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5 MARKEDSMESSIGE FORHOLD

5.1 Forsvarsmarkedets særegenheter

Para a produção desse tópico fiz uma breve síntese dos fragmentos biográficos do fundador do GVT Salomão Alves de Moura Brasil, mais conhecido como Dr. Salomão. Portanto, não narrei toda a sua história de vida, uma vez que existem outros trabalhos que o

fazem7; apenas enumerei alguns acontecimentos para demonstrar o seu envolvimento com as

questões educacionais, as motivações que o levaram a construir o GVT e a sua importância para a existência da instituição.

Nos dizeres de Nascimento; Sandano; Lombardi (2007, p. viii) “a instituição escolar é construída a partir da história dos homens, no processo pelo qual eles produzem socialmente suas vidas”. Desse modo, a vida de Dr. Salomão se confunde com a própria existência do GVT, de tal modo que ele vivia literalmente dentro da escola, posto que a casa da família ficava atrelada ao estabelecimento. Ao expor alguns fatos da vida desse sujeito histórico evidenciei elementos que me ajudaram a compreender os acontecimentos que permearam a fundação da instituição escolar, conforme se segue:

Imagem 01- Dr. Salomão Alves de Moura Brasil

Fonte: Acervo pessoal da professora Rose Mary Santana Matos (2018)

Dr. Salomão Alves de Moura Brasil era filho de João Francisco de Moura e Otília Alves do Nascimento. Nasceu no dia 12 (doze) de janeiro de 1927 no município de Iracema pertencente à região do Jaguaribe/CE. Embora nascendo naquele município em sua obra autobiografia (BRASIL, 2008) afirma que teve o privilégio de possuir duas naturalidades,

7BRASIL, Salomão Alves de Moura. O menino que disse sim. Fortaleza: Premius, 2008; BRASIL; MATOS,

Rose Mary Santana. Aracoiaba, histórias em retalhos. Fortaleza: Premius, 2012. V.2; MARTINS Elcimar Simão; ARAÚJO, Maria das Graças de; LEITE, Maria Cleide Ribeiro. Salomão Alves de Moura Brasil: a trajetória de um educador. In: ENCONTRO CEARENSE DE HISTORIADORES DA EDUCAÇÃO. X ENCONTRO CEARENSE DE GEOGRAFIA DA EDUCAÇÃO. III. 2011, Fortaleza. Anais... Fortaleza, 2011; NOGUEIRA, Rycardo Willes Pinheiro. Memórias e narrativas (auto) biográficas: construções de si em Salomão Alves de Moura Brasil. Aracoiaba/CE (1990-2013). 2016. Dissertação (Mestrado em História). Centro de Humanidades, Universidade Estadual do Ceará (UECE). Fortaleza, 2016.

pois foi gerado no município de Aracoiaba, considerado por ele como sua terra natal, uma vez que sua vida e ações enquanto homem público se desenvolveram lá.

Ficou sem pai aos 05 (cinco) anos de idade, fato que talvez tenha sido a maior dificuldade por ele enfrentada, pois passou a ser arrimo de família. Apesar das grandes dificuldades, dada às condições financeiras de sua família, conseguiu estudar num dos “mais caros, raros e selecionados estabelecimentos do estado do Ceará, o Colégio dos Jesuítas, internato no alto das montanhas do Maciço de Baturité” (BRASIL, 2008, p. 140). Essa foi uma batalha conquistada pela sua determinação e de sua mãe que era professora e não mediu esforços em pedir ajuda para que ele estudasse naquela respeitada instituição.

De acordo com Brasil (2008) os estabelecimentos jesuítas são geralmente conhecidos no mundo todo como ‘Ninho das Águias’, uma alusão às águias, que constroem os seus ninhos no mais alto das montanhas e preparam seus filhos para alçarem voos, estimulando-os energicamente logo que adquirem plumagem suficiente. Assim, aquele colégio foi para ele a sua águia-mãe que o impulsionou a lutar pelos seus ideais, dando-lhes uma excelente formação, pautada, sobretudo, nos ensinamentos humanísticos e espirituais, fortalecendo a sua sensibilidade para com os diversos aspectos da vida humana, em especial o sentimento de ajudar ao próximo.

Dr. Salomão conseguiu alçar grandes voos através da sua rebuscada educação jesuítica, pois ao decidir seguir a vida secular, quando concluiu o 2º grau prestou vestibular na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Fortaleza, tendo sido aprovado em 2º lugar. Essa seria mais uma das muitas conquistas que logrou ao longo dos seus 82 (oitenta e dois) anos de idade.

