5. PEDAGOGISK DOKUMENTASJON SOM OPPDRAGELSE
5.3 P EDAGOGISK DOKUMENTASJON AV LEK SOM OPPDRAGELSE TIL AKTIV DELTAKELSE I ET
5.3.4 Fra lek, selvhevdelse og selvbiografi, til demokrati
Os estudos de gênero, como consequência do paradigma positivista, possuem uma história ainda recente na psicologia. Sendo que as idéias feministas não foram facilmente aceitas e integradas nesta disciplina (Nogueira, 2001). A psicologia começa a sofrer abalos apenas a partir da segunda vaga do feminismo, que corresponde ao período entre 1960-1980. As críticas feministas buscaram quebrar com as diferenças sexuais, com o binarismo homem-mulher que ditava relações de poder e dominação e que até então era o modelo dominante (Ibidem).
O “gênero” começou a ser utilizado na década de 1970, a partir do momento em que as feministas reconheceram as determinações biológicas implícitas no termo sexo e buscaram um conceito que abarcasse as dimensões psicológicas, sociais e culturais da femininidade e da masculinidade.
Para Joan Scott (1995), o gênero é um elemento constituído das relações baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos. É uma forma primeira de significar as relações de poder, ou melhor, é um campo onde o poder é articulado. Trata-se de uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado. O gênero é considerado pela autora como uma categoria analítica e neste sentido nos permite uma análise dos fenômenos a partir de uma lógica de pensamento fundada nas relações de gênero.
O conceito de gênero, segundo Donna Haraway (2004), busca explicar e transformar sistemas históricos de diferença sexual nos quais “homens” e “mulheres” são socialmente constituídos e posicionados em relações de hierarquia e antagonismo. Em seu texto, Haraway (2004) ressalta a impossibilidade de se falar em gênero isoladamente, afirmando a necessidade de pensarmos em relações de gênero. Ela considera as relações de poder entre mulheres e homens e a construção social dos papéis e da subjetividade de ambos fundamentais para a compreensão das relações de gênero.
O gênero passou a ser reconhecido como um sistema de significados e atualmente a psicologia social o encara como uma construção social (Nogueira, 2001). Nesta perspectiva, ele não é tomado de um ponto de vista essencialista e sim como um sistema de significados que se constrói e se organiza nas relações sociais.
7 Neste sentido, entendemos que o referencial histórico-dialético pressupõe que todas as atividades humanas são mediadas pela cultura, ou seja, em se tratando de seres humanos não existem fenômenos naturais. Desta forma, as relações de gênero são construções sociais, possuem base material e representam o processo da produção dos lugares de poder de mulheres e homens na sociedade (Saffioti, 1992).
As relações de gênero ocorrem entre sujeitos historicamente situados. Assim, é possível perceber que o gênero não regula somente as relações entre mulheres e homens, mas também entre mulheres e mulheres e entre homens e homens.
As feministas perceberam que as discussões de gênero se atrelavam também à questão racial e de classe. Assim, nos Estados Unidos, surgem as perspectivas do black feminism e de standpoint, a partir das críticas de feministas negras, como por exemplo, bell hooks9
Verificamos que, a partir da Conferência de Beijing
. Além do feminismo chicana, voltado para as mulheres mestiças, representado por Gloria Anzaldúa. No Brasil, destacamos os estudos feministas de Sandra Azerêdo e Sueli Carneiro, que privilegiam o gênero e “raça”.
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As perspectivas do black feminism e de standpoint surgem nos Estados Unidos a partir das críticas de feministas negras e mestiças no sentido de inserir as categorias “raça” e classe como articuladoras do conceito de gênero.
, realizada em 1995, houve um amadurecimento das mulheres negras em relação às articulações entre as categorias gênero e “raça” (Rodrigues, 2006). E não apenas no movimento de mulheres negras no Brasil, mas em todos os contextos feministas a discussão sobre gênero e “raça”, ou “etnia”, ganhou maior expressividade.
De acordo com o black feminism, o sexismo, a opressão de classe e o racismo estão interligados. Para o feminist standpoint, a opressão sexista é dada pela posição que ocupamos numa matriz de dominação em que gênero, “raça”, e classe social se interceptam em diferentes pontos.
De acordo com Cristiano Rodrigues (2006), os escritos das feministas militantes da década de 1980 demonstram a idéia de um somatório de discriminações de acordo com a perspectiva do standpoint e do black feminism. Para o autor, neste sentido, a especificidade de ser mulher negra é a tripla discriminação, por ser mulher, negra e pobre. Porém, há que se pensar que dentre os elementos deste tripé não existe um destaque e “caso essa ênfase acontecesse o movimento de
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A autora bell hooks gosta de ser citada e referenciada em letras minúsculas ( por Dra. Maria José Magalhães).
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“A Conferência de Beijing, possibilitou a abertura da discussão sobre o feminismo e as relações raciais e étnicas em âmbito mundial. A Conferência produziu a Declaração de Beijing'95, documento que reitera compromissos em prol dos direitos humanos. O uso dos termos "raça" e "etnia" gerou longa e dura divergência sobre a qual o Brasil e os Estados Unidos se manifestaram a favor da menção de ambos para fins de dados estatísticos que pudessem gerar documentação acerca da injustiça social.” (Ribeiro, 2006, p. 805)
8 mulheres negras brasileiras perderia sua legitimidade política, pois poderia ser incorporado a uma bandeira geral, quer de gênero, «raça» ou classe” (Rodrigues, 2006).
Desta maneira, são desnecessárias as discussões a respeito da prioridade do movimento de mulheres negras, ou seja, lutar contra o racismo ou contra o sexismo, já que o binômio gênero e “raça” não pode ser decomposto (Ibidem).
Em suas teorizações, Sandra Azerêdo (1994, p. 5) indica que sua intenção é explicitar sua aposta na idéia que:
“Complexificar a categoria gênero – historicizá-la e politizá-la -, prestando atenção em nossa análise a outras situações de opressão, pode nos abrir caminhos sequer imaginados ainda de uma sociedade mais igualitária. Para tanto é preciso considerar o gênero tanto como categoria de análise, quanto como uma das formas que as relações de opressão assumem numa sociedade capitalista, racista e colonialista”.
Neste sentindo, Scott (1995) é uma das teóricas que utiliza duas proposições para definir gênero. Para a autora, este é um elemento constitutivo das relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos e é uma forma de dar significado às relações de poder. Ela articula gênero com classe social e “raça”, revelando desigualdades e jogos de poder nestes três eixos. Nesta multideterminação, os sujeitos são constituídos, subvertendo a lógica cartesiana, linear e dicotômica e tornando o gênero uma poderosa ferramenta de análise para compreender as complexas formas de interação humana.
Desenvolvemos esta pesquisa a partir dos referenciais apresentados, em que o gênero, “raça” e classe são conceitos articulados com as relações de poder e opressão. Logo abaixo, iniciaremos uma exposição teórica sobre as mulheres africanas e imigrantes em terras lusitanas.