1. Innledning
1.2 Forutsetninger tatt i oppgaven
Dentro deste quadro, de novas dimensões e atendendo novos programas funcionais, surgiram na década de 50 obras que marcaram relações novas com o espaço urbano. Os edifícios conjunto, congregando espaço para múltiplas atividades – comércio, restaurantes, cinemas, garagens, ruas internas – tornaram-se marcos da arquitetura do período.19
Os edifícios-conjunto representam, dentro daquele contexto estabelecido, o aprovei- tamento máximo das possibilidades de adensamento e sobreposição de funções em uma única construção. Dos empreendimentos deste vulto realizados em São Paulo entre as décadas de 50 e 60, destacamos como mais representativos o já citado edifício Copan (1951), o Conjunto Nacional (1954) de David Libeskind, e o já citado edifício Metropolitano (1959) de Candia e Gasperini.20
Do ponto de vista de seu partido formal, pode-se dizer que estes três conjuntos se aproximam de um mesmo arquétipo: edifício vertical sobre embasamento.21 Nos três
casos, o embasamento cumpre a função de conciliar o novo conjunto com a cidade 19 MEYER, Regina M. Prosperi. Metrópole e Urbanismo: São Paulo anos 50. 1991, Tese de Doutoramento – Faculdade de Arquitetura, Universidade de São Paulo, São Paulo. p. 42.
20 Dentro dos elementos que levantamos para caracterizar o traço comum entre estes três edifícios, caberia também lembrar, entre outros, o projeto do Edifício Itália (1953-56), de Franz Heep. Ali também o arquiteto emprega o uso da galeria no embasamento, que neste caso se desdobra em edifícios intermediários que realizam uma espécie de transição de escala entre o arranha-céu e a galeria comercial. Entendemos entretanto que este edifício assume características particulares em relação aos demais, principalmente pela dimensão exígua do terreno onde está implantado.
21 Em seu curso “Projeto, modernidade e aprendizado” (Escola da Cidade, São Paulo. Setembro de 2007), Hélio Piñon (Universidade Politécnica da Catalunha em Barcelona) comenta este arquétipo do “edifício vertical sobre embasamento”, como tendo sido mais propriamente empregado nas cidades do continente americano a partir do II pós-guerra. Além de exemplos norte americanos, como a célebre Lever House de Gordon Bunshat (1952), encontram-se exemplos notáveis em Bogotá, Caracas e Buenos Aires. Nesta última cidade vale citar o conjunto da rua Florida, 580, de autoria de Mário Roberto Alvarez e Associados (1974).
de cima para baixo:
Edifício Copan, Conjunto Nacional, Galeria Metrópole. Diagrama das seções transversais dos três conjuntos.
Forma de articulação entre o edifício vertical, o embasamento e seu entorno imediato
direita acima:
Edifício Seguradora Brasileira, São Paulo.
Planta da galeria no pavimento térreo (projeto original posteriormente adulterado).
Rino Levi, 1948.
fonte: Barbara (2004. p. 254) direita abaixo:
Edifício Seguradora Brasileira, São Paulo. Foto do modelo. Rino Levi, 1948.
