2 Tidligere forskning, teori og metode
3.2 Det fortellertekniske i Kranes konditori
3.2.2 Fortelleren i Kranes konditori
Sumário: Apresentação à turma, debate e interpretação dos trabalhos dos alunos – tro- ca de pontos de vista.
(Obs. Serão focados apenas, resumidamente, alguns dos trabalhos apresentados; os restantes encontram-se na memória descritiva efetuada pelos alunos. (Anexo 20).
Objetivos: dar ao aluno ocasião de evidenciar como desenvolveu a sua capacidade de comunicar e interpretar de uma forma adequada; propiciar e fomentar no aluno o sen- tido de projeto; desenvolver princípios de cidadania (ex. respeitar a opinião do outro); desenvolver a sua sensibilidade estética e sentido crítico.
Deu-se início à apresentação das obras de seis alunos. Cada um trouxe para a aula o objeto físico que escolhera. Foi projetado no quadro branco um PowerPoint onde fora colocada a fotografia do objeto de cada aluno, a sua representação a grafite, a sua simplificação por Nivelamento e Acentuação, e, por fim, a obra final (PP.5, Ane- xo 18). O objetivo foi o de fazer o aluno entender bem o sentido de processo: o objeto sofreu logo uma transformação quando lhe foi atribuído um significado, o mesmo acontecendo com a sua fotografia, representação e simplificação – estas formas já não são o objeto, mas sim outras formas.
No fim, foi explicado que todas estas fases acabam por estar interligadas, que, falando metaforicamente, o objeto físico constitui a semente e as restantes fases cor- respondem à sua germinação e desenvolvimento – primeiro, a raiz, logo a seguir o caule, depois os ramos, folhas e flores – com a luz, a água e os nutrientes do solo. Po- der-se-ia ver nesta evolução o processo da transformação e, se se quisesse, poder-se-ia ver as folhas, o mais efémero, como as interpretações que são atribuídas à obra.
Deu-se início às apresentações, às quais foram sempre feitos, no fim, alguns comentários, frisando-se onde cada aluno se tinha destacado. Forneceu-se, também, o feedback do trabalho e da sua apresentação. Apresentada a primeira obra (Fig. 2.62), os colegas analisaram-na a nível formal e, depois, passaram à atribuição de significa- dos. Para uns esta transformação representava a ideia de movimento, para outros, a do contraste entre o dia e a noite, ou a de que as mãos tomavam uma posição semelhante ao formato do objeto, acompanhando a curvatura da sua estrutura.
Na sua explicação, a aluna afirmou que, inicialmente, atribuíra ao objeto (a caneca) um significado próximo da ideia de conforto, pois este objeto remetia-a para a ideia de tardes de Outono e Inverno (estações preferidas), em que a enchia de chá ou
Fig. 2.63. Apresentação do trabalho de uma aluna; Trabalho final, tinta acrílica s/ folha de aguarela 300g/m.
café quente e se sentava à secretária a desenhar ou a estudar, momentos estes de grande tranquilidade. Para a sua transformação final, a aluna referiu que a ideia para técnica utilizada na obra surgiu quando estava a realizar uma recriação da obra Portrait of a young man (1928) de Augustus John e ficou fascinada com o modo como o artista efetuava as suas pinceladas e dava origem às suas texturas. Disse ainda ter dado uma importância especial às mãos, pois, para além dos olhos, estas constituem uma das ferramentas mais importantes do artista, sendo aquela que lhe permite criar. Explicou que a forma e posição das mãos remete para o movimento de “pegar” no objeto – a forma que acompanha o movimento –, referindo que a própria interação entre a mão e o objeto já constitui uma transformação. Referiu ainda que a caneca se encontrava em diferentes posições, pois, para além de representar a ideia de movimento inerente à atividade artística, pretendia representar também a ideia da existência de vários pontos de vista neste mundo, que determinam a forma como cada um interpreta a realidade e a própria obra de arte.
Prosseguiu-se, com a apresentação de outro aluno, que efetuou uma pequena escultura (Fig. 2.63). Alguns colegas disseram que parecia um bonsai, outros, uma palmeira do deserto; para uns, uma árvore; para outros, um extraterrestre, uma pessoa que segurava na copa da árvore, referindo-se que, no seu suposto tronco, se encontrava o objeto inicial (boneco de madeira) desconstruído; para outros, remetia para a ideia de proteção/suporte.
O aluno contou que escolhera este objeto sobretudo pela sua estrutura, por- que as suas formas lhe abriam a um campo cognitivo e imagético de possibilidades e modos de atuar sobre elas e, assim, proceder à sua transformação. Pretendia recuar no tempo, altura em que o boneco de madeira era uma árvore, ou seja, voltar à sua origem, contudo, agora diferente, e advertir para o perigo de estarmos a extrair mais
Fig. 2.64. Apresentação do trabalho de um aluno; Trabalho final, barro, técnica mista.
da Natureza do que aquilo que ela nos pode oferecer, como é o caso da madeira e da desflorestação. Dessa forma, a sua transformação foi efetuada em barro. Referiu que a estrutura do seu boneco de madeira foi desconstruída em diversas partes, que se re- constituíram no tronco desta «nova árvore», cuja copa fora feita com materiais como folhas e papel reciclado. Por fim, explicou que o boneco de madeira remetia para o Homem, e, como os colegas tinham referido, a obra poderia transmitir uma ideia de «suporte e proteção»; no fundo, poderia indicar que urge proteger a Natureza, pois ela é a nossa casa e, sem ela, também o Homem deixará de existir. A nível técnico, disse ter-se inspirado nas obras de Ugo Rondinone (presente na Página do Facebook).
Reflexão Pessoal
No fim de cada partilha, todos os colegas aplaudiram. Respeitaram sempre a opinião uns dos outros, debatendo-a de uma forma correta e construtiva. A experiência provou ser extremamente positiva para todos, pois todos abriram a mente para acolher e conhecer diferentes perspetivas e diversas possibilidades. Foram abordados temas concetuais, a arte como intervenção social, o nosso eu enquanto ser único, os seus interesses e memórias, a transcendência. O entendimento das transformações operadas foi bem conseguido e o desenvolvimento da cultura visual de cada um evidenciou-se notável.
Alguns alunos não tinham ainda terminado as suas transformações, o que fize- ram nesta aula. A aluna y, mais uma vez, não trouxera nenhum trabalho; mesmo assim, continuou-se a incentivá-la a apresentar algo, num esforço máximo de a motivar. A aluna, no fim, garantiu que iria tentar.