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Fosfor- og næringsstoffstatus i jorda

4. Diskusjon

4.1 Fosfor- og næringsstoffstatus i jorda

Se os livros digitais, mesmo os ilustrados, não possuem interatividade, não se classificam neste tipo de experiência ampliada de leitura. E há de se diferenciar alguns exemplares que, embora se auto-intitulem livros digitais interativos, não passam de pdfs adicionados à nova plataforma, ou seja, são no máximo e-books simples disfarçados de produto mais interativo. Há no mercado brasileiro uma série de lançamentos, por exemplo, que limitam-se a reproduzir o texto e as ilustrações como um arquivo pdf, acrescentando, aqui e ali, animação automática a algumas das imagens – também não é sobre esses livros de que esta dissertação trata. A interatividade pela interatividade, sem propósito com a história, ou sem construção de significados com o leitor, não interessa a esta pesquisa como exemplo, e não deveria interessar para a leitura. Para que uma obra seja verdadeiramente um livro digital interativo, é necessário que o recurso ajude a contar a história, senão ele vira apenas penduricalho.

A experiência dos e-books interativos não deveria ficar restrita a animações baseadas em interação de toque-e-resposta, ou simplesmente virar a página; ao projetar esses livros, deve-se perguntar o que é a experiência ampliada [enhanced] – por que trazer do impresso para o digital e como criar valor e diversão.

[...] Na corrida para trazer livros interativos ao mercado, alguns dos livros vêm somente com elementos de interatividade muito superficiais – o que eu chamo de interatividade por causa da interatividade –, onde, por exemplo, tocar uma imagem ativa uma animação simples, como fazer uma borboleta voar ou cair as folhas da árvore no chão. Essas experiências interativas não agregam valor para a história, e são, portanto, um pouco sem sentido.36

Assim, os enhanced e-books infantis são aqueles produtos que uniram conhecimentos de cinema de animação, videogame e literatura para oferecer ao leitor uma experiência com mais diversão e participação – embora dirigida, já que as interações nos livros digitais infantis raramente levam a criança ao ambiente externo do aplicativo que estão lendo. Como bem lembra Cardoso, as interações entre mídias podem ser construtivas e benéficas para os meios envolvidos:

Um e-book toma um pouquinho do videogame, assim como o cinema tomou do teatro, como o quadrinho toma do cinema. Todos os meios têm essa intermídia, esse intertexto entre eles. O videogame entregou muito para o cinema, ele tem algumas demandas de linguagem que o cinema não tinha até pouco tempo. No cinema, você faz a cena de um prédio sendo destruído; no videogame, você consegue fazer o prédio ser destruído quebrando um pilar, você gera programas ou aplicativos que vão fazer o cenário se comportar de acordo com a interação do personagem. [...] O livro digital vai beber um pouco do game quando te deixa interagir, vai beber do cinema quando põe uma animação, vai brincar com sonoplastia, que é um recurso que vem desde o teatro. Não tem como não pensar nesses produtos como coisas intermediáticas, eles misturam muito. O que acho que a gente tem de manter em mente, ter como direção, é saber o que a gente está fazendo.37

O que Cardoso quer dizer é que, se a intenção é produzir um videogame, os recursos dos outros meios podem ser usados, contudo, o resultado precisa ser um videogame. Se for um livro, ele não pode perder as características que o tornam um livro e o diferenciam de um filme ou de um jogo. Assim, ressalta ele, um livro não é um videogame. E mesmo os games que contam uma história não deixam de ser jogos. O entrevistado reforça esta ideia dizendo que “Todo tipo de pirotecnia tem que estar servindo à narrativa, senão, se perde. Tem games que se propõem a contar histórias, mas o objetivo de um game e de quem o compra é ter desafios, tem que vencer alguma coisa”38. E, se um livro adotar exigir a resolução de um

desafio para passar à próxima página, Cardoso acredita que ele deixa de ser livro:

É no game que você tem que passar por um desafio para ter o acesso. [No livro] a narrativa é mais importante, não o que você está fazendo para passar a página. Se                                                                                                                

36  ITZKOVITCH, A. Interactive eBook Apps: The Reinvention of Reading and Interactivity. UX Magazine,

2012  

37  CARDOSO, São Paulo, 2012   38  Ibid  

fosse isso, então, em um livro impresso você também teria de passar a página assim. No livro, o mais importante tem que ser a narrativa, a história que está sendo contada. E qualquer recurso tecnológico tem que servir para isso. [...] Todo o estímulo que você der em termos de comunicação para a pessoa que está lendo, seja um som, uma animação ou uma interação com o conteúdo, tem de estar ajudando a contar a história. Se não está, o editor falhou.39

