• No results found

Fra prosjektlønnsomhet til kommunal- og samfunnsøkonomisk

A compreensão de um lugar surge no homem através da apreensão das cores das superfícies iluminadas e das relações entre elas. Entender a cor como um acto cultural, converte-a num elemento de identidade de cada povo e lugar.

A identidade de um lugar é certamente definida pela sua geografia e contexto, mas a materialização dessa identidade pode também expressar-se através da cor, veiculada pela cultura e arquitectura. Afinal, a materialidade da arquitectura contribui para a definição da cultura de cor, conferindo identidade ao lugar e relacionando-o com o homem.

A cor de cada edifício é muito importante para a definição cromática de um lugar, pois cada edifício contribui para a construção da cor global da cidade; a escolha de cores adquire por isso uma importância e responsabilidade fulcrais no âmbito da arquitectura. A cor tem a capacidade de tornar coerentes novos ambientes e de preservar os lugares já existentes. É um elemento fundamental para preservar a cultura e a essência de um lugar, contribuindo para a conservação da imagem das cidades e dos seus centros históricos.

Na relação entre cor e cultura urbana há que ter em conta que uma cidade resulta da influência de uma sociedade sobre um determinado lugar. Quando a cor se assume como uma forma de expressão cultural, ela contribui para a identidade e imagem da cidade, possui valor patrimonial e arquitectónico, constitui uma componente estética, antropológica e simbólica, representado culturalmente essa mesma sociedade.

Qualquer acontecimento está relacionado com um local, um nome, uma história e geografia, possuindo uma determinada forma, materiais e cores. A sequência de espaços que constituem um lugar direccionam o movimento do homem e levam-no a percorrê-lo. Entretanto estes espaços são influenciados pela cor, daí que a imagem e a cor de uma cidade resultem da fusão desta com as imagens da nossa memória e imaginação – que se vão construindo através do conhecimento que temos de todas as cidades que já visitámos. A percepção, a memória e a imaginação, interagem constantemente na formulação da imagem de uma cidade e na definição da sua cultura cromática.

É óbvio que a cor constitui um aspecto determinante para cada lugar e cultura. Em alguns casos a cor foi inclusivamente a origem do nome dos lugares – Colorado, Redlands, Rothernburg, Collognes-la-Rouge, Amareleja, Vila Verde, Vila Alva, Casais Brancos, Almagreira, etc –, sendo também o elemento simbólico de algumas zonas – Vermelho Veneziano, Amarelo de Turim, Terra de Siena, etc.

Num determinado lugar e ambiente, a natureza lumínica não é o único factor que contribui para a variação cromática, pois a cor natural da envolvente (quer esta seja colorida

32

ou cromaticamente neutra) irá também influenciar as cores percepcionadas. Na percepção da cor de um lugar as relações cromáticas, os contrastes, as harmonias, as dissonâncias e a influência de umas cores sobre outras, são essenciais. As cores associam-se aos lugares e às suas culturas, são poucas as cidades que se identificam apenas com uma cor, porém os bairros constituintes dessas cidades possuem muitas vezes uma cor que os simbolizam.

As pessoas que estudam e conhecem a cor e a cultura da cor, são as tecnicamente mais aptas para poderem realizar estudos cromáticos e definirem paletas de cor para determinados lugares; no entanto a cor não deve ser imposta nem ditada como uma norma. Sendo um factor social de primeira importância, o mais correcto é expor as paletas e harmonias cromáticas para um determinado local, partilhando as decisões com os utilizadores do espaço e ajudando a orientar as suas escolhas.

Em certos lugares a cor assume um valor tradicional, criando um efeito unificador e de afirmação do carácter e cultura desses lugares. As cores são no fundo veículos da memória passada, da informação do presente e do planeamento futuro.

2.6.1 Significado e simbologia da cor

A cor sempre foi utilizada como um símbolo e elemento conceptual, sendo os conceitos variáveis consoante a estrutura de cada sociedade. A componente simbólica das cores faz parte da vida humana. Muitos dos rituais que celebramos recorrem simbolicamente a determinadas cores, das quais o preto, o branco e o vermelho são as mais predominantes.

A simbologia da cor remonta ao período medieval, quando no século XII surgiu a heráldica; as cores deste sistema eram claramente simbólicas, sobretudo por serem tratadas como absolutas, ignorando-se as variações. Na heráldica a gama cromática é reduzida a seis cores originais: branco (prata), amarelo (ouro), vermelho (goles), preto (sable), azul (azur) e verde (sinople); às quais se acrescentou uma sétima cor, o cinzento violáceo (púrpura) (fig. 2.15).

33 Para que as cores tenham significado para o homem é necessário classificá-las. Contudo dar nomes às cores é um processo subjectivo porque consiste numa atribuição conceptual. Uma mesma cor tem diferentes classificações e significados (traduzidos pelas nomenclaturas atribuídas) para cada cultura.

