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De posse das informações a serem analisadas, e após uma leitura de todos os documentos acessados para tomar uma primeira decisão sobre quais deles efetivamente estão de acordo com os objetivos da pesquisa (ou são representativos), e iniciarmos o processo de codificação dos materiais estabelecendo um código que nos possibilitasse identificar cada elemento da amostra dos documentos a serem analisados, procedemos à releitura dos materiais com a finalidade de definir a unidade de análise.

Também denominada ‘unidade de registro’ ou ‘ unidade de significado’, a unidade de análise é o elemento unitário de conteúdo a ser submetido posteriormente à classificação. Toda categorização ou classificação necessita definir o elemento ou indivíduo unitário a ser classificado. Na análise de conteúdo denominamos este elemento de unidade de análise (MORAES, 1999, p. 9).

Para a obtenção das respostas sobre a nossa questão investigativa, e a partir da seleção do corpus da investigação, seleção de textos advindos da literatura sobre competência, competências em tecnologias da informação e comunicação, competência de aprendizagem e inovação e competência digital, e outros textos produzidos em forma de relatórios e projetos pedagógicos, escolhidos como material de análise, fizemos uso das seguintes unidades de análise: Unidades Físicas, Unidades Sintáticas, Unidades Proposicionais e Unidades Temáticas ou Semânticas.

2.8.1 Unidades Físicas

Segundo Bardin (2011, p. 134), a unidade de registro é uma unidade de significação codificada e corresponde ao segmento de conteúdo considerado unidade de base, visando à categorização e a contagem frequencial. A unidade de registro, para esta autora, pode ser de natureza e de dimensões muito variáveis. As unidades podem ser tanto as palavras, frases, temas ou mesmo os documentos em sua forma integral.

Na tentativa de definir o conceito de competência na literatura, identificar as competências para uso das tecnologias da informação e comunicação nos Relatórios Europeus, e encontrar respostas relacionadas à construção de competências básicas para o uso das tecnologias da informação e comunicação na educação superior, identificando a presencialidade das competências de aprendizagem e inovação e competência digital nos PPC comparando-as quanto à sua construção no Brasil e em Portugal, realizamos nesta pesquisa a análise documental, a partir das seguintes unidades físicas:

·Livros, artigos de periódicos e teses que tratassem do tema competência. Material de análise escolhido para o alcance da primeira meta: Conceito de competência na literatura.

·Os Relatórios Europeus - Relatório Números-chave da Educação na Europa 2010 e 2011 e Relatórios Números-Chave sobre a aprendizagem e inovação através das TIC nas escolas, 2011 e 2012, para a identificação de competências em TIC, competências de aprendizagem e inovação e competência digital;

· Os Projetos Pedagógicos e Estruturas Curriculares - PPC de universidades brasileiras (PPC de Ciências da Computação, PPC de Física, PPC de Medicina e PPC de Pedagogia) e Projetos Pedagógicos das universidades portuguesas (Ciências do Mar, Educação Básica e Novas Tecnologias /universidade de Aveiro; Ciências da Saúde, Ciências da Educação e Formação e Tecnologias da Informação e

Comunicação/universidade de Lisboa; e Ciências da Educação, Ciências da Nutrição e Turismo /universidade Lusófona), para o alcance das metas seguintes.

2.8.2 Unidades Sintáticas

A unidade sintática consiste na decomposição do texto a fim de descrever e compreender a maneira pela qual os elementos sintáticos são organizados na sentença. Buscam-se nas unidades menores (por exemplo, a sentença) as razões para certos fenômenos detectados nas unidades maiores (por exemplo, o texto). Os procedimentos sintáticos enfocam os transmissores de sinais e suas inter-relações, descrevem os meios de expressão e influência.

Através da sintaxe nesta pesquisa, buscamos descrever o que foi dito/escrito nos Projetos Pedagógicos e Estrutura Curricular dos Cursos de Graduação - PPC sobre as competências requeridas dos egressos dos cursos de graduação da educação superior, para, a partir daí, verificar como são construídas as competências básicas em tecnologia da informação e comunicação nos cursos pesquisados, tomando como parâmetro as definições e orientações advindas da literatura pesquisada e dos documentos de orientação europeia (Relatórios Europeus). A frequência e os tipos das palavras e sua ordenação constituíram-se indicadores de categorias analíticas.

2.8.3. Unidades Proposicionais

A proposição é um enunciado geral baseado nos dados. Enquanto os conceitos podem ou não se ajustar, as proposições são verdadeiras ou erradas, mesmo que se possa ou não ter condições de demonstrá-las. O fato é que as proposições derivam do estudo cuidadoso dos dados.

São núcleos lógicos das frases. Proposições complexas são desconstruídas em núcleos na forma sujeito/verbo/objeto. Ao tomarmos, por exemplo, a frase de Le Boterf (2003): “uma combinação de habilidades, conhecimentos e atitudes compõem as competências, indicando as várias possibilidades de sua contribuição na área educacional”, podemos separá-la em outras frases: “As competências são uma combinação de habilidades, conhecimentos e atitudes [...] indicam as várias

possibilidades de sua contribuição na área educacional” (LE BOTERF, 2003, p. 63). Obtendo-se assim, a desconstrução da frase em núcleos proposicionais, cuja segmentação sintática da frase serve para se produzir inferências nos textos analisados.

2.8.4 Unidades Temáticas ou Semânticas

As unidades temáticas ou semânticas representam significações das palavras. As quais podem ser divididas semanticamente em “palavras sinônimas”, ou aquelas que possuem significado ou sentido semelhante; “palavras antônimas”, ou as palavras que indicam sentidos opostos, denominados antonímia; ou uma mesma palavra que assume diferentes significados, a depender do contexto em que esteja inserida - “palavras polissêmicas”. Auxiliam na interpretação atribuída a um sintagma nominal que seja argumento de um verbo. A função temática é o papel semântico desempenhado pelos argumentos do verbo, à semelhança do que acontece com o funcionamento das funções sintáticas no plano da sintaxe.

Ao se descobrir um tema nos dados, é preciso comparar enunciados e ações entre si, para ver se existe um conceito que os unifique. Por outro lado, quando se encontram temas diferentes, é necessário achar semelhanças que possa haver entre eles. Nesse sentido, podemos dizer que as unidades temáticas ou semânticas são definidas como características dos textos que implicam muitas vezes julgamentos de estratificação, que implicam um juízo humano.

No nível semântico executam-se recortes como o “tema”, e a nível linguístico como a “palavra” ou “frase”. O “tema” é uma unidade de significação complexa, de comprimento variável; a sua validade não é de ordem linguística, mas antes de ordem psicológica: podem constituir um tema tanto uma afirmação como uma alusão. Inversamente, um tema pode ser desenvolvido em várias afirmações (ou proposições).

Qualquer fragmento pode remeter para diversos temas, afirma Bardin (2011, p.135) reforçando que “a ‘palavra’ não tem definição precisa em linguística, mas para aqueles que fazem uso do idioma corresponde a qualquer coisa”. Todas as palavras do texto podem ser levadas em consideração, ou podemos nos deter unicamente em analisar as palavras-chave ou as palavras – tema.

Nesse trabalho nos detivemos inicialmente na análise da palavra-tema competência ou competências, dando prosseguimento a continuidade da pesquisa de texto considerando palavras-tema muitas vezes relacionadas à palavra competência, tais como: habilidades, atitudes, aptidões, capacidades e conhecimentos.