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Forvaltning av statens eierinteresser i selskaper

In document Årsrapport 2017 (sider 70-73)

As dunas compõem e estruturam a paisagem litorânea, pois mantêm inter-relações com outras unidades geoambientais. As inter-relações são variáveis dentro do espaço litorâneo, dependentes da influência dos processos e da morfologia local. Em geral, há constante expansão e retração na superfície litorânea e intensa dinâmica morfogênica. Normalmente, a interação das unidades geoambientais ocorre entre as dunas, a praia, a pós-praia, as falésias, as lagoas e os manguezais (SILVA, 1993).

A interação da praia e da pós-praia com o campo de dunas está diretamente relacionada com o suprimento de areia. São, principalmente, esses ambientes, a principal fonte de sedimentos para a formação das dunas; depois elas protegem a praia contra ação erosiva das ondas. Existem fortes inter-relações das dunas com ambientes aquáticos, as quais estão relacionadas com o fornecimento de Figura 17: Modelo de migração dos campos de dunas ao longo do Parque Nacional de

Jericoacoara. Evidencia a fonte de sedimentos para a formação do campo de dunas e sua interação com as demais unidades morfológicas. Foi utilizado para a definição das trilhas e dinâmica sazonal para a gestão do acesso de veículos. Meireles 2011

água para rios e lagoas e o reabastecimento dos lençóis freáticos. Os campos dunares são fundamentais nesse processo, pois representam umas das principais fontes de captação e armazenamento de água no litoral. As lagoas interdunares e os manguezais, na área de pesquisa, são exemplos dessa importância, parte das suas águas é proveniente dessas unidades.

No Parque nacional de Jericoacoara foi possível identificar três gerações de dunas ao longo da planície costeira de Jericoacoara:

i. 1ª geração - formada por dunas fixas (vegetação arbórea com transição para o tabuleiro pré-litorâneo na borda sul do campo), dos tipos parabólicas e, secundariamente, dômicas, localizadas mais no interior da planície. Em setores próximos às dunas de segunda geração, estão sendo soterradas pelas dunas móveis. São mais elevadas que as outras gerações e possivelmente aturam como barreiras eólicas para a migração das dunas que se dirigem para setores SE/SW da planície costeira.

ii. 2ª geração, composta pelo conjunto de dunas móveis dos tipos barcanas e barcanóides. Está relacionado a pulsos de sedimentos provavelmente originados por alterações de alta frequência do nível relativo do mar (MEIRELES et al., 2002). Estas dunas estão associadas com as foram espaçotemporais e direcionais que definem intervalos de migração e direção preferencial de deslocamento.

iii. 3ª Geração, representada por dunas móveis atuais do tipo longitudinais, dispostas sobre a zona de berma atual (com ocorrência de barcanas de pequeno porte, entre 3 a 5 m de altura, sobre o estirâncio superior). Está associada às morfologias produzidas pelo imediato transporte de areia da faixa de praia.

As dunas móveis são formadas na costa cearense por serem ambientes subordinados aos processos de acumulação eólica de areia de origem marinha (plataforma continental). A granulometria dos sedimentos formadores das dunas é predominantemente fina, devido ao processo seletivo da energia eólica. Essas formações são desprovidas de solos e de cobertura vegetal, uma vez que são móveis. Possuem boas condições de aquífero mantendo uma reserva de água doce de grande relevância para a manutenção dos ambientes associados como a fauna, a flora e população que mora na região.

função como reservatórios de sedimentos para a manutenção de um aporte regulador de areia. Atuam de modo a evitar eventos erosivos na faixa de praia, ao contribuir com sedimentos para a deriva litorânea (ação das ondas e marés). São ambientes fortemente instáveis uma vez que são controlados pela incidência dos ventos de direção preferencial leste e nordeste, os quais orientam o caminho das dunas móveis do setor leste, da linha de costa para o interior do Parque.

Quanto ao uso potencialmente turístico das dunas, são muitas as limitações ,principalmente as relacionadas com a desconfiguração morfológica do corpo dunar, impermeabilização e alterações na quantidade de água armazenada, construção devias de acesso, fixação com a implantação de equipamentos urbanos e a mineração. No caso das dunas do Parque, o principal risco de uso inadequado pelo turismo e associado aos aspectos geodinâmicos e ecológicos, é o trânsito de veículos de tração sobre o corpo dunar. Verificou-se que altera o transporte das areias através da indução de processos turbulentos na remobilização dos sedimentos e acarreta mudanças no seu aspecto morfológico natural.

Em decorrência da dinâmica natural, as dunas móveis tendem a avançar sobre outros ambientes. Na área de estudo, essa migração resulta na formação de flechas de areia. Os manguezais e as lagoas próximos da pós-praia e dunas ativas também são alvos do assoreamento, em virtude do avanço dunar. As atividades humanas também fazem parte dessas inter-relações. Na realidade, elas provocam o maior número de alterações nas dunas, pois intensificam e modificam a dinâmica natural. Tais atividades produzem outras séries de impactos ambientais que promovem sérios processos desestabilizadores do ambiente.

A flecha de areia diante do manguezal do rio Guriú avançou 1.060m na direção da margem direita do rio, de acordo com chegada de sedimentos proveniente da deriva litorânea (Figura 18). Trata-se, inicialmente, de um indicador atual de que possivelmente o canal estuarino foi fechado por fechas de areia e campos de dunas. Eventos que provocaram mudanças ambientais que certamente evoluíram para laguna e lagoa costeira (a exemplo da lagoa do Catú, entre outras, no litoral leste do Ceará). Durante eventos de máxima vazão fluvial, o fluxo hidráulico rompeu os depósitos de areia diante da desembocadura, reabilitando as reações ambientais que orientaram o sistema a evoluir na direção do ecossistema manguezal atual. Ressalta-se ainda que, ao ser definida erosão da flecha de areia em aproximadamente 50m – entre 1988 e 2008, caso o avanço médio tenha se mantido para os últimos 20 anos –, demonstrou- se efeitos erosivos em áreas de

aporte de areia, notadamente associadas à progradação da linha de prea mar adentro. (Meireles 2011)

A vegetação fixadora dos corpos dunares representa elemento fundamental de distinção do grau de mobilidade dessa feição morfológica.

Dunas de 1a Geração: são as dunas mais antigas de Jericoacoara, se encontram afastadas da área fonte e bordejando os limites sul, sudeste e sudoeste do Parque. Essas dunas são principalmente do tipo parabólicas e se dispõem transversais e paralelas à direção predominante do vento. Apresentam cobertura pedológica com baixos teores da matéria orgânica, mas a sua cobertura vegetal é Figura 18: Evolução das dunas e flecha de areia diante do ecossistema manguezal do rio Guriú, limite oeste do Parna de Jericoacoara.

densa e de portes arbóreo e arbustivo cobrindo toda a superfície dunar. Esse campo de dunas fixas também evidencia que ocorreram flutuações do nível do mar, uma vez que o volume de sedimentos não é compatível com a dinâmica de transporte atual (Meireles e Raventòs, 2002).

Representam um excelente aquífero de qualidade de água e quantidade abundante em seu reservatório, assim como uma importante riqueza em biodiversidade de flora e fauna.

In document Årsrapport 2017 (sider 70-73)