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3. D ET NASJONALE RAMMEVERKET FOR BYGGING AV OFFSHORE

3.4 A NNET RELEVANT LOVVERK

3.4.5 Forurensningsloven

As teorias sobre as imagens mentais que apontam para uma especificação de processos mentais têm tido uma contestação muito activa, através da problematização de alguns dos pressupostos. Z. Pylyshyn, ao longo de aproximadamente duas décadas, persiste na argumentação de que o raciocínio com imagens mentais envolve a mesma forma de representação e os mesmos

processos do raciocínio em geral, excepto no que diz respeito ao conteúdo ou matéria dos pensamentos que é experienciado como imagens (Pylyshyn, 2002).

No esclarecimento sobre a natureza das imagens mentais, e com base em evidência empírica, Pylyshyn (2003) corrobora as seguintes suposições: (1) as imagens mentais não são epifenómenos; (2) não têm uma estrutura proposicional subjacente, embora o seu conteúdo (e não a forma) possa ser codificado não só proposicionalmente como também lógica e simbolicamente; (3) há algo de especial no que distingue o raciocínio subjacente à experiência da imagem mental do raciocínio envolvido em outras formas de representação; (4) o sistema visual está implicado apenas na interpretação da informação visual ou na focalização da atenção para essa informação e no reconhecimento de objectos visuais.

Admitindo que as noções indefinidas sobre as imagens mentais não são suficientes para a construção e validação de uma teoria, Pylyshyn (2003) define como especulação pressupor que: (1) as imagens representam informação sobre elementos do aspecto exterior dos referentes a que se reportam; (2) o carácter espacial das imagens se limita às locações dos objectos; (3) a quantificação se restringe a objectos individuais embora representando múltiplas características de conteúdo; (4) a representação por imagens não incorpora disjunções ou negações explícitas; (5) as imagens são passíveis de algumas transformações e que a adjacência em relação à equivalência constitui um elemento facilitador do processamento. Na defesa dos seus pontos de vista, ganham relevância noções como a de penetrabilidade cognitiva do conteúdo ou das propriedades exteriores (cor, tamanho, brilho, textura, etc) por oposição a impenetrabilidade da forma (formas de processamento da informação), conhecimento tácito do real (base da construção da imagem) e parecença, embora seja questionável a sua plausibilidade, tendo em conta a afirmação de Pylyshyn (2003) de que as imagens “may resemble what they do not refer” (p.53).

Knauff e Johnson-Laird (2002) referem mesmo que alguma da evidência empírica é equívoca. Tendo por base uma revisão de estudos que não confirmam a correlação positiva da imagética no raciocínio humano, os autores pretendem testar a hipótese por eles delineada de que as imagens visuais não são essenciais para o raciocínio dedutivo, podendo mesmo ter um efeito negativo no processo, efeito este que se traduz numa maior morosidade na consecução das tarefas, ao contrário do que acontece com as representações espaciais. E com

base na validação empírica resultante da investigação que desenvolvem, apontam como limitação mais saliente dos estudos o facto de não ter sido feita a distinção entre modos de representação visual e espacial. Como suporte destas conclusões, recorrem a estudos neurológicos e, usando a imageologia como método, confirmam que há diferenças na activação das regiões cerebrais responsáveis pelos raciocínios decorrentes de representações visuais e espaciais, sendo as primeiras menos significativas/fortes/visíveis do que as segundas.

Com a evolução da investigação feita no domínio da semântica cognitiva, e particularmente com a afirmação do paradigma do realismo experiencial ou experiencialismo, enquadrado na designada segunda geração da ciência cognitiva, a função da imagética ganha relevância. Tendo como pressuposto uma perspectiva compreensiva de experiência, que é alargada a uma construção para a qual convergem a natureza do corpo humano, as suas capacidades geneticamente herdadas, o funcionamento físico do corpo no mundo, a forma como interage na organização cultural e social, as imagens são concebidas como elaborações de estruturas esquemáticas, abstractas e subliminares, de natureza perceptiva (visual e espacial), os esquemas imagéticos (“image schemas”), de onde emana um conjunto numeroso de metáforas conceptuais (Johnson, 1987; Lakoff, 1987; Lakoff & Johnson, 1980,1999).

Os esquemas imagéticos são particularmente relevantes na compreensão de domínios do conhecimento abstracto, através dos quais se consubstancia a hipótese da espacialização da forma, proposta por Lakoff (1987). Segundo esta hipótese, ocorre a transferência de uma estrutura espacial para uma estrutura conceptual, passando portanto a constituir-se como elementos estruturantes dos conceitos receptores, o que pressupõe que uma estrutura conceptual seja compreendida em função de um esquema imagético e de uma transferência metafórica. Neste enquadramento, os esquemas imagéticos têm uma dupla função: são conceitos directamente compreendidos com uma estrutura própria e usados metaforicamente para estruturar conceitos mais complexos. Consequentemente, é a partir dos esquemas imagéticos que se formam construções mentais conceptuais mais complexas, e que são designados por Lakoff (1987) Modelos Cognitivos Idealizados (ICMs – Idealized Cognitive Models).

A componente física (perceptiva) das imagens projecta-se na concepção da gramática cognitiva ou espacial (cf. 1.3.2.3.)segundo a qual a compreensão de qualquer palavra implica que sejam considerados aspectos de natureza perceptiva, para além da cultural e emocional, o que sustenta uma interrelação entre o conhecimento linguístico e não linguístico. Langacker (1987, 1991, 2006), ao destacar entre as categorias gramaticais as classes nome, categoria física discreta, e verbo, uma interacção enérgica, parte do pressuposto de que as mesmas assentam na concepção de espaço. Para as expressões relacionais, os verbos, o Modelo da Bola de Bilhar, um modelo esquemático metafórico, propicia a compreensão da estrutura prototípica da construção verbal sujeito-objecto. A força deste modelo reside na imagem criada de um jogador de bilhar, que através do taco, empurra uma bola contra a outra para gerar movimento, e a partir da qual se desenham os papéis semânticos e as interacções do agente (objecto que espoleta a corrente) e do paciente (o objecto final), uma estrutura típica das construções transitivas. Quanto ao nome, o modelo assenta numa imagem espacial, em que a categoria simbólica designa “uma coisa” (=nome), sendo coisa tecnicamente definida como uma região espacial.

Embora esta abordagem reforce a polémica, a investigação empírica continua a demonstrar que, nas construções linguísticas, estão subjacentes concepções pré-linguísticas de natureza imagética (cf. Fernandes; 1998, 2000). Assim, um dos princípios nucleares da gramática cognitiva reside na conceptualização ou «experiência mental» que depende da experiência sensório- motora em interacção com os conhecimentos linguístico, social e cultural, constituindo no seu conjunto a própria natureza do significado, e na base da qual se opera o seu processamento cognitivo (Silva, 1995).