Ao ir estudar em Fortaleza, concomitante à sua vida acadêmica passou a trabalhar como bibliotecário na Escola de Cadetes, revisor do Jornal O Povo, bem como ensinou no Colégio Farias Brito e Colégio Arquidiocesano Castelo Branco, além de ministrar aulas particulares a alunos filhos de famílias abastadas de Fortaleza. Lecionou nos colégios Pe. Champagnhat, Dom Bosco, Brasil e Escola de Sargentos do Exército, e ainda ministrava aulas de francês ao comandante da Base Aérea, Cel. Adamastor Cantallice. Fundou o Educandário Antonio Bezerra com a ajuda recebida da Secretaria de Educação e Cultura do Estado que aparelhou a escola com material escolar permanente e de expediente, além de lotar duas professoras estaduais no estabelecimento. Foi o seu primeiro diretor, em seguida o referido educandário ficou a cargo dos irmãos Melo e Dutra, colegas egressos do Colégio dos Jesuítas (BRASIL, 2008). Os estudantes jesuítas que não seguiam a carreira eclesiástica, geralmente

exerciam atividades voltadas para educação, por isso, é comum a fundação de escolas por eles.

Essas experiências profissionais, especialmente as voltadas para o exercício do magistério, geraram uma expertise que favoreceu o seu desempenho na educação, embora tenha atuado também em outras áreas. Assim, ele exerceu por algum tempo a função de escriturário da empresa de aviação Panair do Brasil.

Quando concluiu a faculdade foi convidado para exercer o cargo de diretor de colégio em Pernambuco, em Granja/CE e Jaguaribe/CE. Por motivo de conveniência aceitou a direção do Ginásio Carmela Dutra de Jaguaribe, pertencente às famílias Távora e Barreira, de tradição na política estadual. Em Jaguaribe, conseguiu o registro e reconhecimento estadual da unidade escolar transformando-a em Ginásio Escola Normal, portanto, um estabelecimento de 1º e 2º graus; e passou 10 (dez) anos como diretor do estabelecimento. As fotografias abaixo ilustram a sua passagem pelo município de Jaguaribe.

Imagens 02 e 03 – Dr. Salomão no Colégio Carmela Dutra de Jaguaribe/CE

Fonte: Acervo pessoal da professora Rose Mary Santana Matos (2018).

Ao retornar à Aracoiaba fundou, em 1958, através da Associação dos Educadores de Aracoiaba, o Ginásio Escola Normal Virgílio Távora. Os detalhes relativos à escola serão expostos em itens posteriores.

Em virtude de suas estreitas relações com a família Távora, após o suicídio do Presidente Getúlio Dornelles Vargas, ganhou duas bolsas de estudos do Ministério da Educação (MEC) para Cursos Especiais de Pós-Graduação, incluindo Didáticas Especiais de Inglês, Francês, Português e Engenharia Escolar. Cursou ainda Ciências Jurídicas e Sociais, como era chamado o Curso de Direito na UFC. Com a sua formação em Direito conseguiu assumir o cargo de Promotor Adjunto na cidade de Jaguaribe.

Seu envolvimento com a educação o levou a ser o primeiro Superintende do Ensino do Estado do Ceará para Assuntos Educacionais de Alto Nível, através de uma rigorosa seleção, cargo de grande relevância no organograma da Secretaria de Educação do Estado do Ceará (BRASIL, 2012). Isso se deu na administração do governador do Ceará, o então Cel. Virgílio Távora, dada a sua ligação com a família Távora, que sempre foi bem próxima. Em depoimento da professora Helena, ela afirma que ele “era muito amigo do Virgílio Távora. Virgílio Távora foi padrinho dele. Ele tinha dificuldades o Virgílio Távora socorria. Foi até padrinho de casamento dele” (professora Helena).

Dr. Salomão era um homem que fazia parte de uma elite intelectual, bem como era ligado aos políticos, tanto de Aracoiaba, como do estado do Ceará. Assim, em 1982 elegeu-se vereador de Aracoiaba, permanecendo nesse cargo eletivo seguidamente até o ano de 2008. Foi por várias vezes o vereador mais votado do município, sendo também presidente da Câmara de Vereadores durante três administrações. Foi autor de várias leis voltadas para a preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Aracoiaba, bem como para o meio ambiente. Sua condição de homem político lhe ajudou a conseguir alguns benefícios para as suas empreitadas, mas também trouxe consequências negativas no decorrer da sua trajetória de vida.

