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Como instrumento complementar às entrevistas, recorri ao questionário que foi entregue, no início do encontro, aos participantes. Durante o preenchimento do questionário, coloquei-me à disposição para responder qualquer dúvida. O questionário continha questões fechadas que abordavam o perfil, a formação, experiências prévias e as percepções dos licenciandos sobre o Programa. As questões abertas focaram a escolha e expectativa profissional, a contribuição do Pibid para a formação docente, as dificuldades suscitadas na prática nas escolas e as concepções sobre os saberes docentes necessários à prática profissional. Preenchidos todos os formulários, dei início ao grupo focal. Mas todos foram devidamente guardados após o uso dos dados. Eeles foram utilizados apenas para esta pesquisa e para fins de divulgação científica. Ao todo, foram preenchidos 49 questionários pelos bolsistas de iniciação à docência do Pibid Música. À época da realização desta pesquisa, os cursos pesquisados contavam com 75 bolsistas de iniciação à docência. Isso significa que o número de licenciandos participantes desta pesquisa (49) correspondeu a 65,3% dos bolsistas de inicação à docência dos cursos de música pesquisados. Ou seja, a voz dos licenciandos aqui retratada representou a voz da maioria dos bolsistas de iniciação à docência de 6 subprojetos do Pibid Música de Minas Gerais.

Desse modo, pude formar seis grupos focais. Apesar de o campo de estudo da pesquisa ser formado por cinco universidades, uma delas desenvolvia dois subprojetos do Pibid Música. Outra universidade também possuía dois cursos de licenciatura, mas desenvolvia apenas um subprojeto do Pibid Música. Enfim, ao todo, a pesquisa integrou cinco universidades, sete cursos e seis subprojetos do Pibid Música. A organização dos grupos focais foi feita juntamnete com as entrevistas, como relatado anteriormente. O TCLE dos licenciandos também foi encaminhado por e-mail, para que os alunos pudessem se familiarizar com a pesquisa.

A primeira etapa do grupo focal, o estabelecimento do rapport, eu a reservei para a apresentação dos participantes, dos objetivos da reunião e da pesquisa e para explicação sobre a dinâmica dos trabalhos, situando as técnicas lúdicas como possibilidade de construção de dados em pesquisa qualitativa. Em seguida, entreguei o TCLE impresso para a leitura e assinatura dos participantes. Apesar de o documento ter sido encaminhado por e-mail com antecedência, alguns dos alunos ainda não o conheciam. Feita a leitura e tendo a concordância de todos em participar do estudo, solicitei a assinatura de todos no documento e passei a recolher o material mantendo-o bem guardado. Os participantes dos grupos focais foram os bolsistas de iniciação à docência dos cursos de música, mediados pela pesquisadora, e mais um ou dois observadores, dependendo da cidade. Em Belo Horizontes, foi fácil conseguir apoio de dois colegas da pós-graduação para atuar como observadores. Os dois grupos focais realizados em Belo Horizonte contaram com a participação de dois observadores cada um. Nas outras cidades, quando do acordo das datas e horários, solicitei aos coordenadores a indicação de uma pessoa para ficar responsável pela observação, evitando, assim, a perda das impressões do observador. Nas cidades do interior mineiro, contei com a participação de licenciandos e de professores dos cursos que gentilmente participaram como observadores do grupo focal. Só em uma universidade, apesar de ter agendado um observador, o licenciando não apareceu. Neste caso, como forma de minimizar o problema, anotei minhas impressões nos períodos em que os licenciandos estavam recortando, colorindo, colando ou elaborando o diagrama.

Vale lembrar que antes do encontro com o grupo focal, rapidamente expliquei ao observador(a) de cada cidade os objetivos da pesquisa e a função a ser desempenhada. Também entreguei-lhe o tópico-guia que eu utilizaria, contendo as atividades a serem desenvolvidas ao longo do encontro. Durante a realização da atividade com os grupos focais, me dirigi, por vezes, ao observador(a) para dar suporte e esclarecer dúvidas. Aos observadores que colaboraram comigo na pesquisa retribui com um valor simbólico. Só uma professora e uma doutoranda não quiseram receber a recompensa.

