• No results found

FoU-utgifter

3 Marine FoU-utgifter i 1999

3.2 FoU-utgifter

Para Paquay et al (2001) a natureza dos conhecimentos dos professores especialistas, não são sinais de ordem taxionômica, mas, de ordem funcional cuja pergunta está em indagar como se estruturam os diversos conhecimentos mobilizados pelo professor especialista (associado) quando ele concebe, estrutura, gerencia, ajusta e avalia sua informação.

O autor afirma que persistem muitas incertezas quanto ao funcionamento cognitivo deste profissional em situação concreta, devendo procurar

[...] descobrir quais conhecimentos empíricos colaboram para o controle de situações concretas, qual o papel desempenhado pelas dimensões afetivas, qual é o impacto da representação do ofício para os professores e se o funcionamento cognitivo do novato é similar ao do experiente (PAQUAY et al, 2001, p.14)

Temos que admitir, com Perrenoud (2001), que um professor não é apenas um “conjunto de competências”. É uma pessoa em relação e em evolução com o mundo. Portanto, é importante saber como se relacionam os processos de profissionalização e de personalização. É importante que saibamos que contextos individuais, organizacionais e culturais exercem influência sobre a construção das competências profissionais. Não há dúvida de que as condições sociais, a cultura desse profissional, as pressões, os baixos ou altos salários favorecem o desenvolvimento das competências profissionais ou reforçam as resistências, os desestímulos (PAQUAY et al, 2001).

Porém, o autor colocar que a competência exige a capacidade de atualização dos saberes ou das informações, supondo em sua descrição a observância de três elementos complementares:

- os tipos de situações sobre as quais há um certo domínio;

- os recursos que mobiliza os conhecimentos técnicos ou metodologias, as atitudes, o savoir-faire e as competências mais específicas, os esquemas motores, os esquemas de percepção, de avaliação, de antecipação e de decisão.

- a natureza dos esquemas de pensamento que permitem a solicitação, a mobilização e a orquestração dos recursos pertinentes em situação complexa em tempo real.

A capacidade de atualização de saberes exige um novo comportamento do professor voltado para o “aprender a aprender”, notadamente, no desenvolvimento de habilidades em recursos tecnológicas de ensino a fim de incrementar suas aulas e torná-las mais motivadoras.

A partir da concepção de Perrenoud (2001) apreendemos que as competências estão ligadas a contextos culturais, profissionais e condições sociais e que os indivíduos desenvolvem suas competências adaptadas ao seu mundo, sendo algumas de maneira formal (estruturada e propiciada pelo sistema formal de

educação e treinamento) e outras, de maneira informal (não estruturada - com o trabalho, amigos, parentes, literatura).

No tópico seguinte, abordaremos a competência informacional, foco desta pesquisa.

5 A GÊNESE DA COMPETÊNCIA INFORMACIONAL

O discurso da “competência informacional” surgiu nos Estados Unidos, na década de 1970, no contexto da sociedade da informação, contexto sócio-histórico em que a informação é reconhecida como essencial ao desenvolvimento de sociedades e nações. A profusão de informações exigia novas tecnologias para torná-la acessível e, principalmente, indivíduos capazes de lidar eficazmente com o novo ambiente informacional.

Vislumbrando uma onda de mudanças que se configurava com o novo paradigma, o bibliotecário americano Paul Zurkowski, então presidente da

Information Industry Association nos idos de 1974 encaminhou a National Commission on Libraries and Information Science – NCLIS, o relatório The information service environment relationships and priorities. Neste relatório havia a

recomendação da criação de um programa nacional para que todos alcançassem a

Information Literacy na próxima década (HATSCHBACH, 2002).