Essa mistura de mídias própria dos enhanced e-books dialoga bem com a sociedade contemporânea e com a leitura fragmentada que ela está acostumada – uma sociedade em que crianças de 2 anos já sabem destravar senhas de smartphones e tablets, ou seja, de indivíduos que nasceram ou cresceram interagindo com tais aparelhos e, para os quais, estranho é um mundo que não utiliza esses gadgets e que não usa seus dedinhos para comandar suas vontades numa tela. E, apesar de toda essa mistura, continua sendo leitura e continua sendo livro – muito parecido, aliás, com o formato de códex adotado há séculos. Não é a animação que o desvirtua de ser classificado como um livro, nem a interatividade, desde que elas estejam a serviço da história ali lida ou contada, como se pode ver neste interessante diálogo entre os autores infantis Blandina Franco e José Carlos Lollo:

- Livro para iPad é livro. Ele não pode ser só um desenho, desenho é outra coisa. Acho que não tem que ser um livro só para a criança ler o que está escrito ali, virar a página... isso faz parte um pouco do que é o livro, mas acho que ela pode participar daquilo. Ela vai ler, vai gravar, mas também pode pegar um cachorro e puxar para lá, pode fazer cócegas em quem está ali, pode, de alguma maneira, entrar no livro fisicamente. [Blandina]

- Ele é um desenho animado, mas é um desenho animado passivo, o livro é participativo [Lollo]

- No desenho animado, as coisas acontecem independentemente de você. O coiote corre atrás do Bip Bip, independe de você empurrá-lo. No livro, você tem a história, que está sendo contada, e pode fazer algumas coisas. Não é que você interfere no rumo da história, mas participa dela [Blandina]

- Você conduz a história. E você tem o simulacro de virar a página – não vai ter página, né? Mas você muda. Algumas coisas desse tipo vão continuar e [o fato de] você conduzir a história vai fazer a diferença. [Lollo]40

Mas, não, não é a mesma coisa, definitivamente. Nem mesmo o virar de páginas é feito de igual forma, como pontuou Lollo. Enquanto para o papel são necessários dois ou três dedos, para o tablet, um dedo em riste, autoritário e curioso, deslizando pela superfície é suficiente para mudar de página – ou seria de tela?

7.2 Prós e contras

                                                                                                               

39  CARDOSO, São Paulo, 2012  

Há vantagens e desvantagens, das mais óbvias às mais engenhosas, quando compara- se o livro no papel e no tablet. Os pontos positivos começam já no fato de o novo suporte estar completamente adequado à vida moderna, que pressupõe agilidade e dinamismo, devido às suas multifuncionalidades, e as crianças estarem familiarizadas com a leitura digital e os

gadgets. Os aparelhos também têm maior portabilidade e, comparando o mesmo volume de

conteúdo possível entre uma e outra plataforma, obviamente os tablets ocupam menos espaço e são mais fáceis de transportar. Muitos livros podem estar dentro de apenas um equipamento, o que facilita carregar o dispositivo tanto na mochila de material escolar como na de viagens turísticas.

Para se ter ideia, um e-reader normal com 1,4 GB de memória pode arquivar cerca de 1,5 mil livros. Já um iPad chega a 128 GB de capacidade de armazenamento e suporta um número variável de livros, que podem ocupar de 27 MB a 389 MB cada um (considerando neste caso os livros citados nesta dissertação, porém, há exemplares que exigem apenas 9,7 MB). Quanto mais recursos interativos e animações, maior é a quantidade de megabytes de cada livro. Ainda assim, numa perspectiva bem pessimista, se o usuário baixasse apenas os livros mais pesados, como o de 389 MB, conseguiria ter em um único gadget mais de 300 obras inseridas. É o fim das reclamações sobre mochilas pesadas que prejudicam a coluna e a postura dos alunos.

Além disso, os tablets facilitam a pesquisa, pois concentram no mesmo dispositivo a leitura e a possibilidade de consultar um dicionário ou outros sites, uma vez que estejam conectados à internet. Para Cardoso, a possibilidade de conteúdo imediato é seu principal destaque, como se vê no depoimento a seguir – ainda mais num país enorme como o Brasil, onde em qualquer cidade chega o sinal de telefonia para acessar a internet e poder comprar livros virtuais, mas não chegam as livrarias físicas:

Uma coisa que o livro digital tem que acho importantíssimo: o conteúdo pode ser transmitido instantaneamente, então, você consegue adquiri-lo de qualquer lugar, consegue baixá-lo instantaneamente. Na TV, você ainda fica ligado a horários, no rádio, você tem que ouvir o que está passando no momento. O acesso instantâneo a conteúdo é um ponto importantíssimo.41

Os tablets também estimulam a percepção sensorial e a resposta cognitiva. Uma experiência feita com crianças que têm síndrome de Down na unidade da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (APAE) de Barueri, em São Paulo, pelas fonoaudiólogas Adriana Fernandes de Souza Aquino e Priscila Gama Martins, chegou à conclusão de que o uso de                                                                                                                

aplicativos (entre jogos, músicas, histórias) ajudou a despertar a concentração e a percepção. As duas citam que os alunos com Down, de forma geral, adquiriram conceitos como os de cores, formas e animais, aprenderam a classificar objetos em categorias e se pré- alfabetizaram, além de terem melhorado a própria comunicação e a fala – as profissionais mesmas lembram da dificuldade tradicional de concentração de crianças com essa síndrome e ressaltam que o uso do equipamento foi eficiente até nas menores de três anos de idade.