Atribuir significado à cor implica torná-la significante, o que pressupõe um conhecimento das várias combinações cromáticas de modo que se identifique a sua essência e simbolismo. O valor da cor provém da sua relação com a estrutura, com o significante e com o significado. Por ter uma morfologia própria e grande complexidade, a cor deve ser entendida como signo, possuindo dimensão, predominância e intensidade.

Se as cores não tiverem uma representação simbólica a sua potencialidade para estimular a memória e a imaginação (através dos símbolos) torna-se limitada e instável, prejudicando a identidade e a cultura dos lugares. Às cores de cada cidade associam-se simbolismos, estes relacionam-se com determinados sentimentos que enriquecem o presente e dão conhecimento do passado.

Um dos simbolismos primordiais afirma-se através das cores com significado de arquétipo, porque há cores que independentemente da cultura, do local e do tempo, estão sempre associadas a determinados significados. Disso é exemplo a associação do vermelho ao fogo e ao calor, a associação do azul à água e ao frio e a associação do verde à vegetação e à frescura.

A cor assume um papel simbólico na arquitectura em função da expressão indirecta de determinados conceitos e ideias. Através dos materiais utilizados (e respectivas cores) a arquitectura pode expressar-se de forma natural ou artificial. Deste modo aquilo que os materiais e as cores simbolizam pode ser usado na arquitectura para integrar um edifício na sua envolvente ou para destacá-lo dela. A policromia cromática na arquitectura pode assumir funções ao nível da envolvente e actuar em diferentes níveis sobre a consciência do observador.

A cor tem a capacidade de unificar vários elementos num mesmo fundo, fazendo com que vários edifícios constituam um grupo edificado na mesma envolvente. Através da cor é também possível desenvolver a situação inversa, tornando cada edifício independente dos outros e da envolvente; nestes casos cada edifício terá uma cor diferente, sendo que esta poderá simbolizar o carácter de cada edifício ou uma determinada intenção. Quando se trata de um só edifício a cor pode ser utilizada como elemento unificador (caso a composição arquitectónica seja muito fragmentada) ou como elemento fragmentário (caso a composição arquitectónica seja muito maciça).

34

Tal como sempre aconteceu (e porque sempre existiram diversas culturas e lugares), a simbólica cromática actual não corresponde a uma verdade absoluta e universal – o que é válido num determinado lugar ou para uma determinada cultura pode não o ser num outro contexto.

2.6.2 Geografia da Cor

A Geografia da Cor é um conceito relativamente recente na história da cor (embora faça parte dela desde sempre) e foi desenvolvido pelo colorista francês Jean-Philippe Lenclos. A partir do contacto com a cultura japonesa, Lenclos tornou-se particularmente sensível às propriedades e subtilezas das cores naturais de cada lugar. Quando regressou a França, o colorista desenvolveu um estudo cromático em várias regiões do país, interessando-se principalmente pela análise das cores próprias de cada lugar. Ele pretendia entender e preservar a identidade cromática das cidades e regiões contra o anonimato dos novos materiais, tendo por isso estudado as tradições cromáticas e desenvolvido uma análise geradora de um código de cores para cada lugar. Para Lenclos a cor tem um papel fundamental na configuração e expressão arquitectónica, não podendo por isso ser tratada de forma isolada.

O método de trabalho de Lenclos abrange duas fases principais, primeiro uma análise do sítio e recolha de elementos, depois uma análise visual cromática detalhada, incluindo todos os materiais mais importantes (fig. 2.16).

Na primeira fase os edifícios e a envolvente são observados pelo exterior e interior, tendo em conta o contexto paisagístico. A segunda fase desenvolve-se em atelier, analisando-se todos os materiais recolhidos na primeira fase e constituindo-se uma gama

Figura 2.16: Ilustração do método de Lenclos (observação, identificação cromática, análise em atelier) (fonte: Jean-Philippe Lenclos, Les couleurs de l’Europe)

35 cromática. Posteriormente elaboram-se fichas de cor para cada edifício, contendo desenhos, colagens e fotografias. Numa fase posterior pode ainda realizar-se uma investigação através da análise da composição química dos materiais e pinturas, considerando as diferentes utilizações que estes tiveram ao longo do tempo.

A paleta cromática geral é a consequência visual da utilização dos materiais aplicados nas construções, que são no fundo os materiais provenientes daquele local. As cidades que são construídas com os materiais locais, fazem com que as cores destes se tornem as características cromáticas delas. As cores da paleta geral são as mais predominantes e características de um lugar ou cidade mas completam-se com as cores da paleta pontual. A paleta pontual é constituída por todos os elementos que pontuam as superfícies coloridas predominantes; estas cores são geralmente contrastantes com as da paleta geral, tanto ao nível da matiz como da luminosidade.

O sucesso do método de Jean-Philippe Lenclos fez com que este fosse utilizado em várias cidades e regiões da Europa e até do Mundo25.