Segundo Campello (2003) a competência informacional foi o “grito” de bibliotecários americanos, no intuito de melhorar a imagem da biblioteca e tirá-la do estado de desprestígio no qual se encontrava. Campello (2006, p.3) ressalta o fato de a biblioteca não ter sido mencionada como recurso pedagógico no relatório A

Nation at Risk: the Imperative for Educational Reform (United States, 1983 apud

CAMPELLO, 2006), que traçava um diagnóstico da educação norte-americana enfatizando problemas de aprendizagem na década de 1980, fato que gerou uma forte reação da classe bibliotecária.

A exclusão gerou forte reação da classe que, por meio de uma série de iniciativas, procurou ressaltar sua capacidade em contribuir para a aprendizagem, especialmente no que dizia respeito ao ensino de habilidades de pesquisa, de uso da biblioteca e das fontes de informação. O termo competência informacional foi então usado para designar o conjunto dessas habilidades, que se faziam necessárias, especialmente em uma sociedade caracterizada por um ambiente informacional complexo (CAMPELLO, 2006, p.3)

O resultado desse movimento foi uma série de publicações sobre a temática e o lançamento do relatório Presidential Committee on Information Literacy da

American Library Association (ALA) em 1989, que enfatizava a necessidade de

documento incluiu um conceito que é amplamente divulgado e aceito internacionalmente por reunir todo o espectro da competência informacional, sendo um dos mais citados na literatura da área.

Para ser competente em informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando uma informação é necessária e deve ter a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...] Resumindo, as pessoas competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas sabem como aprender pois sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela. (ALA, 2000, p.1)

Na interação de Campello (2003) com Reis (1999), ela retoma o pensamento do autor para dizer que

[...] o tom do discurso do movimento é claramente o de exortação e de mudanças demandadas pela sociedade da informação. É uma estratégia retórica que se centra na persuasão e que procura levar os praticantes a se convencerem da necessidade de transformação inevitável que virá com as novas exigências da sociedade da informação. (REIS, 1999 apud CAMPELLO, 2003, p. 32)

A competência informacional enfatiza a aquisição de novas habilidades e fluência informacional para se adequar às exigências da nova sociedade. A necessidade de uma consciência política em se ampliar o uso das TIC‟s na mudança de paradigma para sociedade da informação, também influenciou o movimento da competência informacional.

Área de estudos relativamente nova, a competência informacional, vem evoluindo internacionalmente e o maior volume de literatura sobre o assunto se encontra nos Estados Unidos e Austrália. O Brasil vem desenvolvendo trabalhos significativos, mas ainda está num estágio incipiente.

Vários organismos vêm fomentando o desenvolvimento da competência informacional como: National Forum of Information Literacy – NFIL (1990); Institute for Information Literacy – IIL (1997), da Association of College and Research Library/American Library Association - ACRL/ALA; International Federation of Librarians Associations and Institutes – IFLA; Australian and New Zealand Institute for Information Literacy – ANZILL (2002); NORDINFOLIT (Grupo Nórdico de Information Literacy); a UNESCO – Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura também tem apoiado o movimento promovendo eventos em torno da temática (HATSCHBACH, 2002)

É um conceito ainda em construção e várias traduções já foram atribuídas ao termo information literacy tais como: alfabetização informacional, letramento, literacia, fluência informacional, competência informacional. (DUDZIAK, 2003 apud CAMPELLO, 2003).

Autores como Belluzzo (2001, 2004) e Dudziak (2002, 2003) adotam a expressão “information literacy”, sem tradução. Adotaremos aqui, o uso do termo “Competência Infomacional” como tradução de “Information Literacy”, feita por Campello (2003). É importante ressaltar que, seja qual for o termo utilizado, existe uma idéia comum no que diz respeito à competência informacional: o uso de atividades de ensino-aprendizagem no processo de desenvolvimento de competência em informação.

No intuito de ampliar a compreensão sobre esta temática, nos próximos tópicos revelamos vários estudos que abordam pontos importantes para o desenvolvimento das habilidades em informação, incluindo, conceitos, tipologias, dimensões e atributos da competência informacional.