• No results found

Forsvarlig grunnlag for å vurdere den voksnes realkompetanse

In document Nasjonale retningslinjer (sider 30-35)

8. Fase 3

8.2 Forsvarlig grunnlag for å vurdere den voksnes realkompetanse

A costumização do objecto feita pelo sujeito está dependente das escolhas do próprio baseado na sua escala de diferenças, ou num sentido mais lato, do sistema cultural em si, permitindo um constante reviver do conceito base pela individualização de uma série de distinções pertencentes ao imaginário individual.

"The psycho-sociological dynamic of model and series does not,

therefore, operate at the level of the object`s primary function, but merely at the level of a secondary function, at the level of the personalized object"12 (Baudrillard, 2005, p.151)

Esta costumização inicia-se logo no acto da aquisição do objecto, quando existe uma escolha formal entre um largo espectro de oferta. A forma como os fabricantes de cadeiras oferecem as opções de fabrico e de montagem das cadeiras é já por si uma oferta de personalização ao sujeito, embora na maioria das vezes essa personalização diga respeito essencialmente a questões antropométricas. Outro tipo de escolha poderá ser feito como uma segunda opção após o modelo de base, mas qualquer uma que se faça não deixa de ser uma escolha por defeito onde são agrupadas e fabricadas em série

12

"A dinâmica psico-sociológica de modelo e série não opera a um nível da primeira função do objecto mas apenas ao nível de uma função secundária, ao nível do objecto personalizado"

Página | 34 segundo critérios de costumização idênticos. Nas cadeiras não consideramos que exista uma tendência ou moda na aquisição de um determinado tipo de cadeira de rodas. A estética (forma) da cadeira não é dos factores mais valorizados pelos utilizadores de cadeiras de rodas (Costa et al, 2011), e as opções disponíveis em termos de segundos critérios não vão além das cores e de um ou outro acessório, pelo que neste caso a moda ou fashion não será o conceito mais importante para este tipo de objectos. Esta conclusão retirada de um questionário quantitativo submetido a um painel de utilizadores de cadeiras de rodas (sobre o qual falaremos mais em detalhe no capítulo 4), levanta algumas questões na área da sociologia que colidem com a definição do "Habitus" de Pierre Bourdieu (1974).

De um conceito anterior ao estudo da sociologia e "ostensivamente filosófico" (Héran, 1987), a definição remonta a estudos do próprio da obra de Panofsky e de pesquisas de Robert Marichal (Bourdieu, 1967) e (Bourdieu, 1962) no conceito Aristotélico de Hexis: características do homem, do corpo e da alma adquiridos ao longo de processos de aprendizagem. No plano semântico Héran (1987, p. 389) faz alusão a um adágio "Sicut vestis corpus, ita habitus animam vestit"13 onde se percebe a alusão ao habitus como vestimenta da alma assim como a roupa para o corpo. Ao longo de toda a sua vida o conceito do Habitus sempre acompanhou Bourdieu. Ao comentar Panofsky, Bourdieu (1974) fala de um sistema interno inconsciente do indivíduo produzido a partir da instituição escolar que constitui a cultura ou o seu Habitus. Para além do que se poderá designar por capital cultural, todos as outras formas de trocas de identidades entre a sociedade e o indivíduo faz com que o indivíduo seja o seu fiel depositário. A criação de espaços sociais diferenciados com "práticas distintas e distintivas" dá origem a …

"...categorias sociais de percepção, destes princípios de visão e de divisão, as diferenças nas práticas, nos bens possuídos, nas opiniões expressas se tornam diferenças simbólicas e constituem uma verdadeira linguagem. As diferenças associadas às diferentes posições, quer dizer, os bens, as práticas e sobretudo as maneiras, funcionam, em cada sociedade, enquanto diferenças constitutivas de sistemas simbólicos, como o conjunto de fonemas de uma língua ou o

13

Página | 35

conjunto dos traços distintivos e dos desvios diferenciais que são constitutivos de um sistema mítico, quer dizer, como signos distintivos." (Bourdieu, 2001, pp.9-10)

Ora como o indivíduo está em permanente contacto com a sociedade, esta troca de "práticas" não é estática e condicionada ao tempo, mas está em permanente evolução no seu constante diálogo com o indivíduo, em experiências dinâmicas de aprendizagem que se processam em ambos os sentidos mas que se sedimentam no indivíduo, criando o que Bourdieu (2001) chama de "categorias sociais". Esta diferenciação por grupos e classes levanta um problema de acomodação em relação ao Habitus, aos objectos do quotidiano. Se os indivíduos tendem a ajustar as suas expectativas às suas condições de vida, é normal que escolham o tipo de objectos ou classe de objectos a que estão "condicionados" ou habituados. Desta forma é muito difícil propor novas formas de representar o mundo e de questionar o discurso do que é ser humano, cabendo às Artes e ao Design propor novos caminhos de forma a ultrapassar a tendência para a "rejeição" pelo público de trabalhos de artistas ou objectos menos estereotipados.

Preferir o tradicional/convencional poderá ser uma forma de resistência, uma estratégia identitária (de sobrevivência?) à velocidade das transformações do mundo da "modernidade liquida" (Bauman, 2000) e à "corrosão do carácter" (Sennett, 1998) no mundo pós-moderno, e ao excesso da imagem e da cultura predominantemente visual? A sociologia da cultura, a esteticização do quotidiano pela apropriação estética dos objectos funcionais (aparelhos dentários com muitas cores disponíveis) ou as imagens estigmatizantes (as tatuagens, inicialmente associadas a criminosos) pressupõe que a adopção da cadeira de rodas como objecto "artístico" costumizável poderá ser uma via para a absorção de novas imagens ao Habitus, para uma destigmatização negativa do objecto. Tudo depende da costumização proposta para que não se caia dentro do Habitus do indivíduo, anulando o efeito da inovação cultural/estética.

In document Nasjonale retningslinjer (sider 30-35)