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O conceito de Start-Up remete-nos para o contexto do empreendedorismo, sendo vulgarmente associado a empresas com pouco tempo de atividade e, geralmente, caracterizando-se por serem pequenas ou médias empresas. Recorrendo essencialmente ao senso comum, o conceito de Start-Up é utilizado muitas vezes para descrever ou identificar empresas de tecnologia que se caracterizam por efetivamente serem bastante recentes, ou ainda empresas que tenham origem num contexto universitário, mantendo-se usualmente nesses casos a tendência de atuarem em setores onde a componente tecnológica assume elevada importância.
Do ponto de vista puramente académico, o conceito de Start-Up não difere muito daquilo que é o senso comum, e ainda que exista um vasto conjunto de investigadores e académicos dedicados ao tema do empreendedorismo e das Start- Ups, geralmente assumem uma definição genérica baseada nesse mesmo senso comum, diferindo em pormenores que acabam por não influenciar em grande escala o real sentido do conceito. Assumindo então uma perspetiva académica, Gartner (1985) refere que uma Start-Up é um novo empreendimento, que deverá satisfazer alguns critérios:
Os seus fundadores devem ter conhecimentos adquiridos sobre produtos, processos, o mercado ou tecnologia;
Os resultados da organização são esperados para além do ano em que ocorre o investimento;
A organização é encarada pelos seus concorrentes como um novo player no mercado;
A organização torna-se um novo fornecedor para os possíveis clientes do mercado.
Estes aspetos estão relacionados com o fator “novidade” de uma Start-Up, ou seja, focam-se essencialmente no fato de estas empresas serem recentes no mercado. Interessa por isso saber por quanto tempo uma empresa poderá ser considerada uma Start-Up, pelo que, seguindo a opinião de Robinson (2001), o período a considerar deverá incluir os primeiros seis anos de funcionamento de uma empresa,
58 no entanto este período de tempo ponderado varia de autor para autor. Todas estas considerações relativas ao conceito de Start-Up são consistentes com a descrição de Racolta-Paina e Mone (2009) que definem Start-Ups como sendo “uma empresa que é nova no mercado e está a tentar ganhar uma posição (não necessariamente para se tornar líder, mas para se tornar um player funcional no seu mercado relvante)” (Racolta-Paina e Mone, 2009:64)
Para além de serem empresas recentes no mercado, as Start-Ups apresentam um conjunto de características que são, na sua generalidade, comuns a todas elas. Agregando o trabalho de Blomqvist (1999), Gelderen, Frese e Thurik (2000) e Gruber (2004), destacam-se as seguintes especificidades das Start-Ups:
Estas organizações possuem recursos bastante limitados, incluindo recursos financeiros e humanos;
Os fundadores assumem um papel determinante nestas organizações, sendo que, geralmente, é a estratégia pessoal dos mesmos que prevalece como estratégia global da organização;
Gozam de pouco notoriedade e reputação junto do mercado;
São muitas vezes tratadas ofensivamente pelas empresas já instaladas, como forma de retaliação à sua entrada no mercado;
Têm pouca ou nenhuma capacidade de influência no seu ambiente externo;
São extremamente flexíveis no seu funcionamento interno e externo, pois devido a possuírem um reduzido número de recursos humanos assumem um baixo nível de hierarquização e burocracia.
Assim, e de acordo com o que é exposto anteriormente as Start-Ups são genericamente caracterizadas pela sua (1) novidade no mercado, (2) reduzida dimensão, (3) recursos limitados, (4) e incerteza e turbulência, resultante das demais características (Gruber 2004). Alguns autores destacam ainda a possibilidade de estas organizações possuírem um elevado nível de especialização no mercado em que atuam, podendo tal aspeto estar relacionado com o seu capital humano que, embora reduzido, possui elevada especialização.
59 Di Gregorio e Shane (2002) estudaram a capacidade das instituições de ensino superior de gerar empresas Start-Ups, cujo objetivo passa por aproveitar a propriedade intelectual gerada nessas mesmas instituições. Os autores referem a elevada taxa de sucesso destas organizações, sendo que mantiveram-se operacionais 70% das Start-Ups geradas em contexto universitário nos EUA desde 1980 e 1998, tendo mesmo algumas destas empresas vindo a tornar-se organizações de grande porte e elevada notoriedade. As Start-Ups geradas num contexto académico “são igualmente um importante veículo de transferência de tecnologia, e um importante mecanismo para atividade económica” (Di Gregorio e Shane, 2002:209). O resultado da investigação levada a cabo pelos autores mostra que as instituições de ensino superior com superior capacidade de eminência intelectual, ou seja, a capacidade de desenvolver inovações e novo conhecimento, e com uma política de licenciamento favorável, estão mais aptas a gerar Start-Ups. Estas descobertas são consistentes com as investigações de outros autores, como Powers e McDougall (2005) e Zucker, Darby e Brewer (1998).
Por sua vez a disponibilidade de capital de risco e a orientação comercial da instituição, parecem ser fatores sem influência na geração de Start-Ups em contexto académico. Ainda assim Di Gregorio e Shane (2002) referem que apesar de a disponibilidade de capital de risco das instituições de ensino não ter influência na capacidade de geração de Start-Ups, outras fontes de capital podem assumir uma importância vital na fase inicial destas organizações, nomeadamente agências governamentais ou os business angels, investidores privados que providenciam o investimento inicial necessário para o arranque da Start-Up, com pretensões de obter os respetivos dividendos financeiros no médio e longo prazo.
Outra surpreendente descoberta resultante da investigação de Di Gregorio e Shane (2002), prende-se com o facto de a presença de incubadoras de empresas não terem um efeito positivo na geração de Start-Ups, no entanto as limitações do estudo, nomeadamente a restrição do mesmo a Start-Ups geradas em contexto académico e apenas nos EUA, não nos permitem generalizar os resultados ou retirar conclusões definitivas dos mesmos. De referir que, respeitante às Start-Ups desenvolvidas em contexto académico, estas são usualmente denominadas de Spin-
60 nasceram através de grupos de pesquisa, quer universitários, quer privados (Lemos, 2008)
Powers e McDougall (2005) focam o seu estudo nas políticas de transferência de tecnologia das instituições de ensino superior com o intuito de verificar em que medida estas políticas suportam a geração de Start-Ups. No entanto o que se torna importante referir sobre este estudo, e outros semelhantes (Di Gregorio e Shane,2002; Zucker, Darby e Brewer, 1998), é que se centram essencialmente em empresas que atuam em mercado de tecnologia. Tal aspeto pode dever-se à associação feita entre o conceito de Start-Ups e a criação de empresas num contexto académico, o que acontece especialmente por via do desenvolvimento de inovações ou de novas tecnologias neste mesmo contexto. Ainda assim, e apesar de grande parte dos estudos de caracter académico sobre Start-Ups recair em empresas de tecnologia, estas são apenas um tipo de Start-Up, e tal como foi exposto anteriormente, a definição de Start-Up não remete estas organizações exclusivamente para os mercados tecnológicos.