswana”. [Lojenga apud Rego, 2000: 46]

Jacky Maniacky, bantuista congolês, demarca-se ligeiramente da proposta Guthriana apresentada por Lojenga e sugere 15 zonas ou grupos, a saber: Grupo A: Sul de Camarões e Norte de Gabão; Grupo B: Sul de Gabão e Oeste da República de Congo; Grupo C: República de Congo (Noroeste, Norte e Centro); Grupo D: Nordeste e Este da R.D.C., Ruanda e Burundi; Grupo E: Sul de Uganda, Sudoeste de Quénia e Noroeste da Tanzânia; Grupo F: Tanzânia (Norte e Oeste); Grupo G: Centro e Este da Tanzânia e «côtes swahili»; Grupo H: Sudoeste da República do Congo e Norte de Angola; Grupo K: Este de Angola e Oeste da Zâmbia; Grupo L: Sul da R.D.C. e Zâmbia (Oeste e Centro); Grupo M: Zâmbia (Este e Centro), Tanzânia (Sul e Oeste) e R.D.C. (Sul e Este); Grupo N: Malawi, Centro de Moçambique e Zâmbia (Sul e Este); Grupo P: Sul da Tanzânia e Norte de Moçambique; Grupo R: Sudoeste de Angola e Noroeste de Namíbia; Grupo S: Zimbabwe, Sul de Moçambique e Este da África do Sul.

A tarefa de agrupar as línguas baseou-se no grau de parentesco. Deste modo, as línguas de cada zona serão mais semelhantes entre si do que estas em relação às de um outro grupo.

26 Alguns bantuistas (Jacky Maniacky) consideram apenas 15 zonas contra as 16 de Guthrie ao não

mencionarem a zona J, que se julga ser uma criação de Meussen. Este linguista belga reparou que nas zonas D e E havia línguas semelhantes umas das outras. A partir delas criou uma nova zona, que atribuiu a letra J. Portanto, trata-se de uma criação posterior à proposta de Guthrie (Nzau, 2004).

Quer dizer, existem relações de parentesco entre línguas da mesma zona (relações intra- zonais) e entre línguas de zonas diferentes (relações inter-zonais), que nos levam a admitir um princípio de proporcionalidade entre o grau de parentesco e a ordem crescente das letras que representam as zonas. Por esta lógica, conclui-se que as línguas da zona A terão maior proximidade com as da zona B do que, por exemplo, com línguas da zona K.

1.3.2 A língua de origem europeia de Angola – o português

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