Ressalto que a adoção do grupo focal se deve ao fato de esse instrumento permitir

compreender processos de construção da realidade por determinados grupos sociais, compreender práticas cotidianas, ações e reações a fatos e eventos, comportamentos e atitudes, constituindo-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado. (GATTI, 2012, p. 11).

Como metodologia do grupo focal, optei pela utilização de recursos pedagógicos, considerados mais adequados para mapear os conhecimentos em construção no Pibid Música e obter dados mais relevantes para o problema em questão. O caráter lúdico da proposta gerou um ambiente de descontração e interesse, o que contribuiu para promover a interação entre os participantes. Nessa perspectiva, a realização do grupo focal contou com duas atividades lúdicas, a Mala Pedagógica e o Diagrama de Processos.

A Mala Pedagógica foi utilizada para identificar quais conhecimentos eram construídos na interação entre a universidade e as escolas de educação básica, e nos processos de reflexão com a equipe do Pibid Música. Para a realização dessa atividade, utilizei, como materiais didáticos, duas malas de cores diferentes, uma vermelha e outra verde, cartões coloridos, canetinhas coloridas, tesouras, tubos de cola, lápis de cera, papel pardo, gravador, máquina fotográfica e revistas pedagógicas escolhidas e adquiridas para esse fim. Foi colocada no chão uma folha de papel pardo, com tamanho suficiente para deitar uma pessoa adulta, com pernas e braços afastados. Um voluntário

se deitou sobre o papel e os outros colegas desenharam, com canetinhas, o contorno do corpo do professor de música em processo de formação. Em seguida, solicitei, no papel de moderadora, que os licenciandos dividissem o desenho do corpo do professor de música ao meio e na vertical, utilizando uma canetinha colorida. A próxima etapa tinha como finalidade depreender o que o aluno estava aprendendo nos espaços escolares. Então distribuí as malas pedagógicas. Os alunos escolheram o lado do corpo em que colocariam cada uma. Uma mala representava os conhecimentos adquiridos no âmbito da universidade e a outra, os conhecimentos adquiridos com a experiência na escola de educação básica. Com os materiais didáticos distribuídos, os alunos montaram as malas com recortes de revistas, desenhos elaborados por eles, frases escritas ou recortadas e coladas nas fichas de cartolina. Ao terminar o tempo estabelecido, as representações dos conhecimentos foram socializadas e debatidas, o que promoveu um intenso processo de interação entre os participantes e trouxe à tona uma diversidade de conhecimentos profissionais em construção.

Após o intervalo para o lanche, passei à segunda técnica lúdica, a da atividade do Diagrama de Processos. Essa atividade teve como finalidade depreender a noção de processo, de contexto, de sentido e significado. Solicitei aos licenciandos a divisão em dois ou três grupos. A forma que os bolsistas encontraram de se agrupar foi manter os dois grupos de trabalho do Pibid Música, nas escolas de educação básica. Definidos os grupos, pedi a cada grupo que elegesse uma atividade do Pibid Música considerada significativa. Percebi aí a interação entre os participantes para a escolha da atividade. Qual era a mais relevante e por quê? Selecionada a atividade, cada grupo iniciou a construção do diagrama, que devia conter informações que caracterizassem e contextualizassem a atividade. Chamei a atenção deles para a ideia do porque fazem como fazem e distribuí cartões, folhas brancas, canetinhas, cola e lápis de cor. Terminado o diagrama, cada grupo apresentou a atividade, explicando o que fizeram, como fizeram e por que fizeram. Todos os diagramas foram fotografados para uso exclusivo desta tese.

Por fim, considero importante ressaltar que os dados das entrevistas, do grupo focal e dos questionários foram todos construídos nas universidades, campo de pesquisa desta tese. Manter a diversidade dos lugares só foi

possível com a ajuda financeira proporcionada pela professora orientadora, que custeou passagens aéreas, hospedagem e alimentação. Minha orientadora não só concordou com a abrangência da pesquisa no estado de Minas Gerais, como também criou condições reais para a sua realização.