3. TEORI OG HYPOTESER
3.1. Fra dialektologi til sosiolingvistikk
Segundo dados do IBGE (2010), o bairro Morumbi conta com uma população de aproximadamente 18.000 habitantes, possui um número de 5.677 domicílios, o maior número de população está entre 15 e 19 anos. A renda mensal de 47% da população está entre dois a cinco salários mínimos.
Segundo pesquisas da Secretaria de Desenvolvimento Social de Uberlândia, o bairro Morumbi está entre os dez bairros uberlandenses que contém a maior quantidade de famílias com renda per capita de até R$ 77 (setenta e sete reais), grupos estes que vivem em condições de extrema pobreza.
Ao entorno do bairro Morumbi, encontra-se o Residencial Integração, que teve início através de um processo de ocupação. Tem uma população aproximada de 14.000 habitantes que vivem em 4.953 domicílios, segundo IBGE (2010). O maior número de sua população está entre 10 a 14 anos somando um total de 1.544 crianças e adolescentes.
Dentre os vinte entrevistados, seis não moram nos bairros próximos à ONG Ação Moradia, sendo eles os cinco gestores/fundadores e uma funcionária. Para esse capítulo utilizaremos dados somente de moradores dos bairros ao entorno da ONG.
Em relação aos usuários, ex-usuários e funcionários entrevistados, pudemos constatar que todos são do sexo feminino, sendo a maioria delas entre 18 e 40 anos.
Gráfico 1 - Média de idade dos sujeitos da pesquisa.
Fonte: Organizado pela autora.
Em relação à escolaridade, duas entrevistadas têm o Ensino Fundamental incompleto; sete o Ensino Médio incompleto; uma o Ensino Médio completo; uma o Superior completo, e três não informaram.
Quanto à naturalidade, foi possível constatar que a maioria são oriundas de outras cidades, das quatorze entrevistadas onze não nasceram em Uberlândia.
Gráfico 2 - Estados de origem dos sujeitos da pesquisa.
Fonte: Organizado pela autora.
Os três sujeitos da pesquisa que afirmaram ter nascido em Uberlândia encontram-se na faixa etária de 18 a 19 anos, sendo que estes mencionaram que os pais não são
uberlandenses. Os motivos pelos quais justificam essa migração foram relacionados, principalmente, pela busca de melhores salários e empregos e melhor qualidade de vida3. Alguns depoimentos apontam esse momento:
Porque eu não suportava mais viver naquele buraquinho. Deus me livre, Nossa Senhora! Ai eu falei: Eu quero ir embora, eu quero ir embora! (B4). Eu vim em busca de uma vida melhor, porque a onde eu morava, lá é uma cidade pequena, não oferece tanta oportunidade de emprego, então eu já conheci, já tinha vindo aqui em Uberlândia passear, aí eu peguei e era solteira nessa época, aí eu vim em busca de uma cidade grande, de uma oportunidade e já conhecia Uberlândia e voltei (C5).
[...] estava difícil a situação, falta de emprego. Eles vieram por causa de emprego (C3).
Foi possível constatar que a maioria delas chegou até Uberlândia por indicação de algum amigo ou conhecido e/ou por ter alguém na família que veio primeiro para trabalhar e depois conseguiu buscar o restante dos membros familiares. Isso se evidencia em várias falas,
A minha mãe já estava aqui já, aí ela falou assim: eu arrumei um serviço aqui se você quiser vim (B4).
Meu marido trabalhava aqui e morava aqui nessas imediações, [...] e ficava complicado porque ele ia lá de 3 em 3 meses. E como eu tinha filho pequeno eu fiquei lá, eles cresceram, e quando eu vim pra cá só tinha um menor (A2).
Eu tinha amiga aqui, quando eu vim passear. Aí depois que eu amasiei, aí que eu vim em definitivo pra morar em Uberlândia [...] Aí a gente viemos juntos, nós dois com esse mesmo pensamento, de tentar aqui em Uberlândia uma vida melhor (C5).
A busca por uma vida melhor permeia todas as falas, mas quando estas pessoas chegam na cidade vão de encontro com a real situação, e acabam por morar em bairros distantes do centro, com pouca infraestrutura, afinal é o que os salários permitem pagar. A materialização da desigualdade no espaço aparece de forma mais acentuada nas grandes cidades e metrópoles.
Carlos pontua que
3 De acordo com a OMS, Qualidade de vida é definida como a percepção do indivíduo de sua posição na vida
no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (FLECK, 2000).
As classes de maior renda habitam melhores áreas, seja as mais centrais ou, no caso das grandes cidades, quando nestas áreas centrais afloram os aspectos negativos como barulho,congestionamento, lugares mais distantes do centro buscam um novo modo de vida em terrenos mais amplos, arborizados, silenciosos, e com maiores possibilidades de lazer. Á parcela de menor poder aquisitivo da sociedade restam as áreas centrais, deterioradas e abandonadas pelas primeiras, ou ainda a periferia, logicamente não a arborizada, mas aquela em que os terrenos são mais baratos, devido á ausência de infraestrutura, á distância das “zonas privilegiadas” da cidade, onde há possibilidades da autoconstrução da casa realizada em mutirão. Para aqueles que não têm nem essa possibilidade, o que sobra é a favela, em cujos terrenos, em sua maioria, não vigoram direitos de propriedade. Ao exército industrial de reserva que não consegue sequer viver de bicos e se apega ao comércio nos semáforos, e ás esmolas, sobram os bancos públicos, as marquises ou o abrigo das pontes e viadutos (CARLOS, 2005, p. 48).