E, por fim, o que parecia uma desvantagem com relação ao papel agora também está disponível nos tablets: a possibilidade de autoria e publicação. A Apple, por exemplo, lançou em janeiro de 2012 o iBooks Author, um software gratuito para criação de livros digitais no Mac, especialmente os didáticos – o autor pode incluir texto, imagens, galerias de fotos, vídeos, enquetes e até animações em 3D.

Por outro lado, há desvantagens. Estudos apontam que o uso (indiscriminado) de aplicativos em smartphones e tablets prejudica o desenvolvimento da linguagem, conforme aponta o Centro Médico Cohen para Crianças, de Nova York. Neste caso, o mal se daria para aquelas crianças que passam tempo demais com os aparelhos. É importante lembrar que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o uso de telas seja vetado a crianças menores de dois anos e, para as maiores, não ultrapasse a quantidade diária de duas horas por dia – somando todas as telas, inclusive a TV.

Além disso, os tablets têm desvantagens tão simples (e limitantes) quanto precisar de bateria e energia – sem carregador ou tomada, não há leitura. Também são mais caros, considerando-se a aquisição do aparelho. Um iPad Air, por exemplo, em junho de 2014, custava a partir de R$ 1.749 e um iPad mini, o mais barato, tinha preço a partir de R$ 1.249, segundo sugestão no próprio site da Apple. Já um tablet Samsung Galaxy Tab 4 com tela de 10 polegadas podia ser encontrado por R$ 1.098 no mesmo período.

Entre prós e contras, resta o caminho do meio: papel e tablet podem ser mídias complementares para os livros, sendo o formato digital preferido quando se quer mais interatividade e diversão, ou preterido quando se deseja mais imersão sem recursos que eventualmente possam causar distração. Cabe conhecer bem as ferramentas de que o livro digital dispõe não só para entender melhor seu funcionamento, como saber quando escolhê-lo. Deste ponto para frente, uma série de recursos, características e funcionalidades serão apresentados sobre a leitura nos tablets, que podem enriquecer a experiência, desde que usados de maneira a contribuir para a leitura.

7.3 Tipos existentes de recursos e interação

Em um dispositivo touch, interatividade é a capacidade de se envolver com a interface de usuário, incluindo as formas como você move seus dedos pela tela, a maneira como você seleciona um aplicativo, ou como você navega na internet. E- books interativos são, por definição uma experiência ampliada do livro que tem uma premissa central diferente de outros tipos de apps (com exceção dos games talvez). Enquanto na maioria dos aplicativos a interatividade foca no menu de navegação e a interação da interface com o usuário como um meio para atingir um objetivo (ver uma imagem, encontrar um endereço, ler um e-mail), os e-books interativos proporcionam interação com o conteúdo e a história, e, portanto, oferecem uma experiência única a cada vez.42

Como interatividade a serviço de um livro, pode-se incluir aí uma infinidade de recursos, de seleção de idiomas para a leitura até animações interativas complexas, numa relação mais direta do leitor com a interface touch. A própria maneira como o usuário move os dedos pela tela já implica em uma interação, pois não basta virar as páginas, elas podem ser deslocadas, ampliadas e ganhar movimento dependendo do local onde o dedo toca.

Abaixo, segue a descrição das ferramentas que atualmente são utilizadas nos enhanced

e-books, muito embora nem todas elas contribuam de forma efetiva para o desenrolar da

história. Trata-se mais de um panorama das possibilidades atualmente à disposição. Evitou-se, nesta parte, falar muito sobre os recursos disponíveis nos aplicativos que fazem parte do estudo de caso desta dissertação, uma vez que cada um terá capítulo próprio para discutir, entre outras coisas, a interação.

Seleção de idiomas: Assim como acontece nos filmes legendados, antes de começar a história, no índice, o leitor tem a possibilidade de escolher o idioma em que pretende ler ou escutar uma história. Nos aplicativos desenvolvidos no Brasil, esse recurso pouco é usado nos livros. No resto do mundo, oferta-se ao menos a opção de língua inglesa.

Narração: Uma das maiores diferenças – e vantagens para as crianças pequenas – para a leitura em papel é a figura do narrador de histórias que o livro digital permite. Há ali um contador oculto, que pode ou não ser acionado de acordo com a vontade da criança, geralmente nas primeiras telas. Acionada a voz do narrador, ela acompanhará a leitura toda vez que se mudar de página. Existem livros, no entanto, que permitem que o próprio leitor comande, tela a tela, se deseja ouvir a narração ou não – em Dans Mon Rêve, por exemplo,