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São utilizados para o diagnóstico da infecção pelo VIH através da detecção de anticorpos para o VIH e, em geral, utilizam o sangue como amostra, existindo a possibilidade de recorrer a saliva e a urina. (17)

A resposta com a IgM precede ligeiramente a resposta com a IgG no início da infecção sendo, por isso, sinónimo de uma infecção recente. A resposta IgA anti-VIH é característica da infecção na infância. (17)

Testes imunoenzimáticos: ELISA (Enzyme-Linked Immunoabsorbent

Assay) é o método serológico mais utilizado no diagnóstico da infecção por VIH. A

amostra de sangue é colocada num capilar ou numa outra fase sólida receptora e os anticorpos anti-VIH presentes na amostra ligar-se-ão ao antigénio existente na superfície sólida. Após lavagem para remoção do excesso (amostra que não foi capaz de se ligar à superfície sólida), adiciona-se um reagente indicador do anticorpo que se liga ao complexo Ac-Ag. Procede-se novamente à lavagem da superfície sólida e se ocorrer emissão de um sinal (por exemplo cor ou fluorescência) aquando da adição de um

1 mês 1 ano SIDA

MESTRADO INTEGRADO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 23 substrato próprio significa que a amostra estava infectada. São necessários controlos positivos e negativos. (13)(21)

A explicação mais comum para os falsos negativos reside no facto de existirem testes que são realizados no intervalo que decorre desde a transmissão até à seroconversão (de um modo geral, uma pessoa infectada começa a produzir anticorpos 6 a 12 semanas após a infecção), no entanto podem ser associadas outras causas como é o caso da infecção por estirpes de VIH antigenicamente distintas, tais como o subtipo O do VIH-1 ou o VIH-2 (nos países em que a incidência do VIH-2 é significativa, como é o caso de Portugal, os testes ELISA utilizados permitem a detecção dos dois tipos de VIH).(10)(13)(21)

Testes rápidos: fornecem os resultados no mesmo dia da colheita da amostra sangue ou fluido oral, e não requerem a utilização de reagentes ou equipamentos adicionais ao kit do teste (alguns kits precisam de refrigeração pois apresentam reagentes sensíveis ao calor). São úteis para laboratórios que realizam menos de 40 testes ao VIH por dia e também para os países com infra-estruturas laboratoriais muito limitadas. Baseiam-se num dos seguintes princípios imunológicos, sendo eles a aglutinação, interacção Ag-Ac (com aplicação de ensaios imunoenzimáticos), imunofiltração e imunocromatografia. Em geral detectam anticorpos tanto para o VIH-1 como para o VIH-2 já que contêm antigénios dos dois tipos de VIH. (21)

Western blot: permite a detecção de anticorpos específicos contra cada uma das proteínas do VIH e é considerado um processo em múltiplas camadas semelhante ao ELISA. (14)

Os antigénios do VIH são organizados, desde o mais elevado peso molecular para o mais baixo, numa tira de nitrocelulose (obtida por electroforese) e ao incubar a amostra com a tira, os anticorpos VIH existentes na amostra ligam-se a esses antigénios. Posteriormente, a adição de uma enzima leva à formação de um complexo anticorpo-enzima e, finalmente, é adicionado um reagente que muda de cor quando entra em contacto com o complexo de antigénio-anticorpo-enzima. (14)

Este método possibilita também o estudo mais pormenorizado da resposta serológica pois permite caracterizar a classe de imunoglobulina específica para o VIH presente no sangue ou noutro fluido orgânico. (17)

Tendo em conta a evolução tecnológica de outros testes serológicos e virológicos, deixou de ser tão importante como teste de confirmação do VIH. (14)

MESTRADO INTEGRADO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS 24 7.2. Testes virológicos

Há situações em que a presença de anticorpos anti-VIH não é sinónimo de infecção pelo VIH, como é o caso dos filhos recém-nascidos de uma mãe seropositiva. Os anticorpos para o VIH maternos são transferidos para o bebé passivamente durante a gravidez e só depois é que os seus níveis diminuem. Nestes casos, recorre-se aos testes de diagnóstico directos ou virológicos, como é o caso do isolamento do vírus, a pesquisa do antigénio p24 no sangue, a detecção de ADN proviral ou a pesquisa de ARN no plasma. (5) (14)

Testes para o antigénio p24: a proteína viral p24, a qual faz parte do núcleo do VIH, está presente no soro na forma livre ou ligada ao anticorpo anti-p24. Apenas é detectável na forma livre, ou seja, tipicamente no início da infecção quando está em excesso relativamente ao anticorpo. Deste modo, este tipo de testes é especialmente importante no diagnóstico de infecções precoces ou de diagnóstico em recém-nascidos. (14)

O método ELISA pode ser utilizado para tal, mas nesse caso a fase sólida receptora contém os anticorpos anti-VIH e os antigénios que poderão surgir na amostra de sangue ligar-se-ão assim à superfície sólida. (13)

Testes moleculares para detecção de ARN e ADN viral: estes testes são complexos e exigentes tecnicamente, pois incluem técnica de extracção, amplificação e detecção do ácido nucleico. Deste modo, não são indicados para o diagnóstico de uma nova infecção, mas sim para direccionar a terapêutica anti-retroviral uma vez que são capazes de identificar no genoma do VIH mutações associadas a resistências. (13) (14)

O método de PCR (Reacção em Cadeia da Polimerase) é um dos ensaios que pode ser utilizado para a detecção dos ácidos nucleicos virais. A sua utilidade como meio de diagnóstico apenas tem importância na infância. O PCR permite amplificar exponencialmente sequências de ADN através da repetição de ciclos de temperatura no caso da detecção de ARN (o método mais comum na infecção pelo VIH) este deve ser primeiramente convertido em ADN pela enzima transcriptase reversa antes da realização propriamente dita do PCR, pelo que o método, nesta situação toma a designação de RT-PCR em tempo real. (17) (14)