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O interesse principal deste projeto reside em analisar a descrição e avaliação que professores – aprovados em um programa de formação continuada de professores alfabetizadores e certificados por ele – fazem de sua prática pedagógica em relação ao propugnado pelo referido programa de formação que realizaram plenamente. Deste ponto de vista, seria possível selecionar professores oriundos de quaisquer programas de formação continuada, sobretudo pela gama de cursos e programas oferecidos pela rede que discutem o tema leitura e escrita. No entanto, optou-se pelo Programa de Formação de Professores Letra e Vida, pelos seguintes motivos:

1. por este programa ser, no momento, o curso de formação continuada de maior abrangência na rede estadual de educação, com previsões, segundo dados da SEE, de alcançar até o final de 2006, 45 mil professores;

2. por ser o único programa de formação continuada da rede, especificamente voltado à formação de alfabetizadores;

3. pelo conhecimento que detenho do programa, do qual sou formadora desde sua implementação na rede estadual, em 2003.

É fundamental explicitar ao leitor algumas de suas características na medida em que elas condicionaram decisões de ordem metodológica.

O Programa de Formação de Professores Alfabetizadores – PROFA – criado pelo MEC, institui-se na rede pública paulista no ano letivo de 2003 quando é renomeado como Programa de Formação de Professores Alfabetizadores “Letra e Vida”, tendo sido implementado nas 89 diretorias de ensino do interior e da capital paulista.

Os materiais que compõem o programa empregado na rede estadual são:

• documento de apresentação do curso;

• guia de orientações metodológicas para o formador;

• 3 coletâneas de textos para uso dos professores cursistas (1 por módulo);

• 30 programas de vídeo especialmente produzidos para o curso.

Conforme expresso no site da SEE, o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores Letra e Vida é destinado a professores que alfabetizam no ensino fundamental e que têm sob sua responsabilidade crianças, jovens e adultos. O curso é aberto também a outros profissionais de educação que pretendam aprofundar seus conhecimentos sobre a alfabetização.

Os objetivos do Programa Letra e Vida (elencados pela SEE e disponíveis em seu site) são:

• melhorar significativamente os resultados da alfabetização no sistema de ensino estadual, tanto quantitativa como qualitativamente;

• contribuir para uma mudança de paradigma, no que se refere tanto à didática da alfabetização, quanto à metodologia da formação dos professores;

• contribuir para que se formem, na base do sistema estadual de educação, quadros estáveis de profissionais capazes de desenvolver a formação continuada de professores alfabetizadores;

• contribuir para que tanto as diretorias de ensino, quanto as unidades escolares sintam-se responsáveis pela aprendizagem de todos os seus alunos;

• favorecer a ampliação do universo cultural dos formadores e dos professores cursistas, principalmente no que se refere ao seu letramento.

Vale ressaltar que o curso Letra e Vida não pode ser considerado uma proposta de formação aligeirada, haja vista que compõe-se de 3 módulos, cada um com duração aproximada de 1 semestre, com encontros semanais / presenciais de 3 horas. O formador do programa – que atua junto aos professores cursistas – é acompanhado por profissionais da equipe que coordena o programa na SEE, por meio de encontros quinzenais de 8 horas. Nestes encontros as pautas são discutidas, são tiradas dúvidas e feitas simulações das aulas que serão ministradas posteriormente pelos formadores.

Cabe ao formador cumprir a pauta prevista a cada encontro e contida no manual do formador, mediar as discussões desencadeadas pelos programas de vídeo, pelos textos ou pelas atividades propostas na coletânea dos cursistas. Durante o transcorrer de cada módulo do curso, o professor cursista é solicitado a realizar planejamentos, relatórios reflexivos e a desenvolver com seus alunos algumas atividades previstas nos encontros, tais atividades são denominadas no curso como “trabalho pessoal”.

Ao final de cada módulo, realiza-se uma avaliação organizada pelo grupo de formadores de cada diretoria de ensino. O formador é responsável pela elaboração das devolutivas dos trabalhos pessoais e da avaliação. Nessas devolutivas7 são feitos apontamentos que o formador julgou necessários a cada professor cursista, considerando-se as respostas dadas às questões da avaliação. Constam destas avaliações questões referentes aos conteúdos desenvolvidos em cada etapa do curso. Nelas, são apresentadas atividades

para serem analisadas pelos professores cursistas quanto ao seu objetivo, às adequações propostas, aos agrupamentos realizados, às intervenções do professor e aos desafios da atividade. Também constam das avaliações questões como: análises de escritas, explicitações sobre como desenvolver determinadas atividades envolvendo propostas de escrita, de leitura, de reescrita, revisão, produção de texto, cópias e interpretação de textos.

Para a obtenção da certificação, é necessário que o professor cursista cumpra 75% da freqüência total exigida, além de obter nas três avaliações realizadas durante todo curso um bom rendimento.

As três avaliações realizadas durante todo o curso, evidenciam a aprendizagem discursiva sobre os conteúdos que contemplaram cada módulo, haja vista que não há um acompanhamento direto do formador à sala de aula dos professores inscritos no curso. A avaliação e os trabalhos pessoais incidem sobre a “fala do professor” sobre sua prática, o que não corresponde necessariamente à sua ação em sala de aula. Ou seja, o fato de um professor cursista compreender os pressupostos de um determinado programa de formação continuada não garante, necessariamente, que ele esteja pautando sua prática pedagógica cotidiana em tais pressupostos, até porque tal transposição depende de uma série de ações (planejamento sistemático, levantamento dos conhecimentos de cada aluno, adequação de atividades dependendo do nível de cada aluno), tudo isso dependerá da disposição e condições do professor em alterar a sua prática em sala de aula.

Justificada a opção feita e após esta breve explanação sobre alguns aspectos da formação do programa Letra e Vida, uma segunda opção necessitou ser feita, relativamente à seleção dos professores que participaram desta pesquisa. Considerando-se que o programa Letra e Vida - utilizado como pano de fundo nesta investigação por questões já anteriormente citadas - abrange todas as 89 diretorias de ensino do estado, desde sua implementação em 2003, levar em conta o total de aproximadamente 45.000 docentes certificados implicaria lidar com amostragem estatística que considerasse grande número de variáveis, ou extrair um número grande de professores, de modo a garantir uma amostra aleatória.

Em vista disto, a circunscrição da pesquisa a uma única Diretoria de Ensino pode, por sua vez, estabelecer um viés amostral. Apresenta, no

entanto, vantagens importantes a serem consideradas. Neste aspecto, duas razões principais foram decisórias:

1ª O estreito vínculo que foi estabelecido entre a pesquisadora e a equipe técnico-pedagógica e cursistas desta diretoria8;

2º O tempo e os recursos disponíveis para a condução da pesquisa não permitiriam que se investigasse uma amostra representativa de diretorias de ensino participantes, considerando-se as 89 diretorias existentes no estado.

Feitas essas considerações seguimos com a apresentação do Método.

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A conclusão final foi a de que tal vínculo facilitaria a coleta de informação, principalmente no que diz respeito à permissão para a gravação de entrevistas e observação em sala de aula.