A cidade abriga de alguma forma essa população, seja nas periferias, nas favelas, ou até mesmo nas pontes e viadutos. Um exemplo, é que alguns sujeitos inquiridos relatam que passaram por vários bairros até se alocarem no local atual de moradia. A maioria passou por três a quatro bairros, o que acontece muitas vezes pelo processo acentuado de especulação imobiliária que as cidades de grande e médio porte sofrem. Quanto maior o número de equipamentos urbanos em um bairro, maior é o preço dos loteamentos, obrigando assim a população de baixa renda a procurar espaços com preços mais acessíveis.
Vish!, eu morei em tanto bairro, primeiro bairro que eu morei, foi no bairro Dom Almir, depois do Dom Almir, morei no Prosperidade, bairro Ipanema, Morumbi, no Zaire Resende, Pampulha, Custódio Pereira, agora que eu vim parar aqui agora. Ah no bairro São Francisco também, aí agora eu estou morando aqui no bairro Integração (C2).
De acordo com os dados oficiais as áreas de ocupação “irregular” ao entorno da ONG foram denominadas pela prefeitura de Residencial Integração, o qual será detalhado à frente. Quando perguntado às entrevistadas qual bairro residem, surgiram vários nomes como verificado no gráfico abaixo.
Gráfico 3 - Bairros de residência dos sujeitos da pesquisa.
Fonte: Organizado pela autora.
A maioria das entrevistadas mora nos bairros pesquisados há mais de 15 anos. Algumas estão desde os loteamentos do PAIH e o começo das ocupações, o que enriqueceu a pesquisa, pois entendemos que boa parte dos sujeitos inquiridos acompanhou o crescimento e a mudança tanto do Morumbi quanto do atual Residencial Integração.
Gráfico 4 - Gráfico sobre tempo de moradia dos entrevistados nos bairros pesquisados.
Fonte: Organizado pela autora.
Os problemas relatados referentes ao começo do bairro são desde contratempos estruturais, como falta de pavimentação, até problemas inerentes às cidades de médio e grande porte, como violência e drogas. Nas entrevistas se destacaram dois tipos de falas, ou seja, daquelas que viveram o início do conjunto habitacional que hoje é o Morumbi e daquelas que
vivenciaram o começo das ocupações no atual Residencial Integração. Alguns relatos foram parecidos, mas outros são singulares à realidade vivida nas ocupações.
Como dito anteriormente, a prefeitura firmou o acordo de levar infraestrutura para o conjunto habitacional, o que não aconteceu de imediato, fazendo com que a população passasse por muitos problemas. Estão presentes na maioria dos depoimentos, dificuldades relacionadas à estrutura física dos bairros e à falta de equipamentos urbanos suficientes para atender a demanda da população por educação, saúde, lazer, dentre outros. Surgiram alguns tópicos mais apresentados nos depoimentos:
A falta de pavimentação:
Não tinha asfalto, não tinha nada, não tinha nem separado os quarteirões (C4).
[...] era um bairro popular, sem infra-estrutura nenhuma, a rede fluvial era muito ruim, tinha energia elétrica, mas não tinha pavimentação na rua, era bem triste mesmo sabe? (B5).
Falta de equipamentos urbanos:
[...] Aqui era terra, era longe, o ônibus era 1 só, aí passou a ser dois ônibus, e era aquela peleja [...]na época que eu mudei para cá eu achava difícil, porque não tinha posto médico, tinha que vir no Alvorada, o Alvorada era pequeno, o Dom Almir também era muito pequeno. Então eu tinha que sair cedo para trazer os meninos para consultar (A5).
[...] na época só tinha uma via de ônibus que era direto pro centro. Nossa, foi muito difícil! (B5).
As falas acima reforçam como as relações e conjunturas contribuem para que a população de classe baixa se sinta ainda mais marginalizada; a distância entre o bairro e o local de trabalho; a dificuldade dos meios de transporte; a falta de postos de saúde; entre outros, nos passa a impressão de que essas pessoas são esquecidas pelo poder público.
A cidade em si, como relação social e como materialidade, torna-se criadora de pobreza, tanto pelo modelo socioeconômico de que é o suporte como por sua estrutura física, que faz dos habitantes das periferias (e dos cortiços) pessoas ainda mais pobres. A pobreza não é apenas o fato do modelo socioeconômico vigente, mas, também do modelo espacial (SANTOS, 1996, p. 10).
As ocupações urbanas “irregulares” também são reflexo desse modelo socioeconômico e espacial vigente.