existente, abrigando suas funções de caráter mais público, e submetendo a sua forma às circunstâncias do entorno. Ao volume vertical caberia abrigar as funções mais pri- vativas (ou domésticas) do programa. Estando implantado em uma cota elevada sobre o embasamento, o edifício vertical conquista uma certa independência em relação a seu entorno urbano imediato. À cobertura do embasamento, caberia abrigar os espaços livres, porém destacados do chão da cidade.22
Este dispositivo formal de organização do programa já havia sido ensaiado em São Paulo por Rino Levi no projeto de um edifício de lojas e apartamentos para a Cia. Seguradora Brasileira no Largo da Pólvora, Liberdade.23 Embora tenha sido projeta-
do em 1948, sua obra foi concluída somente em 1956. A galeria comercial prevista neste edifício dispõe de toda a projeção do lote para a construção do embasamento, alinhando a sua volumetria com as construções vizinhas e oferecendo uma marquise que acolhe os transeuntes na calçada. Situado em um terreno de esquina, o projeto previa originalmente o cruzamento dos pedestres pelo seu interior, oferecendo um percurso alternativo entre as ruas Liberdade e Américo de Campos. O teto jardim sobre o embasamento constitui o espaço livre coletivo dos apartamentos situados no edifício vertical. Outro exemplo análogo que seria realizado por Levi já no início da década de 60, é o Banco Sul-Americano do Brasil S.A., implantado na esquina da avenida Paulista com a rua Frei Caneca.24
22 A este modelo ideal do edifício-conjunto correspondem diversas experiências realizadas no Brasil e no exterior, principalmente a partir do II pós-guerra. Em nenhum dos casos que apresentamos, a apropriação posterior dos usuários do edifício correspondeu à aplicação da idéia original do projeto. Em geral, o pavimento intermediário entre o edifício vertical e o seu embasamento apresenta um conl ito entre funções de uso público e privativo, como é o caso do edifício Copan e do Conjunto Nacional.
23 BARBARA, Fernanda. Duas Tipologias Habitacionais: O Conjunto Ana Rosa e o Edifício Copan: Contexto e Análise de dois projetos realizados em São Paulo na década de 1950. 2002, Dissertação de Mestrado – Faculdade de Arquitetura, Universidade de São Paulo, São Paulo. p. 252.
24 Há diversos exemplos da utilização deste recurso em São Paulo a partir de meados da década de 50. O movimento de ocupação da avenida Paulista a partir deste momento presenciou a implantação de diversos edifícios com galerias conforme este mesmo arranjo, como seria o exemplo do edifício V Avenida, de Pedo Paulo de Melo Saraiva e Miguel Juliano em 1959.
Embora esta solução arquitetônica tenha sido efetivamente experimentada de forma pioneira em São Paulo a partir do início da década de 50, como atestam os exemplos comentados acima, podemos dizer que a idéia de cidade que alimenta estes projetos esteve presente em diversos planos urbanísticos realizados internacionalmente no II pós-guerra, seja em alguns exemplos europeus, como no plano elaborado – e posteriormente modii cado – por Van der Broek & Bakema para a reconstrução da área comercial central de Rotterdam (1946-1955), onde edifícios laminares habitacionais implantam-se sobre estruturas horizontais que dão abrigo aos programas de comércio e serviços; ou nas prósperas cidades norte americanas, como bem exemplii cam os planos realizados pela Chicago Plan Comission durante a segunda metade da década de 40, onde o chão da cidade se desdobra em camadas horizontais sucessivas para a ocupação dos terraços de seu rio urbano.25
25 Não por acaso, a presença de arquitetos-urbanistas como o alemão Ludwig Karl Hilberseimer (1885-1967) em Chicago, à frente do departamento de planejamento urbano do IIT (Illinois Institute of Technology) e do escritório de planejamento daquela cidade, se faria sentir através de seus estudos precedentes sobre a “Cidade de Arranha-céus” (Hochhausstadt), de 1924. ver: ZUKOWSKY, John (org.). Mies Reconsidered: His Carrer, Legacy, and Disciples. Chicago: Art Institut of Chicago, 1986. p. 111
acima:
Schouwburgplein, Rotterdam.
Comércio associado a escritórios e habitação. Van der Broek & Bakema e equipe, 1946-53
fonte: Atlas of the Dutch Urban Block (autores diversos) Rotterdam: THOTH Publishers, 2005. p. 163
esquerda ao lado (duas imagens idem):
Plano de ocupação da margem Leste do rio Chicago. The Chicago Plan Comission, 1947-51.
fonte: Amerikanische Architektur Seit 1947. Stuttgart: Gerd Hatje Verlag, 1951. p. 137