Foi o idealizador da lei que criou a comenda ‘Canoa de Prata’, que tinha como escopo prestigiar pessoas que se destacavam no município, sendo também um dos agraciados. Criou no ano de 2008 a Superintendência do Patrimônio Histórico Cultural de Aracoiaba pela lei nº 985/2008, de 29 de dezembro de 2008 e publicada no Boletim Oficial de Aracoiaba, Ano III, nº 40, em 31 de dezembro de 2008. Dentre os objetivos dessa superintendência, estava a criação de um museu, cuja denominação era Museu Histórico e Cultural de Aracoiaba Professora Maria Madalena Silva Matos. Porém, em virtude do seu falecimento, como uma forma de homenageá-lo, o museu passou a ter o seu nome na denominação, e o nome da professora passou para uma de suas salas. É importante observar que o museu ocupa parte das instalações do GVT, embora esteja fechado atualmente para o público (BRASIL, 2012).

No museu existe uma sala com muitos objetos que representam a sua trajetória de vida. Como diz a professora dona Eugênia ao me apresentar a estrutura da escola: “isso aqui é a sala que representa as coisas do Dr. Salomão, é a sala mais querida. Tem muitas coisas que foram feitas por ele e a Rose Mary” (professora Eugênia). A professora Rose Mary é atualmente a superintendente do Museu Histórico e Cultural de Aracoiaba. Há ainda uma escola profissionalizante na cidade denominada de Escola Estadual de Educação Profissional

Salomão Alves de Moura. Dessa forma percebe-se que ele era uma pessoa muito prestigiada no município.

Foi autor de vários hinos, dentre eles destacam-se: o Hino do Município de Aracoiaba, de Ocara/CE, Vazantes, que é um dos distritos de Aracoiaba; Hino do Centenário de Aracoiaba, Hino do GVT, do Centro Cívico da escola, dentre outros. Escreveu ainda vários poemas de amor e religiosos, pronunciamentos, operetas e livros, dos quais se destacam o Menino que disse sim, Caleidoscópio e Aracoiaba, História em Retalhos. A última obra foi iniciada por ele, mas continuada pela professora Rose, cujo lançamento se deu após a sua morte.

Em virtude da sua contribuição para a educação, não só de Aracoiaba, mas também da região do Maciço de Baturité e de outros lugares, recebeu a alcunha de “Papa da Educação do Maciço de Baturité” (NOGUEIRA, 2013), ou seja, aquele que representa a autoridade máxima que dominava os assuntos educacionais na região. Essa referência certamente poderia ser uma forma de exaltar a sua figura enquanto homem público e político. Foi também homenageado no Programa Papo Literário da TV Cultura no ano de 2009. Dessa forma, é possível perceber pelos seus escritos, a construção de uma imagem positiva sobre a sua pessoa como a de um herói que consegue vencer todos os obstáculos impostos pela vida e ainda ajudar o seu povo a galgar o caminho do progresso através da educação.

Ele morreu no dia 18 (dezoito) de maio do ano de 2009, dia ‘Internacional do Museu’, na cidade de Fortaleza, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) (BRASIL, 2012). Contudo, teve uma vida bastante ativa. Era um homem empreendedor, com uma visão ampla e além do seu tempo. Com a sua longa atuação política soube se beneficiar do poder, ao mesmo tempo em que também sofreu seus reveses quando estava do lado contrário à situação, com consequências sérias para a instituição escolar por ele criada, fato que poderia ter influenciado no fechamento da escola.

Sua história de vida tornou-se objeto de estudos acadêmicos com o objetivo de entender o papel das ações dos sujeitos na história. Nogueira (2013, 2014, 2016 a, 2016 b, 2017) ao versar sobre suas memórias e narrativas (auto) biográficas, faz uma reflexão criteriosa de seus escritos; Martins; Araújo; Leite (2011) destacam a sua trajetória de educador. Na verdade toda história de vida é o encadeamento de fatos complexos que não se traduz totalmente nos escritos biográficos e autobiográficos. Não obstante, Jucá (2011, p.22) é de opinião que as histórias de vida

põem em evidência o modo como cada pessoa mobiliza os seus conhecimentos, os seus valores, as suas energias, os seus repertórios. Numa história de vida podem ser identificadas as rupturas e as continuidades, as coincidências no tempo e no espaço, as “transferências” de preocupações e de interesses, os quadros de referência presentes nos vários espaços do cotidiano.

Compreendo a importância de se evidenciar as ações dos sujeitos, pois elas impulsionam a dinâmica da história. Embora não fazendo uma biografia de Dr. Salomão Alves de Moura Brasil, trazer alguns acontecimentos de sua vida me faz entender as ações deste homem e a sua relação intrínseca com a existência do GVT, enquanto fundador, diretor e professor. Ao mesmo tempo, sua iniciativa ao fundar uma escola em Aracoiaba pode evidenciar a ausência do Estado em garantir escola pública de qualidade para todos, uma vez que os recursos públicos eram canalizados para as instituições privadas e filantrópicas em forma de significativas subvenções, como pode ser ver posteriormente.

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