O processo de aquisição e representação do conhecimento para construção de sistemas baseados em conhecimento é atividade de suma importância. É com base nas informações colhidas no processo de aquisição que o engenheiro do conhecimento vai escolher qual o método ou técnica que se adéqua melhor as necessidades da organização.
A utilização e observação de uma metodologia específica, adaptadas ou em conjunto, são importantes para auxiliar o trabalho do engenheiro do conhecimento. É oportuno mencionar que há algumas metodologias disponíveis para serem empregadas na engenharia do conhecimento, mas a decisão de optar por uma ou outra e até mesmo de forma conjunta é do engenheiro do conhecimento, a fim de realizar uma satisfatória explicitação do conhecimento.
Na verdade, existe uma carência a ser superada por estes profissionais, pois algumas metodologias utilizadas vêm da engenharia de software (voltadas à análise de requisitos para sistemas convencionais) ou de outras áreas adaptadas para serem utilizadas na engenharia de conhecimento.
Em sistemas convencionais são utilizadas algumas abordagens, sendo que a mais clássica é a Waterfall Model (Modelo de Cascara). Segundo Kendal e Creen (2007, p. 185) os sistemas tradicionais:
Traditional information systems usually perform some clearly definable processing tasks, and may have requirements that are relatively clear—though this does not preclude the possible need to developing throwa way prototypes as part of the requirement analysis phase in order to determine these requirements. Such systems are often created using the classic waterfall approach to software development.
Kendal e Creen (2007, p. 185) mencionam que o Waterfall Model “follows a six-
stage life cycle of:6 1. Analysis; 2. Design; 3. Implementation; 4. Validation; 5. Installation; 6. Maintenance”, conforme apresenta a Figura 16.
6 Segue seis fases no ciclo de vida: 1. Análise, 2. Design; 3. Aplicação 4. Validação; 5. Instalação; 6. Manutenção.
Figura 16 – Fases do processo Waterfall Model
Bueno (2005) ressalta muito bem a importância da engenharia do conhecimento e a utilização de metodologias no processo de desenvolvimento de um SBC.
A primeira etapa da construção de um SBC é chamada de Engenharia do Conhecimento, onde são definidas as metodologias de aquisição e representação do conhecimento, ao contrário da concepção dos sistemas convencionais, que utilizam a análise de requisitos. (BUENO, 2005, p. 27).
Edward Feigenbaum (1977 apud ANGELE, 1998) definiu a atividade do engenheiro do conhecimento como a arte de construir sistemas complexos que representam o conhecimento do mundo. Desta forma, o engenheiro do conhecimento deve circundar-se das melhores técnicas, métodos e metodologias para realizar seu trabalho com a primazia desejada pelo mercado que demanda os profissionais do conhecimento e os sistemas de conhecimentos. Pode-se caracterizar em dois momentos distintos o processo a elicitação do conhecimento, que nada mais é do que descobrir, tornar explícito, obter o máximo de informações para construção do sistema de conhecimento.
O primeiro momento da aquisição consiste no levantamento do conhecimento do especialista no domínio, segundo a observação do engenheiro do conhecimento que deve modelar o conhecimento do especialista. O segundo momento consiste na elicitação e transferência deste conhecimento para um SBC.
Kendal e Creen (2007, p. 187) destacam os problemas de construir sistemas de conhecimento da seguinte maneira:
One of the main problems with designing ESs is the lack of any firm goals. Expert systems are primarily concerned with the capturing and processing of abstract
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knowledge. The knowledge domain as well as the activities involved in knowledge acquisition and processing will not be clearly defined, so the actual outputs from the system will be difficult to determine. In a conventional system, outputs can be stated precisely because inputs and processing activities can be clearly explained. Even when the outcomes can be defined it is difficult to specify both the knowledge that is to be included within an expert system and the quality of the reasoning processes it requires. If these cannot be defined, then it is impossible to define specifications that the design and implementation can be assessed against. For this reason, the waterfall life cycle is problematic when developing any expert system. Prototyping, on the other hand, has an iterative life cycle that allows specifications to be clarified as throughout the lifetime of the project. Capturing knowledge for KBSs can also be difficult, because detail of the knowledge to be encoded into the system may have to be checked with the human expert a number of times. This does not represent a weakness in system design, but simply shows that additional care is needed in checking the accuracy of any KBS design compared to a conventional system.
Levando em conta as considerações de Kendal e Creen, pretende-se apresentar algumas metodologias para dar entendimento mais pragmático de sua utilização no projeto de engenharia e gestão do conhecimento do processo de construção de um sistema intensivo em conhecimento.
O uso de uma metodologia tem seu valor dentro de qualquer processo, mas, sobretudo na construção de SBC. Como colocado por Pacheco (2006, p. 5), afirmando que “toda Metodologia é resultado da composição de diferentes componentes, desde a visão de mundo sobre o domínio para o qual ela se aplica até a utilização das ferramentas que ela dispõe”.
Assim é importante apresentar neste trabalho algumas metodologias que dão embasamento e norteiam o trabalho de engenharia do conhecimento. Para isso serão abordadas nesta seção o MIKE, VITAL, CommonKads e Engenharia da Mente. Não será discutida qual a melhor metodologia, pois vai depender da familiaridade do engenheiro com a metodologia, sua área de atuação, conhecimento sobre o domínio e também sua formação profissional.